Mudança

Mudanças assustam não é mesmo? A maioria das pessoas sente medo do "novo". Já eu... eu estava assustada sim, afinal esse não era bem o "novo" que eu esperava, mas eu estava super ansiosa eu queria muito viver essa mudança.

Lá vai a nova Atena!

...Atena...

O novo mês finalmente começou, e com ele a minha ansiedade cresceu a níveis estratosféricos, eu não via a hora de mudar para a Capital. Morar na Capital era como mudar para um novo país, lá era enorme e bem diferente aqui do interior. Fora que eu ia ficar bem longe do meu pai, a maior vantagem era essa.

Na data marcada os 500 mil caíram na minha conta. Eu nem podia acreditar, eu tinha dinheiro suficiente para o tratamento da mãe, para pagar as dívidas da família e ainda iria deixar um dinheiro para o pai. Assim eu posso ir embora sem peso na consciência.

— Mulher você separou um dinheiro para mudar o seu guarda-roupa né? — Nina falava empolgada enquanto se vestia para ir comigo ao hospital agilizar a transferência da mãe.

— Sim, eu guardei uma parte e você vai comigo amanhã comprar as roupas da nova Atena. — Falei sorrindo.

— Com certeza vou te ajudar nisso. — A Nina amava fazer compras. — E tenho novidades, o Hernesto fechou a compra da nossa casa. Fica bem afastada do centro, mas é nossa e é linda.

— Ai, parabéns Nina. — Dei um abraço nela.

— Sim, eu não vejo a hora de poder ir para lá com o Bento.

— Em breve amiga.

— E temos um quarto lá especialmente para você. — Ela me olhou com carinho. — Pode ficar conosco sempre que quiser, ou precisar.

— Eu te amo Nina. — Nos abraçamos outra vez.

Fomos até o hospital, já estava tudo preparado, então apenas realizei o pagamento do valor total pelo tratamento da mãe e ela já foi transferida na mesma hora e me disseram que ela faria a cirurgia ainda nessa semana. E se tudo desse certo em um mês ela deixaria o hospital e continuaria o tratamento de casa.

Saí esperançosa do hospital e fui com a Nina para o meu último dia de trabalho no mercado.

No dia seguinte fui com a Nina para o shopping, ela estava super animada.

— Vamos só nas lojas de grife, nada de loja de departamentos. — A Nina falava enquanto ia me puxando pelo shopping.

— Calma aí Nina, eu não tenho 1 milhão para gastar com roupas. — Adverti.

— Você não vai morar numa mansão usando roupa de departamento amiga. Então coça esse bolso. — Tive que concordar com ela. Nenhuma das minhas roupas servia para a vida na capital, imagina numa mansão.

— Ok, mas vamos com calma.

Fomos em muitas lojas, e sim, compramos bastante coisa, roupa para a faculdade, roupas para passeios casuais, roupas pra eventos elegantes, roupas para ficar dentro de casa, enfim... gastei todo o dinheiro reserva que eu tinha, e ainda usei parte do dinheiro que eu guardei para emergências.

— É, acho que já temos tudo. Compramos até roupa de banho. — Falei analisando as sacolas.

— Falta umas coisas ainda, coisas muito importantes. — Ela falou me olhando de um jeito estranho.

— O quê? — Falei desconfiada.

— Lingerie. Das comuns do dia a dia, até as mais ‘sexys’, para gerar bebês. — Ela deu uma risadinha safada.

— Ai, Nina, que merda! Eu tinha me esquecido dessa parte. Você tem razão. Eu não tenho nada legal. Imagina aparecer para ele com as minhas calcinhas super gastas. — Começamos a rir.

— Bom, vamos ajudar o senhor todo poderoso a não brochar. — Ela me puxou até uma loja de lingerie bem elegante.

Eu olhei tudo morta de vergonha, porém aos poucos fui me empolgando, tinha umas peças bem diferentes e bonitas, parecia coisa de filme.

