Ann
Enrolamos por algum tempo e logo saímos do bar, parecia ser o certo a ser feito e sinceramente aquela situação toda já tinha acabado com meu humor.
Max, estava tão preocupado com toda a situação de Natalia que me fazia sentir uma pontada de culpa e desespero, mas isso não era tudo, a garota era simplesmente perfeita.
Ela sabia se impor e conhecia os desejos do coração da própria família, embora pelo que tenha entendido ela só tenha conhecido aquela versão de seus entes queridos a pouco tempo.
Pra falar a verdade fomos nós que a colocamos nessa situação e a salvamos do destino que a mãe havia planejado a ela.
Ela não tinha culpa de nada e eu estava sendo egoísta por agir daquela forma, por me queixar com Darlan ou por fazer o Max, se preocupar comigo, ainda sim eu tinha o desejo de matar Maxime.
Era horrível pensar nisso, mas era como eu achava que as coisas seriam resolvidas, era como eu via a situação.
Aproveitei ao máximo a brisa suave do mar, a chuva já tinha passado e parecia ser seguro ficarmos um pouco longe da costa, é era seguro, Maxime conhecia o mar como ninguém.
Eu sinceramente nunca vi alguém com tanto talento para dominar um navio ou para saber quando é ou não seguro ficar em alto mar, esse Maxime era por quem eu tinha me apaixonado, era esse homem cheio de talentos que agora me obrigava a dividi-lo com outras pessoas.
Eu deveria ser a única ou deveria me divorciar, ele deveria me deixar ir, ir sozinha e sabendo o que fazer da vida, mas tudo o que aprendi ao lado dele foi como gastar quantias exorbitantes de dinheiro, aprendi que uma dondoca precisa ser mimada e cuidada, o amor ahh, o amor podia ser deixado de lado.
O dinheiro importava mais do que os sentimentos, enquanto ele estivesse pagando podíamos aceitar qualquer peculiaridade da parte dele, mas eu era covarde, eu não sabia como cometer o maior crime de todos, sabia muito menos sobre pagar por esse crime.
Natália era o empecilho ou eu era egoísta por não querer dividir meu marido com mais alguém?
Sim eu roubei o Darlan do Max, eu amava o moreno, aprendi a amar ele, superei minhas diferenças com ele, embora ainda achasse ele submisso demais, ele sabia como lidar comigo e talvez eu fosse o motivo da insônia dele.
Vi Natália na popa do navio, Max estava ao seu lado, parecia consolar ela de uma crise de nervos, se eu tivesse na situação dela, provavelmente estaria muito pior, eu soube naquele momento em que os vi, que não ficaríamos muito tempo no Brasil.
— Ann, você está bem? — Darlan apareceu do meu lado com uma taça de vinho seco, o meu favorito.
— Não, eu fui egoísta demais esse tempo todo, acho que cometi um erro com você, fui muito má... — soltei as palavras sem me importar com o que ele poderia pensar.
— Eu sempre te disse que compartilhava do seu sentimento, enquanto éramos apenas nós estava tudo bem, afastamos pessoas da vida dele e nos colocamos em primeiro lugar, mas por quanto tempo temos que continuar assim? — Darlan bebeu um gole de sua taça. — Eu tenho pena da moça, ela me lembrou de quem eu era antes de conhecer o Max, mas depois de darmos tudo a ela, ela não pode ficar.
— Vamos viver afastando as pessoas, não é mais fácil a gente se afastar? — questionei entristecida.
— Já tentamos, vir para o Brasil era isso, ficar longe, mas ele achou que estava convidando eu fui apenas educado, agora estamos na mesma situação em que estávamos em Veneza ou na Itália...
— Como nós livramos dele? Um pouco de veneno? Uma bala perdida ou fazemos isso com nossas mãos? Sabe que não temos coragem somos dois covardes. — Eu falei ainda mais deprimida. — entretanto temos o trabalho com ele, ele vai me dar uma posição na empresa, talvez a mesma que você.
— Ann, gastamos como dois idiotas nesse tempo todo, vamos economizar e aprender como fazer dinheiro, depois saímos da vida dele, deixamos ele para as aventuras. — Darlan me abraçou, eu podia ver o sofrimento dele, ele também amava Maxime, ele também tinha esse sentimento.
— Vou voltar a estudar, sempre quis se advogada, depois que eu me formar e já estiver com meu escritório podemos sair disso, sei que não vou ganhar milhões por dia, mas posso me contentar em voltar pra Rússia.
Darlan me olhou um pouco animado e me deu um sorriso doce.
— Vamos voltar a estudar, eu pretendo trabalhar na empresa do Max, vou me acostumar a viver sem a mesada dele e começar a me satisfazer com o salário dele, parece pouco mas não é, na verdade é o suficiente pra nós dois. — Darlan me abraçou e em seguida pousou uma mão em meu ombro. — É melhor do que cometer um assassinato.
— Precisamos apenas matar ele em nossos corações, a menina precisa de ajuda, vamos ajudar ela, sei como é ter pais abusivos, sei como é ter uma família que tenta te controlar, acha mesmo que meus pais teriam permitido esse meu casamento se ele fosse de baixa renda?
— Engraçado que seus pais acreditam que eu seja o mordomo de vocês, desculpa, mas eles são um pouco idiotas, ou se fazem.
— Se fazem, eles sabem que você é o segundo na vida de Maxime, agora temos uma terceira pessoa, me pergunto quando ela vai abrir os olhos? Quando já estiver casada e ter que ver ele saindo a noite? Ou quando ele trouxer outra pessoa pra casa? — dei um gole generoso virando o restante do vinho em minha boca, eu não queria parar de beber, por mim beberia a noite toda.
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Atualizado até capítulo 51
Comments
Josi Gomes
QUE BOM QUE ELES MUDARAM DE IDÉIA, AGORA ESTÃO CERTOS
2024-11-08
1
Josi Gomes
ELA ESTÁ SENDO EGOÍSTA , MESQUINHA E HIPÓCRITA
2024-11-08
0
Joelma Portela
espero que isso seja verdade
2024-10-27
0