Romero,
Nosso espião conseguiu se infiltrar com sucesso no morro, todo cuidado é
pouco, não é seguro manter contato frequente, mas estamos cuidando dele e da
família do Leonardo, ao menor sinal de perigo nós detonamos tudo.
Esse é um passo ousado que deu certo, as
investigações adiantaram de forma surpreendente, já temos um anagrama de todo o
funcionamento do morro e os principais membros.
Carlos, nosso agente, é muito preparado
para o papel que está desenvolvendo e já está conquistando a confiança das
pessoas, ele faz seu papel lá e nós o nosso aqui fora.
Uma informação segura chegou até ele de
que há um grande carregamento para ser entregue no morro em alguns dias, quero
a liberação da invasão para o mesmo dia, será uma operação enorme.
Em meio a tanta agitação quase não
consigo pensar em Helena, meu foco é prender a Naty quanto antes, mas me alegro
ao ver uma mensagem dela dizendo estar com saudades.
Um sorriso bobo toma conta do meu rosto
e eu não resisto, paro o que estou fazendo para responder.
(Eu) -16:42
Eu te garanto que não está com mais saudades do que
estou de você! Quando vem? Aqui anda bem atribulado de serviço, mas posso
conseguir um tempo para nós
— Interrompo? — Um dos policiais aqui da
delegacia fala ao bater na porta que está aberta.
— De modo algum! — respondo desligando a
tela do celular.
— Acabou de chegar à liberação da “Operação”
... o senhor que vai na linha de frente? — Ele pergunta receoso.
— Essa eu não perco por nada! — Respondo
com um sorriso nos lábios enquanto verifico os papéis que ele acabou de me
entregar.
Tudo pode ocorrer num confronto como
este, agitação e ansiedade se misturam e o corpo transborda em emoção. Gosto
dessa adrenalina, de não poder controlar tudo o que vai acontecer.
— Tudo pronto em dois dias a gente acaba
com essa brincadeira de gato e rato! — Falo alegre ao ver Rafael entrando em
minha sala.
— Vamos sair hoje? Somos os únicos
solteiros do departamento, os únicos sem parentes na cidade. — Ele convida
dando de ombros para o que acabei de falar.
— Tenho planos melhores para essa noite.
— Digo com o rosto safado.
— Hum, sua “Doce Helena” apareceu? — Ele
pergunta em tom de provocação.
— Antes dela eu já vivia… — respondo
contrariando todo o meu corpo. — Por falar nisso, e sua linda Amanda? —
Pergunto, mas sou ignorado.
— Uma cerveja e depois você vai para os
seus planos, vamos? — Ele me convida e eu cedo.
Entramos no carro e eu não consigo tirar
os olhos do telefone, Helena não respondeu minha mensagem e não consigo ligar
para ela.
Como combinado, bebi algumas garrafas
com Rafael e me despeço, pego um “dogão” no caminho de volta e desisto de
procurar um contatinho para hoje, o jeito é homenagear Helena outra vez no
banho.
Enquanto dirijo, observo as pessoas
andando nas calçadas, o vidro está aberto e algumas garotas até tentam chamar
minha atenção, porém estou sem interesse.
Involuntariamente, volto a pensar na
gostosa da Helena, eu não acredito que estou encantado dessa forma por ela. Não
sei o que ela tem que lhe faz fascinante em todas as formas, o sexo é fora do
comum, nossos corpos se encaixam perfeitamente.
Só de lembrar seus gemidos doces, já
perco a postura imediatamente quero bater na porta da sua casa, puxar seu corpo
e devorar seus lábios enquanto deslizo meus dedos na sua suave cavidade.
— Romero, Romero! Devagar com o andor
que o santo é de barro. Você não sabe nada sobre essa garota, não se apaixone
assim. — me aconselho em voz alta para ver se acordo para a realidade.
Tenho mentido para mim mesmo, dizendo
que ela não significa nada, mas no fundo sei que fui laçado.
Divagando em pensamentos, paro em um sinal, olho para a praça Batista
Campos e vejo uma silhueta familiar, ao seu lado um homem com o braço pousado
em sua cintura.
Sem pensar ou medir as consequências,
encosto o carro e desço deixando a porta aberta, completamente transtornado,
puxo o braço da mulher acreditando ser Helena.
Um sabor de decepção misturado com
alívio toma conta de mim ao perceber o tamanho do engano que acabei de cometer.
A mulher me olha confusa e o homem se coloca em posição de defesa da sua
companheira.
— Perdão, achei que era… desculpe! —
Digo aflito por não controlar meu impulso e partir para cima deles.
O homem fica
alterado, com razão, mas me apresento e invento uma desculpa qualquer para
amenizar esse papelão, não há o que dizer, o fato é que Helena está me deixando
louco. Volto para o carro e dirijo para casa, já deu por hoje de vexame e
irresponsabilidade.
Onde
você está, garota? Por que não me responde? Não tem ideia do quanto sinto sua
falta, do quanto quero ouvir sua voz.
Entro
em casa completamente sem ânimo, jogo as chaves sobre a mesa e me sento no
sofá. me repreendo por ter agido feito um babaca e sou tomado por sensações
inéditas.
—
Você está ficando maluco! — Digo sorrindo e afastando os pensamentos enquanto
me levanto para comer e dormir.
Deito e caio no mais tenro sonho, eu e
Helena dançamos animados com amor e paixão, contudo sou arrancado desse momento
maravilhoso com o toque do meu telefone.
— Alô! — Digo sonolento.
— Imagino que esteja cansado da noite de
prazer, mas os planos mudaram e precisamos antecipar a operação ou vamos perder
tudo o que temos — Rafael alerta e eu reviro os olhos.
— Estou a caminho! — Respondo desligando
a ligação.
Deixo uma última mensagem para Helena,
espero que ela me responda antes de começar a missão.
Na
delegacia, toda a equipe está pronta para a missão. Rafael me entrega o colete
à prova de bala, capacete balístico e munição.
— Bem
que você cantou a pedra! — Rafael fala enquanto me ajuda a colocar os
equipamentos.
— Eu
já esperava que isso ia acontecer, ainda bem que estamos preparados. — Concluo.
“Hoje você não me escapa dona Naty, vulgo VACA”
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Atualizado até capítulo 61
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