Capítulo Cinco

Ivana

O meu corpo desperta, mas a escuridão me envolve. Estou deitada sobre uma superfície dura, desconfortável, e sinto o cheiro forte de terra ao meu redor. Zonza, tento me levantar, mas não há espaço para isso. Tudo está escuro, apertado, e começo a entrar em pânico.

É como se eu estivesse... dentro de um... caixão?

Meu coração dispara em meu peito, e o ar parece rarefeito. As memórias da carta de despedida, das pílulas, da queda no chão do hospital, tudo retorna à minha mente de uma só vez. E eu percebo o terrível erro que cometi.

Desesperada, estico a mão o máximo que posso, conseguindo tocar a parte de cima do caixão. Minhas unhas arranham a madeira, e eu começo a bater freneticamente. Grito por socorro, minha voz ecoando no espaço confinado.

- Socorro! Alguém me ouça! Por favor!

Mas o silêncio é minha única resposta. Estou sozinha, enterrada viva, presa em meu próprio túmulo. O terror se apodera de mim, e eu continuo a lutar, a bater, a gritar, mesmo sabendo que a escuridão e o silêncio são meus únicos companheiros.

Desesperada, eu continuo a gritar, bater e arranhar a tampa do caixão, como se isso fosse me libertar desse pesadelo. A escuridão parece pressionar contra mim, sufocante.

No entanto, minha agonia é interrompida quando ouço sussurros do lado de fora do caixão. Uma voz familiar chega aos meus ouvidos, uma voz que me enche de alívio.

- Ivana, sou eu, Zora. Já vamos te tirar daí, mas pare de gritar, senão podem nos ouvir.

As palavras de Zora me alcançam como um raio de esperança. Eu paro imediatamente de gritar, tentando controlar minha respiração acelerada. Minutos depois, sinto o caixão sendo aberto. A tampa se ergue, revelando o rosto aliviado de Zora à luz fraca da noite.

- Quem são essas pessoas? Não sabia que me enterrar viva fazia parte do plano - digo, ainda confusa e um pouco irritada.

- Era a única forma de te tirar das garras dos Kovak, mas agora não temos tempo para mais explicações. Precisamos ir, com o tanto que você gritou, é possível que tenham escutado. Precisamos sair daqui - Zora sussurra e me ajuda a sair do caixão.

Enquanto sou puxada para fora, ouço uma voz masculina sussurrando:

- Vamos, vou acompanhá-las até um local seguro, vocês dois cuidem de tudo.

Com a ajuda de Zora e do homem, saímos pelos fundos do cemitério, pulando o muro, apesar de minha perna estar ferida o tiro que Marko deu foi de raspão e o remédio aliviou bastante a dor então não encontrei muita dificuldade de pular o muro. A adrenalina corre em minhas veias enquanto sigo Zora até um carro. Ela se senta ao volante, eu no banco de trás, e o homem vai para o carro de trás. Zora inicia o carro e começa a dirigir.

- Não se preocupe, amiga, logo estaremos bem longe daqui - Zora diz com um sorriso, mas algo parece estranho em sua expressão.

Eu a encaro com desconfiança, tentando entender o que realmente está acontecendo. O alívio de estar fora do caixão é imenso, mas o mistério ao meu redor parece crescer a cada minuto que passa.

Enquanto Zora dirige, minha mente está cheia de perguntas e preocupações. Eu encaro Zora com desconfiança, esperando respostas.

Finalmente, não consigo mais conter minha curiosidade.

- Zora, o que está acontecendo? Como você conseguiu fazer tudo isso em tão pouco tempo? E quem eram aqueles homens que nos ajudaram?

Zora sorri de maneira animada e vira brevemente para me olhar antes de voltar a atenção para a estrada.

- Calma, Ivana, tudo vai ficar bem. Eu consegui novas identidades falsas para nós duas, e tenho alguns disfarces no porta-malas. Além disso, tenho duas passagens para o Reino Unido. É para lá que vamos, onde você poderá começar uma nova vida.

As palavras dela me deixam perplexa. Como Zora conseguiu armar tudo isso tão rapidamente? E quem eram aqueles homens que nos ajudaram?

