Natália
Depois de conversar com Anastasia, entendi como ela se sentia de verdade, era horrível sentir ciúmes, um sentimento sujo e manipulador, eu nunca amei ninguém como ela amava Maxime, mas eu sabia como ela se sentia.
Quando Darlan apareceu na cozinha, ela explicou a ele sobre nossa conversa e eu pude ficar até mais calma, afinal eu estava muito desconfortável naquele ambiente, eles não eram da minha família e não tinham os mesmos costumes e crenças que eu.
Darlan pegou uma bandeja e levou até Maxime, logo ele voltou falando que o gato estava tratando de negócios ainda na cama, eu não imaginei que esses negócios eram sobre a minha situação.
Hoje eu sei que dinheiro compra absolutamente tudo, eu me vendia aos poucos para aquela família e não estava me dando conta disso, na época eu achei que era minha função concerta-los, na minha visão todos estavam quebrados e precisavam se encontrar.
Eu não estava errada, mas minha melhor chance de sobrevivência era me dar bem com Anastasia, ela mandava em Darlan e Darlan é quem sempre aconselhava Maxime ou Max como eles chamavam o castanho.
Todos tinham um sotaque engraçado, Ann era russa, então seu sotaque era bastante puxado, Darlan era americano de nascença, mas viveu boa parte de sua vida na França.
Eu seria a brasileira que ele colocaria na coleção? Sim eu fiquei bastante impressionada com o todo o relato de Ann e depois Darlan se juntou a nós e pude escutar as historias deles, eu juro que não aguentaria a metade do que eles aguentaram.
Se faziam de fortes e sempre com um sorriso no rosto, diante de mim, ambos choraram ao se lembrar das pessoas que tiveram de expulsar da vida de Maxime, assim como narraram a historia mais triste de todas.
Eles chegaram a conhecer um rapaz de nome Fernando, era um Italiano, Maxime não estava perdidamente apaixonado, mas eles ficariam cerca de cinco meses na Itália, nisso Maxime e Darlan ficaram com esse rapaz o tempo todo.
No dia de Maxime retornar a Paris, Fernando não foi informado, Maxime estava realmente tentando se livrar do namorado temporário, Darlan me contou que eles foram bem claros com o rapaz, sobre estarem de passagem e sobre não quererem mais alguém no relacionamento.
O problema foi que Ann, sabia que eles estavam fugindo e sabia como o Fernando estaria se sentindo, ela ficou pra trás e foi atrás do rapaz, ao ir ela descobriu que ele era pobre e sobrevivia de bicos, quase nunca tinha o que comer em casa.
Vendo toda aquela pobreza e notando que o menino foi discreto sobre sua situação, ela decidiu dar uma casa a ele, dinheiro no banco, muito dinheiro na verdade, em seguida ela arrumou um emprego muito bom para Fernando, no qual o garoto trabalha até hoje, ela ajudou, quando Maxime e Darlan não viram nada além de seus desejos.
Darlan se culpou bastante durante a narrativa, aparentemente Fernando nunca apareceu desarrumado e sempre usava bons perfumes, claro que usaria, ele fazia bicos em hotéis e as vezes pegava algumas coisas dos clientes, como as roupas na lavanderia, restos de perfumes, joias esquecidas, algumas dessas coisas ele vendia, outras ele usava, afinal ele era um jovem que queria sair a noite sem ser julgado.
Pior de tudo era saberem que Fernando os amava, tanto Maxime, como Darlan, o menino de dezenove anos talvez nunca tivesse se esquecido desta paixão, e nunca soube como Anastasia descobriu sobre ele.
Acredito que tenha chorado com eles, diante de toda essa narrativa eu não podia ficar em silencio, eu apenas senti a dor de ambos, pelo que me falaram isso ficou entre eles, Maxime não foi envolvido diretamente.
No horário do almoço Maxime apareceu, cheio de si, com aquele sorriso colado no rosto, ele era lindo e sinceramente não tinha como alguém não se apaixonar por ele, se alguém fosse capaz de fugir daquele sorriso, essa pessoa não deveria ter coração.
Não, não era apenas o dinheiro, era ele em si, aquele charme aquela aura impregnada de magnetismo que fazia todos olharem e se apaixonarem no mesmo instante, esse era Maxime.
Ele ficou naquela mesa conosco, era tão lindo escutar ele falar sobre como amava o mar e como sua vida não fazia muito sentido se não estivesse embarcado, logo esse comentário foi acompanhado da afirmação de Ann e Darlan, ambos pareciam gostar muito da presença do amado por perto, isso era incrível.
Uma confusão que eu me sentia até perdida, mas diante dele tudo era diferente, todos agiam como se estivesse tudo bem, nada os incomodava, nem mesmo as recordações daquela manhã.
Quando o relógio bateu seu ponteiro em dezoito horas ele recebeu uma ligação, ele ficou sorrindo o tempo todo, me olhou de canto e em seguida lançou um olhar malicioso para os outros dois.
— Natália, está livre de sua família, eles nunca mais vão te procurar. — Anunciou assim que desligou o telefone.
Pisquei algumas vezes sem entender ao certo do que se tratava, mas logo eu sorri ao ver Ann e Darlan sorrindo ao meu lado.
— Serio? Até ontem eu tinha um alvo nas minhas costas. — falei um pouco nervosa.
— Mas hoje eu ja resolvi tudo, eles vão inclusive fazer outra entrevista avisando que você foi encontrada e talvez um outro jornal faça uma outra versão dos fatos, mas independente de qualquer coisa tudo ja foi resolvido Natália, tudo está exatamente aonde deveria, amanhã chegam seus documentos novos e podemos te levar para dar a volta ao mundo. — ele deu uma volta em torno de si mesmo. — Se quiser é claro.
Poxa, quem não aceitaria algo assim? Abracei Maxime no mesmo instante, aquilo era simplesmente maravilhoso demais pra ser verdade, o detalhe da minha família estava resolvido e isso era maravilhoso, mas é claro que as coisas ainda ficariam bem complicadas.
eu estava envolvida com eles, havia muitos sentimentos por ali, muitas questões e eu apenas tinha que ajuda-los ou me afastar, mas quem em sã consciência se afasta de Maxime Pierre Ravel?
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Atualizado até capítulo 51
Comments
Eva Garbin
ele ainda não encontrou o amor verdadeiro
2025-01-23
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