Capítulo 6

Natália

Olhei pela janela e podia ver o carro rumando pelos bairros mais pobres, inclusive ele passou próximo ao local em que minha mãe estava acampada, pude vê-la de longe com meu irmão ao lado, estremeci de imediato, eu não sabia que ele tinha saído da cadeia, nem imaginava como ele tinha conseguido, mas logo próximo estavam os amigos da gang dele, se minha mãe se lembrasse do anuncio de jornal que mostrei a ela a alguns meses no qual falava sobre a pensão eles certamente iriam me encontrar, teoricamente eu tinha uma divida com Cristiano.

Senti um sabor amargo em minha boca e me perdi em um pensamento amedrontador, mas eu não notei que Maxime estava ao meu lado observando a mesma cena que eu, também não notei que fiquei seria e que tinha o olhar entristecido.

— Medo... — Ele murmurou quebrando o silencio. — Um sentimento bastante comum, fugiu naquela noite e não voltou mais, acredito que a pensão não seja segura.

— Hn, me desculpa te colocar no meio das minhas preocupações... — Respondi sem graça com um sorriso forçado, não era do meu feitio fingir, mas a vida real parecia querer por um fim em meu conto de fadas.

— Eu sei que é menor de idade e que ainda não pode dar um passo sem autorização, sei que a dona da pensão mexeu uns pauzinhos para que voltasse a estudar, então me permita também fazer alguma coisa. — Ele se virou na minha direção e segurou minha mão com delicadeza. — Encontrei Darlan nas ruas, ele foi meu segundo grande amor, eu já passei por isso com ele, então me deixe também te ajudar, queria te falar da proposta no restaurante, mas a cena que você viu te assustou, me conte os detalhes.

— Minha mãe estava com meu irmão e com o pessoal da gangue dele, eles geralmente andam armados e tem aquela historia louca que minha mãe havia prometido algo para Cristiano em troca de dinheiro... — Senti meu rosto queimar de vergonha, eu era miserável, mas nesse momento me senti como o pior dos insetos.

— Então ele foi solto... — Maxime estreitou o olhar e isso me deixou nervosa.

— Não precisa me ajudar... — Repreendi aquele olhar de desprezo.

— Não é isso, eu quero e vou te ajudar, mas se ele está solto, pode descobrir aonde está, você já falou com alguém sobre a pensão? — Maxime inqueriu levando uma das mãos até uma mecha solta do meu cabelo.

— Falei pra minha mãe a alguns meses e ela me bateu, disse que eu deveria colocar meus pés no chão e mais algumas ofensas... — As simples lembranças me fizeram sentir vontade de chorar, minha vida era uma sucessão de desgraças.

— Não chore, posso ser seu anjo da guarda e não quero a mesma coisa que o interprete queria, relaxe, sou um homem que gosta de aventuras mas só quando querem aventuras, sei respeitar o desejo dos outros. — Maxime me sorriu cheio de amor, ah, aquele sorriso era simplesmente maravilhoso, nunca vi alguém sorrir daquela forma.

— Qual é a proposta? — Fui direta e ao mesmo tempo me culpei por isso.

— Bom, Darlan e Anastacia se gostam, eu me casei com eles por ama-los e eles da mesma forma, mas eles querem curtir um pouco sozinhos, então eu não quero ficar de vela para meu marido e minha esposa, queria uma acompanhante, não quero me deitar com a senhorita, só quero que me acompanhe nos lugares. — Sua fala parecia ser verdadeira e certamente eu teria entendido melhor o que ele me falava se não fosse aquele sotaque francês, mas de qualquer forma, da ultima vez que falei com ele, senti que ele ficou irritado ao saber sobre meu plano simples de vida.

— Só te acompanhar?

— Sim, mas não quero você naquela pensão, não me parece seguro e sinto que a qualquer momento alguém vai te tirar de lá, sejamos sinceros aqui não tem absolutamente nada de valor lá, nem precisa voltar, eu ligo avisando a dona da pensão, acredito que o silencio dela não seja muito caro. — Realmente Maxime, conhecia as pessoas melhor do que eu, dinheiro era a solução para o bom humor de Cleonice e a falta dele ocasionava o seu mal humor.

— Eu não quero que pense que sou uma aproveitadora... — Soltei sem graça, eu já tinha tido o tipo de reação diante dele, sem contar que era a primeira vez que falava com ele sem a presença de mais ninguém.

— Não penso isso de você, eu quero a sua segurança, gostei do seu jeito e sei que sua vida é bem difícil, a senhorita aceita minha proposta? — Ele tinha veludo na voz, era sedutor e animado, sim ele era naquele momento o meu príncipe encantado que me levaria para um grande castelo e me manteria segura da bruxa má.

— Aceito, mas não sei muito bem me comportar em sociedade. — Ele já devia saber disso, mas eu me sentia obrigada a ressaltar esse detalhe.

— vai receber um treinamento, Anastacia pode ser sua professora, não tenha medo, sua vida vai mudar...

Aquelas curtas palavras ficaram dançando na minha cabeça, era essa a proposta, simples e sem maldade, apenas ser a companhia dele, isso parecia ser legal, a chance de encontrar um conhecido no meio social deles era nula, nunca que meu irmão e os amigos dele chegaria perto de lugares assim, eles eram "peixes pequenos".

— Eu não quero ser um peso pra você, tenho alguns problemas um pouco difíceis de serem solucionados. — Soltei ainda mais sem graça e totalmente constrangida, ele poderia contratar uma garota qualquer que tivesse classe.

— Gosto de pessoas simples, um dos valores que meu pai me deixou, ele trabalhou duro e conquistou todos os sonhos, quando chegou a minha vez, eu decidi que trabalharia dobrado para ajudar os outros, faço isso e também aproveito para desfrutar do que a vida tem a oferecer, ou seja, você não vai ser um peso, sua honestidade é seu charme natural. — Maxime piscou um olho de forma malandra, ele poderia levar minha alma embora naquele momento, pois senti que até mesmo minha calcinha ficou úmida com aquela piscadela.

Estar na presença de Maxime, era como estar diante de um daqueles vampiros dos filmes, que te seduziam apenas com um olhar, adolescente como eu era, sem sombra de duvidas seria uma vitima a se apaixonar por ele.

Sua educação ao falar, a forma culta, tudo isso compunha Maxime, ahh... que sorriso maravilhoso ele tinha desenhado em seus lábios, era um príncipe encantado sem sombra de duvidas.

O carro foi nos guiando até o restaurante "Palace", senti que pagaria um "mico" enorme naquela noite, Cleonice e Aline, tinham me dado dicas de etiqueta, eu por outro lado pediria algo fácil de comer e que não precisasse ser cortado, alias, eu já tinha jantado antes de sair, pois sabia que no mínimo pediria uma salada.

Assim que entramos no restaurante por volta das oito horas todos os olhares se voltaram para nós, era como se eu fosse um animal em exibição, notei que aquelas mulheres se vestiam e se maquiavam com muita naturalidade, seus penteados não muito elaborados e curtos me deixaram ainda mais sem graça.

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Comments

Eva Garbin

Eva Garbin

tem que mostrar fotos pra nós autora maravilhosa

2025-01-22

0

margarida Alves

margarida Alves

Ele vai se apaixonar por ela, só não vai admitir.

2023-12-18

2

F.louca por livros

F.louca por livros

Max se apaixone esse trisal não e bom n kkkk

2023-12-16

10

Ver todos

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