Naty,
— Oi! Você por aqui?
— Digo realmente surpresa.
— A surpresa é minha, sua amiga disse
que você não estaria mais na cidade. — O rapaz de ontem me cumprimenta com um
lindo sorriso, só agora me dou conta de que não lembro o nome dele, não lembro
se ele disse e fico constrangida em perguntar.
— Adiei para amanhã, assim, decidi bater
perna e aproveitar o tempo que me resta. — Digo sorrindo de volta.
— Me acompanha em um chopp? — Ele
pergunta e eu aceito, “por que não?”
Ele me dá o braço e eu o acompanho até
um dos bistrôs na praça de alimentação, nos sentamos e somos servidos, o papo
vai desde os livros que comprei mais cedo até os que ele diz ter em sua
prateleira, nossos gostos são idênticos.
Uma leveza começa a tomar conta do meu
corpo e eu me repreendo, não posso sentir essas coisas, não posso me envolver
emocionalmente com ninguém, não tem como nesta vida dupla que estou arrastando
nos últimos anos.
Não vejo rumo para me envolver e depois
virar para a pessoa e dizer “não fulano, eu tenho uma vida dupla e minha
atividade é comandar o crime organizado dominante no morro da sombra”, não dá.
— Então, Heloísa, ou será que já posso
te chamar de Helô? — Ele provoca e eu sorrio.
— Pode sim! — Respondo dando espaço para
que ele continue.
— Me fala sobre você, sua família,
trabalho… até agora sei tudo sobre os personagens, mas sobre você não sei nada.
— Que latada hein, eu não quero falar sobre mim, menos ainda sobre trabalho.
— Você podia começar, né? Eu também não
sei nada a seu respeito! — retruco num ar de criança traquina.
— Ok, dona Helô, eu começo! — Ele
responde e segura minha mão com carinho, me arrancando um suspiro tímido. —
Pode me chamar de Rô, só os íntimos falam assim comigo, trabalho com gestão de
segurança, moro só e não conheço quase ninguém aqui. — Ele dá uma ficha
genérica, pelo seu incômodo, há algo errado.
— Minha vez, Helô, 25 anos, filha única,
trabalho com representação da marca da empresa do meu pai, na verdade sou mais
herdeira do que guerreira. — Minto e brinco aliviando a tensão que se instaurou
sobre mim.
— Olha só, pela sua firmeza,
determinação, postura e livros favoritos, eu jamais te julgaria como uma
patricinha mimada pelo pai. — Ele brinca e coloca o dedo na ponta do meu nariz.
Uma nuvem toma conta de mim e uma
leveza, domina meu corpo me mantendo presa nos olhos dele. Volto a realidade
após alguns segundos de devaneio e então peço licença para ir ao banheiro.
Cavalheiro como há muito não via, Rô se
levanta para que eu vá, ao me pôr de pé sinto meu corpo desfalecer e minha
visão ficar turva.
— Helena? Helena! — Abro os olhos e
sinto vontade de me afundar no chão, estou deitada no chão com um círculo de
curiosos ao redor e Rô me chamando enquanto verifica meus sinais vitais.
— Meu Jesus, que susto! Já solicitei uma
ambulância. — Ele fala e eu sorrio.
— Que vergonha meu Deus! Foi apenas uma
indisposição. — Respondo me levantando — Já estou bem!
Embora eu já esteja melhor, ele não me
deixa dirigir e insiste em me levar até em casa, eu aceito e passo o endereço.
O percurso é curto, e falamos
exclusivamente do incidente no shopping, explico que talvez tenha sido por ter
me alimentado mal e ele se oferece mais que depressa para fazer algo para mim.
— Então há um mestre cuca em você? —
Falo divertida dando espaço ao flerte que se instaurou entre nós.
— Somente para garotas bonitas como
você. — Responde em provocação de uma maneira marota.
Fico meio constrangida e desvio o olhar,
corando involuntariamente, entro em um conflito entre razão e coração. Não! Não
posso deixar que essas emoções desnecessárias continuem afetando o meu
pensamento.
Não há chance alguma de abandonar a
organização, muito menos de um homem comum aceitar esse trabalho. Sinto o sabor
do perigo, de uma forma que não consigo explicar, este homem tão perto de mim
me impede de agir como a "Naty".
