O estômago de Marluce roncou, parecia uma pessoa anunciando sua fome.
— Que tal um fast food? Estou com fome, mas não quero sair do carro. — pediu Marluce.
— Ok, vamos de comida podre.
Ela olhou para ele, negando com a cabeça e rindo, replicou:
— Não é comida podre!
— Não é assim que chamam nas ruas: podrão!
Ela gargalhou e não pode contradizer, ele estava certo, era uma comida que não deviam comer sempre, só em emergência.
Ele entrou em um drive thru e logo fizeram seus pedidos e seguiram para estacionar em uma praça agradável, onde outras pessoas faziam o mesmo que eles. Comeram, compartilhando sua comida, como um casal bem entrosado e feliz.
*
Na casa de Ronald, a família se refestelava nos sofás, falando mal do dono da casa. Falavam sobre tudo sem restrições e quando chegaram no nome de Elizane, Corine estava servido e fez um comentário:
— Aquela menina insuportável…
A tia Mariza, que era a mais de Corina,ouviu o resmungo e perguntou:
— Você a conhece, Corina?
A governanta fez um ar de quem não sabia do que a senhora falava e quase engasgou:
— Éhhh… bem, eu…
— Conta logo, Corina, não faça rodeios! — exaltou-se Mariza.
— Bem, eu consegui a vaga de governanta na casa dela e passei uns dias lá. Mas ela é muito irritante. Não tem educação, é arrogante e feia. Uma mulherzinha sem classe e modus. Pronto, falei!
— Oh! — exclamou Bárbara e Mariza, juntas.
— Como uma mulher assim, pode ser filha do tio Marvin.
— Acho que foi o que o Sr. Ronald pensou e por isso processou eles.
— Eles?
— É, os advogados e ela.
— Mãe, acho que devíamos falar com o advogado inventariante e conferir essa história. — disse Marcos, o filho mais novo, que estudava direito.
— Sim, mãe, concordo com o Marcos. — disse o filho do meio, Paulo.
— Faremos isso amanhã, aproveitando que estamos aqui. — concordou Mariza.
Levantando-se, Bárbara começou a andar pela sala, esfregando as mãos.
— Ronald está demorando…por quê ainda não chegou?
Núbia entrou e respondeu:
— Ele sai com ela todos os dias, às vezes só a leva para casa, às vezes vão jantar. Eu se fosse você, tia, não esperaria por ele, pois ele não costuma ficar aqui.
Bárbara ficou mais nervosa e irritada, movimentando seus braços enquanto falava andando.
— Não acredito que ele nos fez de bobos! Para onde ele vai, tem um outro imóvel?
— Um flat próximo ao trabalho.
— O que você está esperando, nos leve até lá!
Núbia levantou o canto da boca, divertindo-se com o nervosismo da tia. Jogou-se no sofá e falou:
— Não adianta ir até lá, não conseguirão subir, tem uma super segurança. Além disso, por quê estão tão preocupados com a vida dele?
— Você ainda pergunta? Ela pode ser uma caça fortuna e está enganando seu primo.
— Ele não é meu primo e ela não é uma caçadora, foi ele quem perseguiu ela e ela é uma excelente funcionária, forte e eficiente.
Núbia não gostou de admitir, mas havia vigiado Marluce durante as últimas semanas e sabia como ela era cuidadosa e que não levava desaforo para casa. Sabia que Ronald a protegia, mas também, que ela sabia se proteger muito bem, sozinha.
— Não acredito, meu próprio filho está se esquivando de mim!
— Por quê será? — murmurou Núbia.
— Cuidado com o que fala, mocinha!
— Minha Núbia só fala a verdade, meus filhos estão todos comigo, você precisa tratar melhor o seu. — defendeu Mariza, sua filha.
Mariza sempre quis ver Núbia se casando com Ronald, isso lhe daria a segurança que precisava para sua velhice, por isso estava aborrecida com essa jovem que o encantou.
Como se não bastasse, a herdeira tinha que aparecer. Faltavam seis meses para receberem o restante da herança, então, não era bom esse aparecimento repentino. Iria logo cedo no escritório do advogado do inventário e se informaria sobre isso.
*
Marluce chegou em casa, sentindo seu corpo relaxado e seus nervos funcionando de acordo com seus batimentos cardíacos: TUMtum, TUMtum, TUMtum…
Ela se jogou na cama, de costas e não aguentou sequer tirar a roupa. Descalçou os sapatos, se ajeitou na cama e dormiu. Seu sono foi tranquilo, até o início da madrugada, quando sonhos inundaram sua mente.
Eram lembranças, saindo das caixas das lembranças, como marionetes descontroladas. Cenas de uma menina brincando no jardim, onde sua mãe cuidava das roseiras. Um garoto mais velho, que sempre a empurrava no balanço:
— Mais, Ron, mais…
— Assim você vai voar.
As risadas gostosas a fizeram rir de verdade, mas uma imagem, querendo se manter oculta, foi empurrada e a imagem da mulher malvada apareceu e a menina sentiu medo. A mulher a beliscava e puxava seus cabelos. As mãos dela eram gordinhas, com unhas pontudas e bem pintadas, além de usar anéis extravagantes e caros.
Em sua mente, as imagens se encaixavam, aquelas mãos a perseguiram por várias lembranças, mas ela não compreendia o significado.
Ronald acabou indo para casa, acabar logo com a confusão e mandar a família de volta para suas casas. Quando entrou, estavam todos comendo uma ceia preparada por Corina.
— Então, ainda estão aqui?
— Sim, queremos respostas. — disse Bárbara.
— Respostas sobre o que é a minha vida? Não têm esse direito.
— Como não, essa sujeita só quer o nosso dinheiro! — reclamou Mariza.
— Não seria o meu dinheiro? Ela pode ficar com todo o “meu” dinheiro, não me importo.
Mariza e Bárbara levantaram-se ao mesmo tempo, olhando Ronald, abismadas.
— Não seja insolente, menino! — disse Mariza, mais aborrecida do que a própria mãe dele.
— Não acredito que você está sendo tão imaturo, meu filho!
— E eu não acredito que vocês não conseguem pensar em outra coisa que não seja dinheiro. Que fique claro, não aceitarei intromissão na minha vida. Se meu namoro der certo e resolvermos nos casar, espero que aceitem.
— Mas isso é um absurdo! — gritou Mariza.
Ronald não entendia a revolta da tia Mariza. Eles não eram parentes, ele não suportava a intromissão e ganância dela. Por que ela se intromete tanto?
— Dona Mariza, não somos parentes, sequer amigos. Não lhe dou o direito de se intrometer na minha vida. Não quero ouvir mais uma palavra saindo de sua boca. Durmam aqui e saiam assim que amanhecer, não quero vê-los mais.
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Atualizado até capítulo 60
Comments
Ameles
a tia mãe da Núbia acho
2024-07-25
3
Ameles
por essa eu não esperava
2024-07-25
1
Celia Chagas
Mais que inferno de família é essa 😡😡
2024-04-29
7