Capítulo 18

Naty,

Rafael tem

razão, eu sou uma bomba relógio na vida do Romero e preciso entender que é

melhor assim. Os primeiros dias foi bem difícil controlar, ontem no horário do

voo dele eu senti muita vontade de voltar ao aeroporto e fazer tudo como da

outra vez.

O que vivi ao lado deste homem foi lindo, agradeço a Deus por me

permitir viver isso ainda nesta vida, mas agora é por a cara no sol, guardar as

lembranças dos bons momentos em um baú e trabalhar.

Ultimamente tenho frequentado mais o morro, mesmo sabendo que estou

vulnerável e que o Rafael vai marcar cerrado em mim.

— Tem certeza disso? — Dandara me

reprova na ideia de participar de um assalto.

— Absoluta, preciso de adrenalina! —

Falo, e observo os planos.

— E se der ruim? — Ela pergunta aflita.

— Vocês me enterram, ou eu faço

companhia para a Sabrina. — Brinco e ela me dá uns tapinhas no ombro — De mais

a mais o morro está em boas mãos.

— É doida mesmo! — Ela fala negando com

a cabeça.

A fita é dada, o carro forte está com

uma “bolada” e tanta, como esperado o carro passa pontualmente no ponto

escolhido, estouramos o carro e depois dele “zanzar” na pista começamos a

recolher.

— Uhuuu! Comemoro enquanto sinto a

liberdade e adrenalina correndo nas veias.

Temos poucos minutos até tudo ser tomado

pela polícia, nossa equipe pega tudo que consegue e abrimos fuga.

            Antes

de deixar o local, percebo que dois dos funcionários da seguradora vieram a

óbito, sinto um aperto no peito ao pensar na família deles, mas fazer o que?

São ócios do ofício.

            É

disso mesmo que estou precisando, adrenalina, os minutos correm acelerados me

deixando extasiada, cada movimento vem carregado de intensidade, como se

tivéssemos em uma outra dimensão paralela a realidade comum.

            —

Vamos pessoal, deu o tempo! — Alerto ao conferir o relógio, para dar certo

tempo deve ser cronometrado e respeitado.

            Mesmo

com todo cuidado para sair, acabamos sendo perseguidos por viaturas, os carros

em que estamos se separam eu entro em meio as estradas rurais.

            —

Naty, a gente vai morrer! — Um dos guris me apavora falando sem parar.

            — Se

nos entregarmos ou eles nos pegarem, certamente sim! Agora para de me

desconcentrar, aqui é piloto de fuga. — Brinco tranquilizando-o.

           — Tem

uma saída em 500mts. A direita! Vamos logo, a direita! — O outro grita.

            Sigo

as instruções dele e saímos no asfalto outra vez, acelero o máximo que consigo

tomando distância.

— Naty! — Grita o comparsa apavorado.

— Que? — Mal pergunto e sinto um

arranque no volante, fomos alvejados no pneu.

“Eu não quero morrer, não posso morrer,

não aqui, não assim, meu Deus me dá uma chance!”

Estamos encurralados, demoramos muito

para recolher o dinheiro, mas consegui manter o carro na direção, minha mente

está acelerada, preciso agir rápido.

Onde eu estava com a cabeça? Vim buscar

adrenalina para saciar a saudade que estou do Romero, mas o que estou

encontrando é a morte.

A temível dona do morro está perdendo a

cabeça e posição, tudo por não conseguir tirar esse homem da minha mente.

Meus pensamentos divagam me fazendo

perder a noção da realidade, sou tirada do meu transe ao sentir uma batida na

lateral e ver o carro capotando.

Um dos guris que estão comigo morre

instantaneamente, o outro tenta sair pela janela e morre ao ser atingido por um

tiro, me arrasto mesmo sabendo o meu fim. Olho para cima, um dos policiais se

aproxima e aponta uma arma em minha direção.

— Perdeu, Naty! — Ele fala e eu baixo o

olhar.

— Não atire! — Ouço a voz do Romero,

olho e ele está em frente ao agente com a mão levantada.

— Perdeu a cabeça, Romero? Você sabe

muito bem quem ela é! — Ele fala confuso. — O cenário é ideal, ela é uma

bandida e merece morrer! Essa é a sua oportunidade de fazer o que planeja a

tempos. — Ele continua e Romero não se move.

— Abaixe a arma! — Romero ordena e ele

obedece, logo em seguida o Rafael se aproxima.

— Tinha que ser você! — Ele fala sem

esconder sua contrariedade.

Rafael puxa o Romero de lado e o agente

não tira os olhos de mim, estão visivelmente discutindo. O que ele está fazendo

aqui? Ele já devia estar em outra cidade. Minha mente forma inúmeras

possibilidades.

— Eu não posso acreditar nisso! — Ouço o

Rafael dizer e o Romero o ignorando.

Os dois se aproximam novamente, ouço

barulho de sirenes se aproximando, provavelmente em minutos aqui ficará lotado

de reforço.

            —

Saia já daqui! — Romero fala sem me olhar, enquanto me levanto apressada vejo o

olhar confuso do agente.

            Não

quero pensar em como será ou o que vão fazer, apenas corro em meio a mata com

os olhos cobertos por lagrimas, pensamentos cobertos de ódio e arrependimento.

            O

Rafael vai acabar comigo assim que tiver oportunidade, eu não o julgo por isso,

eu no lugar dele faria o mesmo e até pior.

Cansada de correr, sem telefone, com um

assalto fracassado, companheiros mortos, encosto em um penhasco, contudo sou

torturada por meus próprios pensamentos.

A imagem de Romero se faz presente,

lembro dos nossos dias bons, e consigo sentir saudade até das nossas brigas, do

ciúme obsessivo e das nossas transas.

Hoje eu vi que sou capaz de muito por

ele, mas que ele faz muito mais por mim. Não é justo que eu deixe isso

acontecer outra vez, esse relacionamento já deu o que tinha de dar.

Adormeço, vencida pelo cansaço e acordo

com a voz do amor da minha vida me chamando carinhosamente, até parece um sonho

bom.

— Helena, vamos! Vou te deixar em casa.

— Romero fala me pegando no colo.

— Não, eu não quero piorar ainda mais a

sua situação. — Reluto.

— Eu estou ordenando, é isso ou te dou

voz de prisão. — Ele diz firme.

— Tudo bem, senhor delegado, com receita

é mais fácil. — Brinco e permito que ele me pegue no colo, estou toda dolorida.

Ele me deixa em casa, mas não fica

comigo e não fala nada sobre o ocorrido, sem muitas palavras apenas vai, eu sei

que estou perdendo o amor da minha vida, mas não vou fazer nada para impedir.

A mídia cai matando na polícia, as

cobranças por minha prisão estão em todos os noticiários, Romero aparece em

algumas entrevistas explicando que consegui fugir e que sou de alta

periculosidade, me corta o coração vê-lo falar assim de mim.

            Reflito

sobre tudo que vem acontecendo e tomo uma árdua decisão, contato algumas

pessoas e opto por vender minha cada, carro, mudar o visual e sumir de vez do

radar do Romero e do Rafael.

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Valmira Lima Da Cruz Carvalho

Valmira Lima Da Cruz Carvalho

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2023-12-19

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