Capítulo 5

Natália

Darlan, foi na varanda em que eu estava e tinha um olhar malicioso e sedutor, o piercing em sua boca era também um charme, parecia ser do tipo despojado e que gostava de festas e baladas.

— Pierre tem um fraco enorme por garotas puras, sem ambições e que mostram honestidade. — Joseph, o interprete traduziu o que Darlan havia acabado de murmurar ao seu lado.

— Nossa, me sinto lisonjeada. — Não me lembro muito bem, creio que na época falei uma gíria qualquer, mas o sentido da palavra é o mesmo.

— Ele tem uma proposta, acho que isso ficou claro no almoço, então ele está radiante preparando os papeis senhorita Natalia, um motorista vai levar a senhorita e sua amiga para a pensão de vocês, amanhã à noite o mesmo carro vai lhe buscar e te trazer até esse hotel, vai vir?

Enquanto Joseph traduzia as palavras ditas por Darlan eu ficava criando um roteiro clichê e bobo na minha cabeça, parecia um conto de fadas algo bem aleatório mesmo, mas me lembrando dos avisos e conselhos que tinha recebido resolvi que deveria aceitar, afinal eu não tinha nada a perder.

— Vou. — falei firme e assenti com a cabeça, o que fez Darlan sorrir de forma mui amável e animada, parecia que seus olhos tinham ganhado um brilho incomum.

Claro, eu não sabia o que estava por vir, então a seis anos atrás em minha cabeça isso era sim um conto de fadas, um conto no qual eu era a protagonista.

Alguns contratempos surgiram no decorrer da semana, eu só pude me encontrar com o trio cerca de dez dias depois, estava muito absorta com a minha nova vida, ainda vendia balas, comecei a fazer supletivo a noite para suprir os anos de estudo que havia perdido.

Era o que dava pra fazer no momento, mas no dia do encontro, ainda de manhã, recebi na pensão um pacote um pouco misterioso, sabia que era deles, mas ainda sim não tinham ligado pra pensão avisando nem nada.

Dentro do pacote, havia um vestido de ceda com algumas pedrarias na parte superior na cor lilás, achei lindo demais, o sapato na cor prata e tinha até mesmo uma joia, um colar dourado com uma pedra de esmeralda no pingente em forma de gota.

Tudo o que eu precisava agora era de uma boa maquiagem e de alguém que pudesse fazer um penteado descente no meu cabelo, Aline, me ajudou com tudo isso, ela tinha se tornado uma boa amiga, gostava de ajudar as pessoas, essa na verdade era uma qualidade muito especifica das pessoas que moravam naquela pensão.

Em algum momento de suas vidas eles já tinham morado na rua, por isso sabiam o quão valoroso era ajudar e receber apoio nesses momentos.

Eu não fui procurar minha mãe, na verdade fiquei com medo de ela me entregar para Cristiano, sentia pavor apenas de pensar nisso, pavor e tristeza, ainda não conseguia acreditar que minha mãe tinha feito isso comigo, era surreal demais para ser verdade.

Estando quase pronta para o meu encontro, sentia meu coração acelerado, eu não tinha a mínima noção do que o trio iria me propor, embora Aline, já tivesse me dado alguns toques, já que ela trabalhava de garçonete em um restaurante chique e os viu, em um momento Maxime estava beijando Anastacia e em outro ele beijava Darlan, então ao ver isso ela me disse que talvez isso tivesse algo relacionado a proposta.

Isso também era surreal, obviamente que pessoas chiques como eles não iriam olhar para alguém como eu que até recentemente não sabia o que era tomar banho todos os dias, senti um leve desespero ao pensar que poderia voltar aquela vida, mas agora eu estava tão elegante que nem parecia ser a pessoa sem classe e totalmente desleixada.

— "Não estou a altura deles, mas pelo menos estou um pouco mais bem vestida" — Murmurei para mim mesma enquanto conferia os últimos detalhes diante do espelho.

Meus olhos castanho escuros, miravam a imagem com certa satisfação, até que escutei batidas na porta era, Cleonice, seu olhar um pouco rabugento e sorriso condizente me encaravam com curiosidade.

— Menina eles chegaram. — Anunciou assim que botou seu olhar em mim. — Está muito encantadora, eles adiaram muito esse jantar, acredito que hoje vão arrumar sua vida.

— Não me sinto muito segura disso, eles até me mandaram roupas joias e sapatos para o jantar, acho que sou apenas uma pobretona aos olhos deles, mas mesmo assim quero impressionar. — respondi minimamente.

Não era do meu feitio guardar muitas expectativas, sinceramente estava absorta na ideia de me encontrar com eles, ainda não sabia muito da língua deles, embora tivesse estudado como uma doida nos últimos dez dias, desde que os vi no hotel.

