Vou me arrepender disso

Sabe aquela decisão errada que te marca para sempre? Foi essa decisão que acabei de tomar. Espero não me arrepender.

...Atena...

Fiquei parada diante dele naquela mesa em frente a varanda do melhor quarto, no melhor hotel da cidade.

O meu contratante me olhava insistentemente, com aquele ar frio e autoritário dele. E eu... suava como se estivesse no meio do deserto sem nenhum copo d'água para saciar a sede que deixava a minha garganta seca e áspera.

— Quer um copo d'água? — Ele falou calmo, e eu quase me assustei achando que ele havia lido a minha mente. — Você está suando então pensei que estivesse com sede. Posso diminuir a temperatura do ar também, se quiser. E então?

— Água, só a água é suficiente. — Falei.

Enquanto ele foi até o frigobar, eu reli o contrato pela terceira vez. E tudo aquilo me apavorava. Então ele voltou, bebi a água e me levantei, passei a andar pelo quarto enquanto ponderava os prós e contras dessa proposta:

Prós - Eu precisava muito desse dinheiro, com ele eu iria pagar o tratamento da mãe, deixaria uma boa quantia de dinheiro para eles, depois iria comprar uma casa na Capital, fazer faculdade, trabalhar para mim, ter a vida confortável que sempre sonhei. E não tenho outra maneira de conseguir tudo isso.

Contras - Namorar um homem que nem conheço, ter a minha primeira relação sexual com um contratante, que bizarro, ser mãe por dois anos e depois abandonar esse bebê e não vê-lo nunca mais.

Ai minha nossa!

— Eu não tenho ideia do que você está fazendo, mas eu não tenho o dia todo! — Ele falou interrompendo os meus pensamentos. — Preciso da sua resposta.

— Porque me escolheu? — Perguntei. — Eu sei que a senhora Carmela te enviou documentos de outras moças, então você me escolheu. Porquê?

— Te achei bonita. — Ele respondeu sério, como sempre, caramba, esse cara não dava um sorriso sequer. — Apesar desse seu jeito de adolescente depressiva, você é muito bonita, parece uma garota acessível, e os meuss pais gostam de pessoas assim. Mas o que mais gostei foi desse seu cabelo ruivo e essas pintinhas na sua cara. — Pintinhas? Adolescente depressiva? Ele nem ao menos sabe fazer um elogio.

— São sardas, e não sou adolescente, nem depressiva. — Respondi áspera.

— Que bom, assim não vou preso por pedofilia, e também não preciso te levar ao psiquiatra. — Ele foi sarcástico. — Mas alguma pergunta?

— Eu sou virgem! — Resolvi falar isso, pois, sei lá, achei que ele deveria saber antes de qualquer decisão.

— Nos seus documentos dizia que já havia sido barriga de aluguel. — Pela primeira vez ele mudou sua expressão fria, para uma expressão confusa.

— Foi inseminação artificial e o parto foi cesário. Ninguém tocou na minha vagina, além da ginecologista.

— Nossa! — Ele respirou fundo e então mudou o seu rosto para uma expressão de homem compreensivo, o que foi estranho para mim. — Bom, eu posso prometer que serei gentil e vou fazer o possível para te proporcionar um momento com o qual vai se lembrar com carinho e prazer, garantindo que sinta o mínimo de desconforto possível.

— O mínimo de desconforto, transando com um desconhecido, por dinheiro? — Fui irônica.

— Não estou te obrigando a isso, te fiz uma proposta, aceite se quiser. — E assim retornou a sua típica expressão fria e calculista. — Aliás eu já estou farto dessa conversa e atrasado para o meu compromisso. Como você mesma disse, não é a única da minha lista, era a número 1, sim, mas se não aceitar tenho outras opções. Então responda de uma vez. Vai assinar ou não?

