Capítulo 17

Natália

Não fazia sentido nenhum eles se preocuparem com meu bem estar, mas estavam agindo para o meu próprio bem, até que gostei bastante disso.

No navio de Maxime ele me mostrou cada detalhe e me explicou muitas coisas sobre o trabalho dele, achei que não entenderia, mas a forma com que ele explicava era tão simples e suave, mesmo com aquele sotaque.

Entendi que ele gostaria de me por no mundo dele, Anastasia e Darlan não se importavam com minha presença na vida deles, eram bem simpáticos e estavam dispostos a me ajudar em todos os aspectos.

Eu não sei se na época eu era cega e me deixei ser enganada por eles ou se eu via o que estava acontecendo e mesmo assim me fiz de boba, mas a primeira vez que notei algo, foi naquele navio.

Enquanto conversava com Maxime, os olhos de Anastasia não mudavam de direção, ficavam encarando como se eu fosse o bandido com uma arma na mão, eu já tinha visto muito daquele olhar.

Tentei não dar importância mesmo sabendo que isso estava me incomodando, meu estômago parecia que daria um nó de tão desconfortável que fiquei, depois Darlan se juntou a ela e parecia acalma - lá

Eles se davam bem, pareciam melhores amigos com benefícios, eram bonitos e cultos, acho que a combinação perfeita para serem tão atraentes e chamativos.

Maxime por outro lado só me olhava e puxava assunto, me fazia ser o centro de toda a sua atenção, eu estava encantada por ele e me deixava ser seu alvo fácil, me deixava ser sua dama.

Ainda incomodada, eu esperaria pela oportunidade de falar com Anastasia em particular, ela parecia mesmo não estar feliz comigo ali, embora de sua boca saíssem outras palavras, palavras de apoio.

Apoio, que era exatamente o que eu precisava naquele momento, minha mãe e irmão transformaram minha vida num verdadeiro inferno, na reportagem eles foram bem claros com relação a terem ido me procurar na pousada, aonde eu tinha certeza que Cleonice não havia falado sobre os estrangeiros, mas haviam mais moradores ali, pessoas que fariam qualquer coisa por vinte reais que fosse.

Sim, eles podiam ter mais informações a meu respeito, e por mais que eu quisesse esquecer minha família, eu não ia conseguir, entendi que eu seria a mercadoria da minha mãe e irmão, entendi que faria programas querendo ou não.

Me pergunto se Cristiano iria continuar comigo depois de conseguir o que queria, ou se ia me descartar como objeto, como a maioria dos homens agem, uma tremenda falta de caráter, digo isso com a boca cheia, pois se sua intenção é ter uma noite apenas, deixe isso claro e não iluda ninguém.

Mentir é tudo o que importa contanto que consiga atingir seus objetivos, era isso que eu era para Cristiano, era exatamente assim que ele me via.

Ao lado de Maxime, eu não me sentia assim, ele me passava segurança, confiaria minha vida aquele homem.

— Parece distraída, gostou do mar? — Maxime inqueriu me tirando do meu devaneio.

— Eu estou pensando na minha família, eles devem saber sobre vocês, ou não estariam desta forma desesperada. — Falei com certa relutância, não queria passar a pior ideia do mundo, mas ele já parecia ter entendido tudo o que estava acontecendo.

— Natalia, eu entendo eles, sei exatamente como acalmar sua família e como deixar eles em paz, pelo menos até te tirarmos do país, eu quero que não se preocupe, não passei o endereço do apartamento para ninguém da pensão, assim como todos conheciam o hotel. — Maxime sorriu galante e tinha um olhar malandro. — Ninguém sabe aonde fomos morar depois do hotel, nem mesmo nossos nomes reais, os poucos que sabiam já tem instrução de não abrir a boca a ninguém.

— Sabe, se colocam uma arma na tua cara, você fala... — citei o melhor exemplo que podia.

— Ah, sim, mas confie em mim, eles não iriam pra televisão se já soubessem aonde está, vou resolver isso o mais rápido possível e você não vai ter que se preocupar com mais nada.

Essa certeza de Maxime era algo apaixonante, era algo que eu almejava sentir cada vez mais, no entanto ele não me propôs relacionamento, ele propôs apenas que eu fosse sua acompanhante.

Me dava por satisfeita, ele ainda me pagaria uma bolada por mês, isso era mais do que eu poderia esperar dele, era mais do que eu poderia desejar ter em toda a minha vida.

Pra quem dormia nas ruas até bem pouco tempo, ter um teto para dormir era simplesmente um sonho realizado, sonho maior ainda era passar a noite em um navio.

