Ivana
A porta da cela se abre de repente. Um soldado de Viktor entra, sério
- O chefe pediu para buscá-la, está pronta? - o soldado pergunta, fazendo-me erguer os olhos para encontrá-lo.
- Sim - respondo, sabendo que não tenho muito além de uma pequena mala com roupas que Viktor trouxe para levar comigo.
O soldado pede que eu o siga e, ao sair da cela, percebo que outro soldado está aguardando. Ele prontamente pega a mala de minhas mãos, sem dizer uma palavra. Sigo escoltada pelos dois homens pelos corredores da sede da máfia.
Enquanto nos aproximamos do corredor onde fica o escritório de Viktor, noto uma mulher de cabelos longos e muito bonita andando de um lado para o outro, parecendo inquieta. Quem será ela? Será alguma ficante de Viktor?
Balanço a cabeça, tentando afastar esses pensamentos. Não tenho o direito de sentir ciúmes, não depois de tudo o que fiz.
A mulher para alguns passos de mim, observando-me com surpresa. Sinto-me um pouco desconfortável, mas forço um sorriso.
- Oi, eu sou... - começo a me apresentar, mas sou interrompida pela mulher.
- A ex-defunta - ela diz, formando um sorriso deboche nos lábios.
- Como? - pergunto, surpresa e irritada com o comentário.
Ela limpa a garganta, colocando uma expressão mais simpática no rosto.
- Desculpe pela brincadeira fora de hora, o ambiente está um pouco tenso e tentei descontrair um pouco... sou Irina, amiga e assistente de Viktor - diz ela, estendendo a mão com um sorriso largo no rosto.
Há algo no olhar dessa mulher que me causa uma sensação ruim, mas decido ignorar e aperto sua mão com um sorriso.
- Prazer em conhecer você, Irina. Espero nos vermos mais vezes - respondo, tentando soar amigável.
Enquanto me afasto pelo corredor com os soldados ao meu lado, sou assustada pelo som de disparos vindos do escritório de Viktor. Olho para trás e vejo Irina correndo desesperada em direção à porta do escritório, batendo nela e gritando. A porta parece estar trancada.
Meus olhos encontram os soldados ao meu lado, buscando respostas em seus rostos.
- Está tudo bem, vamos - diz um dos soldados, me indicando que siga em frente.
Olho novamente para trás e vejo Viktor conversando com Irina, cujas lágrimas caem copiosamente. Seu rosto exibe um misto de tristeza e desespero enquanto ela tenta se comunicar com Viktor. A expressão do meu marido é imperturbável, quase fria. Ele parece extremamente irritado, como se nem mesmo a dor de Irina pudesse entrar em seu coração.
Um nó se forma em meu estômago enquanto observo a cena diante de mim. Mais uma vida foi tirada em nome da máfia. É assim que as coisas são, impiedosas e cruéis. E eu sei, profundamente, que muito provavelmente o mesmo destino aguarda por mim depois que eu tiver o bebê. É um fato brutal que acompanha cada passo que dou nessa vida
Suspiro tristemente, sabendo que não há escapatória. A máfia tem as rédeas sobre mim, controlando meu destino de uma maneira que não consigo escapar.
Os soldados que me acompanham me conduzem até o carro de Viktor. Eles abrem a porta do passageiro para mim, e obedeço, sentando-me no assento. Observo-os colocarem minha mala no porta-malas do carro, dando continuidade à rotina familiar da máfia. As ações são mecânicas, impessoais, como se estivéssemos apenas cumprindo uma tarefa, sem deixar espaço para sentimentos.
Logo, Viktor se aproxima. Ele troca algumas palavras com os soldados e, em seguida, entra no carro, sentando-se no banco do motorista. Sua presença imponente preenche o interior do veículo, enquanto sua frieza permeia o ambiente. Parece que ele não abalou-se com o recente incidente, como se tirar
uma vida fosse algo tão banal quanto respirar.
Enquanto o carro se afasta da sede da máfia, não consigo evitar sentir uma mistura de medo, tristeza e resignação. Minha vida está entrelaçada nessa teia implacável e cruel, onde cada escolha traz consigo um preço doloroso.
Desvio o olhar para a paisagem correndo além da janela, observando as ruas repletas de segredos e conseqüências sombrias. Enquanto seguimos adiante, um futuro incerto se desdobra diante de mim, cercado por uma névoa de angústia e incerteza. Minha única esperança é encontrar alguma luz nessa escuridão, nem que seja por um breve momento, antes que o destino inescapável da máfia me consuma por completo.
