Capítulo 10

Natália

Eu dormi no colo de Maxime, como eu tinha chegado a isso eu juro que não sei, mas aquele perfume inebriante e suas palavras doces foram o suficiente para me ninar, como se eu fosse uma menininha.

Ahh, mas eu estava me sentindo assim perto dele, um homem tão lindo e cheio de boas características era tudo o que eu precisava na minha vida.

Pela manhã fiquei extremamente confusa ao acordar naquele quarto, não estava acostumada com o ambiente e no mesmo instante pensei que estava sonhando, não eu não estava sonhando.

Aos poucos fui recobrando as lembranças da noite anterior, os detalhes e principalmente de ter apagado no colo do homem mais lindo de todo o mundo, aquele que era meu príncipe encantado.

Me virei na cama me espreguiçando como uma gata, sentei com lentidão e lá na porta estava um bilhete colado na porta.

"Espero que tenha dormido bem, seu café está na mesa"

Aquele gesto simples e cheio de delicadeza era mais do que suficiente para alguém como eu que estava acostumada ao pouco que a vida poderia me oferecer.

Fui até o banheiro, tomei um banho rápido, coloquei um shortinho curto e uma blusa de alças finas que encontrei no guarda roupa, prendi meu cabelo em um rabo de cavalo e me aproveitei de um dia perfumes que estavam a disposição.

Eu não queria parecer folgada, mas estava morta de vontade de me cuidar e me sentir bem comigo mesma, me lembro que antes da minha vida ser uma sucessão de tragédias e mal agouro eu era uma pessoa vaidosa e gostava muito de me arrumar.

Isso foi antes, bem antes... Me perdi em lembranças, lembranças do tempo que meu pai era vivo, ele sempre aparecia em casa no final da tarde, trazia um doce pra mim e outro para meu irmão, beijava minha mãe e dizia como ela estava linda, mesmo que ela nem tivesse tirado o pijama.

Ele era um verdadeiro Lord com ela, cuidava muito bem da gente, não me lembro de um único dia que não fui feliz ao lado deles, para agora ter apenas lembranças ruins da minha mãe.

Ela era tão gentil e amável... Nunca vou ser capaz de entender como a vida sofrida fez ela se transformar tanto, eu poderia comparar ela com um monstro, ou com esses psicopatas que via em filmes na juventude.

Minha mãe não era mais aquela pessoa doce e cheia de paciência, eu não podia julgar ela de nada, apenas manter distância, para o meu próprio bem.

Pela primeira vez eu estava sendo egoísta, estava pensando em mim mesma e isso era bom, eu me sentia bem ao estar diante daquele espelho me cuidando.

Quando sai do quarto fui procurar a cozinha, meu estômago já estava pedindo por algo e ao sentir o cheiro de café fresco senti que poderia achar a cozinha com o olfato e realmente fiz isso.

Lá estava uma mulher que nunca tinha visto na vida, pelas roupas que ela vestia eu imaginei que ela fosse a empregada, seus olhos pousaram em mim e me esquadrinharam de cima a baixo, senti o nojo e a indignação dela.

— Deve ser a moça que dormiu aqui ontem, beba seu café e "rapa daqui" — Falou assim que me sentei a mesa.

Olhei assustada pra ela e ao mesmo tempo indignada, Maxime me disse que iria morar aqui e essa moça acabou de me expulsar? O que diabos está acontecendo?

— Bom, eu acho que não posso ir ainda, o senhor Maxime me pediu para esperar por ele, caso não saiba temos alguns negócios. — tentei usar a mesma lábia que usava para vender minhas balas na rodoviária, mas a megera parecia estar lendo minha mente.

— Saia por bem ou chamo a segurança, conheço a sua Laiá.

Claro, um brasileiro sempre reconhece um bom truque, eu precisava que Maxime ou um dos outros dois aparecessem para me tirar daquela situação complicada, certamente eu sairia sem reclamar e voltaria para pensão.

Mas quando me lembrei da pensão, me lembrei da ligação que Maxime fez na noite anterior, ligação que o de descobrir que minha mãe estava com a polícia atrás de mim.

"Droga... " — pensei em desespero, o café estava amargo, deveria ser para combinar com minha vida.

Como por sorte ou destino, Darlan o moreno de dreads apareceu na cozinha, usava uma calça jeans rasgada com algumas correntes, uma camiseta preta de uma banda de rock, colares e piercings, ahh ele era simplesmente lindo e estiloso.

— Bom dia princesa Natt, dormiu bem? — perguntou assim que me viu.

— An... Sim... — Sorri sem graça pra ele e um pouco constrangida. — Darlan, eu tenho que ir embora depois do café? — lancei um olhar pra empregada e pra ele.

— Não, Maxime me mata se sair daqui com esse pensamento, você mora com a gente agora menina, tome logo seu café, vou te levar pra fazer compras, vamos estourar o limite do cartão do Maxime e depois vai ter aulas com Anastasia.

