Capítulo quinze

Segunda-feira é, sem dúvida alguma, o pior dia da semana, mas admito que esta está sendo diferente. A Abigail e eu tivemos apenas duas aulas no período da manhã e esperamos que a Michelle terminasse a sua última aula para sairmos todas juntas. O Wilson ainda está na Universidade e parece-me que não saíra de lá tão já e nós nem fizemos questão de esperá-lo, não porque não o amamos, mas sim porque decidimos fazer compras hoje e o nosso melhor amigo detesta ir connosco nessas aventuras, e cá entre nós, todo homem detesta.

Estou empolgada para o dia de hoje, algo dentro de mim diz que esta segunda-feira será divertida e entusiasmante e mal posso esperar para entrar no shopping da cidade.

Enquanto sigo a estrada que vai direto para o nosso destino, fico lembrando o dia do sábado, foi o dia que me casei com o Miller e não consigo parar de pensar, por mais que tente, em alguns momentos. Foi um casamento de fachada sim, mas não posso negar, nem pra mim mesma, que o nosso beijo na igreja foi marcante, não sei porquê, mas ainda sinto como se já o tivesse beijado antes, aqueles lábios não me eram estranhos, muito pelo contrário, eram bastante familiar para mim. Sei que o Miller não é o homem que beijei na boate, as meninas teriam me dito se realmente fosse ele e o próprio Miller não perderia a oportunidade de jogar na minha cara que eu dei em cima dele naquele dia. É tudo tão confuso para mim, é tudo tão novo, tão estranho. Será que devo perguntar para as meninas o que de facto aconteceu naquela boate? Será que devo perguntar pra elas quem é o homem que teve o privilégio de ser o dono do meu primeiro beijo? Não sei, estou um pouco indecisa, não quero conhecer esse cara, até porque tenho medo de descobrir que estou criando sentimentos por ele, não o conheço, mas não consigo parar de pensar naquele beijo ardente e naquela pegada ousada.

Não consigo parar de pensar também na minha primeira dança com o Miller, na maneira delicada como ele estava me tocando, na maneira intensa como ele estava me olhando, na forma como os seus passos entravam em sintonia com os meus. Miller dança muito bem e é um bom condutor, me conduzia com maestria e sabia muito bem o que estava fazendo. Eu não esperava que ele me colocasse nos seus braços no dia do nosso casamento, eu estava cansada e não aguentava mais ficar de pé, mas ele mostrou que sabe ser um cavalheiro quando realmente quer. O meu marido não tinha a obrigação de fazer aquilo, afinal, o casamento é de fachada e não somos marido e mulher no verdadeiro sentido das palavras, mas ainda assim ele se importou comigo. Ele disse que aquilo foi uma encenação, porém eu não acredito nisso, Miller fez porque quis e não sei porquê, mas de alguma forma isso deixa-me um pouco feliz, talvez a convivência entre nós dois seja boa.

Gostei por ele ter me acordado de forma delicada assim que chegamos na sua mansão e gostei mais ainda quando os seus dedos gelados tocaram a minha pele nua no momento que ele estava abrindo o zíper do meu vestido de noiva. Estremeci e senti todo o meu corpo ficar arrepiado, apenas o homem da boate tinha provocado essas sensações em mim e foi estranho sentir o mesmo pelo toque do Miller. Espero que o senhor Moore não tenha percebido isso, não quero que pense que a sua presença e os seus toques me afetam, foi tudo uma acção involuntária e não voltará a se repetir.

Fiquei feliz e surpreendida pelo pedido de desculpas do Miller, não estava a espera daquilo, mas o meu interior gritou pelo simples fato dele ter reconhecido o seu erro, poucas pessoas fazem isso e não é algo simples pedir desculpas com sinceridade e eu pude ver no seu olhar que ele estava mesmo arrependido. O meu marido é uma pessoa imprevisível, nunca sei o que esperar dele, uma hora ele é frio, grosso e rude, e em outra é gentil e atencioso, espero que isso não me confunda mais, já tenho coisas demais para pensar e ficar pensando no Miller quase o tempo todo não é uma boa ideia.

Não quero me apaixonar pelo meu marido e sei que isso não acontecerá, ele é um dos homens mais lindos, atraente e sedutor que já vi e ficar com ele no mesmo teto é um perigo para mim, mas sei o tipo de homem que ele é, Miller é um mulherengo da primeira categoria, leva qualquer mulher que quiser para a sua cama e se eu der mole ele pode tentar fazer o mesmo comigo e eu não quero isso, não irei perder a minha virgindade com um homem tão safado é tão pervertido como o meu esposo.

