Luana
Logo após a reunião, Doriana nos informou que o restante da equipe se dirigiria a um planeta distante, enquanto eu e Zareth ficaríamos em um planeta mais próximo para uma missão específica que exigiria a presença da arqueira Lunar e do arqueiro sombrio.
À medida que nos aproximávamos do planeta, podíamos sentir a energia densa pairando no ar. O ambiente era opressor, como se cada sombra escondesse segredos sombrios e inquietantes.
Terralitos, como eram conhecidos esses seres, vagueavam pela paisagem. Sua aparência física era única e intimidante, com corpos robustos cobertos por uma pele rugosa e escamosa. Seus olhos faiscavam com um brilho inquietante, enquanto suas garras afiadas denunciavam sua natureza predatória.
A missão era clara: enfrentar a escuridão interna desses seres e trazer à tona a luz que estava oculta. Era uma tarefa complexa, considerando que tanto Zareth quanto eu tínhamos papéis distintos, mas complementares, a desempenhar.
Enquanto avançávamos entre as sombras e os olhares atentos dos Terralitos, uma tensão silenciosa pairava entre mim e Zareth. Cada movimento dele era calculado, seu olhar carregava uma mistura intrigante de desconfiança e curiosidade.
Por mais que nossa parceria fosse necessária para cumprir a missão, eu não conseguia ignorar o conflito interno que existia entre nós.
— Este lugar é um verdadeiro antro de escuridão — murmurei, mantendo meu arco lunar pronto para agir a qualquer momento.
Zareth lançou um olhar de canto para mim, seu tom cínico transparecendo em sua voz.
— E é exatamente por isso que estamos aqui, pequena guardiã.
— Você acha mesmo que seu ódio pode fazer a diferença aqui?— retruquei, meus olhos fixos nos Terralitos que nos rodeavam.
— O ódio tem sua própria força, assim como o amor. E, às vezes, é necessário para romper os grilhões da apatia — ele respondeu, sua voz carregada de uma confiança peculiar.
Concentre-se, Luana, lembre-se por que estamos aqui, pensei para mim mesma, deixando o diálogo de lado enquanto nos preparávamos para enfrentar os desafios que nos aguardavam.
Quando nos deparamos com um grupo de Terralitos, cada um deles exalando uma aura de agitação e escuridão, Zareth ergueu seu arco, preparando-se para atirar.
Seus olhos se encontraram com os meus por um breve momento, um desafio silencioso ecoando entre nós. Era como se ele estivesse me desafiando a provar que minha luz poderia ser tão poderosa quanto sua escuridão.
Eu, por minha vez, ergui meu arco lunar, sentindo a energia divina pulsando através dele. Enquanto apontava para o coração dos Terralitos, sabia que minha flecha trazia consigo a força do amor e da esperança.
Ao lançá-la, o ar se encheu com uma luminosidade suave e reconfortante, e o brilho da flecha iluminou a escuridão ao seu redor. A reação dos Terralitos foi imediata.
Eles pareciam confusos, agitados pela luta interna entre a escuridão que carregavam e a luz que estava começando a emergir. Zareth atirou suas flechas, cada uma delas atingindo seu alvo com precisão.
Mas algo estava diferente. O ódio que as flechas carregavam parecia enfraquecido, à medida que a luz emanada por minhas flechas continuava a crescer.
— Você não acha que está exagerando com todo esse amor? — Zareth perguntou em um tom provocativo, seus olhos encontrando os meus mais uma vez.
— Se eu não o trouxer, quem mais o fará? — respondi, minha voz firme e determinada.
Enquanto lutávamos para dissipar a escuridão dentro dos Terralitos, percebi que, apesar de nossas diferenças e tensões, nossa colaboração estava gerando resultados notáveis.
Zareth e eu éramos opostos, mas nossas habilidades se entrelaçavam, criando um equilíbrio único. A luz do amor estava começando a penetrar nas sombras do ódio, transformando a agitação interna dos Terralitos em uma busca por redenção.
No calor da batalha, olhei para Zareth, que agora estava lutando lado a lado comigo. Seus olhos, antes repletos de desconfiança, agora refletiam uma compreensão silenciosa.
A escuridão que nos separava estava sendo dissipada, pelo menos por enquanto, sob a influência da luz que ambos trazíamos.
— Você realmente acredita que pode mudar algo em criaturas como eles?— ele perguntou, sua voz carregada de curiosidade genuína.
— Eu acredito que cada ser tem uma centelha de luz dentro de si, por menor que seja — respondi.
Minha concentração se voltando para um Terralito que parecia estar resistindo à transformação. Zareth soltou um pequeno suspiro, mas não disse mais nada.
Continuamos a lutar, cada flecha lançada, cada movimento calculado, em uma dança sincronizada de luz e escuridão. Os Terralitos estavam lutando, sua agitação interna visível em seus olhares e posturas.
Alguns começaram a ceder à luz, enquanto outros resistiam teimosamente.
— Olhe para eles, Zareth. Mesmo em meio à escuridão, há uma batalha acontecendo dentro deles — comentei, meu olhar se fixando nos Terralitos que estavam começando a se render à luz.
