Capítulo 14

Romero,

Não posso dizer que a operação não foi boa, os números

são ótimos, mas a frustração de ter aquela mulher tão perto e deixá-la escapar

é pior do que a dor do tiro que ela me acertou.

Apesar de não ter visto o seu rosto,

estou confiante de que é questão de muito pouco tempo até que eu bote as mãos

naquela vadia escorregadia.

Hoje tem uma coletiva e eu preciso

aceitar o fato de que vão bater na tecla da Naty e de como ela escapou, é incrível

como a mídia insiste em distorcer as coisas e colocar a polícia como

incompetente.

— Foi por pouco, na próxima a gente a

pega! — Rafael me consola com um tapinha nas costas.

— Bate devagar! — Resmungo com a dor.

— Está muito sensível! — Ele brinca —

Agora falando sério, respira fundo que tem uma sala cheia de urubus te

esperando ali na sala.

Como se não fossem suficientes os

inúmeros relatórios, as cobranças do estado ainda têm a mídia caçando um furo

para atrapalhar nosso trabalho.

Reúno toda paciência que me resta, entro

na sala e sou consumido por perguntas de todos os âmbitos possíveis, mas só

desejo ir para casa descansar.

Tal qual todo pós operação, os dias se

tornaram rotineiros, até que os morros se reorganizem não há muito o que fazer,

eles ficam tão vigilantes quanto nós, se não mais.

A recuperação segue tranquila, embora

dolorosa, Rafael diz que é drama, mas não é não.

— Vamos tomar uma hoje? — Rafael

pergunta entrando em casa sem ao menos tocar a campainha.

— Antigamente você ligava, agora só

chega e entra? — Pergunto mudando de assunto.

— Antigamente eu não tinha as chaves,

agora tenho! — Ele responde como se tivéssemos onze anos de idade. — Vai lá se

veste e vamos de rolê! — Ele insiste.

— Não estou a fim. — Respondo cansado.

— Ok, se o Romero não vai ao rolê, o

rolê vai ao Romero! — Ele ameaça, pegando o celular no bolso.

— Eu me rendo! — Melhor não arriscar que

ele encha a casa de pessoas que não conheço.

— Ótimo! — Ele fala alegre.

Sai de casa praticamente obrigado, sem o

menor interesse em flertar ou interagir, meus planos são beber umas duas

garrafas de cerveja e voltar para casa o mais cedo possível, ou pelo menos

eram.

Meu corpo trai todo meu instinto no

exato momento em que coloca os olhos na morena que entra no pub, ela cruza o

salão em vem em minha direção com um sorriso acolhedor.

É ela, Helena, a mulher mais gostosa do

mundo! Sorrio de volta, e caminho em sua direção, dando-lhe um beijo nos lábios

sem nenhuma cerimônia.

— Quem é vivo um dia aparece! — Eu

brinco, mesmo sabendo que também estive ausente nos últimos dias.

Ela está um pouco tensa, mas ainda assim

parte para um beijo mais quente e acolhedor.

— Uia! — Amanda provoca logo atrás.

Sentamo-nos os quatro em uma mesa e

bebemos uma rodada de cerveja, a energia da mesa está nublada, há alguma coisa

errada, mas afasto esse pensamento, pois deve ser reflexo das últimas

experiências.

— Vamos para outro lugar? — Helena

sussurra em meu ouvido.

Prontamente aceitei o convite, afinal

não poderia ter companhia melhor para finalizar essa noite. Entre nossas casas

e um Motel, Helena opta por irmos para sua casa.

Percebo que ela está quieta, poucas

palavras e um olhar distante, passo a mão em seu rosto e jogo um beijo em sua

direção ao que ela retribui colocando sua mão em meu pau.

Ela me desarma completamente, se fosse

uma assassina estaria morto em suas mãos. Tive de controlar o prazer

perturbando minha mente, indefeso contra o desejo e o tesão.

Como quem sabe que está no comando ela

me olha profundamente, abre minha calça e coloca seus lábios em meu membro.

               —

Por favor pare! — Digo com voz enfraquecida com as duas mãos grudadas no

volante.

Sinto seu sorriso e sua boca sugando com

desejo, sou obrigado a reduzir a velocidade na portaria. Helena se levanta sem

tirar a mão do meu corpo e me olha de forma atrevida.

Deixamos o carro na garagem e entramos,

na sala mesmo, ela me joga no sofá e passa sua perna sobre mim afastando sua

calcinha e encaixando sua intimidade em meu membro.

Louco de desejo, coloco minhas mãos em

sua bunda e auxílio nos movimentos de vai e vem beijando seu ombro, tocando

seus seios, saboreando o seu prazer.

— Estava com saudade? — Pergunto

provocante.

— Senti e como senti! — Ela responde

intensificando a sentada.

