CAPÍTULO 4...

PEDRO...

Podem me chamar de precipitado, de louco, de autoritário, do que for! Mas não posso permitir que essa mulher, e uma criança, vivam numa casa assim.

A casa, por mais aconchegante que pareça, está com uma infiltração clara na sala, o teto tem mofo, e a tinta das paredes está caindo os pedaços, de tão ressecada, Deus me livre ver uma mãe solteira numa situação como essa, e ficar quieto.

A Thawany está me olhando como se não acreditasse nas minhas palavras, acredito que pense até que eu falei em grego, aramaico, ou a língua dos anjos, sei lá, pois, está me olhando, sem nem se mexer faz uns cinco minutos.

— Vamos, mulher, se mexe... Quer ajuda para arrumar? Se precisar, eu ajudo — pergunto impaciente, vendo o estado de choque em que ela está.

— Não, é que... Porquê? Porque, quer que eu vá com o senhor?

— Anny... Essa casa está caindo aos pedaços. Não sou um riquinho mesquinha, que vê uma coisa dessas e deixa passar despercebido. Eu já disse que zelo pela simplicidade e honestidade, e sendo honesto, duvido que a minha mãe olharia com bons olhos para mim, se soubesse que deixei você permanecer aqui.

— Então quer me tirar daqui para ficar bem na fita, com a sua mãe? — ela fala em tom de incredulidade — que honestidade...

— Não, Anny... Não quero fazer isso para impressionar a minha mãe. Mas sim, porque eu sei como é cuidar de uma criança, sozinho, sei que estamos sempre fazendo o possível e impossível para ver eles bem, acredite, eu também pularia na frente de uma bala para salvar o meu filho — paro olhando nos seus olhos — Anny... Eu me encantei por você, e vi bondade transbordando de você, desde o restaurante. Se você fosse outra pessoa, teria gritado com o Noah por derramar suco na sua blusa, sendo que estava indo para uma entrevista de emprego. E a forma doce como você olha para ele, como deu atenção a ele... Eu não posso permitir que você fique aqui. A Luna, não pode ficar nesse lugar, seria o mesmo que contribuir para você perder a guarda dela.

Ela baixa os olhos e vejo cair algumas lágrimas, estendo a minha mão e seco cada uma delas. Essa mulher pode até parece uma muralha por ter toda essa altura e postura, mas guarda um passado doloroso que a fez sufocar as suas dores, tatuar as cicatrizes e colocar sempre um sorriso no rosto.

Olho para as duas crianças brincando alheias ao que está acontecendo, me levanto da banqueta onde estou sentado e abraço a Anny, pode parecer imprudente se forem ver apenas como o "patrão abraçando a funcionária", mas ela é um ser humano. Uma mãe. Assim como eu sou um ser humano, e um pai.

Quando ela sai do meu abraço, tem o rosto vermelho.

— Pode olhar eles enquanto arrumo uma bolsa?

— Claro, leve o tempo que precisar.

Ela assente e vai até um corredor que imagino ser onde ficam os quartos. Vou até o tapete onde as duas crianças estão e fico brincando com eles. A Luna é uma menina encantadora, uma princesinha. O seu jeitinho fofo acabou de me fazer derreter a crosta de gelo em que envolvi o meu coração.

Ficamos brincando por mais ou menos uma hora, quando a Anny volta, ela tem uma mala em mãos e uma bolsa pequena no ombro. Vejo que ela está com um pouco de vergonha, mas vergonha sentiria, eu, em sair dessa casa e voltar para a minha casa, sabendo em quais condições elas estão.

Pego a mala que ela trouxe e levo para o carro, logo ela aparece com as crianças, segurando na mão de cada um, e acho essa cena tão linda... Até parece que ela é a mãe de ambos... Um clima família se instalou no meu peito.

Arrumamos as crianças no carro, e dessa vez coloquei a Luna na cadeirinha, pois, ela parecia com sono, entreguei meu celular ao Noah, assim ele não dormiria, dirigi até em casa, e assim que entro na garagem, a Anny abre a porta para sair, mas seguro a mão dela e dou a volta, abrindo em seguida para que ela saísse.

— Meu Deus, senhor Pedro... Não precisa disso.

— Você é uma dama, Anny, por mais que esteja cuidando do meu filho, ainda merece ser tratada com cuidado e carinho.

Ela sorri para mim e vai pegar as crianças que estão ambas capotadas, pelo jeito o celular não deu jeito. Pego a mala, e deixo no chão, pego o Noah que é mais pesado que a Luna, e entro em casa, com a Anny atrás de mim. Subo as escadas e a levo até o quarto de hóspedes.

— Se preferir, podem usar o mesmo quarto, mas tem outro aqui do lado se quiser dormir sozinha.

— Não precisa... O que menos quero é dar trabalho. E nós dividimos o mesmo quarto lá em casa, não vai ser diferente aqui.

Ela entra e coloca a pequena Luna na cama, tira os seus sapatinhos e faz carinho nos seus cabelos. Eu aproveito para levar o Noah para o quarto dele, mas ao contrário do que a Anny fez, eu acordo ele.

— Filho, precisa tomar um banho quentinho e jantar antes de dormir...

— Não quelo papai...

— Mas precisa, filhão. Lembra o que o papai disse que acontece quando não toma banho?

Ele abre os olhinhos azuis e faz careta, se jogando no meu colo.

— Quelo tomar com o papai.

— Está bem. Vamos lá, até porque temos que fazer o jantar para duas princesas.

— A Luna e a titia Anny, papai?

— É sim. E vamos fazer um combinado? — ele balança a cabeça concordando — vamos proteger elas duas dos homens maus, fechou? — ele abre um sorrisão e balança a cabeça concordando — então bate aqui — faço um soquinho e ele bate o soquinho ele no meu.

Damos risada juntos e seguimos para o meu banheiro. Sei que por uma parte eu pequei em não ter colocado o Noah numa creche ainda, mas ele ainda é novo demais para estar numa escola, mesmo que seja só para conhecer novos rostos, fazer amizades.

Não quero que o meu filho cresça achando que precisa ter tantas responsabilidades desde cedo. Pois, é isso o que fazemos eles acreditar quando deixamos eles o dia todo numa escola, quando ainda nem sequer sabem falar, isso é torturante para uma criança em processo de desenvolvimento.

Só planejo colocar ele na creche, no ano que vem, quando fizer quatro anos. Assim ele já vai estar um pouco mais atento em casa, vai poder até mesmo, se comunicar melhor.

Saímos do quarto depois de um banho quentinho e divertido com o meu pequeno e passo no quarto onde a Anny tinha ficado com a Luna, bato na porta e ela fala que pode entrar, quando entro, ela estava terminando de pentear o cabelo da filha.

— Estamos indo fazer o jantar. Alguma coisa que vocês não comam além do que você já me disse, Anny?

— Não...

— Tudo bem. Em meia hora venho chamar vocês.

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Comments

Geusiane Barros

Geusiane Barros

autor do céu eu amei o livros dos pais dele e agora o dele eu li esses poucos capítulos e já tô apaixonada na história ❤️😍

2025-03-24

2

Preta

Preta

Ah! Pedro que orgulho de vc😍

2024-09-24

2

Dindi

Dindi

Um cara rico desse e não tem empregada? Ele que vai cozinhar? Estranho, né?

2024-08-15

0

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