Ele olhou na mesma direção, seus olhos estudando a cena diante de nós. E então disse:
— É um espetáculo interessante, de fato.
A medida que a batalha continuava, Zareth e eu nos movíamos em harmonia, nossos arcos brilhando alternadamente, nossas flechas encontrando seus alvos com precisão.
A tensão entre nós estava lá, mas estava sendo moldada pela compreensão mútua de que, apesar de nossas diferenças, tínhamos um objetivo comum.
Após um momento de silêncio, Zareth disse:
— É engraçado, como dois opostos podem ser tão complementares em uma situação como essa.
— Dizem, que somos o equilíbrio — respondi, meu olhar fixo em um Terralito que finalmente cedia à luz.
A batalha estava chegando ao fim, os Terralitos finalmente cedendo à transformação que estava acontecendo dentro deles. Suas energias escuras estavam sendo substituídas por uma luz frágil, mas genuína.
Enquanto os últimos raios de luz se espalhavam pela paisagem sombria, olhei para Zareth, um sorriso sutil brincando nos cantos de meus lábios. Ele me devolveu um olhar de reconhecimento, um gesto silencioso de respeito mútuo.
Nossa missão estava cumprida, e apesar de nossas diferenças e tensões, tínhamos encontrado um caminho para trabalhar juntos, para trazer equilíbrio e luz até mesmo aos cantos mais sombrios do universo.
Enquanto nos acomodávamos debaixo de uma árvore, esperando Doriana vir nos pegar com a nave, Zareth fixou seu olhar em meu braço e comentou:
— Você está sangrando, pequena guardiã.
Olhei para a ferida superficial no meu braço. Ergui o olhar para Zareth, e nossos olhares se encontraram por um momento antes de desviar.
Tentando minimizar a situação, respondi:
— Não é nada sério, eu faço esse pequeno corte em meu braço, pois meu sangue potencializa os efeitos das flechas.
Ele soltou um leve sorriso, mas foi um sorriso diferente dos que eu estava acostumada a ver nele. Era mais suave, quase... preocupado.
— Você sempre se coloca na linha de frente, não é? — ele disse, mais para si mesmo do que para mim.
Dei de ombros, incapaz de negar.
— É meu dever como guardiã.
Zareth parecia estar ponderando algo, como se estivesse prestes a dizer algo, mas pensasse duas vezes. Em vez disso, ele se levantou e se afastou, como se precisasse de um momento sozinho.
Enquanto o observava, senti uma mistura de emoções dentro de mim. A dinâmica entre nós tinha mudado desde que começamos a trabalhar juntos nessa missão. Havia algo mais do que apenas o ódio e o amor que nos separavam.
Talvez fossem as camadas mais profundas das nossas essências opostas. Ele voltou momentos depois, uma folha em sua mão. Antes que eu pudesse perguntar o que ele estava fazendo, ele se aproximou e gentilmente envolveu a folha em torno do meu braço ferido, amarrando-a com cuidado.
— Isso deve ajudar até voltarmos à nave — ele disse, sua voz um pouco mais suave do que o habitual.
Fiquei surpresa por sua ação, por sua preocupação. Ele não precisava fazer isso, não era sua responsabilidade. Mas ali estava ele, cuidando de mim de uma maneira que eu nunca teria esperado.
Nós nos sentamos em silêncio por um tempo, observando o horizonte distante. O clima entre nós era diferente, como se tivéssemos descoberto um terreno comum onde podíamos compartilhar momentos de entendimento, mesmo que fugazes.
Finalmente, a nave de Doriana apareceu no céu, e nós nos levantamos para nos juntar a ela. Enquanto caminhávamos em direção à nave, Zareth ficou ao meu lado, nossos ombros quase se tocando.
Com a voz carregada de sinceridade, ele disse:
— Você sabe, você não é o que eu esperava.
Olhei para ele, surpresa por sua confissão.
E perguntei:
— E o que você esperava?
Ele deu de ombros, um sorriso irônico brincando em seus lábios.
— Alguém que pudesse me desafiar, mas não dessa maneira.
Ri suavemente, sentindo a tensão entre nós se desfazer um pouco mais.
— Talvez você também não seja o que eu esperava.
Ele olhou para mim, seus olhos carregando uma intensidade que eu não tinha visto antes. E então ele me diz:
— Talvez, no final das contas, sejamos mais parecidos do que gostaríamos de admitir.
Enquanto entrávamos na nave, senti um estranho senso de conexão com Zareth. Ainda havia muito que nos separava, mas agora havia uma ponte frágil que ligava nossas essências opostas.
Uma ponte que talvez pudesse ser fortalecida com o tempo, uma ponte que representava o equilíbrio delicado entre luz e escuridão em nosso universo.
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Atualizado até capítulo 51
Comments
Joselia Freitas
Já tem um casal apaixonado 🤣🤣🤣🤣🤣
2025-01-19
0
Maria Nice Grudgen
E o amor 💘 está no ar 🥰🥰😍
2024-12-04
0
Maria Izabel
Em breve eles estarão apaixonados 💓💓
2024-06-03
1