Helena está sedenta por prazer como nunca

vi em nenhuma mulher. Transamos em diversas posições explorando cada centímetro

do ambiente

Ofegante e saciados, pego uma garrafa

d’água para nós. Observo ela beber a água e alguns pensamentos se formam em

minha mente, pode ser impressão, mas algo de errado não está certo.

— Quer conversar? — Pergunto acariciando

seu cabelo.

— Sobre? — Ela desconversa.

— Sobre o que te aflige, não quero

compartilhar apenas os momentos de prazer, quero estar ao seu lado nos dias

cinzas também. — Digo me deitando e aconchegando ao seu lado.

Helena coloca seus braço em minha

cintura e as pernas na minha coxa. Abraçada como se precisasse de muito apoio e

isso me fez ficar ainda mais preocupado com sua situação.

— Não se preocupe, são apenas problemas

na empresa. — Ela diz e então percebe o ferimento no ombro. — O que foi isso? —

Pergunta se afastando assustada. — Você levou um tiro?

Helena fica em silencio com o olhar

perdido no nada, eu respeito o espaço que ela tomou de mim, mas não deixo de

observá-la.

— Isso não pode ser real! Não pode! — Ela

fala atônita enquanto recolhe suas roupas.

         — Ei!

Se acalme, houve um assalto no banco onde trabalho, felizmente só sofri com uma

bala no ombro. — Me aproximo e a puxo pelo pulso trazendo-a de volta para mim. —

Está tudo bem, eu nem morri. — Digo brincando.

Pela primeira vez ela não ri da minha

piada, franze o rosto numa profunda dor desabando em lágrimas.

           —

Como pode dizer isso assim, tão tranquilo? — Ela pergunta com a voz embargada.

Tento acalmá-la com carinho em seus

cabelos e secando suas lágrimas pelo visto não sou o único que se envolveu mais

do que deveria nessa relação. Quando finalmente ela se acalma olho em seus

olhos e sorrio feliz por ser tão sortudo.

— Gosto de você, Helena. — Digo do nada,

constrangido por estar confessando meus sentimentos.

— Também gosto de você. — Ela responde

sem se dar conta do que realmente está dizendo.

— Não é esse gostar, mas gostar de…

sabe, eu … eu… puxa… — Respiro fundo, ficando difícil falar com os olhos

brilhantes esperando concluir. — Eu te amo, a verdade é que estou completamente

apaixonado por você.

Finalmente saiu da garganta essa frase

tão boba, tão intensa e tão complicada, jamais pensei ser capaz de dizer ou

sentir por alguém.

        — Amo

você! — Repito.

Helena volta a chorar, dessa vez puxando

meu rosto para um beijo quente com gostinho paixão.

— Tenho medo! — Ela diz segurando meu

rosto. — Tenho muito medo desse sentimento. — Sua voz falha.

— Podemos superar o que for, merecemos

uma chance para viver o amor, não diga que não me quer, sei que sente o mesmo.

— Respondo com o coração batendo em batidas rápidas com medo dela ir embora.

Eu acredito que o amor verdadeiro só se

vive uma vez, eu sei que ela é o meu amor, não posso deixar que ela saia da

minha vida agora que já entrou.

— Não podemos! — Ela se levanta

balançando a cabeça.

— Podemos! Nós somos adultos, vacinados

e donos de nossos narizes, não há nada que possa impedir. Eu também tenho medo,

mas por você corro todos os riscos necessários. — Digo dando-lhe um beijo.

Instigados pelo prazer, fizemos sexo

novamente, porém dessa vez com amor. Em sincronia nossos corpos dançam, tomados

pelo pecado do prazer.

Exaustos de prazer, adormecemos e

acordamos abraçados, sem espaço para o medo ou qualquer outro sentimento. Ainda

no banheiro nos entregamos ao desejo outra vez.

Um dia maravilhoso que me fez desejar

morar com essa mulher e nunca mais sair de dentro de casa, só para tomar seu

corpo toda hora.

Um dia de casal, comida, filmes,

brincadeiras, coisas simples que fazem toda a diferença, falamos de livros e

músicas, descobrindo que até no paladar temos semelhanças.

Meu coração se alegra com a

receptividade, quero que ela seja muito mais do que uma simples namorada,

pretendo lhe apresentar para minha família e torná-la a mulher mais feliz do

mundo.

Nossas conversas se estendem e eu ainda

não tive coragem de contar que na verdade eu sou delegado, tenho medo de como

ela vai reagir tanto em relação a profissão quanto a mentira.

Sei que mentira tem pernas curtas, mas

na hora certa eu vou contar e sei que ela vai compreender, o amor que nos rege

é maior.

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Comments

Ariel Pires

Ariel Pires

Capítulo maravilhoso!

2024-04-23

1

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