Marluce acordou no dia seguinte, como se andasse nas nuvens. Lembrava as sensações do dia anterior, o prazer dos beijos dele, misturado ao medo de estar se comportando erradamente e dando espaço a quem não merecia.
— Ele não sabe quem eu sou e quando descobrir, como será? Se eu deixar essa relação crescer, acabarei sofrendo, quando ele descobrir. Ai que dilema…
Levantou-se e entrou debaixo do chuveiro, deixando a água cair sobre sua cabeça, para tentar esquecer o problema e aproveitar mais um pouco, a sensação boa do beijo e da declaração dele.
Arrumou-se, usando um dos conjuntos de calça e blazer, que estavam no guarda roupas. Ele era nude e ela colocou uma blusa branca por baixo. Se olhou no espelho e viu a grande diferença que uma roupa mais elegante, podia fazer.
Calçou um par de scarpins branco de salto médio, pegou sua bolsa de sempre, sem se incomodar por não ser de marca e foi andando para o trabalho. Quando chegou, não a reconheceram e ela passou sem ouvir nenhum comentário. Chegou em sua sala, sem nenhum problema no caminho.
No caminho…
— Você chegou, finalmente!
— Que eu saiba, não estou atrasada.
— Por quê você está tão elegante hoje?
— Porque era o que tinha pra hoje. O que você quer, Mindy?
— Vim te contar, menina! O CEO mandou reformar todas as salas e deu computador novo para todos.
— O quê? Você pensou que só eu receberia?
Mindy entrelaçou os dedos, envergonhada e respondeu com sinceridade:
— É, pensei né…
— Isso seria despotismo. Agora vai trabalhar e me deixa fazer o mesmo.
— Ok, quer café?
— Vou gostar.
Assim que Mindy saiu, Michele entrou.
— Por quê você está tão elegante?
— Por que vocês resolveram bater ponto aqui toda manhã?
— Cruzes, que mal humor! — disse Michele e saiu.
Marluce sorriu, vendo como as duas mudaram e pareciam suas amigas, mas tinha que terminar seu projeto e entregar, antes que o prazo terminasse.
*
No escritório do CEO, ele não controlava a ansiedade de ver sua paixão. Queria ir até a sala dela, a tomar nos braços e beijá-la como fez na noite anterior. Mas havia o concurso e não podia prejudicá-la.
— Ela está mais arrumada hoje, está muito linda. Deve estar se sentindo como eu, para refletir tanta beleza.
— Não se antecipe, senhor. Veja, ela já começou a trabalhar no projeto e está indo rápido, logo irá terminar, o senhor pode atrapalhar.
— Você tem razão, vou esperar ela sair para o almoço. Convide-a para vir almoçar comigo e encomende a comida em um restaurante simples. Nada de tiquinho.
Douglas olhou para seu chefe com a testa franzida, “ será que o homem está com encosto “, pensou.
Ronald nem precisou olhar para Douglas, para saber que ele estava franzindo a testa.
— Assim, você terá muitas rugas, logo, logo. Vá logo fazer o que mandei.
Douglas despertou, respondeu e saiu resmungando:
— Quem diria que uma mera funcionária, conquistaria o homem e o transformaria em um paspalho? Teve tantas amantes bonitas, elegantes e importantes, mas foi essa simplória que o conquistou, que lástima.
Uma das secretárias que veio lhe trazer alguns documentos, estranhou ele falando sozinho e perguntou:
— O senhor precisa de alguma coisa, assistente?
— Hum? Não me dirija a palavra! Ponha isso na minha mesa, preciso resolver algo.
Ela assentiu e se retirou, pensando:
“ Esse assistente consegue ser pior que o CEO, às vezes. Que bicho mordeu ele? “
Ela deixou os documentos sobre a mesa dele, em seu escritório e fechando a porta, saiu. Núbia era bem esperta e aproveitou a oportunidade para olhar os documentos. Sua sala era no mesmo andar, por ser uma acionista e correu até o escritório para ler os documentos.
Ela foi tão abusada, que sentou-se na poltrona do assistente, colocou os pés sobre a mesa e leu, pasta por pasta.
— Que interessante, ele deu sala nova para todos os funcionários, já era minha ação de nepotismo.
Continuou olhando e viu uma pasta diferente, vindo do departamento jurídico. Leu rapidamente e se aprumou, abaixando os pés.
— Elizane apareceu, como não fomos inteirados sobre isso? Então, Ronald a processou, não a aceitando como nossa parente? Por que ele está lutando pela empresa, quando não tem feito muito por ela?
Douglas entrou em sua sala e deu de cara com a intrusa.
— O que faz aqui, Núbia? Saia do meu lugar e largue os documentos que não têm nada a ver com você.
— Esse aqui faz. Por quê não nos contaram sobre a herdeira?
— Porque o senhor Ronald está contestando a identidade dela e
tentando embargar o processo. Agora largue tudo e saia do meu escritório.
Ela levantou e saiu de trás da mesa, largando as pastas.
— Já estou indo, estressadinho. Não esqueça que sou acionista e tenho direito de saber de tudo isso. — saiu ela da sala, e foi ver seu primo, não de sangue, mas pela amizade de seus avós e pais.
Entrou no escritório do CEO sem bater na porta, assustando Ronald que olhava as imagens de Marluce na tela do computador. Ele se assustou com a entrada de Núbia e fechou a imagem, imediatamente.
— O que quer, Núbia?
Ela se aproximou da mesa e apoiou as duas mãos nela, olhando-o mais de perto.
— Parabéns pelos novos equipamentos, foi algo bom, gastar com tecnologia de ponta, os trabalhos melhorarão.
— Obrigado, só queria que todos tivessem chances de competir no concurso de igual para igual.
Ela riu.
— Sei… mas também vim te dizer que soube da tal herdeira e vou contar a família, afinal, o interesse é nosso e não seu.
— Nosso, meu também. Essa empresa foi montada pelos nossos avós e prosperou nas mãos de nossos pais, não vou entregá-la de bandeja para uma estranha.
— Me parece estranho, já que você tem cuidado mais de sua empresa, do que da nossa. Percebi que ela não tem tido crescimento algum, se mantendo estável, somente.
— Então, faça algo. Não vejo nenhum de vocês fazendo algo proveitoso.
— Estamos amarrados por você, como podemos trabalhar se você rejeita tudo?
— Rejeito por que seus projetos são terríveis, talvez você devesse tentar outra área de trabalho ao invés da artística.
Ela se ergueu e se virou para sair, dizendo:
— Vou pensar no seu caso, depois de falar com a família. Não esqueça de nossa aposta…
Ronald detestava a arrogância de Núbia, mas não podia deixar de reconhecer que ela se importava com a empresa e queria cooperar.
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Atualizado até capítulo 60
Comments
Maria Helena Macedo e Silva
em todo ambiente tem os que se importam e faz a diferença para melhor e os que aproveitam como parasitas...
2024-09-20
2
Elenir Coutinho
Todo ambiente onde tem cobras torna-se um problema 🐍🐍🐍🐍
2024-08-16
2
Celia Chagas
Núbia é um problema 😏😏
2024-04-29
5