Capítulo 14

Natália

Ah, eu fiz compras com Darlan e Anastasia me ajudou a me arrumar, a proposta do moreno era me deixar como uma fada, achei isso um pouco exagerado, mas eu gostei bastante do resultado.

Maxime, também parece ter gostado, ele não desgrudou os olhos de mim, sabia que eu era a novidade e que isso atraia olhares mas nunca imaginei que isso fosse ser tão profundo.

Aquela forma de me olhar e admirar, eu nunca tinha recebido esse olhar, nem mesmo por Cristiano, ele me olhava com carinho e se fazia de amigo, havia uma divergência enorme em tudo isso, em como ele me tratava e em como eu estava sendo tratada por Maxime.

Notei um olhar estranho de Anastasia, até me senti um pouco incomodada, mas Darlan já havia me dito que ela estava tendo um dia ruim, e cá entre nós, quem nunca teve um dia ruim na vida que atire a primeira pedra.

— Eu não sei nem aonde irei usar tantas roupas e sapatos. — comentei ao lado de Anastasia.

— Olha, vai usar isso e muito mais, os eventos e festas que Maxime costuma frequentar são de pessoas da alta sociedade, eles reparam se o brinco que você estiver usando é uma peça barata por exemplo. — Anastácia me passou uma jóia que tinha comprado naquele tarde. — Essa é uma peça coringa, pode usar em qualquer ocasião. — Em seguida ela pegou um colar com pingente de diamante. — esse aqui também.

— Essas duas peças custaram uma fortuna... — Murmurei embasbacada.

— Sim, custaram, mas em nosso meio é algo normal, o segredo é comprar algo mais barato e sofisticado para ficar em casa, ou para sairmos em família, mas para os eventos temos que dar tudo de nós. — Anastasia guardou as peças e me olhou com certo cuidado. — Vamos sair essa noite, use tudo o que aprendeu e vai se sair bem.

— Usar ...

Mal terminei minha frase e ela já tinha saído do quarto, por mais que eu desejasse ter mais conhecimento sobre o assunto, ainda sim sentia que era a hora de ser uma mulher e não uma menina assustada.

Eu estava com medo de passar próximo ao subúrbio da cidade e de ver minha família, estava também com medo do que eles poderiam fazer se me vissem, me levariam arrastada para a miséria novamente, isso eu tinha certeza.

Família é pra proteger e não causar dor, a minha só me trazia desgosto e mal estar, pois no instante em que pensei neles comecei a me sentir cansada e sem energia, como se estivesse acabado de correr uma maratona, ou ter ficado a manhã toda sem comer enquanto vendia balas.

Levei quase duas horas pra me arrumar e ficar como eles queriam, como uma fadinha, me olhei no espelho e achei o resultado favorável, Maxime já tinha me visto antes quando estava escolhendo a roupa, mas agora ele vai o contexto todo.

— Linda... — Murmurou ao me ver, seus olhos verdes quase me engoliram, e sinceramente eu queria ser engolida por ele.

— Obrigada, não teria conseguido me arrumar com decência sem a ajuda de vocês. — tentei olhar para todos e não apenas para o francês de cabelos esperados.

— Bom, hoje iríamos ao festival, muita música e muita dança, mas o evento é aberto, e começou a chover, então acho melhor irmos ao Devom, um barzinho com música ao vivo, meus representantes brasileiros vão estar lá. — Maxime falou sem tirar os olhos do aparelho celular, o que já era esperado, eu sabia que ele só sairia pra algum evento importante, pelo menos eu achava que sabia.

Na real eu não fazia ideia de quem era Maxime, apareceu como um príncipe encantado tentando me ajudar e parou em minha vida, eu via ele pelos olhos de Darlan e Anastasia, ambos pareciam que se atirariam diante de uma bala por ele.

Isso nem era coisa da minha cabeça, parecia mesmo, só pelo modo de olharem para ele.

Eu deveria ter me tocado que estava atrapalhando alguma coisa, mas não conseguia prestar atenção em tudo, eu estava empolgada e vivendo algo totalmente novo.

