O concurso foi lançado, ao mesmo tempo que Ronald fazia seus planos para conquistar sua futura esposa. Aproveitou o concurso e visitou os departamentos participantes, disfarçando, para poder vê-la, sem levantar suspeita.
Marluce, como ele a conhecia, olhava fixamente para a tela de seu computador e não notou a presença do invasor. Batidas na porta lhe chamaram a atenção. Ela olhou para ver quem a atrapalhava e viu o patrão.
— Oi! Precisa de alguma coisa?
Ele entrou e caminhou lentamente até ela.
— Estou visitando os participantes do concurso e você é um deles, não?
— Sim, aceitei o desafio, mas não posso perder tempo.
Ele sorriu, entendendo o fora que estava levando,mas jogou todo seu charme para ela.
— Hum, então, que tal conversarmos depois do horário? Te pego na saída.
Se virou e saiu, rapidamente, deixando-a de boca aberta. Demorou alguns segundos para ela entender o que tinha acontecido.
— O que esse cara tá aprontando?
Não queria pensar nele, agora, queria vencer o concurso. Também queria pregar uma peça nele, mas tudo tinha sua hora. Voltou ao trabalho, haviam muitas informações sobre a empresa, precisava escolher um tema e separar as informações para montar uma boa divulgação.
Dedicou-se totalmente ao trabalho e quando terminou e fechou tudo, havia esquecido do convite de Ronald. Desceu e seguiu o fluxo de funcionários, passou pelas portas de vidro e ouviu a buzina. Não teve como fugir, pois ele desceu e abriu a porta para ela, fazendo um gesto para ela entrar.
Quando ela chegou nele, lembrou-o:
— Eu tenho uma scouter, está parada logo ali, não preciso de carona.
— Não é uma carona, vamos dar uma volta e conversar.
Ela sorriu, estava dentro dos seus planos, mas disfarçou:
— Mas o que faço com minha scouter?
— Me dê a chave.
Ela pegou a chave, enquanto ele enviava uma mensagem. Ele deixou a chave com o porteiro e voltou, esperou ela entrar e foi para o banco do motorista. Antes de sair com o carro, ajudou-a com o cinto de segurança e chegou bem perto de seu rosto.
Ela sentiu sua proximidade e arrepiou-se. Afastou-se, não queria e nem podia sentir nada. Ele se endireitou, depois de inspirar o perfume doce dela e saiu com o carro.
— Onde vamos?
— Vou levar você para ver o pôr do sol.
— Hum, parece romântico, é isso que você está fazendo? Me levando em um encontro?
— Você não gosta de ver o pôr do sol?
— Para ser sincera, nunca assisti.
— Então, depois você me diz se valeu como um encontro.
Ronald estava muito risonho e passava para ela uma sensação de tranquilidade e paz. A leveza que estava sentindo, vinha da confiança de que ele não estava fingindo. Mas ela estava, ou pensava que estava, pois estava feliz de estar ali.
Já fazia muito tempo que ela não tirava um tempo para simplesmente não fazer nada. Não fazer nada acompanhada, era bom quando tinha uma pessoa animada ao seu lado. O carro voltou por algum tempo até pegar a estrada da orla, seguiu até uma área livre, onde estacionou de frente para o mar.
— Lá está ele, quase deitando no mar.
— É lindo!
O sol estava redondinho, seus raios iluminavam tudo à sua volta e faziam um caminho dourado no mar, que ia na direção deles. Ficaram em silêncio, admirando o movimento lento. Sabiam que era a rotação da Terra, mas a imagem era como se o sol afundasse no mar.
Quando tudo escureceu e o sol sumiu, eles suspiraram. Ele olhou para ela, sorrindo de leve e apreciando a sombra de sua face no escuro. Ligou o carro e saiu, não queria perder aquela sensação gostosa de ter compartilhado algo tão especial com alguém.
Marluce gostou dele não ter tentado uma intimidade. O momento foi mágico, mas ainda era cedo para algo mais.
— Está com fome?
— Sim, não comi nada depois do almoço.
Ele a levou em um restaurante simples, próximo de onde estavam e puderam comer um peixe assado, de frente para o mar.
— Pensei que você só frequentasse restaurantes chiques.
— Só quando necessário, prefiro comidas menos sofisticadas. Na cidade onde cresci, tem um restaurante de cozidos maravilhosos. Sempre o visito, quando volto à cidade, amo uma boa comida caseira.
— Eu também. Na verdade, comida boa para mim, é a que está disponível quando estou com fome.
— Você parece bem prática. Acho que as boas memórias são as que pautam nossos gostos.
— Eu perdi a memória dos meus 15 anos para trás, então, não tenho um cardápio de lembranças na cabeça.
— Desculpe, eu não sabia…
Ronald ficou envergonhado, jamais passaria pela sua mente, que ela perdeu a maior parte de suas referências de vida, já que ela parecia tão desenvolta e esperta.
— Não me incomoda, vivi bem desde então, um casal me criou, consegui me formar na faculdade e agora trabalho com o que gosto.
— Você é uma vitoriosa. — elogiou ele.
Ela sorriu e bebeu um pouco do vinho que ele pediu, mas sentiu que não devia beber mais, para não perder a sanidade. Ele pediu a conta e foram embora. Perguntou onde ela morava e ela deu seu endereço antigo, uma quitinete no subúrbio.
Ele estranhou o local e não gostou de deixá-la lá, daria um jeito de arrumar outro local para ela, mais próximo do emprego. Parou o carro e ela tirou o cinto e abriu a porta, pedindo para ele não esperar.
— Obrigada por tudo, foi ótimo. Já tinha muito tempo que não fazia algo diferente, sem ser trabalho.
— Vamos fazer de novo, eu prometo. Foi muito bom estar com você.
Ela se inclinou e beijou sua bochecha, virou-se e saiu, fechando a porta e entrou no prédio pequeno, esperou no corredor e viu o carro partir. Só então, chamou um carro de aplicativo e foi para seu apartamento. Não sabia onde estava sua scouter, pois não viu ela parada no endereço antigo e não deu o novo na empresa. Pegaria um táxi no dia seguinte
— Foi uma boa adiantada rumo a desbancar o playboy. Mas ele estava tão diferente, será que foi real?
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Atualizado até capítulo 60
Comments
HENEMANN- MEDEIROS. Henemann
Seria bom eles se conhecerem melhor, e ela falar a verdade pra ele
2025-03-10
0
Erika Aparecida
.o que ela tá planejando? ele tá sendo sincero, vai ficar possesso qdo descobrir a verdade e com razão
2024-11-04
1
Doraci Bahr
também acho que deveria abrir o jogo
2024-11-04
0