Viktor
Estou focado na estrada à minha frente, mas posso sentir o olhar de Ivana sobre mim. Os sentimentos dentro de mim estão em ebulição, uma confusão avassaladora de raiva, saudade, dor e amor. É uma mistura tão intensa que parece querer me enlouquecer.
Fui ao inferno quando acreditei que Ivana tinha morrido. Cada dia sem ela era uma tortura, e sua suposta morte deixou um vazio em minha vida que parecia insuperável. E agora, aqui está ela, viva e grávida.
Mantenho meus olhos fixos na estrada, tentando controlar as emoções que ameaçam me consumir. O passado e o presente se chocam dentro de mim, criando um turbilhão de sentimentos que mal consigo entender.
O carro finalmente chega ao local onde os chefes da máfia da Sérvia costumam usar um avião particular para seus deslocamentos internacionais. Estamos em um local remoto, escondido dos olhos curiosos. O motorista estaciona o carro.
Pego Ivana no colo, sentindo o peso de suas mentiras e o olhar inquisidor e preocupado dela sobre mim. Eu trouxe um gás sonífero, inicialmente planejando usá-lo para facilitar sua remoção, mas, ao perceber que ela está grávida, decidi não arriscar prejudicar o bebê.
Enquanto a levo para dentro do avião, não posso deixar de me sentir irritado com todas as mentiras de Ivana. Ela escondeu sua gravidez de mim, construiu uma vida secreta, e agora eu me encontro nessa situação perigosa e imprevisível com ela. A raiva que sinto é avassaladora, mas ainda há uma parte de mim que não consegue deixar de amá-la.
A dúvida começa a se insinuar em minha mente. Será que esse filho é mesmo meu? As mentiras e enganos de Ivana me levam a questionar tudo o que achava que sabia. Marko já me contou sobre sua conversa com ela, e agora tenho uma compreensão parcial do que a motivou a forjar essa teia de mentiras.
Mas o que me enfurece é o porquê de Ivana não ter contado a verdade para mim desde o início. A sensação de estar carregando nos braços uma mulher completamente diferente daquela que conheci é perturbadora.
Ao colocá-la no assento do avião, observo o interior luxuoso da aeronave. As poltronas de couro macio e os detalhes em dourado refletem a riqueza e o poder de nossa vida na máfia. No entanto, esse luxo não é capaz de dissipar a tempestade de emoções que me atormenta.
O avião decola, e o silêncio se instala dentro da aeronave luxuosa. Estamos a caminho da Sérvia, e o que fazer com Ivana é uma incógnita. Tento ao máximo ignorar a presença de minha esposa ao meu lado, mas é uma tarefa difícil.
Sinto-me atraído por ela, mesmo que minha raiva seja um fogo que queima intensamente. É um turbilhão de sentimentos, todos se misturando em meu peito.
Ainda não sei qual será o destino de Ivana. A máfia é implacável, mas o fato de ela estar grávida torna tudo mais complexo. A única certeza é que, uma vez na Sérvia, ela terá que enfrentar as consequências de suas ações. O silêncio impera na cabine, mas o peso da situação é quase palpável.
Ivana
O avião pousou de volta na Sérvia, e uma sensação de apreensão me dominou. Eu queria puxar assunto com Viktor, mas decidi me manter em silêncio. A atmosfera era tensa, e qualquer palavra poderia desencadear uma explosão.
Viktor me carregou nos braços para a sede da máfia, e o lugar me pareceu sombrio e intimidante. A área subterrânea era ainda mais opressiva. Os corredores eram estreitos e mal iluminados, e cada passo me aproximava mais do meu destino incerto.
Finalmente, chegamos em frente a uma porta. Um dos soldados de Viktor a abriu, revelando um pequeno quarto com uma cama no centro, uma pequena estante e uma porta que provavelmente dava acesso a um banheiro. Era um espaço simples, mas não tão sujo quanto uma cela de prisão.
Viktor me colocou cuidadosamente em cima da cama e se abaixou para desamarrar meus pés e, em seguida, minhas mãos. Seus dedos tocaram meu pulso enquanto fazia isso, e uma onda de eletricidade percorreu meu corpo. Era difícil entender o que ele estava pensando ou sentindo naquele momento, mas eu sabia que estava em uma situação delicada e perigosa.
