THAWANY...
Chego até a loja onde me indicaram para entrevista, não faço ideia de quais vagas estão oferecendo, mas estou aceitando qualquer emprego que me derem, na situação em que me encontro ultimamente, até como faxineira eu trabalho.
A fachada de metal com as letras escritas em dourado, várias janelas de vidro tão limpos que nem parece que estamos no centro do Rio de Janeiro.
"Joias Jones", entro na loja e o ambiente é frio comparado ao calor que faz lá fora, tudo tão é brilhante, que chega a ofuscar a visão. Uma moça bem vestida, pele negra, vem até mim com um sorriso no rosto. Ok... Essa é nova.
— Boa tarde senhorita. Posso ajudar?
— Eu vim para uma entrevista de emprego... Me disseram que estavam contratando.
— Ah, sim. Por aqui, por favor.
O seu sorriso brilhante como as joias do lugar me fazem sentir ainda mais inferior do que sou, perto dessas pessoas do preço de cada uma dessas peças.
Acompanho a moça por um corredor que é completamente diferente de toda a loja, acredito que estejamos indo para a parte "secreta" de toda loja. Chegamos até uma salinha onde vejo mais duas mulheres, ambas com um ar esnobe, nem parecem estar aqui a procura de emprego.
— Pode esperar aqui com as outras candidatas, o senhor Jones em breve chamará vocês para a entrevista.
Assinto e vou me sentar próximo as outras, mas assim que me aproximo delas, ambas viram a cara para mim e começam a cochichar. Odeio esse tipo de gente.
No meu antigo trabalho era assim também, poucas pessoas me respeitavam pela minha condição financeira, ou pelo meu corpo. Digamos que tenho um manequim diferente das moças de altura média e vestimenta de no máximo 40, já se achando acima do peso.
Sou uma mulher bem acima da média... Uso o roupas plus size... Tenho quase 1,80 de altura... E ainda sou de uma família de classe média. Então, sou praticamente uma aberração no ponto de vista das mulheres magras.
Ajeito o paletó do rapaz do restaurante, sentindo o perfume delicioso dele. Ficou perfeito em mim, até parece que é meu. Pego o meu celular na bolsa e olho o horário, passa um pouco da 13... Tenho que buscar a minha filha na creche às 17, então espero que dê tempo.
Fico balançando a perna, ansiosa. E logo sinto o perfume do paletó ficar mais forte, olho na direção do corredor e vejo o rapaz do restaurante vir todo elegante com o filho dele caminhando ao seu lado.
Os seus olhos encontram os meus e se abrem um pouco mais. A minha respiração está totalmente paralisada. Nem me lembro a última vez que fiquei assim. O menino que me derramou o meu suco, abre um sorriso lindo na minha direção, e quando o pai dele passa por nós, me cumprimenta.
— Oi moxa bunita. Dicupa pelo xuco.
— Tá tudo bem, pitico. Só espero que o seu papai não fique zangado por eu aparecer na entrevista com a roupa suja de suco.
Ele dá risada e segue o pai até a sala. Poucos minutos depois, ele começa nos chamar, chama primeiro as duas moças que estavam aqui antes de mim. E por último, eu. Quando entro na sua sala, ele está massageando o pescoço enquanto o pequeno brinca dentro de um cercadinho com vários brinquedos.
— Olá... — ele abre os olhos e me encara, abrindo um sorriso.
— Bem-vinda, senhorita. Sente-se por favor — me sento a sua frente e o filho dele sai do cercadinho vindo até mim com um desenho — filho...
— Obrigada, pequeno — faço carinho nos cachinhos dele e ele sorri para mim, um sorriso banguela e sapeca, até parece a minha pitica — você é um fofo.
— Bigado, a vovó diz que sou igual o papai — ouço o senhor Jones dar risada.
— É mesmo? Então ela deve ter razão.
Olho para o homem a minha frente e ele muda um pouco a expressão. O menino volta a brincar e eu olho para o desenho, não tinha muito sentido, mas só em ele ter feito e me entregar, já ganhou meu coração.
— Tem experiência com criança? — ele me pergunta desviando o olhar do filho.
— Tenho uma filha de quatro anos. Mas trabalhava como professora infantil até alguns meses atrás.
— Porque parou?
— Armaram contra mim. Não tive como me defender e acabei perdendo a minha licença para ensinar. Para completar... O pai da minha filha está querendo a guarda dela.
Ele está me olhando diferente agora. Como se pudesse ler através dos meus olhos.
— Sabe qual é a vaga a qual estou procurando um funcionário?
— Não, senhor... Apenas soube que estavam procurando por pessoas e arrisquei.
— Tenho duas vagas disponíveis... Uma como atendente de uma das lojas de São Paulo, e a outra... Como babá do meu filho Noah. Olhei o seu currículo, senhorita Menezes... E pela forma como foi carinhosa com o meu filho, cogitei lhe dar a vaga de babá... Mas...
— Eu entendo. Perdi a minha licença para ensinar crianças da idade do seu filho e ainda corro o risco de perder a minha filha. Acredite... Eu também não confiaria a minha filha a uma pessoa com o histórico que tenho...
Ele suspira e eu me levanto de onde estou, tiro o paletó e deixo na cadeira, saio da sala com os olhos lacrimejando. Por conta de um mal entendido causado por outra pessoa, hoje não passo de um fracasso humano.
Sempre fui desprezada por ser quem sou. E hoje... Corro o risco de perder a minha filha por causa de pessoas sem coração.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 78
Comments
Maria Nunes
Ñossa que coisa triste coitada ja fiquei com dó.
2024-08-23
3
Silvaneide Ágatha
😭😭😭
2024-07-02
2
Silvaneide Ágatha
Tadinha 😢
2024-07-02
1