Luana
Depois desse confronto intenso, Doriana disse que ficaríamos por um tempo aqui na Terra. E aqui estávamos, em uma casa afastada da cidade. Todos da equipe estavam dormindo, incluindo Zareth.
No entanto, eu não conseguia dormir. Uma inquietude me consumia, a sensação de que havia algo mais além do que me contaram. Doriana sempre me transmitia apenas o necessário, mas eu sentia que havia uma camada mais profunda de informações, algo que estava sendo ocultado.
Era como uma coceira constante na mente, a busca por respostas concretas que me impedia de descansar. Por que eles faziam isso? Por que tanto caos e destruição? A ideia de que fosse apenas perversidade não fazia sentido para mim.
Havia algo mais, uma motivação subjacente que eu precisava entender. Na calada da noite, enquanto todos estavam mergulhados em um sono profundo, tomei uma decisão.
Vestindo uma blusa com capuz, preparei meu arco. Eu não poderia simplesmente esperar por respostas, precisava ir atrás delas. Silenciosamente, saí da casa.
Minha intuição me guiava, um farol em meio à escuridão. Usando minhas habilidades como Arqueira Lunar, comecei a rastrear a energia distinta daquele ser que enfrentamos.
Caminhando pelas sombras da noite, eu me permiti ser guiada por minha determinação. Segui o rastro de energia, cada vez mais próximo de meu objetivo. Eu estava disposta a descobrir a verdade, mesmo que isso significasse enfrentar o desconhecido sozinha.
Cada passo que eu dava me aproximava mais do meu objetivo, meu coração batendo forte em antecipação. A cidade estava calma, iluminada pela fraca luz das estrelas.
Avancei cautelosamente, meus sentidos alertas para qualquer sinal de perigo. Minha determinação era como uma chama ardente dentro de mim, me impulsionando adiante.
Atravessei vielas escuras, subi telhados silenciosamente e me movi entre as sombras das árvores. Cada vez mais perto, eu podia sentir a presença sinistra daquele ser se fortalecendo. Não era apenas uma intuição agora, era como se nossas energias estivessem conectadas de alguma forma.
Finalmente, cheguei a uma floresta mais isolada, onde me deparei com uma entrada subterrânea. Uma construção maciça estava escondida entre a vegetação e o subsolo.
A energia sombria emanava do local, pulsando como um coração negro. Minha determinação se intensificou enquanto me aproximava silenciosamente da entrada.
As paredes rochosas pareciam sussurrar segredos obscuros, e o ar estava carregado com uma aura de perigo iminente. Adentrei o interior sombrio da construção, meus passos ecoando pelo corredor estreito. Minha respiração era controlada, minha mente focada em minha missão.
E assim, continuei avançando, até chegar a uma imensa sala iluminada apenas pela luz da lua, que entrava pelas grandes janelas. E lá estava ele, parado diante da janela, olhando para a lua, trajando uma vestimenta que lembrava uma armadura.
A energia sombria emanava dele, envolvendo-o como um manto sinistro. Seu perfil era imponente, seu olhar fixo na lua como se buscasse respostas nas profundezas do espaço. Um arrepio percorreu minha espinha quando percebi, a gravidade da situação me atingindo de frente.
Avancei cautelosamente, meus passos silenciosos no chão de pedra. Ele não se virou para me olhar, como se soubesse que eu estava ali, como se a escuridão lhe concedesse uma percepção além dos sentidos comuns.
Minha mente estava a mil, tentando compreender a complexidade da situação. Por que ele estava aqui? Por que estava abrindo portais para essas criaturas? Havia muito mais por trás dessa história, e eu estava determinada a descobrir a verdade.
Ele finalmente se virou para mim, seus olhos brilhando com uma intensidade perturbadora. Seus lábios se curvaram em um sorriso malicioso, como se ele lesse meus pensamentos.
Ele então se aproximou de mim, seus passos fortes e decididos ecoando pela enorme sala. Parou diante de mim com toda a sua altura imponente e disse:
— Vejo que você veio até a mim, guardiã.
Sua voz tinha um tom de confiança e desafio, seus olhos fixados nos meus. Eu mantive minha postura, não permitindo que sua presença me intimidasse.
— Eu vim buscar respostas. Isso não faz sentido para mim. Por que você faz isso com o meu planeta? Por que manipula nossa realidade? Por que trazer tanto sofrimento? Isso é muito doloroso, você não tem consciência? Não tem compaixão?
Ele riu suavemente, um sorriso cínico brincando em seus lábios.
— Compaixão, um conceito tão humano. Vocês são tão frágeis, tão emocionais. Vocês acham que a compaixão é a chave para tudo, mas estão enganados.
Eu o encarei com firmeza, a determinação fluindo em minhas veias.
— A compaixão é o que nos conecta, o que nos torna humanos. Você pode ter todo o poder do mundo, mas se falta compreensão e empatia, você é apenas um ser vazio.
Ele se aproximou ainda mais, nossos olhos travados em um duelo silencioso.
— Vocês são limitados por suas próprias emoções. A compaixão os enfraquece, os torna vulneráveis.
Minha expressão endureceu, minha voz se tornou firme.
— A compaixão nos fortalece, nos une. Não é fraqueza sentir empatia pelos outros. É isso que nos faz lutar por um mundo melhor.
Ele riu novamente, mas dessa vez era um riso carregado de escárnio.
— Vocês e suas ilusões. Acreditam que podem mudar o mundo com palavras e sentimentos. Mas a realidade é cruel, Luana. E logo vocês verão que não podem fazer nada para impedir a evolução inevitável.
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Atualizado até capítulo 51
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