Luana
Após o café, Belinha e eu nos arrumamos e saímos em direção à escola. No caminho, conversamos sobre seus sonhos, suas expectativas e suas travessuras.
E enquanto a deixo na escola com um abraço carinhoso, sinto uma mistura de emoções: orgulho, amor e um desejo profundo de proteger aquilo que é mais precioso para mim.
De repente, sinto a presença de Arcandros ao meu lado, ele se apresenta a mim com roupas terráqueas dessa vez. Mas ele não fala nada, seu olhar está fixo em um ponto.
Olho para ele e depois para o ponto em que ele está olhando e não vejo nada. Então pergunto:
— Arcandros? O que foi?
Ele se vira para mim e diz:
— Você estava sendo observada, Luana.
Intrigada, pergunto:
— O que? Por quem?
Ele simplesmente diz:
— Por um deles, a espécie que você conhece muito bem, aqueles que dividem os terráqueos.
E então uma fúria toma conta de mim. Eu sei exatamente de quem Arcandros está falando. Eles, os intrusos que semeiam a discórdia e manipulam as mentes dos humanos.
Olhando para Arcandros, pergunto:
— Tem certeza? Era realmente um deles?
Ele então me diz:
— Sim, Luana. Ele estava usando um casaco marrom. Infiltrou-se entre sua espécie naquela direção.
Com determinação, amarro meu cabelo em um rabo de cavalo alto, certificando-me de que meus cadarços de tênis estão bem apertados. Sem hesitar, começo a correr na direção indicada por Arcandros.
Encontro-me em um beco estreito, mas algo está errado. Antes que eu possa reagir, sou jogada com força contra a parede de tijolos. No momento em que me recupero e ergo os olhos, vejo um par de sapatos pretos à minha frente.
Seus olhos, frios e calculistas, encontram os meus, e uma sensação de perigo iminente me envolve.
Com voz tranquila e fria, ele diz:
— Estamos ouvindo rumores de que a Ordem está se reerguendo. Você, humana tola, parece estar envolvida. Seu nome está nos incomodando.
Sorrio com ironia e respondo:
— Se meu nome os incomoda, imagina o que farei quando derrotarmos vocês de uma vez por todas.
Ele dá um passo em minha direção, me cercando. Seus olhos vazios parecem penetrar em minha alma, mas eu não recuo.
— Quem você pensa que é, humana insolente? Nós somos seus Deuses, proporcionamos tudo a vocês. Se ajoelhe diante de nós!
Com um movimento rápido, meu arco lunar aparece em minha mão, pronto para o combate. Seu olhar se estreita ao ver minha arma.
— Então é verdade, você é uma das guardiãs. Uma das guerreiras que ousam desafiar nossa influência.
Com firmeza, encaro-o e digo:
— Surpreso? Não subestime os que lutam pelo bem e pela justiça.
Seu sorriso se transforma em uma expressão de raiva. Ele se move, e logo outros de sua espécie emergem das sombras, cercando-nos. Respiro fundo, pronta para enfrentar o confronto iminente.
Mas antes que qualquer ação seja tomada, uma figura majestosa surge à minha frente. Arcandros se manifesta em toda a sua glória angelical, suas asas de luz se estendendo como um escudo protetor.
Sua voz ressoa como um coro celestial:
— Criaturas impuras, afastem-se. Esta guardiã está sob minha proteção. A escuridão não prevalecerá.
Uma ventania divina preenche o beco, e os intrusos recuam, atingidos pela pura luz que emana de Arcandros.
Sinto-me embriagada pela presença divina, uma sensação de segurança e esperança irradiando de suas asas. Os intrusos fogem, incapazes de suportar a intensidade da luz sagrada.
Uma sensação de alívio toma conta de mim enquanto observo os intrusos desaparecendo nas sombras. Arcandros se aproxima de mim, suas asas recuando à medida que a luz se dissipa.
Ele me encara com serenidade e diz:
— Está tudo bem agora, Luana. Você está segura. Mas não faça mais isso, querer enfrentar essa espécie sozinha, você sabe como eles são ardilosos.
Eu assinto, um pouco envergonhada por minha imprudência. Arcandros tem razão, não posso subestimar a ameaça que eles representam.
— Você está certo, Arcandros. Fui impulsiva e inconsequente. Agradeço por ter vindo em meu auxílio.
Ele sorri gentilmente e responde:
— Estamos juntos nessa luta, Luana. Você não está sozinha. Mas lembre-se, devemos ser estratégicos e unidos.
Enquanto conversamos, percebo que a tranquilidade do beco é restaurada. As ruas ao redor estão movimentadas com pessoas que continuam suas rotinas sem perceber a batalha que quase acabou de ocorrer.
Então, pergunto a Arcandros.
— E agora? O que faremos em relação a eles?
Ele olha para o horizonte por um momento, profundamente pensativo.
— Continuaremos nossa missão, Luana. Devemos proteger a harmonia e a paz em todos os lugares.
Assinto, compreendendo o peso do nosso papel como guardiões da ordem. O destino da humanidade está em jogo, e não podemos nos dar ao luxo de recuar.
Antes de partirmos, olho mais uma vez para o beco onde a batalha quase ocorreu. É impressionante como o mundo cotidiano pode ser tão alheio às forças que operam nos bastidores, lutando pelo bem maior.
Com Arcandros ao meu lado, sinto-me fortalecida e confiante para enfrentar os desafios que ainda virão. O futuro é incerto, mas estou disposta a enfrentá-lo de frente, protegendo aqueles que amo e lutando pela paz em todos os cantos do universo.
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Atualizado até capítulo 51
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