Romero,
Não posso dizer que a operação não foi boa, os números
são ótimos, mas a frustração de ter aquela mulher tão perto e deixá-la escapar
é pior do que a dor do tiro que ela me acertou.
Apesar de não ter visto o seu rosto,
estou confiante de que é questão de muito pouco tempo até que eu bote as mãos
naquela vadia escorregadia.
Hoje tem uma coletiva e eu preciso
aceitar o fato de que vão bater na tecla da Naty e de como ela escapou, é incrível
como a mídia insiste em distorcer as coisas e colocar a polícia como
incompetente.
— Foi por pouco, na próxima a gente a
pega! — Rafael me consola com um tapinha nas costas.
— Bate devagar! — Resmungo com a dor.
— Está muito sensível! — Ele brinca —
Agora falando sério, respira fundo que tem uma sala cheia de urubus te
esperando ali na sala.
Como se não fossem suficientes os
inúmeros relatórios, as cobranças do estado ainda têm a mídia caçando um furo
para atrapalhar nosso trabalho.
Reúno toda paciência que me resta, entro
na sala e sou consumido por perguntas de todos os âmbitos possíveis, mas só
desejo ir para casa descansar.
Tal qual todo pós operação, os dias se
tornaram rotineiros, até que os morros se reorganizem não há muito o que fazer,
eles ficam tão vigilantes quanto nós, se não mais.
A recuperação segue tranquila, embora
dolorosa, Rafael diz que é drama, mas não é não.
— Vamos tomar uma hoje? — Rafael
pergunta entrando em casa sem ao menos tocar a campainha.
— Antigamente você ligava, agora só
chega e entra? — Pergunto mudando de assunto.
— Antigamente eu não tinha as chaves,
agora tenho! — Ele responde como se tivéssemos onze anos de idade. — Vai lá se
veste e vamos de rolê! — Ele insiste.
— Não estou a fim. — Respondo cansado.
— Ok, se o Romero não vai ao rolê, o
rolê vai ao Romero! — Ele ameaça, pegando o celular no bolso.
— Eu me rendo! — Melhor não arriscar que
ele encha a casa de pessoas que não conheço.
— Ótimo! — Ele fala alegre.
Sai de casa praticamente obrigado, sem o
menor interesse em flertar ou interagir, meus planos são beber umas duas
garrafas de cerveja e voltar para casa o mais cedo possível, ou pelo menos
eram.
Meu corpo trai todo meu instinto no
exato momento em que coloca os olhos na morena que entra no pub, ela cruza o
salão em vem em minha direção com um sorriso acolhedor.
É ela, Helena, a mulher mais gostosa do
mundo! Sorrio de volta, e caminho em sua direção, dando-lhe um beijo nos lábios
sem nenhuma cerimônia.
— Quem é vivo um dia aparece! — Eu
brinco, mesmo sabendo que também estive ausente nos últimos dias.
Ela está um pouco tensa, mas ainda assim
parte para um beijo mais quente e acolhedor.
— Uia! — Amanda provoca logo atrás.
Sentamo-nos os quatro em uma mesa e
bebemos uma rodada de cerveja, a energia da mesa está nublada, há alguma coisa
errada, mas afasto esse pensamento, pois deve ser reflexo das últimas
experiências.
— Vamos para outro lugar? — Helena
sussurra em meu ouvido.
Prontamente aceitei o convite, afinal
não poderia ter companhia melhor para finalizar essa noite. Entre nossas casas
e um Motel, Helena opta por irmos para sua casa.
Percebo que ela está quieta, poucas
palavras e um olhar distante, passo a mão em seu rosto e jogo um beijo em sua
direção ao que ela retribui colocando sua mão em meu pau.
Ela me desarma completamente, se fosse
uma assassina estaria morto em suas mãos. Tive de controlar o prazer
perturbando minha mente, indefeso contra o desejo e o tesão.
Como quem sabe que está no comando ela
me olha profundamente, abre minha calça e coloca seus lábios em meu membro.
—
Por favor pare! — Digo com voz enfraquecida com as duas mãos grudadas no
volante.
Sinto seu sorriso e sua boca sugando com
desejo, sou obrigado a reduzir a velocidade na portaria. Helena se levanta sem
tirar a mão do meu corpo e me olha de forma atrevida.
Deixamos o carro na garagem e entramos,
na sala mesmo, ela me joga no sofá e passa sua perna sobre mim afastando sua
calcinha e encaixando sua intimidade em meu membro.
Louco de desejo, coloco minhas mãos em
sua bunda e auxílio nos movimentos de vai e vem beijando seu ombro, tocando
seus seios, saboreando o seu prazer.
— Estava com saudade? — Pergunto
provocante.
— Senti e como senti! — Ela responde
intensificando a sentada.