Nina me fez comprar muita coisa, eu sinceramente não sei se terei coragem de vestir metade das coisas que ela escolheu, mas enfim, se eu ia ter que fazer isso mesmo, que mal havia em me divertir um pouco, não é mesmo? Então talvez eu use.

A tarde, a Nina foi ao mercado trabalhar, e eu passei no banco para resolver a questão das dívidas do meu pai, uma porcaria. Mas enfim, como paguei tudo a vista ainda consegui um bom desconto.

Ainda no banco eu depositei um dinheiro na conta da minha mãe e outra quantia na conta do meu pai. Sim, eu sou uma trouxa por ainda dar dinheiro para eles, mas eu realmente não quero me sentir mal, então quero ir embora tendo a certeza de que não os deixei aqui para morrer de fome.

Já era noite quando voltei para casa e encontrei o meu pai acordado.

— O que são todas essas sacolas? — Ele me olhava intrigado.

— Recebi parte do meu pagamento e fiz compras. — Respondi seca.

— Oras, já está gastando, e o seu pai? Não vai nos dar nada dessa vez? — Ele falava como um cachorro pidão. — Quanto recebeu?

— O suficiente para pagar as suas dívidas do banco, o tratamento da mãe, comprar essas coisas e deixar um bom dinheiro na sua conta bancária. — Falei seria.

— Tratamento da sua mãe? — Ele respirou fundo contrariado. — Mas que merda, devia ter me dado todo esse dinheiro. Ela vai morrer Atena.

— Eu não quero ficar aqui e ouvir isso. — Corri e me tranquei no quarto. Mas que homem babaca.

Enquanto eu arrumava as malas na tentativa de esquecer que aquele homem existia, Aslan me ligou.

— Meu anjo! — Ele falou como se quisesse fazer graça. — O que acha desse apelido?

— Engraçado como o senhor frio e calculista aprendeu a fazer piadas. — Falei rindo. — E eu odiei esse.

— Droga! — Ele fingiu estar aborrecido. — Vou me esforçar mais e achar um bom apelido para a gente. Mas enfim, eu já cheguei no país e amanhã o Stuart vai te buscar, pois, eu tenho que resolver algumas questões aqui na capital e não quero adiar ainda mais a sua chegada.

— Ok. Então já vou conhecer os seus amigos?

— Sim, eles já sabem do nosso acordo e tudo mais. Bom, ele vai estar te esperando amanhã ás 14h em frente ao aeroporto.

— Certo, estarei lá.

— Bom, então até mais!

— Até mais. Meu amor! — Falei com uma voz bem melosa.

— O que foi isso? — Ele respondeu confuso.

— O nosso apelido, o que acha?

— Meu amor... — Ele falou refletindo. — Meu amor... meu amor... — Ficou repetindo em tons e expressões diferentes o que me fez rir muito. — Do que está rindo?

— De você aí repetindo, meu amor, meu amor. Quando ficou tão engraçado?

— Eu sempre fui engraçado. — Ele falou sarcástico. — Mas eu gostei. Meu amor!

— Bom, então até mais. Meu amor! — Falei ainda rindo.

— Até. Durma bem. Meu amor!

Desligou.

Eu achei ele tão chato no início, mas agora ele me fazia rir, o que é bem estranho. Talvez morar com ele não seja tão ruim assim.

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Comments

Anamaria Costa Melgaço de Almeida

Anamaria Costa Melgaço de Almeida

e pedir mt ele da uma noa surra nesse fslso pai😡😡😡

2025-01-28

4

Boravercuriosa🌹🌪️

Boravercuriosa🌹🌪️

Essa história de falsos pais, isso é muito suspeito. O que será que vem pela frente, quem será os verdadeiros pais de Atena? 🤔🤔🤔🤔

2025-02-07

0

Juliete Figueiredo

Juliete Figueiredo

mas ela era uma garota que tinha saído de um orfanato e morava nos dormitórios da faculdade não usava roupa de grife

2025-03-01

0

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