- Mia você tem que nos contar o que aconteceu assim que chegou na mansão do poderoso Miller Moore - disse a Michelle assim que descemos dos nossos carros.

- É Mia, conta pra gente - concordou a Abigail com um enorme sorriso no rosto.

- Não aconteceu nada demais, assim que chegamos fui descansar um pouco e acredito que ele tenha feito o mesmo, depois de algum tempo o Miller foi me acordar para o jantar.

- Só isso?

- Sim, o que esperavam que acontecesse? Vocês sabem que o nosso casamento é de fachada meninas.

- Mas vocês podem fazer ser de verdade.

- Por Deus, Michelle, eu não acredito que esteja me dizendo isso, é do Miller que estamos falando, o CEO mais poderoso, mais lindo e mais mulherengo dos Estados Unidos, ele sai com uma mulher diferente em cada noite, acha mesmo que posso arriscar ter uma relação com um homem assim? E você acha que ele está disposto a deixar pra trás as suas aventuras para ser um marido e um pai de família?

- Você tem razão Mia, duvido que o Miller deixe tudo pra trás por você.

- Exatamente isso Abigail e pra ser sincera eu não quero que ele pense na possibilidade de ter alguma coisa comigo.

- Mas ele terá assim que ver o seu corpo mulher - Michelle falou sorrindo, fazendo-me balançar a cabeça negativamente - pelo menos sentirá desejo de te ter na cama dele.

- Se a Mia colocasse uma calça jeans ou um vestido justo juro por Deus que a Miller não teria olhos para outra mulher que não fosse ela, não acha Michelle?

- Eu tenho certeza Abigail.

- Podem parar de falar de mim como se eu não estivesse aqui?

- Me fale uma coisa Mia - Michelle começou, ignorando totalmente a minha pergunta. A minha amiga ficou em frente de mim e me encarou maliciosamente - como você fez para tirar o seu vestido de noiva no sábado? Eu duvido que tenhas conseguido tirar sozinha.

- Deixe-me em paz pelo amor de Deus, Michelle - comecei a andar apressadamente, tentando fugir do assunto.

- Espere por nós Mia - Abigail gritou, fazendo-me sorrir.

De jeito nenhum direi para as meninas que foi o Miller que abriu o zíper do meu vestido de noiva, isso faria com que elas pensassem em outras coisas maliciosas, conheço bem as amigas que tenho e seria um pouco constrangedor para mim falar desse assunto.

Tenho medo que as minhas bochechas ganhem outra cor se por acaso eu decidir falar disso com elas, eu não gosto do Miller, não gosto mesmo, mas sou um pouco tímida e a minha timidez pode fazer parecer que eu sinto algo pelo meu marido, sendo que na verdade não sinto nada, nada mesmo. Não nego que ele é um homem muito atraente, o mais atraente que já vi em toda a minha vida, Miller é musculoso, charmoso, elegante e cheira muito bem, qualquer uma ficaria louca por ele, menos eu é claro.

O shopping não está muito movimentado como de costume e não é pra menos, hoje é segunda-feira e todo mundo está trabalhando e estudando ou tentando acabar com a ressaca. Falando nisso, por que razão o Miller teve uma crise de risos ontem a noite assim que falei que não bebia? Não entendo, juro que não entendo, eu não bebo de verdade, a única vez que bebi foi no sábado antepassado, quando fui pra boate com as meninas, mas o Miller não estava naquela noite, ou estava?

Não, ele não estava naquela noite, o meu esposo é um louco e deve ser por isso que começou a rir ontem a noite, o senhor Moore com certeza estava viajando na maionese e não quis me dizer o motivo do seu ataque de risos.

As meninas e eu entramos em uma loja de roupas e calçados da marca da empresa do meu marido “Moore fashion” e começamos a escolher os vestuários que achamos adequados para cada uma de nós. As meninas como sempre, levaram o que mais gostam, roupas chamativas e ousadas, vestidos curtos, justos e extravagantes, muitas delas para serem usadas em um dia de curtição, em uma boate ou uma festa noturna. E eu como de costume, não abri mão dos meus vestidos soltinhos, amo esse tipo de modelo e não trocaria por nada.

A Michelle e a Abigail já experimentaram todas as roupas que escolheram e falta somente eu para terminar, levarei os vestidos e as calças pantalonas que mais ficaram em mim, as outras peças poderei comprar noutro dia.

