Fazia tempo que não sentia meu estômago revirando dessa forma, uma sensação de desespero tomando conta, nervosismo e uma estranha sensação de temor. Definitivamente, Ísis Beaumont me desconcerta totalmente.
Não sei como abordar aquele assunto com ela, não sei como devo me dirigir a ela e não sei quais palavras devo usar.
— E então, sobre o que você quer falar? — ela perguntou, olhando diretamente nos meus olhos.
O jeito que ela prende nossos olhares só aumenta meu nervosismo, a intensidade do olhar dela me assusta. Fui obrigada a desviar o olhar e quebrar esse contato.
— Você se sente intimidada com a minha presença, Ayla? — ela perguntou, enquanto me analisava. Senti seu olhar sobre mim.
Sim, óbvio que sim. A forma como ela me olha me deixa intimidada, a forma como ela me deixa nervosa me assusta. O fato de não conseguir controlar isso me causa apreensão.
— Não conversamos sobre o que houve entre a gente e eu não sei como devo agir perto de você.
— Por que será que ainda não conversamos, né Ayla? — ela perguntou de forma retórica, e ao que parece, ela estava chateada.
— Me desculpa. Eu sei que não deveria ter saído daquela forma. Sei que você não vai acreditar, mas eu não costumo fazer isso. — Falei, e ela riu.
— Entendo, normalmente você fica para o café da manhã. — Ela falou em um tom de ironia.
— Por mais que você não acredite, eu não costumo passar a noite com alguém que eu não conheço. Definitivamente, sexo casual não faz parte da minha rotina. E por tudo o que houve entre a gente ter sido uma novidade para mim e por não saber como eu deveria agir, eu optei por sair antes de você acordar. Mas eu te prometo que da próxima vez eu não vou sair sem me despedir.
— Da próxima vez? Ela me questionou com uma sobrancelha arqueada.
Esse é o meu sonho... Quer dizer, quem não gostaria de reviver um momento incrível?
— Espera, acho que me expressei mal. Desconsidere o que acabei de falar. Eu sei que existe uma hierarquia entre nós e sei que não é conveniente que o que aconteceu entre nós se repita. Não pretendo te prejudicar. A única coisa que quero é evitar qualquer tipo de ressentimento entre nós.
— Existe uma hierarquia e realmente não é conveniente nem ético ter um envolvimento com a minha aluna, mas não acho que você deva se preocupar com possíveis ressentimentos entre nós. Somos bem grandinhas para lidar com isso. E em relação a me prejudicar, não acho que isso vá acontecer. O que tivemos foi algo casual e fora do ambiente acadêmico. Tudo que precisamos fazer é respeitar a hierarquia que existe. Ela disse de forma despreocupada.
— Talvez a senhora esteja certa. Eu falei e vi sua expressão mudar. Ela ficou séria, parecia estar com raiva ou chateada.
— Você me acha tão velha a ponto de me chamar de senhora ou será que estou tão mal assim? Ela me questionou de forma desafiadora.
— Desculpe, não foi minha intenção te ofender nem te deixar desconfortável. É que foi mais por força do hábito. Eu sempre me referi aos meus professores com o máximo de respeito possível. Mas posso lhe assegurar que, baseado no que vi, você não está nada mal. Você é perfeita e sabe disso... Quer dizer, todo mundo sabe.
— Agradeço o seu elogio, embora não tenha certeza de que seja verdadeiro. Ela falou me encarando, o olhar estava fixo no meu.
- Não foi um elogio, eu só disse em voz alta o que eu penso desde que te vi pela primeira vez. Sei que isso não é apropriado, mas de qualquer forma é bom dizer isso em voz alta. Eu falei, mantendo o nosso contato visual.
- Realmente, isso não é apropriado, mas se eu disser que não gostei, vou estar mentindo. Ela falou e sorriu, o que me fez sorrir também.
- Sabe, professora, eu sei que o que eu vou falar vai ser inapropriado e talvez você não goste, mesmo assim vou falar... Se eu dissesse que não quero reviver todos os momentos daquela noite, estaria mentindo descaradamente, e talvez o fato de que agora isso tenha se tornado algo proibido só me faz querer ainda mais. Eu falei bem próximo ao rosto dela e em um tom de voz baixo.
As minhas palavras a calaram. Pela primeira vez, eu vi a Ísis Beaumont ficar desconcertada. Ela ficou um pouco envergonhada com a minha ousadia.
Não sei de onde tirei tanta coragem para dizer tudo isso, mas fiquei contente com o resultado. Saí daquela sala muito satisfeita. Pelo menos agora eu sei que posso afetar a Ísis da mesma forma que ela me afeta.
Cheguei em casa e encontrei a minha mãe sentada no sofá, com o olhar perdido pelas decorações da sala. Não é normal encontrá-la nesse horário em casa.
- Tá tudo bem, mamãe? - Eu questionei, me sentando ao lado dela.
- Tá tudo bem sim, filha. Não há nada com que se preocupar. Foi isso que sua boca disse, mas os seus olhos diziam outra coisa.
Eu queria que a minha mãe confiasse em mim para dizer claramente o que estava acontecendo. Queria que ela não guardasse todos os problemas só para ela. Tudo que eu mais quero é poder ajudá-la de alguma forma. Eu odeio ver a minha mãe sofrendo calada e não poder fazer nada, e odeio ainda mais saber que o responsável pelo sofrimento dela é o meu próprio pai.
Não faço ideia do que devo dizer a ela, não sei que palavras usar. A única coisa que fiz foi abraçá-la forte e dizer, não necessariamente em palavras, que eu estava ali com ela e para ela.
Essa é a mensagem que eu quero passar para ela, que ela nunca vai estar sozinha, que, independentemente de qualquer coisa, eu vou ficar sempre ao lado dela.
A minha mãe retribuiu o meu abraço e não demorou muito para que eu sentisse as suas lágrimas molhando os meus ombros. Em 19 anos de vida, essa é a primeira vez que vejo a minha mãe tão vulnerável, e isso dói demais.
Dói demais saber que ela está infeliz, dói saber que ela abdicou de muita coisa para construir essa família. Ela teve que fazer renúncias, teve que colocar os planos e vontades dos outros acima das suas.
Eu não consigo entender como as pessoas podem esquecer tão facilmente das suas promessas, como alguém que um dia jurou amar, respeitar e proteger pode ser o responsável por tanto sofrimento?
Toda essa situação só me faz questionar a veracidade do tal amor que as pessoas dizem sentir. Não quero nunca ter que passar por isso. Não quero amar ninguém, porque amar é dar poder para outra pessoa te destruir e matar tudo de bom que existe em você.
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Atualizado até capítulo 104
Comments
★*Fontes*★
nossa que profundo.........
autora vc é muito poeta, parabéns kkkkkkk
2024-11-20
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escritora anônima🖤
sorri e nem é cmg 🤣
2025-01-27
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escritora anônima🖤
nossaa, bem direta ela né kkk
2025-01-27
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