THAWANY...
O Pedro está me olhando, a dor que vejo no seu olhar não se compara em nada com o que estou sentindo. Ele disse que eu era diferente, e eu acreditei nele...
— Anny, me ouça primeiro.
— Porque, Pedro... Porquê vou te ouvir? Pra você jogar na minha cara que eu não passo disso, de um corpo cheio de defeitos, e que eu nunca vou encontrar alguém que me dê valor?
Sou calada com um beijo, mas não vou me sujeitar a isso outra vez, separo os meus lábios dos seus e lhe acerto uma tapa.
— Não me toque... Eu posso ser gorda, pobre, estar com o nome na justiça, mas sei o meu valor. E não mereço menos do que alguém que saiba ver as minhas cicatrizes e cuidar delas. Eu confiei em você na noite passada, Pedro... Deixei que você usasse o meu corpo para satisfazer as suas vontades... A minha filha... Meu Deus... A minha filha te chamou de pai...
— Anny. Se acalma, você está entrando em colapso...
— Tem ideia do que você fez com o meu coração?
— Thawany, só me ouve por alguns minutos — ele para a minha frente e prende os meus braços atrás de mim com uma única mão, a outra ele usa para manter o meu rosto erguido para ele — nunca te enganei. Se demiti você do cargo de babá, é porque quero que você assuma outro posto na minha casa, o de dona. De minha esposa. Consegui aquela vaga na escola, porque sei que é algo que você ama, ensinar, e você ficaria mais próxima dos nossos filhos. Poderia passar a tarde inteira com eles, e quando a professora deles tirar a licença, ficar com eles o dia inteiro, cuidando deles, e diminuindo a possibilidade de perder a guarda da Luna.
Olho para ele com os olhos ardendo.
— Anny... Eu falei que iria te proteger, que ia cuidar de você. Pois bem, é o que estou fazendo nesse momento. Você tendo um emprego, sendo casada com um homem de alta influência como eu, e tendo o Igor como advogado... Vai facilitar a SUA vida. Vai trazer de volta a sua licença, limpar o seu nome, e principalmente, garantir a guarda definitiva da Luna. Minha princesa... Eu jamais seria capaz de fazer algo para te magoar. Você merece muito mais do que você mesma disse... E eu tenho orgulho de você. Da sua coragem de dizer na minha cara que merece alguém melhor do que eu, alguém que lhe dê valor.
— Rick...
— Anny... — ele abre um sorriso e faz carinho na minha bochecha, secando algumas das minhas lágrimas — quero que seja minha por inteiro, Anny. Não só o seu corpo. Sei que o meu coração ainda está congelado, pois, foi algo que precisei fazer, precisei me esconder de todo tipo de sentimento bom... Mas por você, por você eu vou fazer o impossível para remover todo o gelo que cobre ele. Quero ama-la... Minha Anny.
Deixo as minhas lágrimas caírem, lavarem o meu rosto e junto, a minha alma, Rick me abraça apertado, e eu me agarro a ele, sentindo todas as minhas forças faltarem.
Ele me ampara, ele sempre faz isso, me ampara e segura o meu corpo contra o dele. Choro bastante, e só quando me acalmo, que o Rick ergue o meu rosto, fazendo uma carícia preguiçosa.
— Você é linda, meu amor. Nunca baixe a cabeça diante de ninguém. Se tiver que chorar, chore, mas em seguida, levante a cabeça e siga em frente. Mostrando para todos quem é a bahiana arretada de nome Thawany Menezes — sorrio e encosto a minha cabeça no seu peito — vamos almoçar? A gente aproveita que já está aqui... Sabe?!
— Devo está com o rosto acabado...
— Continua linda. Só está um pouco mais corada.
— Acho melhor irmos para a sua casa... Ou pedir para entregarem na loja...
— Tenho outra ideia. Me espera aqui — ele beija a minha testa e sai de onde estamos.
Vou até o parapeito e sinto o vento bater contra o meu rosto. Ouço o meu celular tocar, pego no bolso da calça, é a minha mãe, penso em recusar a chamada, mas atendo.
— Oi mainha...
— Oi minha filha. Estava chorando, querida?!
— Não é nada, mainha...
— Olha que eu te conheço, menina... Teve uma crise?
Respiro fundo e nego em seguida.
— Não, mainha... Só... Discuti com uma pessoa.
— Não quer dividir as suas preocupações? Sabe que guardar tudo para si não ajuda, filha.
— Em breve convenço ele a ir aí, mainha — ouço a minha mãe sorrir.
— Ensine ele a comer vatapá — dou risada, um pouco alarmada para quem estava chorando — gosto de te ouvir sorrindo, querida. E o emprego? Deu certo?
— Bom... Esse foi o motivo da discussão... Ele me demitiu. Mas... Recebi outro. Como professora, mainha... Vou voltar para uma sala de aula... — falo já sentindo os olhos encher de água.
— Oh minha filha... Iemanjá ouviu minhas orações... Que nosso paizinho te abençoe, filha... Olodum sabe o que faz.
— Deus, dona Severina. Sabe que respeito a sua fé nos Orixás... Mas, a minha fé está em Deus. Sempre esteve.
Ouço a minha mãe fungar, mas sei que é de orgulho. A minha mãe é uma mulher de fibra, uma soteropolitana raiz, que acredita em Olodum e adora os orixás, mesmo respeitando a minha fé em Deus, cansei de ver ela dançar com as suas saias enormes e rodadas, cheia de adornos.
Sempre admirei ela, não me envolvi com a sua forma de adorar a outro Deus além do que eu acredito, mas assistia de longe quando ela se ajuntava as outras mulheres, dançando pelas ruas coloridas de Salvador, sob o som animado dos tambores que sempre me fizeram sambar, levantar os braços para o céu e sorrir animada.
Desligo a ligação quando vejo o Pedro chegar acompanhado de umas pessoas, um com uma mesa, e os outros dois com cadeiras, e uma toalha de mesa.
— Já que não iremos descer para almoçar... Consegui fazer com que tivéssemos um almoço diferente.
Sorrio para o Pedro. O meu Pedro, meu Rick, meu Jones. Os rapazes arrumam a mesa, e o Rick puxa a cadeira para mim, nos sentamos olhando a vista, e é aqui, nesse instante que eu entregando nas mãos do nosso Senhor, aceito o pedido desse homem a minha frente.
— Tudo bem... Eu serei sua esposa... Deixo que cuide de mim... Que seja o pai que a minha Luna precisa, e a base que preciso para me reerguer... Desde que não esconda nada de mim, Rick... Me permita chegar ao seu coração, ama-lo... E que nunca coloque outra na nossa vida. Se perder o interesse em mim, me avise e eu sairei imediatamente...
— Não quero outra pessoa que não seja você, Anny. Te darei tudo o que você me pedir, só peço um pouco de paciência, pode ser que eu tenha dias difíceis no processo...
Seguro a sua mão e ele leva ela até os lábios, deixando um beijo delicado em cima.
— Quero me ensine te amar, Anny.
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Atualizado até capítulo 78
Comments
Pri Pereira
Oi autora quem é do candomblé ñ adora outro Deus
Na nossa religião Adoramos a Deus e os Orixás um abraço 🤗
2024-07-17
5
Silvaneide Ágatha
👏🏼👏🏼👏🏼🙏🏼🙏🏼
2024-07-02
1
Silvaneide Ágatha
🙏🏼🙏🏼🙏🏼🙏🏼🙏🏼
2024-07-02
1