Ele então olha para mim e para Zareth e diz:
— Acho melhor vocês usarem o arco. Isso facilitará.
Aceno concordando, e assim eu e Zareth pegamos nosso arco nos posicionamos a uma certa distância dele, enquanto digo:
— Zareth, sua flecha tem que ser a primeira a entrar no peito dele, depois a minha tem que seguir o mesmo caminho que a sua em sequência.
Zareth olha confuso para mim e pergunta:
— Você está dizendo que sua flecha irá sobre a minha? Mas por que?
Eu aceno, dizendo:
— Isso mesmo. Não sei, eu apenas senti que precisa ser assim.
Ele então decide não questionar, se posiciona. O ser então abre lentamente seus braços em um jesto que está pronto para receber, porém seu olhar se mantém fixo no meu, como uma confiança silenciosa.
Com nossos arcos tensionados, as flechas prontas para serem lançadas, eu e Zareth, trocamos um breve olhar carregado de determinação. O ser diante de nós permanece imóvel, seus olhos fixos nos nossos movimentos. O ar parece eletricamente carregado, como se o universo aguardasse o desfecho desse momento.
Zareth solta a primeira flecha, e ela voa com precisão em direção ao peito do ser. No exato instante em que sua flecha atinge o alvo, eu libero a minha, permitindo que ela sobrevoe a flecha de Zareth e siga o mesmo caminho, como se estivesse seguindo um rastro invisível.
As flechas se encontram no ar, formando uma trajetória única e poderosa, e então penetram no peito do ser. Um brilho intenso e vibrante irrompe do local do impacto, como se a energia contida nas flechas estivesse reagindo com a energia do ser. Uma onda de luz e sombra se espalha, envolvendo todos nós.
O ser emite um som gutural, uma mistura de dor e liberação. Seu corpo começa a se contorcer, e seus olhos brilham com uma intensidade sobrenatural. A luz e a escuridão parecem lutar dentro dele, como se estivessem em uma batalha épica.
Nesse momento, sinto uma conexão profunda com o ser, como se estivesse testemunhando sua transformação de perto. Suas memórias, suas dores, suas escolhas, tudo isso parece ecoar em minha mente. Uma sensação de compaixão misturada com determinação me preenche.
Ao redor de nós, o ambiente começa a tremer, como se a própria realidade estivesse sendo afetada pela luta interior do ser. Zareth permanece firme ao meu lado, seu olhar fixo na cena diante de nós.
O ser emite um grito ensurdecedor, uma mistura de agonia e liberdade. Sua forma começa a se desfazer, fragmentos de luz e sombra se espalhando como partículas ao vento.
É como se ele estivesse se despedindo, se dissolvendo em um novo estado de ser. E então, num último suspiro de energia, o ser desaparece completamente, deixando para trás apenas um eco de sua presença.
Desesperada, olho para Zareth em busca de respostas, minha voz carregada de angústia:
— O que aconteceu? Isso não era o que eu planejava. Ele está morto? Minha intenção era libertá-lo, não matá-lo. O que fizemos, Zareth? O que fizemos?
Zareth olha para mim com um olhar sério e compreensivo, sua voz firme ao responder:
— Calma, Luana. Ele desapareceu, então não podemos dizer que ele morreu.
A observação de Zareth traz um fio de esperança para minha mente em turbulência. Olho novamente para o lugar onde o ser estava, mas não há sinal dele. Um misto de alívio e inquietação se mistura em minhas emoções.
— Mas o que aconteceu com ele? Para onde ele foi? — Pergunto a Zareth, com um toque de ansiedade.
Zareth balança a cabeça, seus olhos fixos no local vazio.
— Não sei, Luana. Não posso afirmar com certeza. Pode ser que a energia da transformação tenha o consumido, ou talvez ele tenha se fundido com algo maior. Nossa realidade é mais complexa do que imaginamos.
A incerteza da situação pesa sobre nós, e o silêncio parece amplificar nossos pensamentos. Continuamos ali, lado a lado, olhando para o espaço onde o ser estava. O que quer que tenha ocorrido, não fazemos ideia.
Continuamos em silêncio por um tempo, processando o que acabou de acontecer. A sensação de que algo poderoso e desconhecido se desenrolou diante de nós paira no ar. Finalmente, quebro o silêncio, com uma mistura de inquietação e determinação em minha voz:
— Zareth, precisamos descobrir o que aconteceu de fato. Essa mudança na realidade, o desaparecimento desse ser, tudo isso está interligado. E se eu tiver desencadeado algo que não compreendo completamente?
Zareth olha para mim, sua expressão séria, mas repleta de confiança.
— Luana, o que quer que esteja acontecendo, não é apenas por sua causa. Todos nós somos peças nesse grande tabuleiro cósmico. Não podemos carregar o peso de todo o universo em nossos ombros. O que importa agora é entender e lidar com as consequências da nossa ação.
Suas palavras fazem sentido, e percebo que não estou sozinha nessa jornada. Nossa equipe, a ordem à qual pertencemos, todos têm um papel a desempenhar. Respiro fundo, buscando equilíbrio em meio ao caos que se desdobrou.
— Tem razão, Zareth. Não posso permitir que o medo e a incerteza me dominem. Precisamos encontrar respostas e entender como podemos remediar essa situação.
Zareth e eu sabemos que temos um longo caminho pela frente, cheio de desafios e descobertas. Ele então me diz:
— Vamos voltar, Luana. Precisamos comunicar isso à equipe, e juntos buscaremos entender melhor o que está acontecendo. Unidos, somos mais fortes e capazes de enfrentar qualquer obstáculo.
Concordo com um aceno de cabeça, sentindo uma mistura de determinação e gratidão por ter Zareth ao meu lado. Juntos, voltamos à moto e nos afastamos do local onde o ser misterioso desapareceu. O mundo ao nosso redor parece estar em transformação, assim como nós mesmos.
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Atualizado até capítulo 51
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