- Eu já vou indo, tenho de ir ao orfanato deixar algumas coisas.
- Ah, que pena, a conversa estava tão legal.
- É Mia, fica mais um pouco.
- Não posso Abigail, preciso mesmo ir.
- Irei com você até ao estacionamento.
- Não é necessário Wilson, conheço o caminho.
- Eu insisto.
- tudo bem - arrumei as minhas coisas que estavam na mesa e encarei as meninas - até mais tarde.
- cuide-se!
- Cuidem-se também!
O Wilson e eu não nos falamos desde a sexta-feira, desde que ele disse que estou me vendendo por dinheiro, ainda estou muito brava com ele e não respondi nenhuma das suas tentativas para falar comigo na lanchonete. Sei que não irei casar pelos motivos certos, com a pessoa certa e nem no momento certo, mas ele não tinha o direito de me julgar, ninguém tem, ele sabe que estou fazendo isso por uma boa causa e mesmo assim não pensou duas vezes em magoar-me, não estou feliz com a minha decisão, não estou feliz em saber que deixarei de ser uma mulher livre para ser uma mulher casada, não estou feliz em saber que irei casar daqui a cinco dias, não estou feliz por saber que viverei com alguém que não conheço por dois anos.
Mas assim é a vida, certo? Imprevisível! As coisas acontecem como realmente devem acontecer, ninguém manda no destino e muito menos nas vontades de Deus, ele sabe porquê é que permite que certas coisas aconteçam nas nossas vidas, ele criou todos os seres humanos e sabe exatamente o que cada um de nós precisa. Confesso que é difícil não questionar as decisões dele, confesso que às vezes é difícil aceitar o que ele reservou para nós, mas acredito que nós aprendemos com cada ação nas nossas vidas, com cada erro e com cada acerto também. Nem sempre entenderemos o que Deus tem para nós, mas devemos aprender a aceitar e é isso que estou tentando fazer, aceitar o meu destino, aceitar que terei de me casar com um homem treze anos mais velho que eu.
Eu não sei qual é o propósito de Deus ao permitir que eu case com um homem que não conheço, eu continuo achando isso um grande absurdo, mas Deus é Deus né, e talvez depois de tudo isso haja uma pequena luz no fundo do túnel. O senhor nunca abandona os seus filhos e eu com certeza sou a filha dele, ele nunca irá me desamparar e sei que cuidará bem de mim, em qualquer lugar que eu estiver.
- Eu queria pedir desculpas pelo que falei na sexta-feira.
- Você foi muito infeliz no seu comentário, saiba que fiquei magoada.
- Eu sei Mia, não devia ter dito aquilo, sei que a sua família está passando por uma fase difícil e complicada, eu devia te apoiar e não te julgar.
- Tudo bem Wilson, melhor deixarmos este assunto pra lá, somos amigos e devemos nos apoiar.
- Eu te amo Mia, sabe disso não é?
- Sim Wilson, eu sei disso e saiba que eu te amo também - sorrimos e nos abraçamos por mais de um minuto - preciso ir, até amanhã.
- Até amanhã Mia - entrei no carro e dei partida sem olhar pra trás.
O Wilson é um bom homem, é um bom amigo e um bom conselheiro também, ele errou sim comigo, mas está tudo bem, as pessoas cometem erros o tempo todo, essa é a nossa natureza e jamais conseguiremos mudá-la. O bom é que fizemos as pazes e deixamos o assunto pra lá, tudo isso é muito delicado para a minha família e principalmente para mim.
Comprei muitos brinquedos na sexta-feira para as crianças que vivem no orfanato que estou indo, mas não pude ir deixar no mesmo dia porque ainda estava irritada com toda esta situação, na verdade ainda estou, mas não tão chateada quanto estava nos primeiros dias. O orfanato é um dos meus lugares favoritos em Nova Iorque, amo estar lá, sinto uma paz invadir o meu coração toda vez que vejo aquelas crianças, são todas lindas e muito especiais para mim.
Fico indignada por saber que alguns pais são cruéis ao ponto de abandonarem os próprios filhos, sei que alguns não tem condições para cuidar dos seus filhos, que outros são moradores de rua e que preferem doar os seus meninos pra eles não passarem fome e frio nas frias estradas da cidade. Eu entendo todos esses caso, só que entendo os casos que os pais deixam os seus filhos nos orfanatos apenas por serem diferentes ou especiais, são essas crianças que precisam mais do apoio dos seus progenitores, não da rejeição deles.
Faço o que posso para ajudar essas crianças, faço o que está no meu alcance para ver os meninos daquele orfanato felizes e fico aliviada por saber que não sou a única a ajudá-los, muitas outras pessoas apoiam aquele lugar e é bom saber que ainda existem seres humanos com o coração de ouro.
As crianças são flores que nunca murcham, são puras e é dever de cada adulto cuidar delas, um dia iremos envelhecer elas cuidarão de nós se cuidarmos bem delas também. Não comecei a frequentar o orfanato hoje, frequento o lugar desde criança, os meus pais sempre me levavam lá quando eu era mais nova e acabei acostumando a ir pra lá.