Helena está sedenta por prazer como nunca
vi em nenhuma mulher. Transamos em diversas posições explorando cada centímetro
do ambiente
Ofegante e saciados, pego uma garrafa
d’água para nós. Observo ela beber a água e alguns pensamentos se formam em
minha mente, pode ser impressão, mas algo de errado não está certo.
— Quer conversar? — Pergunto acariciando
seu cabelo.
— Sobre? — Ela desconversa.
— Sobre o que te aflige, não quero
compartilhar apenas os momentos de prazer, quero estar ao seu lado nos dias
cinzas também. — Digo me deitando e aconchegando ao seu lado.
Helena coloca seus braço em minha
cintura e as pernas na minha coxa. Abraçada como se precisasse de muito apoio e
isso me fez ficar ainda mais preocupado com sua situação.
— Não se preocupe, são apenas problemas
na empresa. — Ela diz e então percebe o ferimento no ombro. — O que foi isso? —
Pergunta se afastando assustada. — Você levou um tiro?
Helena fica em silencio com o olhar
perdido no nada, eu respeito o espaço que ela tomou de mim, mas não deixo de
observá-la.
— Isso não pode ser real! Não pode! — Ela
fala atônita enquanto recolhe suas roupas.
— Ei!
Se acalme, houve um assalto no banco onde trabalho, felizmente só sofri com uma
bala no ombro. — Me aproximo e a puxo pelo pulso trazendo-a de volta para mim. —
Está tudo bem, eu nem morri. — Digo brincando.
Pela primeira vez ela não ri da minha
piada, franze o rosto numa profunda dor desabando em lágrimas.
—
Como pode dizer isso assim, tão tranquilo? — Ela pergunta com a voz embargada.
Tento acalmá-la com carinho em seus
cabelos e secando suas lágrimas pelo visto não sou o único que se envolveu mais
do que deveria nessa relação. Quando finalmente ela se acalma olho em seus
olhos e sorrio feliz por ser tão sortudo.
— Gosto de você, Helena. — Digo do nada,
constrangido por estar confessando meus sentimentos.
— Também gosto de você. — Ela responde
sem se dar conta do que realmente está dizendo.
— Não é esse gostar, mas gostar de…
sabe, eu … eu… puxa… — Respiro fundo, ficando difícil falar com os olhos
brilhantes esperando concluir. — Eu te amo, a verdade é que estou completamente
apaixonado por você.
Finalmente saiu da garganta essa frase
tão boba, tão intensa e tão complicada, jamais pensei ser capaz de dizer ou
sentir por alguém.
— Amo
você! — Repito.
Helena volta a chorar, dessa vez puxando
meu rosto para um beijo quente com gostinho paixão.
— Tenho medo! — Ela diz segurando meu
rosto. — Tenho muito medo desse sentimento. — Sua voz falha.
— Podemos superar o que for, merecemos
uma chance para viver o amor, não diga que não me quer, sei que sente o mesmo.
— Respondo com o coração batendo em batidas rápidas com medo dela ir embora.
Eu acredito que o amor verdadeiro só se
vive uma vez, eu sei que ela é o meu amor, não posso deixar que ela saia da
minha vida agora que já entrou.
— Não podemos! — Ela se levanta
balançando a cabeça.
— Podemos! Nós somos adultos, vacinados
e donos de nossos narizes, não há nada que possa impedir. Eu também tenho medo,
mas por você corro todos os riscos necessários. — Digo dando-lhe um beijo.
Instigados pelo prazer, fizemos sexo
novamente, porém dessa vez com amor. Em sincronia nossos corpos dançam, tomados
pelo pecado do prazer.
Exaustos de prazer, adormecemos e
acordamos abraçados, sem espaço para o medo ou qualquer outro sentimento. Ainda
no banheiro nos entregamos ao desejo outra vez.
Um dia maravilhoso que me fez desejar
morar com essa mulher e nunca mais sair de dentro de casa, só para tomar seu
corpo toda hora.
Um dia de casal, comida, filmes,
brincadeiras, coisas simples que fazem toda a diferença, falamos de livros e
músicas, descobrindo que até no paladar temos semelhanças.
Meu coração se alegra com a
receptividade, quero que ela seja muito mais do que uma simples namorada,
pretendo lhe apresentar para minha família e torná-la a mulher mais feliz do
mundo.
Nossas conversas se estendem e eu ainda
não tive coragem de contar que na verdade eu sou delegado, tenho medo de como
ela vai reagir tanto em relação a profissão quanto a mentira.
Sei que mentira tem pernas curtas, mas
na hora certa eu vou contar e sei que ela vai compreender, o amor que nos rege
é maior.
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Atualizado até capítulo 61
Comments
Ariel Pires
Capítulo maravilhoso!
2024-04-23
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