Quando terminou, Viktor finalmente falou comigo, sua voz carregada de rudeza e raiva.
- Você ficará aqui, e agradeça por estar grávida, porque senão você iria para o "Inferno" junto com os outros prisioneiros.
Ouvir a palavra "Inferno" enviou arrepios pela minha espinha. O "Inferno" era uma área sombria e isolada da sede da máfia sérvia, onde prisioneiros e traidores eram levados. Lá, eles eram submetidos a torturas implacáveis, tanto físicas quanto psicológicas, dia e noite, sem parar, nas mãos de Marko ou Viktor. Eu nunca tinha visto aquele lugar pessoalmente, mas havia escutado histórias horríveis sobre o que acontecia lá.
Antes que eu pudesse responder ou protestar, Viktor saiu do quarto, batendo a porta atrás de si. Fiquei sozinha naquele quarto pequeno e sombrio, sentindo o peso do silêncio e da incerteza ao meu redor.
Eu me deito na cama, sentindo-me exausta, triste e confusa. Minha mente está cheia de perguntas sem respostas, e a incerteza sobre o meu futuro me atormenta. Acaricio suavemente minha barriga, sentindo o movimento do meu filho. Ele é a única fonte de conforto neste momento tumultuado.
O tempo parece se arrastar, e minha solidão é quebrada quando a porta se abre, revelando uma mulher vestida de branco acompanhada por Viktor. Ela é uma enfermeira, e meu coração afunda enquanto percebo o motivo de sua presença. Viktor quer um teste de paternidade.
A enfermeira tenta ser gentil ao explicar o procedimento, mas eu me sinto invadida e irritada com a situação. A ideia de que Viktor duvida da paternidade de nosso filho é dolorosa e insuportável.
- Não é necessário esse teste, eu não sou tão imoral quanto você... não te traí, Viktor - digo com raiva, relembrando a traição dele
A gargalhada assustadora de Viktor ecoa no pequeno quarto, deixando-me arrepiada e desconfortável. A enfermeira ao lado dele parece um pouco sem graça e inquieta com a tensão no ar.
- Ainda se acha no direito de questionar minhas atitudes depois de tudo o que fez? Você é tão traidora quanto eu - Viktor diz com raiva, suas palavras pesadas como pedras.
Sinto meu sangue ferver diante de sua acusação, e viro as costas para Viktor, afastando-me dele.
- Eu fui obrigada a fazer o que fiz... já você fez por escolha... não vou fazer esse teste - declaro com determinação, recusando-me a ceder a mais uma de suas demandas.
No entanto, Viktor não me deixa escapar tão facilmente. Ele se aproxima rapidamente, segurando meu braço com força, não o suficiente para machucar, mas o bastante para mostrar sua autoridade.
- Ivana... eu não estou te dando escolha. Vai colaborar, ou prefere que eu mesmo tire o sangue? - Viktor diz, sua voz dura e implacável. Encontro seu olhar, cheio de raiva e desconfiança, e percebo que não tenho escolha a não ser obedecer.
Tento me soltar do aperto de Viktor, mas é inútil. Ele é obviamente mais forte do que eu. Viktor dá um sorriso sarcástico e, finalmente, solta meu braço.
- Pode colher o sangue - ele diz à enfermeira, enquanto eu me sento na cama e estendo o braço obedientemente.
A enfermeira faz seu trabalho e depois se dirige à porta para sair. Viktor também se prepara para partir, mas antes que ele possa sair completamente do quarto, vou até ele e seguro sua mão com força. Ele para instantaneamente, e seu olhar desce para nossas mãos unidas.
Percebo que Viktor ainda usa a aliança de casamento, assim como eu. Sua expressão suaviza um pouco, e é então que tomo coragem para falar.
- Você não vai mesmo ouvir o que eu tenho a dizer? - pergunto a ele, um pouco irritada.
No entanto, a expressão de Viktor se endurece novamente, e ele puxa sua mão, saindo do quarto e trancando a porta atrás de si. Mais uma vez, fico sozinha, em um lugar que se tornou cada vez mais claustrofóbico e hostil.
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Atualizado até capítulo 38
Comments
Simone Avellar
Que nervoso ooo a falta de comunicação ferra o juízo de qualquer um!!
2023-11-28
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