Capítulo 06

Romero,

Não dormi absolutamente nada, meu corpo pegou fogo a

noite toda e minha mente se prendeu a garota que não sei quase nada.

Rafael me olha com o sarcasmo de amigos

que entende exatamente o que estou sofrendo.

— Pergunte logo! — Olho para ele de

canto de olho e com a voz impaciente.

— O meu grande amigo que só pensa em

trabalho foi rendido por uma bela morena? — Diz rindo em provocação.

— Ainda posso reduzir seu pagamento este

mês! — Ameaço

— Não se atreva! Quero ir ao show do

Gusttavo Lima, já combinei com as garotas. —  Rafael responde travesso.

— Quais garotas? — Pergunto franzindo a

testa.

— Caro amigo ciumento, não vou sair com

a sua garota, não se preocupe! — Ele responde girando minha cadeira em

provocação.

Em meu peito corre um alívio com a

informação e minha expressão me entrega, Rafael sorri e revela sua surpresa

diante disso, mas até eu fico.

Nunca perdi o sono por uma mulher, meus

relacionamentos foram curtos devido ao excesso no trabalho, graças a farda

nunca tive problemas para encontrar alguém para satisfazer meus desejos.

Quando vim para Belém, decidi não me

envolver com ninguém até que eu resolva minha situação com a corregedoria,

quebrei meu propósito logo de cara.

Helena mexe comigo de forma

significativa, não sei se é pela sua astúcia, segurança e abordagem ou o

conjunto completo.

— Droga! — Desabafo e vejo que já estou

só novamente.

Aqui estou eu pensando nela, cheio de

papeladas e problemas para resolver, porém acalentando só de imaginar o sabor

daquela mulher.

Sou tirado dos meus devaneios pelas

obrigações corriqueiras que acontecem numa delegacia, todo dia é mais do mesmo,

hoje é um desses, nada que valha a pena.

Rafael está por conta de achar mais

pistas do paradeiro de Naty, só que a evolução é muito lenta, essa bandidinha

se acha muito esperta por conseguir cobrir seus rastros.

“Um

passo em falso e eu colocarei as mãos nela, vamos ver quem faz o seu melhor

papel, tenho até dó, na verdade não tenho.” — Penso.

— Romero, você precisa vir aqui fora! —

Rafael chama, sua feição demonstra que chegou encrenca.

Do lado de fora da minha sala, uma

senhora grita aos prantos totalmente desequilibrada por seu filho bandido

morto. Que saco! Essas mães deveriam ter educado melhor seus filhos, agora fica

chorando e fazendo escândalo na minha delegacia.

— Senhora, acalme-se! — Tento ser o mais

gentil que os meus nervos podem suportar.

— Foi você! — Ela grita ao me ver e

aponta o dedo para mim. — Você matou meu filho! Entregou ele para aquela

bandida! Meu pobre menino! Meu doce filho! Ele só tinha 20 anos! Você o matou!

— Berra descontrolada querendo quebrar tudo, não me restando alternativa senão

lhe algemar.

— Quer dormir na cadeia? Não né? Então

eu acho bom ficar bem quietinha — Grito autoritário.

— Por que não prendeu meu filho? Por que

você o soltou? Meu lindo menino… meu lindo filho! Ahhh! Meu Deus! Que dor! Meu

Deus, por quê?! — Ela chora em um desalento que me irrita.

— Quer mesmo saber a resposta? Seu

precioso filho era um bandido de baixa categoria. Não ligo se está sofrendo,

não sinto nenhuma compaixão por família de bandidos. Antes seu filho morto do

que um pai de família, ou um dos meus policiais. Bandido bom é bandido morto! —

Falo sem remorso.

A mulher engole o choro e me olha

fixamente, consigo sentir seu pavor e desdém. Rafael pede calma e leva a mulher

para fora, todos estão me olhando como se eu fosse um verdadeiro demônio.

— Você vai pagar por sua maldade, um dia

vai sentir a mesma dor que sinto ao perder quem ama. — A mulher profetiza entre

os soluços enquanto acompanha Rafael.

— Vai pra …. — Rafael impediu de xingar

a mulher arrastando de volta para minha sala.

Detenho a senhora por desacato, Rafael

acha uma medida exagerada, mas eu não ligo. Como eu imaginei, um advogado veio

rapidamente para acudir, ele solicita um minuto para falar comigo, contudo peço

para dizerem que no momento não é possível.

Esses seres conseguem ser piores que os

próprios bandidos, eles colaboram com veemência para esse trabalho de enxugar

gelo. Sem falar comigo ele consegue levar a mulher com ele sem muito esforço,

maldito protocolo.

A maioria dos outros policiais não

gostaram da minha atitude, mas eu não vi uma mãe cuidadosa e sim uma imprudente

que precisa entender que o filho só está morto por negligência dela.

Depois de toda situação contornada e os

ânimos mais tranquilos, Rafael entra na minha sala com um copo descartável e me

entrega um café.

— Cara, você pegou pesado! — Ele fala me

olhando com atenção.

— Se veio aqui para me julgar, pode

voltar de onde está. — Digo sem paciência.

— Romero é uma mãe que perdeu seu filho,

ela está sofrendo, agindo por emoção. Mães são sagradas! — Diz com todo

respeito.

— Mães que ensinam seu filho o caminho

correto, não essas piranhas que colocam esses marginais no mundo. — Respondo

sem refletir nas minhas próprias palavras.

Rafael não fala mais no assunto, ficando

um silêncio ensurdecedor na sala. Volto minha atenção a alguns relatórios sobre

minha mesa e tento me concentrar, mas está impossível.

— Droga! — empurro os papéis na minha

frente e reclino a minha cabeça, não dá, definitivamente não dá! O beijo

daquela mulher não sai da mente.

— O que foi que lhe tirou do sério? Já te

vi lidar com assuntos piores e mais chatos do que uma mãe escandalosa, você não

estaria assim por nada! — Rafael pergunta curioso.

Jogo a caneta que estou na mão sobre a

mesa e desabafo, ainda nem tive tempo de reclamar pela interrupção.

— Encontrei com Helena. — Respondo

engolindo o ódio. — Que merda! Estava há um passo de obter seu corpo, não tem

ideia de como seu beijo é gostoso.

— Ah, entendi! Seu stress é porque foi

interrompido pelo trabalho? — Rafael conclui.

— Bingo! — Digo frustrado.

— Mas, e aí? Marcaram algo? Como foi o

encontro? Ela não ia viajar? — Ele pergunta sem moderação.

— Não e sim! Ficamos de encontrar num

dia qualquer, quando ela voltar. — Digo rodando na cadeira.

— Cuidado! Essa é uma garotinha mimada

filha da alta sociedade, isso pode ser um problema. Já pensou essa garota

apaixonada? — Rafael ri.

— Não, Helena não! Aquela garota é

diferente, ela tem firmeza nas palavras e convicção no que fala… dá para sentir

que ela é muito mais do que realmente diz. — Falo sobre ela sem perceber minha

cara de bobo.

— Romero está apaixonado? Vivi para isso? — Ele

zomba e sai para atender um chamado.

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Comments

Ariel Pires

Ariel Pires

Olha a profecia da mãe, hein! Tudo o que mãe fala se cumpre!!! A profecia delas é forte!!! Cuidado, hein, Romero!

2024-04-22

2

Branquinha

Branquinha

Brota logo aqui em Irituia Rô🤭🤣

2024-01-24

1

Valmira Lima Da Cruz Carvalho

Valmira Lima Da Cruz Carvalho

top de mais

2023-12-14

1

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