Chegamos na portaria do condomínio e o
porteiro verificou a identidade dele, ao me ver no carro autorizou a entrada
imediatamente. Seu Zé me cumprimenta com olhar preocupado, sei que é pela
companhia nunca vista.
— Boa noite, está tudo bem seu Zé, ele é
um amigo! — Tranquilizo-o, que devolve um sorriso sincero.
— Onde devo estacionar o carro? —
Pergunta fazendo manobra, reduzindo a velocidade.
— Naquela casa. — Aponto para uma
residência de luxo.
Ele para no local indicado, saímos do
carro num clima um pouco estranho, não sei se devo convidá-lo a entrar ou
simplesmente me despedir da porta.
— Chegamos! — Disse sorrindo com sua mão
apoiando minha cintura.
— Obrigada por me trazer até aqui! —
Sorrio indecisa.
Conheço todos os riscos desse inocente
envolvimento, valeria a pena? Claro que seu sorriso, corpo, braços, tudo nele
me encanta.
— Vai me convidar para entrar? Te devo
um jantar, esqueceu? — Ele se aproxima ficando bem perto de mim. — Oh! Por
favor não me olhe dessa forma, assim não vou resistir.
Que forma? Qual modo estou lhe encarando
para fazer uma expressão tão sedutora?
Me perdi por um segundo e ao voltar para
a razão me dei conta de que meus lábios estão grudados nos dele, me deixo levar
pelas emoções deslizando minhas mãos nos seus músculos, explorando cada
centímetro daquele enorme homem.
Que beijo é esse? Penso em parar, deter
esse calor, no entanto, estou sob o seu domínio. Por fim, nos separamos com seu
celular tocando.
Encarando meu rosto franzindo o
semblante, ignorou a chamada, voltando a me beijar. Infelizmente o telefone não
para de tocar.
— Desculpe, terei que atender. — Respira
fundo coçando a cabeça aceitando a chamada, sai do carro deixando seu desejo
ainda mais evidente com o volume da sua calça. — Espero que seja algo realmente importante para me interromper? — Ouço ele impaciente antes de fechar a
porta.
Com uma expressão séria ele trocou o
aparelho de lado, fez um sinal com a mão me pedindo para esperar.
Meu celular também toca, vejo que é a
Sabrina, nesse número ela só dá um toque e o outro aparelho está dentro de
casa, preciso saber o que está acontecendo, mas ela vai ter de esperar um
pouquinho.
Não demorou até que ele retornasse, na
verdade foi até rápido.
— Sinto muito, aquela refeição ficará
para outro dia. — Toca meu queixo puxando para um beijo de despedida. — Agora
que sei onde mora não pode escapar de mim! Houve um imprevisto e preciso ir até
o escritório.
Sinto um alívio, seria complicado
conciliar essa visita e uma ligação da Sabrina
— Hum! Que medo! — Brinco lhe
provocando. — Que homem mais perigoso! Cuidado pode ser que seja eu a perigosa.
— Rimos, seguindo nossos caminhos após uma despedida “quente”.
Entro em casa jogando a bolsa no sofá
pegando o outro telefone para ligar e receber as novidades, coisa boa não era,
isso tenho certeza.
Como o esperado, a polícia está com
infiltrados no morro, em contrapartida não adiantamos um palmo em direção ao
novo delegado.
Todas as informações que obtivemos são
rasas, nada que o identifique. O típico delegado "pé no saco" que se
acha justiceiro.
Se esse cara veio a fim de estragar meu
"momento", não só tenho, como vou eliminá-lo. Matar policiais é uma
dor de cabeça sem tamanho, prefiro evitar, no entanto, não posso deixar que ele
faça o que quer e quando quer.
Matuto com meus pensamentos, talvez um
“susto” resolva, afinal, já funcionou outras vezes, não é o primeiro delegado
que tenta acabar com o crime, nem será o último.
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Atualizado até capítulo 61
Comments
Brennda Germany's
é uma história cativante, com personagens fortes, uma trama bem estruturada e uma tensão constante que mantém o leitor à beira da expectativa. A mistura de ação e dilemas morais torna o livro uma ótima opção para quem gosta de histórias de conflito e estratégia, sem abrir mão de reflexões mais profundas sobre poder, justiça e destino.
2024-10-21
0
Joy
Talvez com crime não, mas acabar com seu coração de bandidagem sim, espero.
2024-04-22
1
Ariel Pires
Capítulo bom demais
2024-04-22
1