Romero,
Não dormi absolutamente nada, meu corpo pegou fogo a
noite toda e minha mente se prendeu a garota que não sei quase nada.
Rafael me olha com o sarcasmo de amigos
que entende exatamente o que estou sofrendo.
— Pergunte logo! — Olho para ele de
canto de olho e com a voz impaciente.
— O meu grande amigo que só pensa em
trabalho foi rendido por uma bela morena? — Diz rindo em provocação.
— Ainda posso reduzir seu pagamento este
mês! — Ameaço
— Não se atreva! Quero ir ao show do
Gusttavo Lima, já combinei com as garotas. — Rafael responde travesso.
— Quais garotas? — Pergunto franzindo a
testa.
— Caro amigo ciumento, não vou sair com
a sua garota, não se preocupe! — Ele responde girando minha cadeira em
provocação.
Em meu peito corre um alívio com a
informação e minha expressão me entrega, Rafael sorri e revela sua surpresa
diante disso, mas até eu fico.
Nunca perdi o sono por uma mulher, meus
relacionamentos foram curtos devido ao excesso no trabalho, graças a farda
nunca tive problemas para encontrar alguém para satisfazer meus desejos.
Quando vim para Belém, decidi não me
envolver com ninguém até que eu resolva minha situação com a corregedoria,
quebrei meu propósito logo de cara.
Helena mexe comigo de forma
significativa, não sei se é pela sua astúcia, segurança e abordagem ou o
conjunto completo.
— Droga! — Desabafo e vejo que já estou
só novamente.
Aqui estou eu pensando nela, cheio de
papeladas e problemas para resolver, porém acalentando só de imaginar o sabor
daquela mulher.
Sou tirado dos meus devaneios pelas
obrigações corriqueiras que acontecem numa delegacia, todo dia é mais do mesmo,
hoje é um desses, nada que valha a pena.
Rafael está por conta de achar mais
pistas do paradeiro de Naty, só que a evolução é muito lenta, essa bandidinha
se acha muito esperta por conseguir cobrir seus rastros.
“Um
passo em falso e eu colocarei as mãos nela, vamos ver quem faz o seu melhor
papel, tenho até dó, na verdade não tenho.” — Penso.
— Romero, você precisa vir aqui fora! —
Rafael chama, sua feição demonstra que chegou encrenca.
Do lado de fora da minha sala, uma
senhora grita aos prantos totalmente desequilibrada por seu filho bandido
morto. Que saco! Essas mães deveriam ter educado melhor seus filhos, agora fica
chorando e fazendo escândalo na minha delegacia.
— Senhora, acalme-se! — Tento ser o mais
gentil que os meus nervos podem suportar.
— Foi você! — Ela grita ao me ver e
aponta o dedo para mim. — Você matou meu filho! Entregou ele para aquela
bandida! Meu pobre menino! Meu doce filho! Ele só tinha 20 anos! Você o matou!
— Berra descontrolada querendo quebrar tudo, não me restando alternativa senão
lhe algemar.
— Quer dormir na cadeia? Não né? Então
eu acho bom ficar bem quietinha — Grito autoritário.
— Por que não prendeu meu filho? Por que
você o soltou? Meu lindo menino… meu lindo filho! Ahhh! Meu Deus! Que dor! Meu
Deus, por quê?! — Ela chora em um desalento que me irrita.
— Quer mesmo saber a resposta? Seu
precioso filho era um bandido de baixa categoria. Não ligo se está sofrendo,
não sinto nenhuma compaixão por família de bandidos. Antes seu filho morto do
que um pai de família, ou um dos meus policiais. Bandido bom é bandido morto! —
Falo sem remorso.
A mulher engole o choro e me olha
fixamente, consigo sentir seu pavor e desdém. Rafael pede calma e leva a mulher
para fora, todos estão me olhando como se eu fosse um verdadeiro demônio.
— Você vai pagar por sua maldade, um dia
vai sentir a mesma dor que sinto ao perder quem ama. — A mulher profetiza entre
os soluços enquanto acompanha Rafael.
— Vai pra …. — Rafael impediu de xingar
a mulher arrastando de volta para minha sala.
Detenho a senhora por desacato, Rafael
acha uma medida exagerada, mas eu não ligo. Como eu imaginei, um advogado veio
rapidamente para acudir, ele solicita um minuto para falar comigo, contudo peço
para dizerem que no momento não é possível.
Esses seres conseguem ser piores que os
próprios bandidos, eles colaboram com veemência para esse trabalho de enxugar
gelo. Sem falar comigo ele consegue levar a mulher com ele sem muito esforço,
maldito protocolo.
A maioria dos outros policiais não
gostaram da minha atitude, mas eu não vi uma mãe cuidadosa e sim uma imprudente
que precisa entender que o filho só está morto por negligência dela.
Depois de toda situação contornada e os
ânimos mais tranquilos, Rafael entra na minha sala com um copo descartável e me
entrega um café.
— Cara, você pegou pesado! — Ele fala me
olhando com atenção.
— Se veio aqui para me julgar, pode
voltar de onde está. — Digo sem paciência.
— Romero é uma mãe que perdeu seu filho,
ela está sofrendo, agindo por emoção. Mães são sagradas! — Diz com todo
respeito.
— Mães que ensinam seu filho o caminho
correto, não essas piranhas que colocam esses marginais no mundo. — Respondo
sem refletir nas minhas próprias palavras.
Rafael não fala mais no assunto, ficando
um silêncio ensurdecedor na sala. Volto minha atenção a alguns relatórios sobre
minha mesa e tento me concentrar, mas está impossível.
— Droga! — empurro os papéis na minha
frente e reclino a minha cabeça, não dá, definitivamente não dá! O beijo
daquela mulher não sai da mente.
— O que foi que lhe tirou do sério? Já te
vi lidar com assuntos piores e mais chatos do que uma mãe escandalosa, você não
estaria assim por nada! — Rafael pergunta curioso.
Jogo a caneta que estou na mão sobre a
mesa e desabafo, ainda nem tive tempo de reclamar pela interrupção.
— Encontrei com Helena. — Respondo
engolindo o ódio. — Que merda! Estava há um passo de obter seu corpo, não tem
ideia de como seu beijo é gostoso.
— Ah, entendi! Seu stress é porque foi
interrompido pelo trabalho? — Rafael conclui.
— Bingo! — Digo frustrado.
— Mas, e aí? Marcaram algo? Como foi o
encontro? Ela não ia viajar? — Ele pergunta sem moderação.
— Não e sim! Ficamos de encontrar num
dia qualquer, quando ela voltar. — Digo rodando na cadeira.
— Cuidado! Essa é uma garotinha mimada
filha da alta sociedade, isso pode ser um problema. Já pensou essa garota
apaixonada? — Rafael ri.
— Não, Helena não! Aquela garota é
diferente, ela tem firmeza nas palavras e convicção no que fala… dá para sentir
que ela é muito mais do que realmente diz. — Falo sobre ela sem perceber minha
cara de bobo.
— Romero está apaixonado? Vivi para isso? — Ele
zomba e sai para atender um chamado.
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Atualizado até capítulo 61
Comments
Ariel Pires
Olha a profecia da mãe, hein! Tudo o que mãe fala se cumpre!!! A profecia delas é forte!!! Cuidado, hein, Romero!
2024-04-22
2
Branquinha
Brota logo aqui em Irituia Rô🤭🤣
2024-01-24
1
Valmira Lima Da Cruz Carvalho
top de mais
2023-12-14
1