Luana
Hoje eu iria passar a noite na Base Estelar, e amanhã, Doriana me levaria de volta para a Terra. Após um banho relaxante, vesti uma roupa confortável, uma das minhas que costumo deixar aqui no meu dormitório.
Enquanto saía do quarto, dei de cara com Zareth emergindo de um dos dormitórios também. Ele estava vestindo apenas uma calça de moletom, e seu físico impressionante estava em evidência.
Era uma visão inesperada, considerando que Zareth não era humano como eu, mas naquele momento, ele se assemelhava surpreendentemente a um. Até mesmo a roupa que usava era algo típico dos terráqueos.
Minha curiosidade foi despertada ainda mais. Era intrigante vê-lo naquele estado, descontraído e sem seus habituais arco e flecha. Nossos olhares se encontraram, e por um breve momento, ficamos nos estudando em silêncio.
Era como se estivéssemos enxergando além das nossas essências opostas, explorando os detalhes que nos tornavam tão diferentes e, ao mesmo tempo, tão parecidos.
Zareth quebrou o silêncio, sua voz carregando um tom de ironia que eu já começava a reconhecer.
— Surpresa, pequena guardiã?
Ele então se encostou na parede, colocando a mão no bolso da calça, e eu não pude deixar de comentar:
— Nossa! Você está usando roupas idênticas às do meu planeta.
Zareth deu de ombros, um pequeno sorriso brincando em seus lábios.
— Às vezes, é interessante adotar os costumes de outros lugares. É uma experiência enriquecedora.
Concordei, ainda surpresa com a visão diante de mim. Ver Zareth de uma forma tão casual, quase humano, era quase como se as fronteiras entre nossos mundos opostos estivessem se diluindo.
Um momento de silêncio se estabeleceu entre nós, e o olhar de Zareth parecia estudar cada detalhe do meu rosto. Eu senti que ele estava tentando entender algo, mas o quê, eu não sabia ao certo.
Finalmente, ele quebrou o silêncio, sua voz carregada de curiosidade e uma pitada de provocação.
— E você, pequena guardiã, o que está pensando agora?
Eu sorri, mantendo o olhar firme no dele.
— Estou pensando no que você, um ser jovem e enigmático, está escondendo de mim.
Zareth ergueu o olhar, soltando uma risada que ressoou suavemente pelo ar. Seu riso tinha um tom reconfortante, quase como uma melodia.
E então ele respondeu:
— Eu não sou jovem, pequena guardiã.
Arqueei uma sobrancelha, curiosa com sua afirmação.
— Bem, você certamente parece jovem para mim. Você parece ter no máximo uns 20 anos.
Zareth me olhou nos olhos, seu olhar carregado de mistério enquanto começava a andar na minha direção em passos lentos e calculados.
— Lembre-se, o conceito de tempo varia entre as nossas espécies. Seu ano terrestre é diferente do meu. Eu conheço bem a sua raça, e posso garantir que sou muito, mas muito mais antigo do que você imagina.
Senti um arrepio percorrer minha espinha enquanto suas palavras ecoavam em meus ouvidos. Seus olhos negros brilhavam com uma sabedoria ancestral, e eu me vi incapaz de desviar o olhar, presa na intensidade do momento.
— Mais antigo do que eu posso compreender, então? — murmurei, sentindo um misto de fascinação e apreensão.
Zareth assentiu lentamente, seus lábios curvando-se em um sorriso enigmático.
— Exatamente, pequena guardiã. Há muito mais em mim do que aquilo que seus olhos podem ver.
Ele continuava se aproximando, e eu, por puro instinto, comecei a recuar lentamente, mantendo meus olhos fixos nele. Minha mente estava cheia de perguntas e curiosidade, e eu não conseguia evitar a necessidade de entender mais sobre aquele ser enigmático diante de mim.
— Você tem relações, assim como os humanos? — minha voz saiu mais firme do que eu esperava.
Mas logo percebi o duplo sentido involuntário de minha pergunta e corrijo rapidamente.
— Quero dizer, você tem conexões, laços com outros seres, como os humanos têm entre si?
Zareth parou seu avanço, mantendo uma distância respeitosa entre nós. Seus olhos negros pareciam estudar cada expressão em meu rosto, como se estivesse avaliando o que eu realmente queria saber.
— As relações entre os Alabastros são diferentes, mais profundas do que você pode imaginar. Nós compartilhamos uma conexão que transcende o tempo e o espaço. Nossas interações são moldadas por energias ancestrais, por forças cósmicas que estão além da compreensão humana. Somos ligados de maneiras que não podem ser facilmente explicadas.
Senti-me intrigada e ao mesmo tempo sobrecarregada pelas palavras de Zareth. Era como se ele estivesse revelando uma parte de si mesmo que raramente era compartilhada com outros.
— E quanto a você? Você tem alguma ligação especial?
Sua pergunta pegou-me de surpresa, fazendo-me sentir momentaneamente vulnerável diante de sua atenção intensa.
Respirei profundamente, sentindo a intensidade do momento enquanto nossos olhares continuavam travados.
— Bem, tenho minha equipe, meus companheiros de missão, e claro, meu mentor que sempre me orienta — Comecei
Mas antes que pudesse continuar, fui interrompida por Zareth. Sua voz era firme e penetrante quando ele disse:
— Eu me refiro ao seu planeta natal, às pessoas com quem você compartilha laços mais profundos.
A pergunta me pegou de surpresa, e por um momento, meu olhar se desviou do dele enquanto eu processava suas palavras. Ele estava interessado nas conexões humanas que eu havia deixado para trás, nas relações que eram tão importantes para a maioria dos seres terrestres.
Após um breve momento de reflexão, ergui meu olhar novamente para Zareth, determinada a responder sinceramente.
— A única família que eu tenho na Terra são minha tia e minha prima. Elas são as pessoas mais próximas a mim, as únicas que compartilham laços de sangue e história.
Zareth assentiu lentamente, como se estivesse absorvendo minhas palavras. Sua expressão era enigmática, revelando pouco sobre o que ele estava pensando.
Ele se aproximou cada vez mais, sua presença dominando o espaço ao nosso redor. Meu coração começou a acelerar à medida que ele se aproximava, e a parede fria parecia pressionar contra minhas costas.
Seus olhos penetrantes me prendiam, como se estivessem buscando algo além das palavras que trocávamos. O ar ficou carregado com uma tensão palpável, e eu não conseguia desviar o olhar dele.
Com um movimento decidido, Zareth colocou uma das mãos na parede logo acima da minha cabeça, criando uma barreira quase física entre nós.
Sua proximidade era intoxicante, e a sensação de encurralamento apenas aumentava a intensidade do momento. Seus lábios se aproximaram perigosamente perto do meu ouvido, e eu podia sentir sua respiração suave enquanto ele sussurrava:
— Eu também posso ter prazeres carnais, pequena guardiã.
Suas palavras enviaram um arrepio pelo meu corpo, e meu coração deu um salto descompassado. Minha mente estava em turbilhão, tentando processar a audácia de sua confissão. Sua voz tinha um tom provocador e misterioso, como se estivesse desafiando os limites entre nós.
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Atualizado até capítulo 51
Comments
Maria Nice Grudgen
Eita lasqueira kkkkk 🔥🔥🔥🔥
2024-12-04
0
Maria Izabel
Que vença o amor ❤️ verdadeiro
2024-06-03
1
Cléo
Fofíssimo!
2023-08-16
2