CARLA...
A minha vida nunca foi fácil, sou do interior da Bahia, bem na divisa com Pernambuco. Sabe as cidades onde praticamente todo mundo se conhece, e o lugar onde todo mundo sai para um rolê é a pracinha, ou uma sorveteria?!
Pois é... É de lá que venho, Juazeiro é um lugar parado, até tem um shopping, várias lojas, mas é tudo muito monótono. O meu pai faleceu de câncer quando eu era pequena, mal me lembro dele, e desde então, a minha mãe nunca quis se envolver com mais ninguém.
Viemos para o Rio faz poucos anos, foi um esforço e tanto conseguirmos vir morar aqui, tivemos que vender boa parte das nossas coisas, que já não eram muitas.
Assim que chegamos aqui, a minha mãe procurou emprego em todos os lugares possíveis, trabalhou como faxineira, babá, vendedora em loja, e por último, como merendeira de uma escola. Eu fiz alguns bicos também, antes de vim trabalhar para o senhor Pedro.
Já fui garçonete e frentista, mas um homem tentou ajudar de mim num dos meus turnos noturnos, e o meu chefinho chegou como um herói e me salvou, por isso hoje sou a gerente.
Tá... "E como você virou mãe, Carla?", não é lá esses assombros todo, minha gente... É aquela história clássica de livro: a garota vai para a balada, conhece um cara, ele promete mundos e fundos, mete um filho no teu bucho e no fim... Te deixa com uma filha que é a cópia dele e um coração partido.
Eu tento ser sempre positiva, pois, tenho o apoio da minha mãe em tudo. Hoje ela já está aposentada, conseguiu ano passado, graças a Deus moramos num apartamento onde o aluguel não é tão caro, e tem boas condições.
Agora voltando ao que está acontecendo nesse momento, onde o senhor Igor, meu mais novo crush, tem um contrato de casamento beirando a insanidade, em mãos, esperando que eu assine e vire a sua esposa.
— O senhor bateu a cabeça? — pergunto achando isso tudo, um absurdo — Ou o sol derreteu os teus miolos?
— Carla?! — o senhor Igor me encara com a expressão fechada.
— É que não consigo entender. Porque quer que eu seja a sua esposa, assim do nada?
— Se você deixasse eu falar, menina.
— Tudo bem! Eu deixo! Mas... Porque eu?!
— Carlaaaa, respira, e espera eu falar. Se não você não vai entender nunca, mulher.
Me calo — a contragosto — e cruzo os braços, esperando que ele fale. Ele vem até onde estou e senta no sofá, bem encostadinho em mim. O seu perfume forte e másculo me deixa embriagada, gente, é sério... Eu tenho um fraco por esse tipo de perfume.
— Minha preta, eu vou explicar desde o início, tudo bem? — assinto calada, porque se eu abrir a boca pra falar alguma coisa, o que vai sair é "me pega de jeito, Igor" — Olha, há alguns meses conheci uma mina lá no morro, onde moro, e essa mulher está, desde esse dia, pegando no meu pé. Chegou a até mesmo forjar uma gravidez e dizer que o filho é meu — abro a boca para falar e ele não deixa — nunca toquei nela, Carla. Tenho provas que ela mentiu e fingiu tudo. Mas enfim, essa mulher tá me atazanando, mas eu encontrei uma forma de me livrar dela, você.
— Eu?!
— Sim.
— Acho bom você explicar direito porque só bagunçou ainda mais a minha cachola.
— Você e as suas palavras que eu não entendo —dou risada, pois, segundo a minha mãe, eu tenho um dicionário próprio — Carla, eu gosto de você. E o meu plano era primeiro conquistar você, namorar, noivar, e só então, casar. Mas você tem uma filha, tem uma mãe que depende de você... Por isso quero casar logo.
— Você só pode ser doido. Abilolado. Não tem outra explicação.
— Tem como falar no meu idioma? — reviro os olhos e ele resmunga — se revirar os olhos de novo, vai se arrepender.
Reviro os olhos novamente, mas só porque eu sou uma nordestina pirracenta, que gosta de se queimar, e sinceramente, eu estou adorando sentir o meu corpo queimar com o olhar do Igor sobre mim.
— Ops... Revirei — falo revirando de novo.
— O que eu faço com você, Carla?
— Pensei que fosse me fazer arrepender — levanto uma sobrancelha.
O Igor se aproxima de mim, agarra a minha nuca e cola os nossos rostos, encarando os meus olhos, me perco nas suas íris azuis, são tão lindas, cristalinas, mas aos poucos elas dilatam, dando lugar a um azul intenso.
— A gatinha perdeu a língua?!
Tento falar, mas não sai nada. Droga... O Igor desenha os meus lábios com o polegar, estou com as mãos espalmadas no seu peito, largo, e que é forte... Sinto a sua mão que está na minha nuca, fazer algumas carícias.
Os seus olhos alternam entre os meus olhos, e os meus lábios, sigo o seu olhar e acabo encontrando os seus lábios entreabertos, ainda mais próximos dos meus. Porque isso tinha que ser uma cena de filme?! Porque não poderia ser uma cena normal?!
Os seus lábios tocam os meus tão calmamente e chego a duvidar que estão realmente sobre os meus, fecho os meus olhos aos sentir a sua língua deslizar pela minha boca, adentrando até tocar a minha língua.
Ele tem gosto de menta, quem tem gosto de menta?! O seu perfume, ainda mais forte agora que estou grudada a ele, me embriagam junto ao seu beijo que a cada segundo se torna ainda melhor.
Ele morde o meu lábio, e um gemido acaba escapando da minha garganta, sôfrego, abafado. Os seus dedos puxam o meu cabelo, e logo estamos ambos deitados no sofá.
Os nossos lábios estão rápidos, nos separando muito pouco durante o beijo, apenas para podermos respirarmos, a suas mãos me mantém presa contra ele, e exploram o meu corpo, me causando sensações deliciosas.
— Igor...
— Aceite, Carla... Seja minha esposa...
— Ah... Aceito, Igor... Ah...
Sinto ele sorrir durante o beijo, descendo os lábios em seguida, até o decote da minha blusa. Deus do céu... Eu juro que tentei, mas esse homem não fez por onde eu resistir...
Agora o que me resta é mostrar para essa tal de Mariana que esse moreno de olhos azuis é meu, todinho, completamente meu. E ai de quem tentar pôr as garras nele, que eu mostro o que uma bahiana é capaz de fazer.
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Atualizado até capítulo 78
Comments
Esterzinha
eiii não fala assim, eu moro aqui no caso aí, e o pior que que é parado mesmo não acontece nadaaaaa
2025-02-07
1
odia Costa
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
2024-05-27
4
Jeane Campos Campos
agora entendi
2024-04-04
2