Ao lado de Cleonice, fui até a entrada da pensão aonde um carro já me esperava, Cleonice tirou seu olhar rabugento e ficou um pouco mais seria, eram atitudes normais da senhora, eu já tinha me acostumado com esse seu gênio bipolar, e sinceramente estava tudo bem, não havia problema algum ela ser assim.

Um homem saiu de dentro do carro assim que me viu e abriu a porta do passageiro, senti um certo incomodo com o ato, embora isso fosse um gesto de cortesia e cavalheirismo, algo dentro de mim gritava que eu não merecia tanta educação assim.

As auto sabotagens da minha cabeça... Bom eu estava acostumada a ser tratada como lixo por minha mãe, então acredito que essas minhas reações eram bem normais.

Assim que entrei dentro do carro dei de cara com Máxime, seus olhos verdes pareciam brilhar e combinavam perfeitamente com o sorriso perfeito que ele tinha desenhado em seu rosto.

— Maxime!? — Soltei quase num grito. — Você?

— Sim Natalia, perdoe a demora para lhe buscar, estava tentando me habituar a sua língua. — Soltou com o sotaque ainda mais engraçado, eu conseguia entender as palavras, mas realmente parecia que estava muito inseguro.

— Acho que está perfeito... — sorri sem graça e coloquei uma mecha do meu cabelo atrás da orelha.

— Está muito bonita. — Soltou ainda sustentando o sorriso encantador em seus lábios.

Sorri sem graça, ele era realmente encantador, sua pele se igualava ao mármore, tinha um brilho todo singular nele, suas roupas elegantes e seu perfume, algo que jamais poderia me esquecer, era doce, amadeirado e cítrico, não tinha como alguém não se sentir atraída por ele.

— Pensei que seus amigos viriam... — Comentei deixando minha fala morrer, não queria ser indiscreta ou abusada demais, contudo eu tinha me comunicado ou com Anastacia ou com Darlan nos últimos dias, a presença dele sozinho era uma surpresa.

— Eles estão curtindo um momento juntos. — Maxime puxou o ar e soltou como se fosse um suspiro. — Não são meus amigos, são meus companheiros, me casei com Anastacia e com Darlan, mas eles as vezes saem juntos, estão apaixonados um pelo outro no momento, essa viagem é na verdade para eles terem um momento juntos.

Minha boca se abriu em um "O", o que Aline havia comentado era verdade, eles estavam juntos mesmo, eram uma coisa só, não havia mais nenhuma duvida.

— Não sente ciúmes? — Perguntei a primeira coisa que me veio a mente.

— Não, de forma alguma, eles são maravilhosos juntos, na verdade eu não viria com eles, mas acabei vindo por insistência de Darlan, ele é um pouco apegado e tem medo de que eu me sinta solitário. — Ele se endireitou no banco e me encarou com doçura. — Está um pouco nervosa.

Aquilo não foi um pergunta, foi uma afirmação, eu só pude sorrir pra ele como uma boba, não tinha outra reação, ele era simplesmente lindo e encantador, me lembrei por instantes do que eu sentia quando via Cristiano, era quase a mesma sensação, claro aquele patife quebrou meu coração, mas eu já tinha sentido algo por ele.

— Não estou nervosa, só um pouco ansiosa, talvez essa seja a palavra certa. — Agradeci mentalmente minha vida miserável, sempre trabalhei com pessoas chiques na rodoviária, vender balas me obrigava a ter uma boa comunicação e por isso falava sem gírias, claro tinha que me conter pra não soltar alguma.

— Consigo entender, alugamos um triplex na sua cabeça com a aquela historia de proposta. — Acho que ele não se importava em usar expressões brasileiras, ou estava muito à-vontade no Brasil.

O carro começou a se movimentar e meu coração parecia acelerar, era estranho de certa forma, eu estava no carro de um cara podre de rico e ele parecia estar muito feliz com isso, eu tinha me visto no espelho e minha impressão era de que ainda sim era uma feia arrumadinha, nunca tive cuidado algum com minha pele.

— Pra aonde esta me levando? — Murmurei minha pergunta com certa delicadeza, uma delicadeza que nem eu mesma sabia que tinha.

— Bom, pensei em te levar ao Le Mon, mas é sofisticado demais, você poderia se sentir um peixe fora d'agua, então acho que vou te levar para o Palace, é sofisticado, mas não vai te assustar. — Ele realmente sabia como eu me sentia.

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Comments

Cleidilene Silva

Cleidilene Silva

são dois homens e uma mulher é isso é a idiota vai aceitar, ela deveria arrumar um serviço decente isso sim! o cara e casado.

2025-03-11

0

Magna Regina

Magna Regina

procurando garotas inocente e virgem para o SBDM

2025-02-02

0

Liliana Silva

Liliana Silva

O que pessoas tão riquinha estava fazendo em uma rodoviária?

2024-09-05

0

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