Capítulo 16

Romero,

Após dias sem ver Helena, não consigo me concentrar no

trabalho. Está sendo difícil ficar concentrado, está complicado manter a

postura, e principalmente mentir para o Rafael que segue em nossa busca pela

Naty.

Minha irritação é evidente a cada

relatório, pistas e informações sobre a minha mulher, mas como posso dizer

isso? Seria o meu fim. Como fazer bem meu trabalho e manter Helena fora das

grades?

O certo seria terminar nossa relação,

deixar o caso na mão de outro delegado, todavia se conseguirem lhe prender como

poderei dormir tranquilo?

Ando tão estressado com esses

pensamentos, descontando meu ódio em todos. Sei que não posso contar para

ninguém, nem mesmo para o meu melhor amigo, ele não seria conivente.

Rafael será o primeiro a prendê-la caso

descubra sua identidade. Meu desejo é colocar uma carta de demissão e correr

para os braços da mulher que eu amo. Vale a pena?

Esses pensamentos continuam a martelar

na mente. Vale mesmo tanto sacrifício por uma mulher? Perder honra e dignidade?

Ser aquilo que tanto julguei, não sou eu quem diz o tempo todo que bandido bom

é morto?! Deus! Estou enlouquecendo com tantos pensamentos negativos, sabendo

que escolho ir ao inferno se for preciso por Helena.

Tenho vergonha de mim, estou com ódio de

mim, ódio de deixar tudo de lado escolhendo-a. Não posso aceitar as escolhas do

meu coração.

— Transferência! — Falo como uma luz

sobre mim. — Vou pedir transferência. — Concordo em um monologo.

Converso com Rafael e explico minha

decisão com motivos aleatórios, não posso dizer a verdade, pois colocaria

Helena no foco dele.

— Por quê? Achei que estava empolgado

para capturar Naty!? Estamos a um passo! — Rafael está confuso e sua afirmação

perturba meu corpo.

— Preciso de um tempo longe da agitação,

além disso fracassei em capturá-la e manter o tráfico longe do morro. — Justifico

outra vez.

— E a sua namorada? Vai abandonar a

Helena também? — Pergunta curioso.

— Ela não é importante. — Respondo seco.

— Como assim? Vocês brigaram? — Ele

pergunta chocado. — Cara, sei que você é louco por ela, quem do departamento

não sabe? Se aconteceu alguma briga séria tente conversar, todo casal tem

brigas. — Rafael a defende com fervor, ah se ele soubesse.

— Não brigamos! — Afirmo pegando os

últimos objetos pessoais na sala.

— Uma festa de despedidas? — Ele

pergunta arqueando a sobrancelha.

— Desde que não chame a Helena e a

Amanda, na verdade que elas nem saibam que estou indo. — Condiciono e ele

concorda.

Demonstrando seu talento, Rafael

desenrolou uma despedida em pouco tempo, convidou amigas e muita bebida, mas

não consegui aproveitar nada.

Minha saída é desconfortável, não queria

isso, na verdade jamais me envolvi em algo semelhante e sequer imaginei passar

por isso.

Rafael me acompanha até o aeroporto, nos

despedimos e eu entro correndo os olhos em todas as direções, involuntariamente

meu corpo busca por Helena, meu coração deseja vê-la.

Sinto meu celular vibrando, abro e vejo

que é uma mensagem da Helena, apago sem ler, respiro aliviado ao ouvir o

chamado para embarque do meu voo.

Faço meu check-in, confiro as horas e

sigo o corredor de acesso.

— Romero! Romero!  — Ouço gritos me chamando, viro e vejo Helena

parada aos prantos.

       — Droga!

— Deixo as malas caírem, corro em sua direção e a abraço em uma cena clichê de

filme romântico.

            Eu já

sabia assim que a vi, mas a certeza ao ver meu melhor amigo sorrindo ao nos ver

juntos. Ele pega minha mala e leva para o carro enquanto eu dirijo o carro da

Helena.

— Como pode fazer isso comigo? Não

acredito que ia embora sem ao menos me dizer alguma coisa? — Ela fala brava.

Dirijo para a casa dela enquanto ganho

beliscões e tapas, seguidos de acusações e drama. A cena é contraria a tudo que

planejei, mas confesso que é fofo e começo a rir, deixando-a ainda mais

irritada.

— Pode ir! Vá embora! Faz isso! Você não

me ama, não é mesmo? Aceito que sou a única que amou de verdade! — Ela aumenta

os tapas e o drama.

— Não fala assim! — Repreendo com um

meio sorriso.

            —

“Não fala assim” — Ela me imita fazendo careta. — Diz isso porque não ´´e você

o abandonado.

Tudo o que ouço é o amor que essa mulher

sente por mim e o que eu sinto por ela, mas eu não posso dizer o que ela quer

ouvir, apesar de adiado essa é uma decisão sem volta e eu preciso me afastar um

pouco.

Entramos e ela me olha esperando uma

resposta para todos os seus questionamentos, mas não há nada que eu diga que

ela vá aceitar.

Explico minhas razões mesmo sabendo de antemão

sua reação, deixo claro meu descontentamento e a necessidade de ir.

            — Eu

tenho mais um mês até ser efetivado lá, ficarei aqui e faremos um teste sobre

nossos limites e então decido como será depois disso. — Proponho mesmo sabendo

que não devo.

            —

Combinado! ­ — Ela responde e enlaça suas pernas em minha cintura.

No início a experiência parecia

perfeita, durante os dias ignorávamos as atividades um do outro, nos ligando

apenas em relação ao nosso amor.

As vezes sorrio da ironia do destino, eu

que sempre abominei o crime estou com os quatro pneus arriados por causa dessa

mulher.

Quanto mais tempo passo ao lado dela,

mais quero sua atenção, mais desejo uma vida a dois e mais complicado é seguir

a razão.

Toda essa situação tem me transformado,

estou ficando tóxico e ciumento, tento moldar Helena e até tento controlar com

quem fala ou não, ela as vezes cede, mas em sua maioria isso acaba virando

brigas infindáveis.

Como se eu estivesse enfeitiçado, brigo

por usas roupas, pelo olhar de outros homens sobre ela e a fim de controlar um

pouco acabo colocando um anel de compromisso em seu dedo, óbvio que não

resolve.

Talvez por influência da mudança do meu

humor, Helena acaba ficando tão controladora e ciumenta quanto eu, se não,

mais.

Tudo tem acontecido muito rápido e

nenhum de nós está sabendo lidar com todo esse sentimento, só sabemos que

desejamos um ao outro acima dos limites da razão.

A única vantagem das desavenças é a

reconciliação, o sexo é mais intenso e cheio de prazer, a desenvoltura no pós

briga nos o faz arder por mais.

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