Romero,
Após dias sem ver Helena, não consigo me concentrar no
trabalho. Está sendo difícil ficar concentrado, está complicado manter a
postura, e principalmente mentir para o Rafael que segue em nossa busca pela
Naty.
Minha irritação é evidente a cada
relatório, pistas e informações sobre a minha mulher, mas como posso dizer
isso? Seria o meu fim. Como fazer bem meu trabalho e manter Helena fora das
grades?
O certo seria terminar nossa relação,
deixar o caso na mão de outro delegado, todavia se conseguirem lhe prender como
poderei dormir tranquilo?
Ando tão estressado com esses
pensamentos, descontando meu ódio em todos. Sei que não posso contar para
ninguém, nem mesmo para o meu melhor amigo, ele não seria conivente.
Rafael será o primeiro a prendê-la caso
descubra sua identidade. Meu desejo é colocar uma carta de demissão e correr
para os braços da mulher que eu amo. Vale a pena?
Esses pensamentos continuam a martelar
na mente. Vale mesmo tanto sacrifício por uma mulher? Perder honra e dignidade?
Ser aquilo que tanto julguei, não sou eu quem diz o tempo todo que bandido bom
é morto?! Deus! Estou enlouquecendo com tantos pensamentos negativos, sabendo
que escolho ir ao inferno se for preciso por Helena.
Tenho vergonha de mim, estou com ódio de
mim, ódio de deixar tudo de lado escolhendo-a. Não posso aceitar as escolhas do
meu coração.
— Transferência! — Falo como uma luz
sobre mim. — Vou pedir transferência. — Concordo em um monologo.
Converso com Rafael e explico minha
decisão com motivos aleatórios, não posso dizer a verdade, pois colocaria
Helena no foco dele.
— Por quê? Achei que estava empolgado
para capturar Naty!? Estamos a um passo! — Rafael está confuso e sua afirmação
perturba meu corpo.
— Preciso de um tempo longe da agitação,
além disso fracassei em capturá-la e manter o tráfico longe do morro. — Justifico
outra vez.
— E a sua namorada? Vai abandonar a
Helena também? — Pergunta curioso.
— Ela não é importante. — Respondo seco.
— Como assim? Vocês brigaram? — Ele
pergunta chocado. — Cara, sei que você é louco por ela, quem do departamento
não sabe? Se aconteceu alguma briga séria tente conversar, todo casal tem
brigas. — Rafael a defende com fervor, ah se ele soubesse.
— Não brigamos! — Afirmo pegando os
últimos objetos pessoais na sala.
— Uma festa de despedidas? — Ele
pergunta arqueando a sobrancelha.
— Desde que não chame a Helena e a
Amanda, na verdade que elas nem saibam que estou indo. — Condiciono e ele
concorda.
Demonstrando seu talento, Rafael
desenrolou uma despedida em pouco tempo, convidou amigas e muita bebida, mas
não consegui aproveitar nada.
Minha saída é desconfortável, não queria
isso, na verdade jamais me envolvi em algo semelhante e sequer imaginei passar
por isso.
Rafael me acompanha até o aeroporto, nos
despedimos e eu entro correndo os olhos em todas as direções, involuntariamente
meu corpo busca por Helena, meu coração deseja vê-la.
Sinto meu celular vibrando, abro e vejo
que é uma mensagem da Helena, apago sem ler, respiro aliviado ao ouvir o
chamado para embarque do meu voo.
Faço meu check-in, confiro as horas e
sigo o corredor de acesso.
— Romero! Romero! — Ouço gritos me chamando, viro e vejo Helena
parada aos prantos.
— Droga!
— Deixo as malas caírem, corro em sua direção e a abraço em uma cena clichê de
filme romântico.
Eu já
sabia assim que a vi, mas a certeza ao ver meu melhor amigo sorrindo ao nos ver
juntos. Ele pega minha mala e leva para o carro enquanto eu dirijo o carro da
Helena.
— Como pode fazer isso comigo? Não
acredito que ia embora sem ao menos me dizer alguma coisa? — Ela fala brava.
Dirijo para a casa dela enquanto ganho
beliscões e tapas, seguidos de acusações e drama. A cena é contraria a tudo que
planejei, mas confesso que é fofo e começo a rir, deixando-a ainda mais
irritada.
— Pode ir! Vá embora! Faz isso! Você não
me ama, não é mesmo? Aceito que sou a única que amou de verdade! — Ela aumenta
os tapas e o drama.
— Não fala assim! — Repreendo com um
meio sorriso.
—
“Não fala assim” — Ela me imita fazendo careta. — Diz isso porque não ´´e você
o abandonado.
Tudo o que ouço é o amor que essa mulher
sente por mim e o que eu sinto por ela, mas eu não posso dizer o que ela quer
ouvir, apesar de adiado essa é uma decisão sem volta e eu preciso me afastar um
pouco.
Entramos e ela me olha esperando uma
resposta para todos os seus questionamentos, mas não há nada que eu diga que
ela vá aceitar.
Explico minhas razões mesmo sabendo de antemão
sua reação, deixo claro meu descontentamento e a necessidade de ir.
— Eu
tenho mais um mês até ser efetivado lá, ficarei aqui e faremos um teste sobre
nossos limites e então decido como será depois disso. — Proponho mesmo sabendo
que não devo.
—
Combinado! — Ela responde e enlaça suas pernas em minha cintura.
No início a experiência parecia
perfeita, durante os dias ignorávamos as atividades um do outro, nos ligando
apenas em relação ao nosso amor.
As vezes sorrio da ironia do destino, eu
que sempre abominei o crime estou com os quatro pneus arriados por causa dessa
mulher.
Quanto mais tempo passo ao lado dela,
mais quero sua atenção, mais desejo uma vida a dois e mais complicado é seguir
a razão.
Toda essa situação tem me transformado,
estou ficando tóxico e ciumento, tento moldar Helena e até tento controlar com
quem fala ou não, ela as vezes cede, mas em sua maioria isso acaba virando
brigas infindáveis.
Como se eu estivesse enfeitiçado, brigo
por usas roupas, pelo olhar de outros homens sobre ela e a fim de controlar um
pouco acabo colocando um anel de compromisso em seu dedo, óbvio que não
resolve.
Talvez por influência da mudança do meu
humor, Helena acaba ficando tão controladora e ciumenta quanto eu, se não,
mais.
Tudo tem acontecido muito rápido e
nenhum de nós está sabendo lidar com todo esse sentimento, só sabemos que
desejamos um ao outro acima dos limites da razão.
A única vantagem das desavenças é a
reconciliação, o sexo é mais intenso e cheio de prazer, a desenvoltura no pós
briga nos o faz arder por mais.
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Atualizado até capítulo 61
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