Viktor
Seguro o resultado do exame nas mãos, as palavras impressas ali parecem carregar um peso insuportável. Ivana mentiu tanto para mim que não consigo acreditar mais em nada que venha dela. Por isso, mandei fazer o teste de paternidade. Meu coração martela no peito enquanto examino o resultado.
Sim, sou eu o pai
Uma enxurrada de emoções me atinge. Apesar de toda a mágoa e raiva, é um alívio saber que Ivana não ficou com outro homem. Eu serei pai, e dessa vez é a verdade. As lágrimas escorrem teimosamente pelos meus olhos, e não consigo contê-las.
Antes que eu possa me recompor totalmente, ouço batidas na porta do meu escritório. Rapidamente, enxugo as lágrimas, odiando que alguém possa me ver chorando. O chefe da máfia não deve demonstrar fraqueza.
- Entre - digo, mantendo a voz firme. Filip, meu irmão mais novo, adentra o escritório.
Coloco o teste de paternidade no meio dos outros papéis e olho para ele, tentando manter uma expressão impassível.
-Está tudo bem? - Filip pergunta, e tenho certeza de que ele notou meus olhos vermelhos devido ao choro.
- Sim, o que você quer? - respondo, suspirando profundamente, não desejando discutir minhas emoções com ele.
Filip, no entanto, não é facilmente enganado. Ele me observa atentamente por um momento, seus olhos desvendando o que fica abaixo da superfície. É uma característica que nos ajuda em nosso mundo de segredos e traições. Ele sabe que algo está errado, mas, ao contrário de muitas vezes, não pressiona para obter uma explicação imediata.
-Já escolhi minha noiva - ele declara, um sorriso travesso brincando em seus lábios.
- Quem será?- pergunto, curioso, aproveitando a chance de desviar nossa conversa para um assunto mais mundano.
Filip me lança um olhar cúmplice, e posso ver a excitação brilhando em seus olhos enquanto ele se prepara para compartilhar a novidade
- Isabella Gutierrez - ele anuncia
Isabella é filha do chefe de uma das máfias mexicanas, e com apenas dezoito anos, ainda não foi prometida a ninguém em casamento. Ela foi criada e devidamente educada sob os moldes da máfia, o que faz dela uma escolha promissora para fortalecer nossas conexões internacionais.
- Ótimo, entrarei em contato com Alejandro Gutierrez, pai de Isabella - digo . O nome de Alejandro Gutierrez ecoa na minha mente, enquanto começo a traçar planos para essa nova aliança que pode fortalecer nossa influência na América Latina.
Filip assente
- Até que você aceitou bem essa ideia de casamento para um homem que odiava pensar em estar preso a alguém pelo resto da vida , o que te fez escolher Isabella?- Pergunto erguendo uma sombrancelha
- Todos precisam se acalmar um dia, certo? E Isabella é uma escolha inteligente,Além disso, acredito que não é bom carregar o peso do mundo nas costas para sempre. - Ele pisca para mim, como se estivesse me dando um conselho disfarçado.
Assinto
-Certo, assim que resolver as coisas com Alejandro, eu te chamo - digo, planejando os próximos passos em minha mente.Mas então, percebo que Filip está inquieto.
Seu comportamento muda, e ele parece querer dizer algo importante.
- O que é? - pergunto, encarando-o.Filip hesita por um momento e, finalmente, encontra a voz.
- E... quanto a Ivana? Você disse que a pegou. Onde ela está? - Filip pergunta, preocupado. Ele sempre tratou Ivana como uma irmã mais velha
Fico tenso com a pergunta de Filip. Minha relação com Ivana é complicada e carregada de ressentimento. Seu passado é um quebra-cabeça do qual conheço apenas algumas peças.
-Isso não é da sua conta - respondo com um toque de estresse
-Ok... Ok... Só peço que não tome uma atitude que o faça se arrepender depois, converse com ela primeiro irmão - Filip diz, sua preocupação sincera refletida em seu rosto.
Respiro fundo, percebendo que Filip está certo. Minhas emoções com relação a Ivana estão em ebulição, mas uma decisão impulsiva pode ter consequências desastrosas.
- Se é só isso que tinha para me dizer, pode sair - falo para Filip, que assente e deixa meu escritório.
Após a saída de Filip, sinto uma inquietação que não consigo ignorar. Decido sair do meu escritório e caminhar até a cela onde Ivana está detida. Hesito por um momento antes de destrancar a porta.
Quando entro, vejo Ivana deitada na cama. Ela está dormindo, sua respiração tranquila, e alguns fios de cabelo caem sobre o rosto delicado. A visão dela me deixa momentaneamente sem palavras.
Pego uma cadeira e a coloco ao lado da cama, me sentando. Observo Ivana em silêncio. Não tenho certeza do que estou fazendo, mas uma parte de mim não consegue resistir à necessidade de vê-la de perto, de saber que está bem
A lua ilumina fracamente o cômodo, lançando sombras suaves sobre o rosto de Ivana. Seu semblante está sereno, e por um momento, todas as brigas, mentiras e traições parecem desaparecer. É apenas ela e eu, separados por uma frágil cadeira de madeira.
- Eu te amo- sussurro confessando a ela, com a dor irradiando de minha voz.
- Eu te amo porque você salvou a minha vida, e porque você carrega no seu ventre um pedacinho de mim.- As palavras parecem dançar no escuro, uma melodia triste de amor e perda.
- Uma criança pela qual eu já sinto um amor incondicional.
Ela suspira no sono e sinto meu corpo se contrair involuntariamente, ecoando em meu coração uma tristeza abissal.
- Mas eu também te odeio - murmuro, quase em um rugido, uma tempestade de ressentimento fervendo dentro de mim.
- Porque você me matou.
A dor de suas traições, das mentiras perfurando meu peito como flechas envenenadas.
- Você me matou com suas mentiras... fez eu me sentir um pai... e então tirou isso de mim. Você me fez sofrer pela morte de um filho que nunca existiu.
Fecho meus olhos, o gosto amargo da traição e da decepção inundando minha boca. A presença de Ivana ao meu lado é ao mesmo tempo um bálsamo para a dor e a lâmina que aprofunda a ferida aberta.
Assim, sentado na escuridão, sussurro para ela, expondo minha dor, meu amor, meu ódio. Um turbilhão de emoções que me rasga, a agonia e o êxtase de amá-la, a crueldade de odiá-la, tudo tão entrelaçado que não consigo dizer onde um sentimento termina e o outro começa.
-Sua vida estava em risco eu entendo...mas você não deveria ter mentido para mim ...Não deveria ter brincado com meu coração... Eu tinha o direito de saber a verdade
-Eu te amo- repito, as palavras saindo de mim como uma prece silenciosa.
- E eu te odeio
Não sei se Ivana me ouviu, se ela entende o mar de contradições no qual me tornei. Não sei se isso importa. Só sei de uma coisa: o amor e o ódio que sinto por Ivana, por mais duros e inescrutáveis que sejam, são a prova de que estou vivo... de que ainda sinto, de que ainda sou humano.
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Atualizado até capítulo 38
Comments
Wal Laranjeira
Poxa! Viktor está em um dilema entre o amor e ódio . Eu acho que ela tem que aproveitar desse momento pra restaurar essa fagulha de amor que ele ainda sente por ela e tentar restaurar esse amor
2023-11-28
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