- Quem eram aqueles homens? E como você fez tudo isso?

Zora mantém o olhar na estrada, seu sorriso se desvanecendo um pouco.

- Os homens? Eles são meus primos. Confio neles completamente. E, quanto ao resto, digamos apenas que tenho alguns contatos que me ajudaram a resolver tudo em tempo recorde. Você precisa se acalmar, Ivana. Estamos no caminho certo.

A tensão no carro é palpável enquanto continuo a me sentir desconfortável com toda essa situação. Confio em Zora, mas tudo aconteceu tão rápido, e algo dentro de mim ainda se sente inquieto.

Em silêncio, observo a paisagem passar pela janela enquanto Zora dirige. Horas se passam desde que escapamos do cemitério, e agora estamos indo a uma pequena casa de campo dos tios de Zora, onde planejamos nos trocar e descansar antes de nossa viagem para o Reino Unido. Os primeiros raios de sol começam a iluminar o horizonte.

No momento em que o carro está passando sobre uma ponte , o que parece ser um pesadelo se desenrola diante de nossos olhos. Um carro surge na contramão, e outros carros se aproximam, cercando o nosso veículo.

Meu coração dispara quando vejo Marko descer de um dos carros, seguido por Viktor de outro. O pânico toma conta de mim enquanto Marko parece furioso e Viktor irradia uma raiva intensa. Não há para onde fugir, e a sensação de prisão se fecha ao meu redor.

Marko se aproxima do carro em um piscar de olhos, e sem hesitação, ele abre a porta do motorista, puxando Zora do carro com força. No mesmo instante, Viktor abre a porta de trás do veículo e me puxa pelo braço com força

Estamos nas mãos deles, e minha mente começa a girar em busca de alguma maneira de escapar dessa situação. A sensação de pânico me envolve, e minhas tentativas de falar são sufocadas pelo medo.

O ódio intenso nos olhos de Viktor é quase palpável, e suas palavras cortam como lâminas afiadas.

- Estava indo para algum lugar, querida?

Ele segura meu braço com tanta força que sinto que vai quebrá-lo. Marko, por sua vez, está segurando Zora pelo pescoço, sua expressão aterrorizante.

- Achou mesmo que eu não descobria a verdade? ... para onde estavam indo?- Marko pergunta a Zora com um olhar assustador

Zora está em pânico e não consegue responder.

O pânico me envolve, e minhas palavras se perdem. Eu fugi da morte, mas parece que ela continua me perseguindo, e agora é certo que minha sentença está selada. Não posso suportar a ideia de ser morta pelo homem que ainda amo, mas depois de tudo o que fiz, sei que é exatamente o que me espera.

Então Marko tira a arma da cintura e coloca na cabeça de Zora , um tiro ecoa no ar, e o mundo ao meu redor entra em colapso. Zora cai no chão sem vida, e outro tiro ressoa quando um dos soldados de Marko faz o mesmo com o homem que estava no carro de trás.

Meu coração dispara, e o terror toma conta de mim. Viktor olha para mim com um olhar indecifrável.

- Está com medo? - ele pergunta, com um sorriso assustador.

Minha boca está seca, e estou petrificada demais para responder. Viktor me puxa para dentro de um carro, e minhas tentativas de me soltar são inúteis. A sensação de desespero se intensifica enquanto minha vida toma um rumo ainda mais sombrio.

A adrenalina corre nas minhas veias quando Viktor me coloca dentro do carro e fecha a porta. Antes que ele possa trancá-la, encontro forças que nem eu sabia que tinha e consigo abrir a outra porta. Estamos no limite da mureta da ponte, com um rio escuro fluindo embaixo de nós.

Minha perna lateja de dor quando me arrasto para cima da mureta . os olhos de Viktor se arregalam quando ele corre em minha direção, mas não penso duas vezes.

Com um último suspiro, sem pensar no que me espera nas águas escuras abaixo, me jogo no rio.

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Comments

Sonia Silva

Sonia Silva

poxa demora muito pra atualiza

2023-11-07

0

Sonia Silva

Sonia Silva

bom demais kkk quero mas mas vc e 10

2023-11-05

0

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