Luana
Eu então olho fixamente em seus olhos, tendo uma compreensão mais ampla dele. Começo a sentir uma dor literalmente em meu coração, enquanto digo:
— Eu sinto compaixão por você.
Ele apenas me diz:
— Não, não pense que seu amor tem influência sobre mim.
Jogo meu arco no chão, puxo o capuz da minha cabeça, enquanto lágrimas inundam meu rosto, pergunto:
— Por quê? Me diz. Por que você decidiu viver assim? Eu sinto a sua dor. É muita dor.
Eu caio de joelhos no chão de pedra, o som da minha queda ressoa pela sala toda. Nesse momento, ele me olha com uma expressão inescrutável, um lampejo de algo que parecia ser reconhecimento cruzando seu olhar.
— Você não entende, Luana. Não pode compreender as escolhas que fiz e as razões por trás delas. Você é apenas uma peça pequena em um jogo muito maior.
Minha voz tremula enquanto tento conter as lágrimas.
— Eu posso não entender completamente, mas posso sentir a dor que você carrega. Ninguém deveria viver assim, preso em escuridão e dor.
Ele permanece em silêncio por um momento, como se estivesse ponderando minhas palavras. Então, com um suspiro quase inaudível, ele se afasta e começa a andar pela sala.
— Você não tem ideia das forças que estão em jogo, dos dilemas que enfrentamos. Não posso simplesmente desfazer o que foi feito.
Eu me levanto do chão, determinação fervendo dentro de mim, decidida a revelar a ele o que se passa dentro de mim:
— Não importa o quão complexa seja a situação, sempre há uma escolha. Sabe, eu nunca me senti uma humana normal. Sempre existiu algo dentro de mim que dizia que havia algo a mais. Desde criança, eu via o mundo como ele realmente é, a ilusão que você criou para todos não me afetou. Eu apenas sabia que tinha algo errado. Quando fui recrutada e aos poucos recebi as informações, foi um choque, não nego. Minha ativação foi dolorosa, assim como várias fases da minha vida. Quando descobri realmente sobre vocês, o desejo imediato foi querer destruí-los. Era assim até dias atrás. Mas agora, aqui, sentindo essa imensa dor, eu sinto compaixão por você. Mais que isso, eu sinto o seu vazio, a sua dor, a sua perdição.
Ele mantinha um olhar indecifrável sobre mim, mas eu estava decidida. Continuei:
— E é por isso que, diante de você, em nome de um bem maior, eu faço uma proposta: torne-me sua prisioneira, ou acabe com a minha vida se quiser. Mas liberte a todos, liberte o planeta. Deixe-os evoluir naturalmente, sem manipulação dessa vez.
O silêncio pairou entre nós por um momento, carregado com a gravidade das minhas palavras. Seus olhos permaneceram fixos em mim, como se estivesse avaliando a sinceridade das minhas intenções.
Finalmente, ele falou, sua voz carregada de uma mistura de surpresa e descrença:
— Você estaria disposta a sacrificar sua própria vida por isso? A se tornar minha prisioneira, condenada a uma existência nas sombras?
Eu o encarei, minha voz firme:
— Se isso significar dar uma chance ao mundo, aos seres que habitam esse planeta, sim. Eu escolheria isso.
Ele desviou o olhar por um instante, parecendo imerso em seus próprios pensamentos. Quando olhou para mim novamente, havia uma expressão complexa em seu rosto.
— Você é uma peça curiosa no tabuleiro, Luana. Uma peça que desafia as convenções, que questiona a escuridão que abraço. Ainda não decidi o que farei com você, mas sua proposta será considerada.
Eu mantive minha postura, mantendo o olhar fixo no dele.
— Independentemente da sua decisão, eu continuarei lutando pelo que acredito. Pela luz, pelo amor e pelo equilíbrio.
Ele assentiu lentamente, então, sem mais palavras, desapareceu nas sombras da sala, deixando-me sozinha com minhas reflexões e esperanças de que minhas palavras tivessem encontrado um caminho para a sua alma atormentada.
Fiquei ali, naquela sala silenciosa, imersa em meus pensamentos e nas palavras que trocamos. Sabia que aquela conversa não era o fim, que as consequências das minhas palavras reverberariam nas escolhas que ele faria. Minha determinação permanecia inabalável; eu estava disposta a enfrentar as consequências, fossem elas quais fossem.
O retorno à casa foi silencioso, enquanto a lua brilhava no céu noturno. Ao me aproximar da casa, sou surpreendida por Zareth, que está encostado na parede da mesma, imerso na escuridão.
Seus olhos capturam a luz da lua, lançando um brilho misterioso. Ele então me diz, sua voz carregando um tom suave:
— Dando um passeio noturno, pequena guardiã?
Eu me aproximo dele, o silêncio entre nós é confortável, como se nossos pensamentos se entrelaçassem.
— Sim, precisava de um momento para pensar.
Ele assente, compreensivo, e diz:
— A conversa que teve com aquele ser... Foi corajosa.
E então olho para ele alarmada, desesperada, tentando manter em sigilo, digo:
— Do que você está falando!? Que conversa?
Zareth mantém seu olhar fixo em mim, como se estivesse avaliando minha reação. Sua expressão é séria, quase impenetrável.
— Luana, sei que encontrou ele. Eu estava observando.
Meus olhos se arregalam de surpresa e, ao mesmo tempo, de preocupação. E então digo:
— Zareth, você não pode contar para a equipe, principalmente para Doriana.
Ele me olha fixamente por um longo período, mas nada diz, apenas segue até a porta, e antes de abrir ela, me diz:
— O amanhecer do seu planeta se aproxima, você deveria descansar.
Seus olhos refletem um entendimento que vai além das palavras, e isso me traz um certo conforto. Ele não é apenas um aliado em batalha, mas alguém que compreende a complexidade da minha jornada.
Enquanto ele entra na casa, fico parada por um momento, olhando para a lua que ainda brilha no céu. Uma sensação de dever e incerteza se mistura dentro de mim.
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Atualizado até capítulo 51
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