Luana
Quando os raios de sol começam a entrar pela fresta da janela, desperto lentamente, sendo recebida por vozes familiares ao meu redor. Uma das vozes resmunga:
— Droga de tecnologia humana, justo agora que precisamos, não funciona.
Com um sorriso se formando em meus lábios, lembro, que estou no meu planeta, rodeada pela minha equipe. O som deles tentando ligar alguma coisa, provavelmente a televisão, juntamente com um chiado característico, preenche o ambiente.
Eu continuo deitada, os olhos fechados, saboreando esse momento familiar. Finalmente, faço um esforço para me levantar, sabendo que minha escolha de dormir tarde, não foi das mais sábias.
Encaminho-me para o banheiro, deixando a água quente do chuveiro me revitalizar, lavando o sono e a confusão da mente antes de iniciar o dia.
Após o banho revigorante, visto-me com roupas confortáveis e desço para a sala, onde a equipe está reunida. O ambiente está impregnado com um misto de tensão.
Com pressa, questiono:
— O que está acontecendo?
Eles me encaram, todos com uma densidade perceptível. Quando eles dormem em um planeta que não é o deles, suas aparências se assemelham às dos nativos do planeta, tornando-os humanos à primeira vista.
No entanto, seus traços distintos permanecem, amplificando sua beleza. Uma injustiça, admito. Mas voltando ao foco, Zareth se aproxima e diz:
— Quer saber o que está acontecendo? Vem aqui.
Ele segura minha mão e me puxa para fora da casa, seguido pelo restante da equipe. Observo o horizonte e vejo uma coloração estranha, virando-me rapidamente para eles, pergunto:
— O que é isso? O que está acontecendo com a terra?
Zareth fixa os olhos em mim e responde:
— Não sabemos, mas está claro que algo está acontecendo.
Decido puxá-lo um pouco mais afastado do grupo, que está distraído com a coloração sinistra no horizonte.
— Zareth, você acha que isso tem alguma relação com o que fiz ontem? Com a proposta que fiz a eles?
Ele solta um suspiro cansado antes de responder:
— Eu realmente não sei, pequena guardiã. Só espero que você não tenha desencadeado algo ainda mais complexo.
Sinto meu coração acelerar enquanto afirmo:
— Minha decisão foi baseada em um bem maior, você sabe disso.
Preocupação é evidente em seus olhos, e ele comenta:
— Eu sei que sempre busca o melhor, mas me preocupa sua crença de que pode resolver tudo sozinha, só por ser uma guardiã.
Não resisto a revirar os olhos para ele antes de perguntar:
— Onde está Doriana? Ela deve saber o que está acontecendo.
Ele volta a olhar para o horizonte, respondendo com um tom grave:
— Ela saiu, disse que precisava buscar alimento.
Fico atônita, a surpresa evidente em minha expressão enquanto exclamo:
— Ela viu isso e simplesmente saiu?
Ele dá de ombros, sua expressão carregada.
— Não, Luana, quando ela saiu, nada disso estava acontecendo.
Logo avistamos Doriana chegando em um carro totalmente preto. Sua aparência também está adaptada à dos humanos, e devo admitir que ela está incrivelmente bela.
Ela desce do carro segurando algumas sacolas nas mãos, acompanhada por um homem de meia-idade, baixo e de aparência serena. Ele me lembra muito os nativos raízes do planeta.
Ela tira os óculos de sol e olha para o horizonte, juntamente com o homem. Eles trocam olhares e assentem um para o outro. Então, Doriana se aproxima de nós, seguida pelo senhor, e diz:
— Guardiões, este é o representante dos contatados aqui do planeta.
Numa rápida lembrança, reconheço que existem os contatados do planeta Terra, frequentemente alvos de escárnio pela mídia e por aqueles que não compreendem esses assuntos.
São muitas vezes rotulados como loucos ou conspiracionistas, mas na verdade, eles são os que estão em missão neste planeta, os que representam a unificação.
A diferença entre eles e eu é mínima; o que aprendi sobre a ordem é que ela atua em várias escalas e comandos. Eu sou parte do comando dos convocados, aqueles que saem em missão além deste plano, enquanto os contatados são o comando designado para atuar aqui neste plano.
Eu nutro uma profunda admiração e respeito por esses meus irmãos de missão. Muitos deles também são ativados através da dor.
É um caminho difícil para muitos, desde a ativação até sintonizarem-se completamente, tudo pode parecer confuso. Ser constantemente rotulado de louco, apenas por enxergar a realidade, é um fardo pesado.
Mas, claro, também há aqueles que atuam aqui a mando daqueles que manipulam nossa percepção. No entanto, agora tudo parece mais incerto devido à minha proposta a eles.
O senhor estende a mão para mim rapidamente, apresentando-se:
— Você deve ser a lendária Luana, a humana convocada. É uma honra estar em sua presença. Me chamo Elias.
Eu aceno com a cabeça, apertando a mão dele, e respondo:
— A honra é minha, senhor Elias. Somos todos parte de uma irmandade, independente de nossa função. Aqueles que lutam por um bem maior são sempre bem-vindos.
Um sorriso sincero se forma em seu rosto enquanto ele cumprimenta o restante da equipe. Então, Doriana se volta para mim e diz:
— Seu planeta está passando por mudanças, Luana. E mudanças causam agitação, conflito. Há uma transformação ocorrendo no nível extrafísico, e a ordem celestial está em movimento.
Olho para ela, intrigada, e pergunto:
— Você está dizendo que... Mas como? Dizem que o que está escrito no livro da vida é imutável.
Ela troca um olhar significativo com o senhor, sorriem um para o outro e, então, ela me encara e responde:
— Quem te disse isso, minha criança? Quem ousa saber mais que a própria fonte criadora?
O senhor me olha e declara:
— Assim na Terra como no Céu, minha jovem.
Doriana assente, direcionando o olhar para mim. Eu continuo, intrigada e pergunto:
— E essa mudança é positiva?
Ela respira profundamente e responde:
— Não posso afirmar com certeza. Mas algo grandioso está ocorrendo nos cosmos. Como eu disse, mudanças sempre trazem turbulências. Sinto muito, mas não posso fazer nada para evitar isso.
Nesse momento, Zareth olha de Doriana para mim, depois para o senhor e, finalmente, para mim novamente, e começa:
— Há muito, muito tempo...
Doriana o interrompe de imediato:
— Zareth, não. Como sua supervisora, te proíbo.
Confusa, olho para ele e depois para Doriana, buscando compreender, mas ela rapidamente toma a dianteira e declara:
— Vamos, trouxe comida para vocês. Precisam se alimentar.
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Atualizado até capítulo 51
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