Naty,
Rafael tem
razão, eu sou uma bomba relógio na vida do Romero e preciso entender que é
melhor assim. Os primeiros dias foi bem difícil controlar, ontem no horário do
voo dele eu senti muita vontade de voltar ao aeroporto e fazer tudo como da
outra vez.
O que vivi ao lado deste homem foi lindo, agradeço a Deus por me
permitir viver isso ainda nesta vida, mas agora é por a cara no sol, guardar as
lembranças dos bons momentos em um baú e trabalhar.
Ultimamente tenho frequentado mais o morro, mesmo sabendo que estou
vulnerável e que o Rafael vai marcar cerrado em mim.
— Tem certeza disso? — Dandara me
reprova na ideia de participar de um assalto.
— Absoluta, preciso de adrenalina! —
Falo, e observo os planos.
— E se der ruim? — Ela pergunta aflita.
— Vocês me enterram, ou eu faço
companhia para a Sabrina. — Brinco e ela me dá uns tapinhas no ombro — De mais
a mais o morro está em boas mãos.
— É doida mesmo! — Ela fala negando com
a cabeça.
A fita é dada, o carro forte está com
uma “bolada” e tanta, como esperado o carro passa pontualmente no ponto
escolhido, estouramos o carro e depois dele “zanzar” na pista começamos a
recolher.
— Uhuuu! Comemoro enquanto sinto a
liberdade e adrenalina correndo nas veias.
Temos poucos minutos até tudo ser tomado
pela polícia, nossa equipe pega tudo que consegue e abrimos fuga.
Antes
de deixar o local, percebo que dois dos funcionários da seguradora vieram a
óbito, sinto um aperto no peito ao pensar na família deles, mas fazer o que?
São ócios do ofício.
É
disso mesmo que estou precisando, adrenalina, os minutos correm acelerados me
deixando extasiada, cada movimento vem carregado de intensidade, como se
tivéssemos em uma outra dimensão paralela a realidade comum.
—
Vamos pessoal, deu o tempo! — Alerto ao conferir o relógio, para dar certo
tempo deve ser cronometrado e respeitado.
Mesmo
com todo cuidado para sair, acabamos sendo perseguidos por viaturas, os carros
em que estamos se separam eu entro em meio as estradas rurais.
—
Naty, a gente vai morrer! — Um dos guris me apavora falando sem parar.
— Se
nos entregarmos ou eles nos pegarem, certamente sim! Agora para de me
desconcentrar, aqui é piloto de fuga. — Brinco tranquilizando-o.
— Tem
uma saída em 500mts. A direita! Vamos logo, a direita! — O outro grita.
Sigo
as instruções dele e saímos no asfalto outra vez, acelero o máximo que consigo
tomando distância.
— Naty! — Grita o comparsa apavorado.
— Que? — Mal pergunto e sinto um
arranque no volante, fomos alvejados no pneu.
“Eu não quero morrer, não posso morrer,
não aqui, não assim, meu Deus me dá uma chance!”
Estamos encurralados, demoramos muito
para recolher o dinheiro, mas consegui manter o carro na direção, minha mente
está acelerada, preciso agir rápido.
Onde eu estava com a cabeça? Vim buscar
adrenalina para saciar a saudade que estou do Romero, mas o que estou
encontrando é a morte.
A temível dona do morro está perdendo a
cabeça e posição, tudo por não conseguir tirar esse homem da minha mente.
Meus pensamentos divagam me fazendo
perder a noção da realidade, sou tirada do meu transe ao sentir uma batida na
lateral e ver o carro capotando.
Um dos guris que estão comigo morre
instantaneamente, o outro tenta sair pela janela e morre ao ser atingido por um
tiro, me arrasto mesmo sabendo o meu fim. Olho para cima, um dos policiais se
aproxima e aponta uma arma em minha direção.
— Perdeu, Naty! — Ele fala e eu baixo o
olhar.
— Não atire! — Ouço a voz do Romero,
olho e ele está em frente ao agente com a mão levantada.
— Perdeu a cabeça, Romero? Você sabe
muito bem quem ela é! — Ele fala confuso. — O cenário é ideal, ela é uma
bandida e merece morrer! Essa é a sua oportunidade de fazer o que planeja a
tempos. — Ele continua e Romero não se move.
— Abaixe a arma! — Romero ordena e ele
obedece, logo em seguida o Rafael se aproxima.
— Tinha que ser você! — Ele fala sem
esconder sua contrariedade.
Rafael puxa o Romero de lado e o agente
não tira os olhos de mim, estão visivelmente discutindo. O que ele está fazendo
aqui? Ele já devia estar em outra cidade. Minha mente forma inúmeras
possibilidades.
— Eu não posso acreditar nisso! — Ouço o
Rafael dizer e o Romero o ignorando.
Os dois se aproximam novamente, ouço
barulho de sirenes se aproximando, provavelmente em minutos aqui ficará lotado
de reforço.
—
Saia já daqui! — Romero fala sem me olhar, enquanto me levanto apressada vejo o
olhar confuso do agente.
Não
quero pensar em como será ou o que vão fazer, apenas corro em meio a mata com
os olhos cobertos por lagrimas, pensamentos cobertos de ódio e arrependimento.
O
Rafael vai acabar comigo assim que tiver oportunidade, eu não o julgo por isso,
eu no lugar dele faria o mesmo e até pior.
Cansada de correr, sem telefone, com um
assalto fracassado, companheiros mortos, encosto em um penhasco, contudo sou
torturada por meus próprios pensamentos.
A imagem de Romero se faz presente,
lembro dos nossos dias bons, e consigo sentir saudade até das nossas brigas, do
ciúme obsessivo e das nossas transas.
Hoje eu vi que sou capaz de muito por
ele, mas que ele faz muito mais por mim. Não é justo que eu deixe isso
acontecer outra vez, esse relacionamento já deu o que tinha de dar.
Adormeço, vencida pelo cansaço e acordo
com a voz do amor da minha vida me chamando carinhosamente, até parece um sonho
bom.
— Helena, vamos! Vou te deixar em casa.
— Romero fala me pegando no colo.
— Não, eu não quero piorar ainda mais a
sua situação. — Reluto.
— Eu estou ordenando, é isso ou te dou
voz de prisão. — Ele diz firme.
— Tudo bem, senhor delegado, com receita
é mais fácil. — Brinco e permito que ele me pegue no colo, estou toda dolorida.
Ele me deixa em casa, mas não fica
comigo e não fala nada sobre o ocorrido, sem muitas palavras apenas vai, eu sei
que estou perdendo o amor da minha vida, mas não vou fazer nada para impedir.
A mídia cai matando na polícia, as
cobranças por minha prisão estão em todos os noticiários, Romero aparece em
algumas entrevistas explicando que consegui fugir e que sou de alta
periculosidade, me corta o coração vê-lo falar assim de mim.
Reflito
sobre tudo que vem acontecendo e tomo uma árdua decisão, contato algumas
pessoas e opto por vender minha cada, carro, mudar o visual e sumir de vez do
radar do Romero e do Rafael.
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Atualizado até capítulo 61
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Valmira Lima Da Cruz Carvalho
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2023-12-19
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