— Vou! — Minha nossa, nem eu acredito no que acabei de dizer. Mas eu realmente quero e preciso desse dinheiro. Foda-se a primeira vez com um homem estranho, foda-se a cara petulante e autoritária dele, e vou dar um jeito de não me apegar tanto a esse bebê. Mas eu tenho que garantir esse dinheiro, ele é a minha salvação dessa vida de merda que tenho levado desde o dia em que nasci. Então engoli o meu orgulho e aceitei.

Sentei na mesa, assinei o contrato e o entreguei.

Ele me olhou nos olhos. E voltou a fazer a sua expressão confusa.

— Agora que assinou, não tem como voltar atrás. Leu essa parte do contrato não leu? — Balancei a cabeça confirmando. Eu li essa merda 3 vezes, se eu anulasse o contrato teria que pagar uma parte do valor acordado e é óbvio que eu não tenho esse dinheiro, então vou até o fim com isso, custe o que custar.

Ele pegou uma pasta de dentro do envelope e me entregou.

— Aqui tem um verdadeiro dossiê sobre a minha vida, tem tudo que a minha namorada precisa saber sobre mim. Leia e memorize tudo. — Ele então se levantou da mesa. — Nos encontraremos aqui novamente na próxima semana, neste mesmo horário, vamos elaborar a sua nova identidade. Então até mais.

Ele se virou e saiu porta afora.

Mandei uma mensagem para a senhora Carmela informando que o contrato foi assinado. Em seguida abri a pasta e lá estava o nome dele, foi aqui que me dei conta de que nem isso eu sabia. Se chamava Aslan Orson Júnior.

Espera... Orson? Caramba!

Corri as páginas do documento e sim, ele era dono do Grupo Orson, eles são donos de uma grande indústria de cosméticos, por isso ele tem tanto dinheiro e se preocupa tanto com herdeiros e com o que pensem dele. Agora faz sentido.

Bom, ele é filho único de Ingrid e Aslan Orson. Os pais que tem o pressionado para que tenha um herdeiro. Mora na capital, nossa então vou me mudar para a capital, afinal tenho que morar com ele... É essa parte pode ser boa. Uma vez na Capital, eu nem volto para cá.

Fiquei um bom tempo lendo no hotel, até que me dei conta de que estava atrasada para o trabalho, corri para o mercado e assim no horário do intervalo contei tudo para a Nina.

— Mulher você enlouqueceu? — A Nina falava perplexa. — Você vai ser a mulher dele, em todos os sentidos. Atena você nunca nem namorou.

— Eu sei, é loucura, mas agora já foi. Eu só espero não me arrepender disso.

— Caramba! E como esse Aslan Orson é?

— Nossa Nina, ele é... ridiculamente lindo. Parece um daqueles galãs dos filmes internacionais. Eu nunca vi um homem tão bonito antes. — Fui sincera. — Mas ele parece meio babaca, tipo me olhava frio, com indiferença, eu não gostei do jeito dele.

— Bom, dá um jeito de começar a gostar, pois, ele vai ser o seu cara, por no mínimo dois anos. E pelo menos ele é bonito. O bom é que podemos nos ver na Capital. Amanhã eu vou fazer a inseminação, e depois de amanhã o Hernesto já viaja.

— Nossa amiga. Vai dar tudo certo para vocês, eu tenho certeza. Só vai ser uma pena porque não vou estar aqui para te ajudar na gestação.

— Sim, mas assim que nascer, eu vou para a Capital com o Bento e ficaremos juntas. Vou te ajudar a ser mãe temporária.

No abraçamos, uma das poucas coisas boas da minha vida era a amizade da Nina.

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Comments

Juliete Figueiredo

Juliete Figueiredo

sei não Nina acho que você vai ficar com o Bento, sem dinheiro e sem marido
o que você fez com os outros 300mil?

2025-02-28

0

Tuti Ferreira

Tuti Ferreira

meu Deus isso é uma loucura mesmo Será que tem gente que faz isso nossa nem acredito

2025-02-03

4

Tânia Principe Dos Santos

Tânia Principe Dos Santos

seja o que Deus quiser

2025-02-18

0

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