— Devom é um lugar legal, tem ótimas avaliações no catálogo. — Anastasia comentou olhando para a janela. — Mas acho que seria legal passarmos em uma lanchonete do centro antes de irmos, ouvi dizer que as porções do Devom deixam a desejar e se for realmente ruim, não quero maltratar meu estômago.

— Nem eu querida, me lembro daquele restaurante japonês que fomos semana passada, quase morri de enjôo. — Maxime falou sorrindo como se o incidente fosse o motivo de toda a diversão.

— Nesse caso, acho que podemos comer algo decente, também ouvi críticas com relação as porções, aliás os drinks parecem ser a única coisa que presta. — Darlan falou se sentando ao meu lado.

— Sabe, se não fosse o fato de ter alguns representantes por lá eu nem me daria ao trabalho de ir, mas vamos, trabalho é trabalho.

Com certa graça, Maxime se levantou e foi em direção ao móvel de canto, pegou a carteira e olhou para os outros dois, me levantei com eles e minha aventura começaria naquela noite.

Digo aventura, pois eu estava vestida com uma roupa caríssima, joias magníficas e sem falar na maquiagem, nem mesmo minha mãe me reconheceria, eu era uma deles, eu estava me sentindo como parte da vida deles e isso me fazia sentir muito bem.

Claro que nem tudo são flores, o tal barzinho com apresentação ao vivo ao qual fomos depois de comermos algo na lanchonete, era um local bem calmo e que nos intervalos das músicas, era ligado uma TV enorme, lá apareceu uma notícia.

Um alerta de que uma garota de dezessete anos havia desaparecido nas redondezas da rodovia, minha foto estava estampada lá pra quem quisesse ver.

Com aquelas roupas e maquiagem ninguém diria que eu era a garota da foto, mas Maxime ficou em alerta de qualquer forma.

Na maldita reportagem apareceu minha mãe e meu irmão, ambos falando do quanto a vida deles era difícil pra ainda terem que perder dias de trabalho procurando por mim.

Minha mãe chorava e ao lado dela, Cristiano aparecia amparando-a, como se ele fosse parte da família.

Aquilo me deixou tão irritada que eu nem conseguia olhar para os lados.

Cristiano em sua entrevista disse que fui vista com estrangeiros e que nenhum deles falava a minha língua, disse também que eu não sabia me virar sozinha, que era dependente da minha mãe e irmão.

— Desculpa, mas é pra rir com tudo isso? — Anastasia falou em deboche. — Eles sabem que ela está com a gente Max, esse tipinho vai atrapalhar seus negócios, acho que o Brasil não é mais o local pra nós.

— Vamos pra Seattle, lá estaremos seguros disso tudo e eu gosto muito de lá. — Darlan comentou e passou um braço pelo meu ombro. — Não vai ser difícil arrumar documentos novos pra ela, você nunca ligou pras regras Max.

— Hn, vai ser o jeito, não quero ninguém invadindo o apartamento, por precaução vamos mandar uma equipe de mudança pra lá essa noite e vamos ficar em um hotel em outra cidade. — Maxime falava com tanta naturalidade que nem parecia estar diante de um problema.

— Max, o navio está na costa brasileira, podemos ficar lá, esse povo não sabe ao certo quem somos e nunca vão saber sobre o navio, depois podemos ir a Seattle.

A ideia de Anastasia não era ruim, na verdade era muito boa, eu nunca tinha entrado em um navio, de imediato fiquei ansiosa e um pouco nervosa.

Mais populares

Comments

Sandra Maria de Oliveira Costa

Sandra Maria de Oliveira Costa

uma mãe vender uma filha por um carrinho de salgado é um ó misericórdia

2025-01-28

0

Sandra Maria de Oliveira Costa

Sandra Maria de Oliveira Costa

hum meteriam uma bala na cabeça dele isso sim

2025-01-28

0

Joelma Portela

Joelma Portela

essa história está cada vez melhor

2024-10-27

0

Ver todos

Baixar agora

Gostou dessa história? Baixe o APP para manter seu histórico de leitura
Baixar agora

Benefícios

Novos usuários que baixam o APP podem ler 10 capítulos gratuitamente

Receber
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!