PEDRO...
— Demitida?! — as lágrimas nos olhos da Anny me doem o coração, mas sei que ela vai entender quando eu terminar de falar.
— Sim, Anny... Como você já sabia, eu te contratei pra cuidar do Noah por conta do meu tempo que muitas vezes não era o suficiente para cuidar dele durante o dia. Mas... Ele me pediu que o colocasse na escola, e foi o que fiz.
— Claro... Entendi.
— Olha, sei o quanto vocês dois se apegaram um ao outro, e não vou interferir na convivência de vocês dois, pelo contrário, acho que acabou de se tornar um pouco melhor.
A Anny está me olhando ainda mais confusa agora. Então dou a vez do Igor falar, o que aumenta o meu sorriso.
— Anny. O Pedro me falou que você é professora, e trabalhava principalmente com crianças entre 3 e 5 anos — ela assente — a minha irmã é professora e sócia de uma escola, que por um acaso, é a mesma que a Luna e agora o Noah, estudam. Eles estavam com uma vaga para professora pelo turno da tarde, para ajudar nas aulas da turminha da Luna e Noah, porque a professora deles está próximo de tirar a licença maternidade.
A Anny está chorando, então me levanto e vou até ela, assim como o Igor levanta e senta ao lado da Carla.
— Princesa — faço carinho no seu rosto — a minha prima Sofi ajeitou a vaga para você, lá na escola. Se você aceitar, já pode começar ir na segunda.
— Mas... A minha licença para ensinar?
— Isso deixe comigo. Não sou um excelente advogado à toa, o Pedro me entregou a investigação que fez sobre você, e te digo, Anny, você foi injustiçada. Se você me permitir, vou dar entrada na justiça para a anularem a acusação que te fez perder a licença.
— Não tenho como pagar advogado, senhor Igor. Porque o senhor acha que perdi a causa? Não pude pagar um advogado competente para me defender, o que pegou o meu caso foi um que a delegacia fornece, mas... As pessoas que me acusaram tinham dinheiro, influência.
A dor com que a Anny fala me corta o peito, assinto para o Igor e ele continua.
— Não se preocupe com me pagar. Isso é o de menos. O meu dever é ajudar pessoas que são injustiçadas, exatamente como você foi. Você não merecia perder o seu emprego, e eu vou recuperar ele. Ou melhor... Já recuperei, se você aceitar a vaga.
— Eu... — noto ela tensa, não faço ideia do que está se passando na cabeça dela agora, ela se afasta um pouco de mim e levanta do sofá — eu preciso respirar um pouco... Com licença.
Tento ir atrás dela, mas o Igor me impede.
— Melhor não... Ela precisa respirar um pouco, Pedro. Foi muita coisa pra cabeça dela. Depois você vai até ela...
— Tenho medo de acontecer algo, Igor.
— Posso ir até ela... — a Carla faz gesto para levantar, mas o Igor segura o pulso dela.
— Não... Agora é a sua vez, Carla.
A morena sentada ao meu lado fica tensa também, posso ver isso pela sua postura que se tornou rígida, ela respira bem pouquinho antes de perguntar:
— Vou ser transferida?
— Só se for para a minha casa — o Igor fala e eu seguro o riso — Carla, gostou das flores?
— Fl... Flores?!
— Sim, não recebeu?
— Foi o senhor? — a Carla pergunta quase sem voz.
— Foi, gostou? — a Carla sorri e concorda — que bom, porque agora quero te dar outra coisa — o Igor levanta e vai até a minha mesa, onde ele deixou um contrato que eu mesmo o ajudei a fazer — quero que assine.
— Assinar?! O que é isso?
— Um contrato de casamento.
— Contrato de casamento?! Como assim?!
— Quero que leia, e se concordar com todos os termos, me fale.
A Carla continua olhando para o Igor como se ele fosse um extraterrestre.
— Bom... Entendam-se vocês dois. Eu vou atrás da minha princesa, que eu tenho certeza, está com a cabeça quase explodindo.
Saio da minha sala deixando o Igor e a Carla sozinhos, procuro pela Anny pelo corredor e não a encontro, vou até a loja e as meninas dizem que ela saiu em direção ao restaurante da minha irmã, franzo a sobrancelha e sigo até lá.
Assim que chego, procuro por ela em todo salão, mas não a vejo, paro um dos garçons e pergunto se a viu, e ele me diz que ela está no terraço.
— Obrigado.
Subo e vou direto até onde tenho certeza que ela está, o jardim. O restaurante da minha irmã, além de ser bem centralizado e atrair um público diversificado por conta da culinária, também atrai os turistas que gostam da sensação de estar em meio ao campo.
Piso no terraço e o grande jardim — boa parte artificial — me impede de ver a Anny imediatamente, ando entre as fileiras de diversas plantas e a encontro parada a beira do parapeito, vendo ao longe, o mar. Essa é uma das minhas vistas preferidas dessa cidade.
— Anny... — ela continua de costas para mim, me aproximo um pouco mais e a ouço fungar — ei, princesa... — ela vira um pouco o rosto para mim e sinto o meu peito doer.
— Porque me enganou, ontem...
— Não enganei, Anny... Porque acha isso?
— Você disse que eu era diferente... Mas agiu como os outros. Usou meu corpo... E agora está me dando um pé na bunda.
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Atualizado até capítulo 78
Comments
Maria Lima De Souza
Acho que Pedro fez de propósito, tipo uma trolagem kkk
2025-04-01
1
Thaliaa Vieira
O contato que ele fala gente é a certidão kkkkkkkkk
2025-02-02
1
Silvaneide Ágatha
🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣
2024-07-02
3