Ele falava sorrindo de uma forma tão doce e divertida, parecia ter lido meus pensamentos, olhei de canto para a empregada que agora tinha uma cara fechada e de nojo pra mim.

Eu não tinha feito nada de errado, foi ela quem começou, mas no lugar dela eu teria o mesmo julgamento.

Com calma coloquei um pouco de açúcar no meu café e peguei um pão, antes eu não tinha feito isso pelo fato de estar sem graça com a empregada deles, mas agora com Darlan por perto eu podia ter um pouco de liberdade.

Viver na rua sendo expulsa dos lugares me fez ser uma pessoa precavida e sempre que me expulsaram eu tentava manter a calma, fazia o mínimo e saia de perto.

Por alguns momentos antes de Darlan aparecer eu já me imaginava nas ruas novamente, aquele pensamento foi terrível a ponto de deixar meus olhos marejados.

Darlan leu minha mente e não falou nada, mas parecia me olhar com carinho, como se o pensamento fosse apenas um vento gélido sem importância e que logo desapareceria.

Como me sentir segura diante daquilo?

— Não vai voltar... — Darlan sussurrou as palavras próximo ao meu ouvido, não permitindo que a empregada escutasse.

— Isso é gentil demais de sua parte, mas eu sou claramente um aliem perto de vocês. — respondi no mesmo tom que ele.

— Não esquenta, hoje vai poder se arrumar e ficar a altura, vamos as compras?

Sorri positivamente pra ele e tratei de terminar meu café da manhã.

No elevador falei o que tinha acontecido na cozinha, Darlan sorriu um pouco sem graça e segurou minha mão.

— Não se preocupe, ela já deve ter entendido que vai ficar aqui com a gente, mas me lembrarei de deixar o porteiro avisado sobre sua entrada e saída, olha, isso é segredo, mas vou te contar, esse apartamento o Maxime comprou pra você e esse vai ser seu presente de aniversário.

Minha boca se abriu em um O enorme, eu não estava acreditando no que tinha escutado, aquilo não podia ser real, mas se era real, então Maxime era muito generoso e tinha gostado mesmo de mim, eu agora ficaria com aquela dúvida cruel em minha mente até meu aniversário.

Não faltava muito para o dia chegar, mas de qualquer forma isso era o suficiente para me deixar extremamente ansiosa.

— Não acredito que ele faria algo assim, já notei que ele é impulsivo, mas não tanto... — desafiei com o olhar, realmente não podia ser verdade.

— Mas é verdade, ele quer ajudar e vai ajudar, assim como não vai precisar se preocupar com grana nunca mais na sua vida, ele é gentil e sinceramente acho que ele está no caminho certo. — Darlan tinha um sorriso tão atraente que por alguns momentos eu podia entender o que Anastasia tinha visto nele.

— Aonde está Anastasia e Maxime? — perguntei quando estávamos saindo do elevador, o estacionamento era ainda maior do que eu imaginava.

— Bom eles foram tratar de negócios, ele não queria ir sozinho, daí ela foi com ele, pode não parecer mas ela sente falta de ficar uns momentos apenas com ele, por isso eu dou esse espaço mais do que necessário a eles.

Isso fazia menos sentido em minha cabeça, tinha escutado uma versão parecida da boca de Maxime, apenas com os papéis invertidos, aonde ele se sentia um estorvo para o casal.

Olhei nervosa para Darlan, mas não tive tempo de pensar em muita coisa, logo o motorista apareceu para nós levar a qualquer lugar que queríamos, bom a qualquer lugar que Darlan queria, eu só o acompanharia.

O carro rumou para o centro da cidade, demorou um tempo considerável para chegar ao shopping, era óbvio que demoraria, o trânsito estava insuportável, quase parecia uma orquestra de buzinas e pessoas nas janelas gritando umas com as outras.

— Vamos mudar de cidade ainda essa semana, estou pensando em um lugar muito

Mais calmo, detesto esse tipo de barulho.— Darlan comentou tentando não parecer tão impaciente com o trânsito que se recusava a andar e com o barulho que as pessoas estavam fazendo.

Todos pareciam compartilhar da mesma falta de humor naquela manhã.

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Comments

Andreia Cristina

Andreia Cristina

Natália não confia muito neles afinal quando a esmola é demais o santo desconfia

2023-12-16

6

Silvana Luiza Dos Santos

Silvana Luiza Dos Santos

meu Deus a mulher é uma cobra e ele nem se toca credo como ele não desconfia de nada e porque o rapaz não conta pra ele misericórdia ajudou tanto ele tirando da rua meu pai viu

2023-12-16

15

Marcela Thomazini

Marcela Thomazini

Acho que o Maxime vai repensar a sua vida e ficar só com a Natália

2023-12-16

3

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