Capítulo Dezoito

Viktor

As negociações com Carlos, o boliviano, finalmente chegaram ao fim, com ambas as partes satisfeitas. Uma onda de alívio e excitação toma conta de mim ao perceber o sucesso do acordo. Já posso ver nossos negócios se expandindo pela América Latina, assim como Marko já o fez pela Europa. Carlos deixa meu escritório de bom humor, seus passos leves e animados ecoando pelo corredor.

- Você se saiu muito bem, o pagamento já está na sua conta," digo a Irina

Irina me agradece antes de encolher os ombros e sorrir de forma enigmática.

- Obrigada, mas eu gostaria de pedir outra recompensa... se não for muito... abuso- diz ela, dando um passo adiante.

- O que é?

Irina hesita antes de se lançar diretamente no assunto.

- Vamos para um pub aqui perto, beber e comemorar...

- De novo com isso? Irina, coloque uma coisa na sua cabeça, eu sou o seu chefe e não seu amigo, ou sei lá o que você pensa que eu possa ser, nosso relacionamento é estritamente profissional e vai continuar assim- corto a conversa já irritado com a situação.

- Não é isso- Irina protesta, jogando os cabelos para trás e apoiando-se na mesa.

- Não me entenda mal Viktor, mas eu percebi que você tem estado muito tenso e eu quero ajudar... você não parece mais o mesmo depois que ela voltou...

- Ela?- Pergunto, não conseguindo esconder o tom agudo de surpresa na minha voz.

Irina empalidece, parecendo ter cometido um erro. - Ela quem ?- Insisto, minha irritação crescendo a cada segundo de silêncio.

- Ivana...minha tia acabou me contando acidentalmente que você tinha encontrado Ivana...- Ela gagueja, suas palavras deixando um rastro de cobras venenosas em meu estômago.

Um rugido de pura ira explode dentro de mim. Eu havia sido claro. Muito claro. Apenas Veta e alguns soldados sabiam que eu havia encontrado Ivana e eu havia proibido expressamente que qualquer pessoa fosse informada até que eu decidisse o que fazer com ela. Sinto o sangue ferver, a sensação de traição corta mais fundo que qualquer lâmina. Eu me levanto abruptamente, minha cadeira batendo na parede atrás de mim.

- Vocês contaram para mais alguém? - Pergunto, minha voz se mantém baixa e ameaçadora.

Mesmo através da minha ira, posso ver o medo nos olhos de Irina.

- Não...- ela balbucia

- Diga a verdade- comando a Irina, minha voz afiada como uma adaga. Sinto-me como um felino encurralado, pronto para atacar.

- Estou falando... Minha tia, sem querer, acabou me contando, mas da minha boca não contei para ninguém. Eu juro- Irina balbucia, as palavras tropeçando umas nas outras em seu pânico.

Ela trava e olha para mim, com olhos que eram o reflexo do medo bruto.

- Por favor, não faça nada com minha tia, ela não fez por mal...

- Ah, ela nunca faz, não é?- O riso que escapa dos meus lábios é curto e amargo. Meus olhos ainda cravados em Irina, dou uma ordem definitiva

- Vá chamar a sua tia.

- Viktor...- Irina começa a protestar, mas não estou no estado de espírito para argumentar ou discutir. Estou à beira do meu limite.

- Vá!- Meu grito a interrompe. A palavra explode do meu peito e Ivana se levanta de repente, seus passos crispados e apressados carregando-a para fora do escritório.

Enquanto eu espero, pego o telefone e peço a alguns de meus soldados para buscaram Ivana em sua cela.

Poucos minutos depois, a porta se abre novamente e Irina entra com Veta a tiracolo. Assim que as duas entram, dou a Irina um olhar que ela entende imediatamente.

- Espere do lado de fora, Irina- resmungo, vendo seus olhos se arregalarem. Sem emitir nenhum outro som, ela se vira e sai, deixando-me sozinho na sala com Veta.

Com os punhos cerrados de raiva, eu observo Veta, cada célula do meu corpo zumbindo com frustração e ressentimento. Todo o ar dentro daquela sala parece carregado de tensão, uma tempestade esperando para explodir.

- Lembra da nossa última conversa, Veta?- minha voz está calma, mas impregnada de autoridade, quebra o silêncio tenso

- S... Sim, senhor- ela gagueja, com seus olhos refletindo nervosismo.

- Eu te dei uma chance, mas você insiste em não me obedecer. Sabe o que acontece com quem descumpre minhas ordens, não é?- Eu observo cada reação, cada sutil tremor em seu corpo trêmulo.

Relembro as palavras impiedosas de meu pai, ecoando como uma maldição que moldou minha existência na máfia.

"Não existe segunda chance, não existe misericórdia."

Ele repetia isso enquanto me afogava na banheira , e tinha cometido o grande erro de o enfrentar para tentar defender minha mãe que ele espancava ,a imagem da banheira, do afogamento , surge em minha mente, é impossível descrever o desespero que senti naquele dia , eu tinha dez anos e minha vida teria chegado ao fim de Marko não tivesse aparecido para me salvar, ele bateu na cabeça de meu pai com um pedaço de madeira, a força foi tanta que o velho desmaiou e pensávamos que ele havia morrido, infelizmente ele sobreviveu e Marko teve que enfrentar as punições por tal ousadia.

Desvio o pensamento, focando novamente em Veta.

Talvez o maldito do meu pai estivesse certo

-O senhor... vai... me demitir?- sua voz trêmula quebra o silêncio, e sei que ela está prestes a enfrentar as consequências.

- Sim... mas não do trabalho e sim dessa vida- declaro, e o brilho nos olhos de Veta se desvanece. Ela mal tem tempo para processar minhas palavras, pois, com movimentos calculados, retiro o revólver da cintura. O clique metálico ecoa na sala, antecipando o destino inevitável.

Veta empalidece, sua expressão uma mistura de desespero e resignação. Os flashes do passado, do código inabalável da máfia, reforçam minha decisão. Sem hesitar, descarrego o revólver contra ela

O odor acre da pólvora permeia o ar enquanto observo o corpo de Veta cair, um peso a menos em meus ombros.

O escritório agora impregnado com o eco do disparo, testemunha mais uma sentença executada na penumbra da máfia

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Comments

Wal Laranjeira

Wal Laranjeira

Veta tem uma língua 😛 solta

2023-12-12

0

Valeria De Oliveira pereira

Valeria De Oliveira pereira

só isso ? poxa autora !!!!

2023-12-12

0

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