Perto da meia noite, eu admito que já estava sentindo meus olhos pesarem, necessidade de dormir era o que eu tinha.

Falei com Maxime e ele me mostrou aonde eu tomaria banho e aonde eu iria dormir, achei que aquela cabine era grande demais apena pra uma pessoa sozinha.

Mas não ia reclamar, iria tomar um banho, vestir um pijama que certamente teria no armário e me deitaria sem pensar em problemas ou preocupações.

Foi exatamente isso que fiz, me deitei e apenas fechei os olhos, o sonho foi instantâneo, eu estava realmente muito cansada, meu dia tinha sido bem agitado e confuso, se eu não apagasse daquela forma, eu o faria de forma muito vergonhosa.

Pior de tudo, foi o sonho, eu me via com minha mãe e meu irmão, estávamos na beirada de um barranco, era muito alto mesmo.

Eu me lembro de ter me movido a um lugar aonde não conseguiria me levantar sozinha, precisaria de ajuda, pedi para minha mãe me puxar pra cima, mas ela não parou de mexer no aparelho celular.

Tentei chamar atenção do meu irmão, para que ele me puxasse de volta, mas quando dei por mim eu já estava escorregando e não tinha mais como voltar, eu cairia ali e ninguém poderia me salvar.

Gritei desesperada por ajuda, nesse momento acordei com o susto, me sentei na cama automaticamente e pude ver aonde estava.

Eram quase cinco da manhã, muito cedo para ter alguém acordado, mas mesmo assim eu saí da cabine, iria andar por todo o navios e iria encontrar a cozinha, eu realmente precisava comer alguma coisa, estava faminta e já tinha perdido o sono por causa do pesadelo.

Assim que achei a cozinha vi Anastasia sozinha na bancada, ela parecia beber o café com lentidão, em seu prato algumas panquecas.

— Ah, bom dia Natalia, dormiu bem? — Questionou com um sorriso simpático.

— Bom sim... — olhei para os lados para ter certeza de que não havia mais ninguém no local. — Você preparou o café?

— Sim, eu gosto de cozinhar pela manhã, faz com que eu me sinta útil, sabe Natt, quando me casei eu era nova e cheia de mimos, quando passei a morar na França com o Max eu me sentia um artigo de luxo, então me esforço para aprender a fazer algumas coisas e não depender exclusivamente dele, no caso, dos empregados.

— Acho que entendo como se sente, te incomoda a minha presença? — Inqueri sendo o mais clara possível e ao mesmo tempo morrendo de medo da resposta.

— Não, mas não quero que ache o Maxime como seu herói ou seu príncipe encantado, ele é claro que é, mas tenha cuidado Natt, ele ama a todos. — Eu não queria, mas entendi o que ela quis dizer.

— Ele diz que gosta da liberdade...

— Liberdade é bom, eu não quero que perca a sua, vai descobrir que amar Maxime é deixar de ser livre, vai descobrir que ele é quem da as cartas e você apenas aceita, desculpa se sou clara demais, mas é que eu o amo e sei o quanto dói amar Maxime Pierre Ravel.

Ela não estava mentindo, ela falava com o coração e parecia estar muito confusa com tudo aquilo, assim como eu também estaria se estivesse no lugar dela, sorri sem graça e me sentei ao seu lado e me servi do que tinha no balcão.

— Não se preocupe, eu tomarei cuidado...

— Não digo para se afastar por completo, você precisa de ajuda e ele de uma companhia, mas digo para saber a hora de sair da vida dele, mesmo que tenham se casado e já estejam juntos a anos, saiba quando vai ser a hora, pois um dia ele vai aparecer com uma quinta pessoa pra dentro de casa e vamos ter que engolir o ciúmes e sermos bons meninos com a nova integrante da família.

— Eu prometo que saio correndo se algo não estiver de acordo... — Sorri sem jeito pra Anastasia.

Ela pegou uma jarra de café quente e despejou na xícara ao meu lado, estava me servindo por assim dizer.

Gostei da explicação dela e, ao mesmo tempo senti que ela estava com ciúmes, isso foi estranho de certo modo.

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Comments

🌹

🌹

Máxime é um narcisista que só pensa nele própria leva um homem para viver junto com a esposa é no mínimo nojento.Ele não respeita ninguém

2024-02-04

1

Ju Lopes de Almeida

Ju Lopes de Almeida

acho ele um escroto...

2023-12-31

2

Andreia Cristina

Andreia Cristina

Natália tem q ser muito esperta diante de tudo isso que ela está vivendo

2023-12-20

2

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