Quantas vezes você jurou que não faria algo e de repente lá está você fazendo a "tal coisa"? Pois é, isso me acontece com frequência.
...Atena...
Não consegui dormir pensando na minha mãe. Não vou dizer que tenho um grande amor por ela, afinal eu a conheço há pouco mais de 5 anos.
Eu cresci num orfanato bem miserável, vi muitas crianças serem adotadas, mas ninguém me queria. Quando faltava 1 ano para completar 18 anos, um casal apareceu alegando serem os meus pais biológicos e que agora que eu estava quase adulta eles poderiam me levar para casa, e assim, sem fazer nenhum tipo de análise ou exames de paternidade, o diretor do orfanato simplesmente me deixou aos cuidados deles, afinal eu já teria que sair do orfanato de qualquer maneira.
Assim eu vim parar nessa casa.
Eu não tenho certeza de que são realmente os meus pais, por isso não me dediquei a amar eles.
O meu pai sempre me tratou mal, ele deixou claro que me resgatou para que eu ajudasse a sustentar a casa. Mas a mãe sempre foi legal, então acabei meio que gostando dela. Não era muito carinhosa, mas me tratava bem. Eu me sentia grata por ter ela comigo, e eu nunca tive oportunidade ou dedicação para fazer algo por ela e agradecer por esse carinho.
Eu não podia simplesmente deixar ela morrer!
Então decidi ir até o hospital e tentar entender o que estava a acontecer.
— Bom dia senhorita Manfrim. — O médico me cumprimentou sentando-se na sua cadeira no simplório consultório médico do hospital municipal. — O caso da sua mãe é bastante delicado. A senhora Susana precisa realizar a cirurgia no coração o mais rápido possível. Porém, não temos especialista nesse hospital. Ela teria que ir a um hospital particular.
— Eu entendo doutor. O nosso sistema de saúde continua precário. — Porcaria, como eu odeio essa pobreza. — O senhor sabe dizer aproximadamente quanto custaria esse tratamento?
— Bom, não tenho certeza, mas a cirurgia, exames, internação, medicamentos, seria uma pequena fortuna. — Ele falou meio sem graça, era óbvio que ele sabia que não tínhamos como pagar. — Seria cerca de 300 mil.
— Tudo isso? — Eu quase engasguei com a minha saliva. Minha nossa. Quando aluguei o meu útero eu recebi 300 mil, e julguei que era muito dinheiro.
— Sim, é muito dinheiro senhorita, eu sinto muito. Faremos de tudo para atenuar a dor da sua mãe.
— Certo, obrigada doutor.
Saí do consultório e fui ver a minha mãe. Ela sentia dores há muito tempo, mas escondeu até não aguentar mais. A coitada estava na UTI em coma induzido, me partiu o coração ver ela dessa maneira.
Então decidi. Eu ia conseguir esse dinheiro.
Fui para o mercado, mas antes de iniciar o meu turno, procurei pela Nina.
— Nina, você foi hoje lá na ONG? — Já cheguei perguntando aflita. — Quanto te ofereceram?
— Nossa, bom dia hein! — Ela resmungou. — E de onde veio esse interesse, ontem mesmo você disse que não faria isso nunca mais. O que mudou?
— A minha mãe tá no Hospital e precisa de muito dinheiro para não morrer. — Respondi triste.
— Nossa! Eu sinto muito pela dona Susana, mas na boa Atena, você vai se sacrificar outra vez por essas pessoas que você é obrigada a chamar de pais, mesmo sem saber ao menos quem eles são? — Nina falava ressentida.
Eu super entendia o que ela queria dizer, e até concordava em certo ponto. A Nina conhecia a minha história, ela acompanhou boa parte do meu drama com os meus "pais". Quando eu aceitei ser barriga de aluguel pela primeira vez, eu fiz por mim, na esperança de usar o dinheiro para começar uma nova vida, mas, acabei dando praticamente todo o dinheiro ao meu pai, e no final continuei aqui.
— Nina, a minha mãe é boa sabe, ela me trata bem, me ajuda como pode. — Fui sincera. — E eu nunca fiz nada por ela.
— Atena acorda! — Agora ela falava com raiva. — Você praticamente sustenta eles com o seu trabalho. E tá agradecida por a pessoa que deveria ser a sua mãe, te tratar com um mínimo de carinho?
— Para Nina, foi você mesma quem queria me convencer a ser barriga de aluguel outra vez.
— Sim, mas eu quero que faça isso por você, para melhorar a sua vida, não por eles.
— Nina, você fez isso pela sua família novamente está fazendo por eles, por que eu não posso? — Falei sem graça, era só uma desculpa eu sabia que o caso da Nina era super diferente do meu.
— Fala sério né Atena! Você sabe que o Hernesto, meu marido conseguiu o emprego na Capital, vai ganhar o dobro do que recebe aqui. — Nina falava chateada. — Com esse dinheiro vamos comprar e mobiliar a nossa casa na Capital e com o dinheiro que sobrar vou poder abrir a minha loja de doces. Vamos prosperar Atena, mudar de vida, dar um futuro para o Bento. E você vai continuar aqui se manter esse pensamento. — Eu baixei a cabeça triste, e ela respirou fundo, enfim o útero é seu faz o que quiser com ele. — Continuei de cabeça baixa. — A Carmela me ofereceu 500 mil acredita? — Levantei a cabeça chocada. Nossa era exatamente o valor que eu precisava. — Mas tem alguém oferecendo 1 milhão, porém teria que ir morar com eles.
— 1 milhão? — Isso não podia ser sério.
— É, eu até pensei em aceitar, mas eu tenho o Hernesto e o meu Bento, já basta engravidar, ainda vou ficar 9 meses longe deles. Nem pensar. Então aceitei esse de 500 mil.
— 1 milhão para ter um bebê? Certo, eu vou à ONG amanhã mesmo, vou aceitar essa proposta.
— Você ouviu a parte que terá de morar com o casal que vai adotar? — Ela falou confusa.
— Bom não deve ser tão ruim, fora que vou passar 9 meses longe do meu pai. Só isso aí já é uma vantagem. — Sorri. E a Nina revirou os olhos.
Voltei ao trabalho na expectativa de que iria salvar a minha mãe e com o restante do dinheiro eu ia comprar uma casa e iria embora do morro, dessa vez eu consigo ir para longe e começar uma vida nova.
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Atualizado até capítulo 51
Comments
Marlucy Nascimento
Infelizmente isso acontece todos os dias ela vai mostra com o casal e acaba se apaixonando pelo marido
2025-01-18
1
Juliete Figueiredo
como? ser mãe de aluguel demora 9 meses
2025-02-28
0
Tânia Principe Dos Santos
deus te ouça
2025-02-18
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