- Experimente esses vestidos Mia - a Abigail entrou no provador e me entregou dois vestidos justos, um preto e outro vermelho.

- Você sabe que esse tipo de roupa não é o meu estilo.

- Não estou dizendo pra comprar, apenas para experimentar.

- Está bem.

- Perfeito - sorriu vitoriosa e bateu as palmas igual uma criança.

Não sei o que a Abigail tem na cabeça pra ter me dado esses vestidos para experimentar, ela sabe que não sou fã desse estilo, este tipo de roupa desenha demais o meu corpo e eu não gosto nada disso, nem um pouquinho mesmo. Mas pronto, não custa nada provar os vestidos, certo?

Retirei do meu corpo a calça pantalona azul turquesa e peguei no vestido vermelho, olhei para os detalhes e gostei do que vi, ele é justo e parece que o comprimento vai até abaixo do joelho, suas mangas são curtas e há um detalhe dourado ao redor da gola, é muito chique, sofisticado e elegante.

Depois de ter colocado a peça no meu corpo, olhei para o espelho e fiquei impressionada, o vestido ficou bem em mim, o problema mesmo é que ele desenha todas as minhas curvas e tenho medo de ser alvo de assédio no dia que decidir sair vestida assim.

- Por Deus Mia, como esse vestido ficou perfeito em você, estás parecendo uma deusa e o senhor Moore vai morrer de desejo por ti no dia que decidires colocar essa roupa.

- A Abigail tem razão querida, essa peça é linda e ficou mais linda em você, por favor compre essa roupa.

- Eu acho que essa peça desenhou demais o meu corpo - fiquei de lado e olhei através do espelho a minha bunda.

- Você tem um corpo avantajado, não tinha como ser diferente.

- Sei não, estou em dúvidas.

- Leve esse vestido Mia, talvez você use ele em uma ocasião especial.

- Mas…..

- Mas nada - disse a Michelle, dando por encerrado a conversa.

Dei-me por vencida e decidi levar o vestido vermelho que as meninas escolheram para mim, levei o vestido preto também, elas insistiram tanto que não tive outra opção a não ser aceitar.

Sei que não usarei nenhum dos vestidos, decidi levar apenas para não discutir com as meninas, elas sabem ser insistentes quando querem e quando colocam uma coisa na cabeça nem mesmo o diabo é capaz de fazê-las mudar de ideia.

- Não tem saldo no seu cartão, senhorita - falou a atendente do balcão depois de ter raspado o meu cartão.

- Por favor tente novamente!

A moça raspou o cartão novamente e fez sinal negativo com a cabeça.

- Tente este, por favor - tirei da minha bolsa outro cartão e entreguei para a moça.

- Não tem saldo também, senhorita - respirei fundo e peguei os meus dois cartões.

- Espera um segundo, tenho um outro aqui.

- Deixa que eu pago Mia.

- Não Michelle, não se preocupe, acho que o terceiro irá aceitar.

- Porquê estão demorando tanto? - perguntou uma jovem bastante impaciente.

- Eu pago Mia, depois irás me passar o valor.

- Tudo bem, sem problemas.

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Comments

Maria Maura

Maria Maura

o pai tá falido rsrsr

2024-05-19

2

Vanda Veloso

Vanda Veloso

Que dó!! o cartão da Mia não passar .

2024-05-06

3

Angela antunes

Angela antunes

O livro e muito bom. parabéns autora.

2024-04-29

2

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Capítulos
1 Capítulo um
2 Capítulo dois
3 Capítulo três
4 Capítulo quatro
5 Capítulo cinco
6 Capítulo seis
7 Capítulo sete
8 Capítulo oito
9 Capítulo nove
10 Capítulo dez
11 Capítulo onze
12 Capítulo doze
13 Capítulo treze
14 Capítulo quatorze
15 Capítulo quinze
16 Capítulo dezasseis
17 Capítulo dezassete
18 Capítulo dezoito
19 Capítulo dezenove
20 Capítulo vinte
21 Capítulo vinte e um
22 Vinte e dois
23 Vinte e três
24 Vinte e quatro
25 Vinte e cinco
26 Vinte e seis
27 Vinte e sete
28 Vinte e oito
29 Vinte e nove
30 Capítulo trinta
31 Trinta e um
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63 Sessenta e um
64 Sessenta e dois
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66 Sessenta e quatro
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82 Capítulo oitenta
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