Assim que chego no orfanato sou recebida com beijinhos e abraços calorosos dos meninos, conheço cada um deles e eles me conhecem também, nos amamos e tento sempre estar ao lado dessas gracinhas, venho aqui pelo menos uma vez por semana para estar e brincar com eles.
- Deixem a tia Mia respirar - falou a educadora Martha ao mesmo tempo que afastava as crianças de mim.
- Tudo bem Martha, eu não me importo.
- Mas não é assim que eles devem cumprimentá-la, todos foram pra cima de você sem boas maneiras e se a senhorita tivesse caído?
- Mas não caí.
- E se tivesse?
- Ah, Martha, não seja tão dura com eles.
- Não estou sendo dura.
- Está sim.
- É, está sim - concordaram comigo as crianças.
- Seus malandros - falou sorrindo.
- Martha você pode levar no porta mala do meu carro os brinquedos que comprei para as crianças?
- Posso sim.
- Peça ajuda dos outros funcionários, são muito brinquedos.
- Está bem senhorita Mia.
- Obrigada.
Martha afastou-se de nós e entrou no orfanato.
- E então meninos, vocês tem sido boas crianças?
- Sim tia Mia - gritaram em uníssono.
- tem sido bons alunos também?
- Sim - gritaram novamente.
- Não estão mentindo para mim?
- Não tia Mia.
- por serem bons meninos e bons alunos irão ganhar presentes.
- Obaaaaaaa, obrigado tia Mia - me abraçaram novamente e me encheram de beijinhos.
Depois de distribuir brinquedos para cada criança e de ter brincando com eles por algumas horas, saí do orfanato com o coração quentinho e com a certeza de que a vida não é tão complicada como parece, a verdade é que os seres humanos é que tornam tudo mais difícil e complicado, mas as coisas não devem ser assim, se tivéssemos a mente e o coração como das crianças veríamos o mundo com uma expectativa diferente e seríamos mais felizes.
Central Park é, sem dúvida, um dos lugares mais magníficos de Nova Iorque. Cada vez que piso em suas amplas e bem-cuidadas áreas verdes, sinto uma sensação de calma e serenidade que me envolve imediatamente. Caminhar por seus caminhos hipnotizantes é como escapar para um mundo mágico onde a agitação da cidade desaparece lentamente.
Enquanto me aventuro neste espaço mágico, sou envolvida pelos sons suaves dos pássaros cantando, o riso das crianças brincando e o murmúrio tranquilo da água corrente em seus charmosos lagos.
As paisagens do Central Park são verdadeiramente de tirar o fôlego. Os majestosos arranha-céus ao redor formam uma moldura deslumbrante para essa maravilha verde no coração da cidade.
As atividades no Central Park são igualmente encantadoras. Enquanto observo as pessoas reunidas em piqueniques animados, equipes de corrida acelerando, casais apaixonados caminhando de mãos dadas e artistas de rua exibindo seus talentos, sinto-me parte de uma comunidade vibrante e diversificada. A energia contagiante é palpável, e é impossível não se sentir inspirada pela vivacidade e pela criatividade que preenchem o ar.
Amo estar aqui, este lugar faz parte de mim como se fosse o meu próprio corpo. Observo novamente os casais apaixonados e me pergunto se algum dia viverei um amor assim, simples e sincero, me pergunto se algum dia virei cá com o meu amado para andar de mãos dadas ou talvez fazer um complexo piquenique.
Sento-me em um banco à sombra de uma árvore frondosa, observando o movimento tranquilo das pessoas ao meu redor. É um lembrete constante de que, apesar da agitação do mundo exterior, é possível encontrar tranquilidade e serenidade no coração de uma metrópole movimentada como Nova Iorque.
Queria tanto ler um livro aqui, é o lugar perfeito para se desconectar do mundo real e entrar em um outro mundo, o mundo da imaginação. José Saramago diz que a leitura é provavelmente uma outra maneira de estar em outro lugar. Eu acredito nisso, acredito que a leitura é capaz de transportar os seres humanos para outras dimensões, na literatura o ser humano pode ser quem ele quiser, na literatura o ser humano pode ser ele mesmo, na literatura o ser humano pode criar o seu próprio mundo, um mundo sem sofrimento, sem caos, sem guerra, o mundo da imaginação.
Eu amo ler, no meu curso não há muita teoria, há muita prática, mas ainda assim amo ler e sinto-me outra pessoa toda vez que leio. É uma sensação maravilhosa, é incrível poder viajar para outras dimensões mesmo estando com os pés firmes no chão, poder ser outra pessoa e acima de tudo, poder fugir da desastrosa realidade.
Levanto-me do banco onde estava sentada e dirijo-me para um carrinho de gelado, compro um sorvete de chocolate e continuo caminhando pelas relvas verdes do Central Park.
Sou fascinada por tudo que tem um pouco de chocolate na sua receita, sorvete, donuts, mousse de chocolate, bolo de cenoura com cobertura de chocolate, doces de chocolates e o próprio chocolate. Para mim chocolates representam alegria em forma de comida e se dependesse somente de mim eu comeria todos os dias.
