Naty,
Eu não duvido do meu amor por Romero, a vida nos pregou
uma peça e nós dois nos envolvemos de forma pura.
Tudo começou com flores e borboletas no
estômago, mas agora está esfriando a cada dia que passa. Parece que descobrir o
segredo um do outro “desandou o doce” e não estamos conseguindo controlar as
emoções.
Romero
me deu um mês para que possamos aprender a viver dentro dos limites um do
outro, mas o mês que era para ser de parceria e cumplicidade tem se tornado um
pesadelo constante.
Além
de todas as crises de ciúmes de ambas as partes ainda preciso ter malabarismo
para não surtar quando ele ignora todos os riscos e exige que eu deixe a
organização.
Cada
vez que este assunto surge é uma nova desavença, o que salva é o sexo que fica
mais intenso e gostoso na hora de fazer as pazes, porém saindo desse cenário o
cotidiano está uma merda, os beijos de amor viraram dúvidas e insegurança.
— Não
quero que vá ao morro hoje, essa é nossa última semana antes de eu ir, além de
que está prestes a acontecer uma invasão, só não posso dizer mais nada sobre
isso.
— Eu entendo sua preocupação, prometo
evitar, mas não garanto que eu não vá. — Falo sabendo que vou, pois tem uma
reunião e eu não tenho desculpas para não ir.
Romero sai e avisa que não tem horas
para voltar, diz que vai sair com Rafael para comprar algo para a viagem e eu
agradeço mentalmente por isso, assim posso subir o morro sem pressa.
Dandara me recebe feliz assim que me vê
entrando, o morro está em boas mãos desde que ela chegou. Conversamos um pouco
sobre o andamento das coisas e sobre as disciplinas que aconteceram desde a
minha última vinda.
— Confesso que acho violento, mas se
está funcionando então tudo certo. — Falo e sorrio.
Meu sorriso é arrancado do rosto assim que
ouço um tiro sendo disparado, seguido de vários outros, mas que droga!
— Merda! Vou descer ali por trás. —
Aviso pegando uma arma e minha bolsa.
— Cuidado! Vou sair por aqui. — Dandara
avisa e sai para a batalha.
Desço pelo beco, desviando do acesso
central, preciso chegar no asfalto quanto antes, Romero ainda me avisou e eu
nem me liguei. Engulo seco ao me deparar justamente com ele vindo de encontro a
mim.
— Não sei por que, mas eu sabia que ia
te encontrar aqui! — Ele fala visivelmente irritado.
— E queria me encontrar onde? Esse é o
meu trabalho. — Respondo olhando séria em seus olhos.
— É por isso que eu tenho que ir embora,
eu não consigo fazer o meu trabalho quando o meu alvo principal é você. — Ele
fala apertando meu braço.
— Romero! — Tento falar, mas ele me
impede levantando o dedo em sinal de silencio.
Ele indica que eu continue o trajeto que
estava fazendo, mas interrompo meus passos após dois passos, nada é tão ruim
que não possa piora, Rafael está parado nos observando.
— Você está aí a muito tempo? — Pergunto
prevendo o futuro.
— O suficiente, mas você tem três
minutos para sumir daqui ou eu acabo com a sua vida! — Ele fala irado e me dá
passagem.
Ao me aproximar dele, Rafael segura meu
queixo com força e aponta sua pistola em minha testa, seus olhos estão
transbordando ódio e eu sei que só está me liberando em consideração a sua
amizade por Romero.
— Isso não acaba aqui! — Ele fala e me
solta.
Saio a passos largos deixando-os, entro
em casa aflita e como eu já esperava o Romero não voltou.
Quase no horário do almoço meu telefone
toca, embora o número não esteja salvo eu sei que é o Rafael.
— Alo! — Atendo firme.
— Me encontra na Almirante Barros, ali
próximo ao Bosque. — Ele fala e desliga a chamada.
Sinto muita vontade de não ir, contudo,
sei que seria pior para mim neste momento, visto uma roupa, belisco algo na
geladeira e saio rezando para todos os santos que conheço.
Que raiva do Romero não me ligar e não
me atender, ele também mentiu sobre para onde ia e o que ia fazer, sinceramente
estou cansada disso, estou cansada de pisar em ovos, eu sou a dona do morro e
estou presa a uma dependência emocional isso não pode acontecer.
Estou com medo do que vou encontrar
agora, talvez ele tenha me chamado para me prender, me matar, sei lá... são
tantas as possibilidades que me sinto apavorada.
Paro no ponto indicado e o vejo saindo
do veículo parado poucos metros à frente, ele vem em minha direção e entra sem
cerimonias no banco do passageiro.
Respiro fundo, é hora de jogar e como
boa jogadora eu sei que quem está com as cartas é o sistema, só preciso esperar
minha vez.
