Capítulo Dezesseis

Viktor

Dirijo através das ruas escuras da cidade, mas minha mente ainda está com Ivana. A verdade é que eu deveria matá-la. Mas eu não posso.

Ainda a amo e, Deus, como odeio admitir isso! E ainda tem o fato de que eu não seria capaz de matar a mãe do meu filho.

Perdido em meus pensamentos, eu me lembro do dia em que invadi o apartamento de Ivana. Lembro-me do nervosismo e da antecipação que senti. A imagem do quarto do bebê que ela preparou ainda está fresca em minha mente. Ela tinha decorado todo o lugar em tons de azul. No meio, o berço, como o centro de um universo que ela havia criado para o nosso filho. Eu presumi que ela estava esperando um menino.

Quanto ao nome? Me pergunto se ela já escolheu um para o bebê. Será que seria um nome tradicional ou algo mais moderno?

Sou arrancado dos meus devaneios quando chego no apartamento, um lugar mais seguro do que a sede da máfia. Assim que entro, sinto a necessidade de um banho. Preciso lavar o dia de mim.

A água quente do chuveiro cai sobre mim, lavando a tensão e o cansaço do meu corpo. Enquanto isso, o pensamento da atitude de Veta com Ivana passa pela minha mente. A forma como ela ignorou as necessidades de Ivana, a deixando com fome... a raiva volta a ferver em meu peito. Reter minha mão ao lidar com Veta foi difícil. A única razão pela qual ainda está viva é porque não quero problemas com Irina.

A imagem dela - Irina – se materializa em minha mente. Não é por carinho ou amor, mas pelo respeito profissional que veio à medida que trabalhávamos juntos nos negócios. A mulher ia se provar bastante útil nos negócios no exterior.

No entanto, todo sentimento estritamente pessoal por Irina é inexistente. Não posso me dar ao luxo de desenvolver quaisquer sentimentos por outra mulher quando meu coração ainda pertence a Ivana, por mais complicada e dolorosa que essa realidade possa ser.

Encerro o banho de maneira abrupta, o calor da água já tendo feito sua parte em acalmar meus músculos tensos. Apreciei o silêncio vazio durante aqueles poucos momentos, livre das exigências do mundo lá fora.

Agarro uma toalha, me secando rapidamente antes de vestir um pijama. O tecido suave parece uma pequena oferta de conforto, um lembrete familiar de tempos mais simples. Sinto um cansaço profundo se estabelecer em meus ossos, cada célula do meu corpo gritando por descanso.

Por mais que tente, o sono parece me escapar. Cada vez que fecho os olhos, sou assaltado por pensamentos de Ivana - seu riso, seu sorriso e até mesmo sua decepção.

As últimas semanas, não, os últimos meses têm sido um redemoinho de medo, incertezas e insônia. Minha mente constantemente atormentada pela preocupação e as noites constantemente interrompidas por pesadelos. Parece que desde que o problema com Ivana começou, a paz tem sido uma memória distante.

Ainda assim, fecho os olhos, na esperança de que o sono venha, mesmo que por apenas algumas horas. Preciso do descanso, porque sei que o amanhã trará seus próprios desafios. E enquanto eu for capaz, continuarei a lutar, continuar a proteger o que é importante para mim.

...

Estou sentado à mesa, rodeado pelos líderes das várias facções que estão sob a minha influência. A atmosfera é tensa, pois discutimos os problemas que estamos enfrentando e buscamos possíveis soluções para superá-los. Cada um dos capos expressa sua opinião, debatendo e oferecendo perspectivas únicas.

Nesse momento, meu olhar recai sobre Irina. Ela é uma peça fundamental em uma missão importante na América Latina.

Curioso para saber sobre o progresso da missão, eu a encorajo a compartilhar as novidades.

-Irina, como está a situação com Carlos? Onde estamos nesse processo?- pergunto, mantendo um tom calmo e controlado.

Ela se inclina para a frente, sabendo que toda a atenção está em suas palavras.

- A missão está avançando conforme o planejado. Estabeleci um contato inicial com Carlos e consegui despertar seu interesse em nossa oferta. A demonstração do Arsenal foi um sucesso e ele demonstrou genuíno interesse em estabelecer uma parceria conosco

Assimilo as informações, ponderando sobre os próximos passos.

- Ótimo trabalho, Irina. Continue cultivando essa conexão e fortalecendo o relacionamento com Carlos. Garanta que ele entenda o potencial e a confiabilidade de nossa organização. Estaremos prontos para avançar assim que tivermos a confirmação dele- respondo, enfatizando a importância de garantir o interesse de Carlos.

Os capos ao redor da mesa demonstram sua aprovação pelas notícias, sinalizando a confiança em Irina e em nossa estratégia. A reunião continua, com cada líder compartilhando atualizações e discutindo planos futuros. Como chefe da máfia, minha responsabilidade é garantir que todos estejam alinhados e trabalhando juntos para alcançarmos nossos objetivos.

Olhando para Filip, faço um gesto com a cabeça, indicando que ele tem a palavra.

- Filip, o que você tem a relatar? Como estão as operações em sua facção?- Minha voz ressoa com um tom de autoridade, mas com um toque de familiaridade fraternal.

Filip assume uma postura confiante enquanto compartilha suas atualizações.

- as coisas estão progredindo bem em nossa área. Conseguimos expandir nosso controle e estabelecer novas conexões comerciais. Além disso, nossas operações estão funcionando sem contratempos significativos

Eu assinto, satisfeito com o relato de Filip

A reunião finalmente chega ao fim e os homens saem da sala, deixando apenas eu e Irina para trás. Enquanto me preparo para sair, Irina se aproxima de mim com uma expressão preocupada.

- Minha tia chegou em casa ontem bastante assustada... Ela disse que acabou te deixando nervoso. Eu queria pedir desculpas por ela - Irina diz, seus olhos fixos nos meus.

Eu apenas assinto, aceitando suas desculpas. Não estou interessado em prolongar a conversa ouvir justificativas.

- Ela acaba fazendo algumas besteiras às vezes, mas não é por mal - Irina continua a falar, mas interrompo seu discurso com um sinal para que ela pare.

Não estou no humor para ouvir desculpas. Meus pensamentos estão em outro lugar

No entanto, esses pensamentos são abruptamente interrompidos quando um dos soldados se aproxima apressado de mim. Sua expressão carrega um tom de urgência e preocupação.

- Chefe... sua esposa não está bem. A copeira a encontrou inconsciente na cela - ele diz, suas palavras perfurando meu coração como uma flecha. Meu ritmo cardíaco dispara instantaneamente.

Sem pensar duas vezes, eu saio correndo em direção à cela. As preocupações e as tensões da reunião desaparecem em um instante, substituídas por uma enxurrada de medo e incerteza

Chego à cela e a visão me atinge como um golpe. Ivana está deitada no chão, imóvel e pálida

Sua pele pálida ficou tensa e gritei para alguém chamar um médico. Quando o médico finalmente chega, mal consigo respirar. Apesar das numerosas adversidades que enfrentei em minha vida, nada poderia me preparar para o terror que sentia agora

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