Naty,
Hoje sai fora da casinha completamente, mas como não
sair, de onde surgiu aquele homem e que homem, meu senhor, que homem!
Durmo quase a manhã inteira, acordei
meio atordoada com meu telefone vibrando sobre a mesa de cabeceira, levo o
braço ainda sonolenta para pegá-lo.
— Pronto! — Respondo quase sem forças.
— Amiga, o Rafael está me pedindo seu
contato, o amigo dele está querendo, posso mandar? — Amanda fala animadíssima
do outro lado da linha.
Na segunda chamada um número me dá um
toque, sei que é a Sabrina e que o toque é para eu ligar o aparelho dos
"corres", apresso em desligar com a Amanda.
— Amiga, pode passar, mas acho que não
estarei na cidade por esses dias, preciso desligar pois a empresa está me
ligando. — Aviso e me despeço.
Pego o outro aparelho e ligo, chegam
inúmeras mensagens, procuro o contato da Sabrina e ligo, ao que ela me atende
prontamente.
— Naty, sua intuição estava certa.
"Deu muito ruim!!" — Sabrina
avisa e eu reviro os olhos.
— Quem foi preso? Quanto perdemos? O que
temos de informação? — Pergunto já fazendo cálculos mentais do prejuízo.
— Então, perdemos a carga, o carro, a
arma, mas ninguém foi preso. — Ela responde um pouco sistemática.
— Como assim, ninguém foi preso?
Conseguiram abrir fuga? — Questiono impaciente.
— Não, mana, o buraco é mais embaixo! Já
mandei segurar o mancoso que estava no "corre" e estou tentando falar
com você desde ontem à noite, ele voltou e estava nas mãos dos
"canas", depois de uma pressão ele admitiu que abriu o jogo e falou
que a situação era sua. Só estamos aguardando seu aval para deixar de exemplo.
— Sabrina explica e eu ouço em silêncio.
— Eu já cansei de falar que pior do que
"rodar" é abrir a boca, cagueta é pau no gato sem massagem, pega esse
maldito e capricha que é para botar de exemplo mesmo. — Falo já em pé, o ódio
está tão forte que o sono foi embora e a adrenalina corre em meu corpo.
— Pode deixar, ele vai saber exatamente
o porquê está pulando e os outros vão ter exemplo por um bom tempo. — Sabrina
fala com um tom sádico. — Você vem hoje?
— Não duvido! Amanhã eu apareço por aí
se estiver favorável. — Respondo.
Oh maravilha, tudo que eu mais preciso é
de alguém direcionando o alvo nas minhas costas, eu já disse que no meu morro
ninguém é obrigado a ir para o corre, mas que se for é para ter foco e
responsabilidade, mas parece que o povo faz questão de desafiar o perigo.
Sabrina(13:05)
Esqueci de falar,
tem outro delegado.
Pelo que pude averiguar,
ele está seco de vontade
de pôr as mãos em você.
Se cuida mana e qualquer
coisa eu fico na contenção
aqui até a
poeira baixar.
Eu (13:06)
Alguma informação?
Nome, características?
Sabrina (13:07)
Ainda não, mas
já solicitei com o
gravata.
Eu (13:08)
Vai me mantendo
Indomada, mana!
Aproveito que estou com o telefone na
mão e peço uma comida por aplicativo, me arrasto até o banheiro e coloco a
banheira para encher, enquanto relaxo as tensões vou falando com fornecedores
para garantir um novo abastecimento antes que o estoque esgote, desacertos
fazem parte, só não posso deixar a peteca cair.
Ouço o interfone, visto um roupão e vou
até lá atender, autorizo a entrada do motoboy, sem me vestir, sento-me no sofá
e “me acabo” numa massa italiana ao molho bolonhesa.
Amanda me manda várias mensagens
chamando para curtir com as amigas dela, contudo, eu tenho pouquíssima
paciência para essas patricinhas socialites que acham que a vida é a bolha a
que estão acostumadas.
Coloco uma série na Netflix, mas nada me
agrada, por fim visto uma roupa e saio, vou bater perna no shopping e comprar
algumas coisas que estou precisando lá no morro.
Sabrina
(16:23)
Mana, a
missão foi cumprida,
porém, temos
um problema
a mãe do
cagueta está fazendo
o maior
escândalo aqui
na porta, já
pagou de
chamar a
polícia e
tudo mais.
Eu (16:24)
Quando não é
oito é oitenta.
Explica o
caminho do bom viver
para ela, mas
pega leve nas
palavras que
cê está ligada que
eu não curto
essa parada de
assustar
família principalmente
uma mãe
desesperada.
Só faz o que
tem de fazer.
Definitivamente, mexer com família e
idosos me deixa desconfortável, só que se eu passar pano para uns os outros vão
fazer arruaça, então que seja feito o certo, o que vale para chico se aplica
também no Zé.
Visto uma calça em tom pastel de
alfaiataria, uma blusa branca, coloco um tênis e uma bolsa também na cor
branca, prendo o cabelo em um rabo de cavalo, orno alguns acessórios que
combinam com o look e finalmente saio de casa.
O trânsito está terrível e eu gasto
horas para chegar no shopping, sem contar o calor de matar que faz nessa época
do ano, ou melhor, o calor aqui é sempre o mesmo, nunca vi fazer frio no Pará.
Enquanto dirijo, me lembro de quando
cheguei aqui e o choque que eu sofri com as culturas, tudo completamente
diferente do que eu estava acostumada, entretanto, aprendi a amar a região e
não troco por lugar algum no país.
A comida, o clima tropical, o linguajar,
os costumes folclóricos e o acolhimento hospitaleiro, não consigo me ver longe de
tudo isso, não mais.
Finalmente chego ao shopping, entrego o
carro ao manobrista da ala vip e caminho para o elevador, eu paro na livraria
que tem aqui nesse pavimento, escolho alguns títulos que estou querendo ler já
tem um tempo e passeio um pouco pelas vitrines.
No térreo está acontecendo uma apresentação
teatral, me aproximo e fico presa na trama cultural, vislumbro com a
apresentação de carimbó, completamente rendida não vejo o passar das horas, mas
sou tirada dessa imersão com uma mão tocando em meu ombro e me chamando pelo
nome.
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Atualizado até capítulo 61
Comments
Brennda Germany's
/Shhh//Shhh//Shhh//Shhh//Drool//Drool//Drool//Drool//Drool//Drool//Plusone//Heart//Heart//Heart//Heart//Heart/
2024-10-21
0
Andiara Santos
tou amando a história ainda mais porque se passa no meu maravilhoso Pará amo ❤️
2024-05-03
1
Ariel Pires
Primeira vez que leio uma história que se passa no Pará
2024-04-22
2