Assumindo uma postura de mulher
determinada, olho nos olhos do Rafael como quem diz com todas as letras “EU SOU
A DONA DO MORRO”.
Sou a criminosa mais procurada do meu
estado, se não fosse esse lance amoroso ele não saberia quem eu sou e não tenho
nenhum receio em dizer que fiz o que fiz e nunca me arrependi.
Não vou baixar minha guarda, o sistema é
tão sujo quanto o crime, na verdade são piores, se pintam de lei e poder e faz
coisa que até o diabo dúvida, depois nos julga como se vivêssemos em busca de
dinheiro fácil.
Agora eu pergunto, que dinheiro fácil?
Dinheiro do corre é difícil, reque trabalho, dedicação e muita disciplina.
Comecei de baixo, cresci com esforço e
talento, hoje sou peixe-grande e não é qualquer redinha que me pesca não,
Rafael ainda vai ter que ralar muito para conseguir isso, pois hoje é sua
última oportunidade de fazê-lo de forma fácil.
O crime me proporcionou uma vida cheia
de viagens, roupas de luxo, a tão sonhada faculdade, carro importado e uma vida
tranquila, financeiramente falando, para minha família.
Sou bicho solto, sei exatamente o que
fiz, como fiz e o quanto vou pagar por tudo, mas se eu não precisar pagar sendo
presa já ficarei feliz.
— Naty, Naty, Naty, ou devo chamar de
Helena? — Rafael fala me olhando firme. — Você cavou seu túmulo, garota.
— Ui,
estou morrendo de medo! — Desafio.
—
Deveria, mas confesso que não esperava menos que isso de você. — Ele diz
olhando pelos retrovisores.
— Ao
contrário de você, eu vim sozinha! — Falo com um sorriso sarcástico nos lábios.
Ele
revira os olhos e faz sinal para que eu comece a dirigir, sigo sua orientação e
somos seguidos pelo carro logo atrás, juro que eu não perdoarei o Romero se ele
estiver sendo conivente com isso.
— Você sabia que o Romero era o delegado
encarregado de lhe capturar? Aproximou-se de nós por isso? — Ele pergunta e eu
reviro os olhos, esse assunto de novo, que porre.
— O que o Romero te disse sobre isso? — Pergunto e ele faz um gesto me mandando responder — Nenhum
de nós sabia, foi uma infeliz coincidência que pode acabar com a vida dos dois.
— Digo realista.
— Quem descobriu primeiro? Você nunca
desconfiou de nada? — Aperta a arma falando grosso.
— Descobrimos juntos, do mesmo modo que
para mim estava tudo certo para ele também, a coincidência dos nomes para mim
foi irrelevante, estranho é um delegado esconder da namorada sua profissão sem
ter nenhuma suspeita sobre ela, foi um ano até todas as máscaras caírem. — Respondo
séria e paro no sinal fechado.
— E depois de descobrir, por que não se
separaram? — Ele pergunta me observando.
— Já experimentou perguntar isso para o
seu melhor amigo? — Rebato já estressada com tudo.
— Quero ouvir de você, porra! — Ele
grita autoritário.
— Decidimos dar um tempo, no qual, ele
escolheu ir embora e você me contou. Fui atras dele e ele me deu um mês para
vermos como seria a vida, bom o final você está vendo, né?
— Então se eu não te conto, vocês
estariam separados agora e eu a teria prendido naquele morro? — Ele pergunta e
eu confirmo em um gesto.
— Já somos adultos e nós dois sabemos
que você já sabe essa história de cabo a rabo, sabemos também que você não vai
me prender se não já o teria feito — Afronto olhando irônica para ele — Para de
jogos e diz o que quer de mim!
— Em partes você tem razão, então vamos
ao que de fato interessa, deixe meu amigo, não quero ele envolvido na sua
sujeira. — Ele fala e se rosto toma forma — Romero é como um irmão para mim e
eu o vi lutar muito por sua carreira, conquistou respeito da sua equipe, como
acha que será se descobrirem sobre você? Se o ama, como diz que ama, afaste-se
dele. — Ele desabafa já desarmado.
— Fale o que quiser, acredite no que lhe
convir, só não duvide do meu amor por Romero. — Afirmo confiante.
— Se o ama de verdade, faça o certo,
quanto a te prender, eu ainda o farei, mas não hoje, então em nome da minha
amizade pela Helena, se cuida. — Ele diz e faz sinal para que eu pare no
estacionamento a frente.
Com os olhos marejados, confirmo e paro,
ele desce sem me olhar outra vez, sozinha baixo a cabeça sobre o volante e me
entrego ao choro preso na garganta.
Volto para casa completamente desolada,
Romero não voltou nem para pegar as coisas dele, sei que é o certo, mas
gostaria que ele viesse.
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Atualizado até capítulo 61
Comments
Sandra Maria de Oliveira Costa
🥺🥺
2025-01-05
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