- Não vê por onde anda porra!?- falou bastante alterado. Arqueei as minhas sobrancelhas e olhei para o homem que está com o olhar na sua camisa social branca. A camisa dele ficou suja de sorvete devido o nosso contacto físico, mas juro que a culpa disso não é minha, ele é que esbarrou em mim e não devia ter falado comigo com tamanha insensibilidade.
- Foi você quem esbarrou em mim seu idiota! - falei no mesmo tom de voz que o dele - o homem levantou o seu olhar e me encarou com a cara fechada. Mas que merda! Este homem é nada mais e nada menos que o Miller David Moore, o CEO mais bilionário e mulherengo dos Estados Unidos, esse homem sempre está na mídia por sair com mulheres diferentes em cada noite, é um galinha e pelo visto um grosso também.
- Você? - perguntou com um sorriso irônico no rosto.
- Por acaso nos conhecemos senhor?
- Tu és louca - disse, ignorando totalmente a minha pergunta - olha só o que fizeste com a minha camisa.
- O único louco aqui é o senhor, você não vê por onde anda e eu é que sou a culpada?
- Olha aqui mocinha…..
- Olha aqui você seu cretino, não estou tendo um bom dia, então melhor calar a droga da sua boca e continuar com a sua viagem.
- Você por acaso sabe com quem está falando?
- Claro que sei - sorri sem ânimo - estou falando com o incrível Miller David Moore - falei com ironia, fazendo ele me fuzilar com o olhar - estou falando com o CEO mais bilionário dos Estados Unidos que sai com mulheres diferentes em cada noite.
- Você….
- Não tenho tempo pra ficar escutando o seu mi mi mi, então, com licença senhor Miller e por favor pare de ser um idiota e um grosseiro! - empurrei o ombro dele com força e continuei com a minha trajetória.
Eu estava tendo um dia perfeito, um dia único e incrível até esbarrar com Miller David Moore, o CEO mais lindo de Nova Iorque e talvez dos Estados Unidos, mas o que ele tem de lindo tem de grosseiro também, o desgraçado foi muito insensível comigo e não se importou em me tratar como se eu não fosse uma dama, o cara não tinha que ter falado comigo daquele jeito, não fiz nada de errado, foi ele quem esbarrou em mim e no mínimo devia pedir desculpas, não gritar comigo.
Talvez ele não esteja tendo um bom dia, assim como eu, mas isso não é motivo para descontar as suas frustrações nos outros, sei que as pessoas bilionárias são muito ocupadas e dificilmente descansam, mas que culpa eu tenho? Estou estressada e com raiva da minha vida, mas nem por isso sairei faltando com respeito com a primeira pessoa que cruzar o meu caminho.
Entro no meu carro e sorrio ao lembrar a cara que o CEO fez assim que notou a mancha de sorvete na sua camisa cara, sério mesmo que ele ficou irritado por causa disso? Apenas porque sujou a camisa com sorvete de chocolate? Por Deus, ele é bilionário e pode comprar quantas camisas quiser, na verdade ele pode até não comprar, aquele senhor tem uma indústria da moda que produz vestuários, calçados e acessórios de altíssima qualidade, então pode trocar de roupa durante anos sem precisar repetir.
Não entendo o porquê dele ter dito “você” assim que os nossos olhares se encontraram, será que nos conhecemos de algum lugar? Nunca tinha visto ele pessoalmente, não que eu me lembre, não sou de frequentar lugares muito agitados e aquele homem gosta de uma boa balada, assim como a Michelle e a Abigail. Pensando bem talvez Miller David Moore me conheça sim, os meus pais são milionários e infelizmente ou felizmente já saí com eles na mídia, então deve ser por isso que o CEO bilionário me reconheceu.
- Mia…..
- Agora não mãe - subi as escadas e fui diretamente para o meu quarto.
Não acredito que permiti que o senhor Miller estragasse o meu dia, eu ainda estaria no central parque se não tivéssemos nos encontrado lá, ele é um cretino e devia ser banido da terra por não saber como tratar uma dama.
Deixo a minha mochila na cadeira que fica perto da porta e me atiro na cama de costas, fecho os olhos e tento fazer a minha respiração voltar ao normal.
- Está tudo bem filha?
- Você sabe que não mãe.
- Nos perdoe por te fazer passar por esta situação.
- É por uma boa causa.
- Eu te amo tanto - deitou-se ao meu lado e beijou os meus cabelos.
- Também te amo mãe.
- Ficará bem?
- Ficarei sim, eu ficarei bem sim mãe - repeti, tentando convencer a mim mesma.
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Atualizado até capítulo 90
Comments
Belminha Lins Belminha
Vc não lembra Bia que o chamou várias vezes de gay por ele não querer beijar-te kkkkkkk
2024-05-19
1
Girlene Fontes
Você não lembra Mia do beijasso kkk e da rebolada mulher que tu deu no colo do Senhor Miller kkkkkkkkkkk...
2024-05-08
4
Leticia Castro Nunes Fruzina
Kkkkkk
2024-04-30
0