Capítulo 8

Natália

Assim que chegamos ao que seria minha nova moradia, eu ainda estava absorta pelos acontecimentos daquela noite, sentia que devia uma explicação a dona da pensão, mas de qualquer forma ela deveria ter imaginado que eu dormiria fora, não era muito difícil de imaginar isso acontecendo na verdade.

Maxime me mostrou as dependências do lugar e tudo era tão sofisticado, cheio de detalhes que meus olhos apenas dançavam de um objeto a outro, sentia meu peito borbulhar de ansiedade, era como se tudo o que eu tivesse vivido até aquele momento não existisse.

Sorri por alguns instantes ao olhar o quarto que ele tinha me reservado, era rosa com varias pelúcias na cama, minha infância tinha sido perdida nas ruas e eu não tinha tido tempo para brincar, não tinha tido nada.

— Você parece ter gostado. — Maxime falou se aproximando, aquele cheiro de perfume era tão bom que poderia dormir apenas com aquele aroma maravilhoso.

— Achei lindo Maxime, mas ainda é tudo muito novo e inusitado... — Aquela era a minha primeira conversa de verdade com ele, tanto no restaurante como agora. — Ainda não entendo o que pode ter chamado a sua atenção.

— Talvez seja isso Natalia, o fato de você não querer algo em troca, isso tenha me chamado atenção, sabe no meu mundo as pessoas se aproximam com um único intuito. — Ele deu uma pausa e colocou uma das mãos em meus ombros. — Tirar proveito.

— acho que isso sou capaz de entender... — Senti um bolo se formar em minha garganta, eu ainda estava me lembrando dos meus familiares e conhecidos. — Minha mãe se esqueceu de quem é ...

— Não, ela não se esqueceu, essa personalidade dela sempre esteve lá, escondida dentro de uma vida pacata, mas que diante das dificuldades veio a tona, ela sempre foi assim, mas somente agora você consegue ver isso.

Havia verdade nas palavras dele, mesmo que seu sotaque fosse um empecilho para meu entendimento eu sabia que ele era um homem vivido e que ja deveria ter encontrado pessoas como a minha mãe.

— Você é encantador... — Soltei sem perceber e senti sua mão contornando meu ombro me colocando em um meio abraço.

— Você é que é uma princesa e vai ser tratada como uma, você é linda, simpática, educada e sem sombra de duvidas dona de um caráter iluminado, vamos ser bons amigos... — Maxime me deu uma piscadela, eu senti um duplo sentido naquilo e devo admitir que aquele homem cheio de pose estava me fazendo delirar.

Tudo nele era convidativo e como eu iria dize que não tinha me apaixonado quase que instantaneamente por ele? Obviamente não tinha como eu dizer isso, ele tinha me conquistado e eu acho que precisava mesmo disso, eu precisava de ajuda e de ter um pouco de fé na humanidade, não era mais a hora de ficar me lamentando pela minha família desequilibrada, era a hora de viver e tentar ter o mínimo.

Como seu nome mesmo indicava, Maxime não me daria apenas o mínimo ele me daria o maximo de tudo o que ele pudesse, seus olhos esmeraldinos cintilavam e não era possível ver mentira em suas palavras.

Ele me deixou um pouco sozinha na privacidade daquele quarto, tudo era tão bonito que realmente eu me sentia dentro de um conto de fadas, a cama era quase encostada com a janela, tinha um mosquiteiro em torno da cabeceira da cama, como se fosse um dossel, o chão era totalmente coberto por um tapete felpudo branco, era possível dormir em meio aquele tapete de tão macio que seu toque era, no teto um lustre delicado com enfeite de flores de cristal, a penteadeira cheia de perfumes e maquiagens.

Aquilo tudo era pra mim? Era incrível na verdade, abri o guarda roupa e dei de cara com um cômodo atrás da porta, um cômodo quase vazio, mas tinha o básico de roupas, tinha um bilhete no espelho, dizia que no dia seguinte faríamos as compras de tudo o que fosse necessário.

É normal que nesse momento a gente acorde do sonho, mas não acordei, segurei um coelhinho de pelúcia e o apertei contra meu peito, era tão macio e suave, diferente de muitas outras coisas rusticas as quais estava acostumada.

Claro que no meio de todo aquele luxo e sofisticação não seria difícil me acostumar com aquilo também.

Sai do closet e fui direto para a janela, era possível ver todo o brilho da cidade movimentada, deveríamos estar no vigésimo andar, não prestei atenção naquilo de imediato, mas foi algo que nunca imaginei meus olhos captando.

Ele tinha me dito para tomar um banho, vestir algo confortável e encontra-lo na sala, bom foi exatamente isso o que eu fiz, não fazia sentido ficar admirando as coisas como uma boboca, eu estava ali para ser a companhia dele quando Anastacia e Darlan não estivessem, bom pelo menos era isso o que eu tinha entendido.

Sinceramente, achei que iria me perder dentro daquele banheiro, era maior do que o meu quarto de pensão, um sonho, um conto de fadas, a banheira branca perolada, parecia ser convidativa demais, contudo eu estava insegura e um pouco amedrontada com aquilo, sim eu sentia medo de voltar as ruas e não queria fazer nada que desagradasse Maxime.

Pra qualquer pessoa essa linha de raciocínio poderia ser estranha, mas pra uma moradora de rua não era, dormir ao relento não era fácil, quando chovia era ainda pior.

Enquanto tomava banho, me lembrei novamente de minha mãe, era quase impossível não pensar nela, eu sabia que com meu irmão fora da cadeia as coisas iriam melhorar a ela, talvez aquele filho que ela tanto admirava pudesse colocar ela em um dos barracos da favela.

Não era muita coisa, mas pelo menos na rua ela não iria dormir e de quebra talvez meu irmão pagasse a divida que ela tinha com Cristiano, nesse momento em que pensei no Cristiano me lembrei do quanto eu o admirava e do quanto ele parecia ser gentil, não poderia ser possível que ele tivesse se tornado ou que no caso ele fosse aquele homem nojento.

O tipo de homem que as mulheres correm quando estão sozinhas na rua, ele ela refém dos desejos ou era apenas um sem caráter, a mim não importava mais, eu deveria e queria esquecer, tudo o que era ruim em minha vida poderia ser deixado pra trás, o que eu tinha agora diante dos olhos era minha nova expectativa de vida perto de Maxime.

Quando sai do banheiro já vestida com um pijama de algodão verde claro que tinha encontrado no closet, Maxime estava na sala de estar, parecia trajar um pijama também, usava uma calça de ceda na cor bege e uma camisa da mesma cor e tecido, seus cabelos molhados e perfeitamente alinhados de lado, somente naquele momento notei que do lado direito de seu rosto surgia uma covinha delicada quando ele sorria mais abertamente.

Meu rosto queimou de vergonha, pois naquele instante eu via o quanto ele era bonito e agradável, na mão direita de Maxime tinha uma taça de vinho, olhei um pouco mais envergonhada quando ele me devolveu uma piscadela.

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Comments

Marilene Melo Vasconcellos

Marilene Melo Vasconcellos

tadinha. tá iludida.

2025-01-23

0

evaneide batista

evaneide batista

Acho que ele encontrou a próxima esposa

2023-12-26

4

Roseli Santos

Roseli Santos

será mesmo qu ele é casado um.homem e uma mulher estranho

2023-12-20

0

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