O silêncio no carro é ensurdecedor enquanto seguimos pela estrada . Sinto o olhar de Viktor sobre mim pelo canto do olho, enquanto ele mantém suas mãos firmes no volante. Seu rosto está inexpressivo, como sempre, mas conheço Viktor o suficiente para saber que há uma curiosidade escondida em sua mente.
Eu coloco uma mão carinhosamente sobre minha barriga, sentindo os pequenos chutes do nosso bebê. É um hábito adquirido desde o início da gravidez, uma forma de me conectar com essa vida que está crescendo dentro de mim.
Viktor intercala seu olhar entre a estrada à frente e minha barriga
Consigo sentir sua hesitação, seu desejo de perguntar sobre o bebê, mas o orgulho que o consome o mantém em silêncio.
Respiro fundo, reunindo coragem para falar o que está em meu coração.
- O nome dele é Vittorio - digo, meu tom de voz um pouco inseguro, refletindo minha própria incerteza.
Viktor vira um pouco o rosto em minha direção, um olhar confuso em seus olhos. Por um momento, parece que ele foi transportado para uma memória distante.
- Lembro que conversamos uma vez sobre o nome dos nossos futuros filhos. Você mencionou que, se fosse um menino, gostaria de chamar de Vittorio - continuo, o sorriso tímido se formando em meus lábios enquanto acaricio suavemente minha barriga.
A expressão de Viktor suaviza um pouco, uma sombra de sorriso se formando em seus lábios. É um gesto sutil, mas revela um vislumbre de emoção por trás de sua fachada endurecida
- Você havia me dito que não gostava desse nome... pois nem um nome sérvio era - Viktor diz depois de um tempo, quebrando o silêncio que nos envolve.
-Verdade, mas eu aprendi a gostar... - respondo, sentindo uma mistura de emoções enquanto olho para Viktor.
Viktor suspira, um leve traço de vulnerabilidade aparecendo em seu rosto.
- O que te fez mudar de ideia? - ele pergunta, sua voz carregada de curiosidade genuína.
Olho para as luzes que passam rapidamente pela janela, reunindo minhas palavras e tentando encontrar uma forma de expressar o que sinto.
-Quando descobri que estava esperando um filho, tudo mudou em mim. Os nomes deixaram de ser apenas nomes; eles se tornaram uma forma de honrar a conexão entre nós e também as experiências que vivemos. Esse nome é uma forma também de manter ele e eu conectados a você de certa maneira - digo, transmitindo minha emoção através das palavras.
A expressão de Viktor se transforma em surpresa ao ouvir minhas palavras. Parece que minhas palavras conseguiram penetrar em algum lugar dentro dele, tocando uma sensibilidade que eu não sabia que ainda existia.
- Você falando assim nem parece que me fez perder grande parte dessa gravidez, e se eu não tivesse te encontrado, não saberia da existência dessa criança - a voz de Viktor soa repleta de mágoa e raiva.
Meu coração aperta ao ouvir suas palavras carregadas de ressentimento.
Suspiro tristemente, deixando as lágrimas escorrerem livremente pelo meu rosto. Uma onda de tristeza me envolve, lembrando-me dos tiros que ouvi mais cedo, vindos do escritório de Viktor. Mais uma vida foi tirada em nome da máfia e, muito provavelmente, minha vida também será tirada após o nascimento de Vittorio. Gostaria tanto de poder ver meu filho crescer, de estar ao seu lado a cada conquista e dificuldade. Eu o amo tanto.
-Mas agora você estará sempre com ele... Viktor... me prometa que será um bom pai para o nosso filho... - minhas palavras saem em meio ao soluço, minha voz embargada pela tristeza e pela incerteza do futuro.
Viktor desvia o olhar, sua expressão oscilando entre a mágoa e a raiva. A confusão em seus olhos é visível, refletindo a luta interna que ele enfrenta. Ele é um homem endurecido pela vida e pelas circunstâncias, mas ainda há uma centelha de humanidade dentro dele.
-Eu prometo - diz ele, finalmente retornando seu olhar para mim.
- Farei o possível para ser um bom pai para ele.
Uma sensação agridoce de alívio e tristeza toma conta de mim ao ouvir suas palavras. Eu sei que não será uma tarefa fácil para Viktor, pois a máfia sempre estará presente, cobrando sua lealdade. Mas pelo menos agora tenho a esperança de que ele lute por nosso filho .
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Atualizado até capítulo 38
Comments
Valeria De Oliveira pereira
maisssssssss !!!!!
2023-12-13
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