Olhando fixamente nos olhos dele, levanto meu arco em direção ao seu peito, enquanto minhas palavras ecoam no ar tenso:
— Eu realmente senti compaixão por você, senti sua dor, mas não me subestime, não me trate como um ser insignificante, pois você sabe muito bem que não sou. Pare de querer ser superior o tempo todo, você não é o Deus que todos acreditam, então apenas pare de querer os créditos, pois você não os merece.
Seus olhos brilham com um misto de surpresa e reconhecimento. Há uma tensão elétrica no ar, um embate de forças que vai além do físico. Ele não recua diante do meu desafio, mantendo seu olhar fixo no meu.
— Você é uma guardiã corajosa, Luana. Seu espírito é verdadeiramente admirável.
Baixo o arco, sentindo um misto de raiva e confusão. A presença dele mexe comigo de maneiras contraditórias.
Decido ser clara, firmando meu olhar nos dele, e digo:
— Você está jogando comigo, não é? Você é contraditório, está manipulando meus sentimentos, não está?
Um sorriso enigmático surge em seus lábios, como se meu questionamento fosse esperado. Ele não nega, mas também não confirma, deixando um mistério no ar.
— A vida é uma dança complexa, Luana. As emoções, as escolhas, tudo está entrelaçado em um jogo cósmico. Não sou o causador de tudo, mas sou parte desse intricado tecido.
Minha frustração aumenta diante da sua resposta ambígua. Eu não quero ser uma peça nesse jogo, quero respostas, quero entender.
Sorrindo, tenho um momento de revelação instantânea e digo:
— Você está mentindo. Eu não sou apenas uma peça no jogo, mas sou parte de tudo isso. Se não fosse assim, eu nem estaria aqui. Portanto, não sou algo insignificante. Não estou aqui por acaso.
As palavras fluem com uma confiança renovada, e minha expressão reflete a firmeza do meu propósito. Ele parece surpreso com minha resposta, como se não esperasse que eu confrontasse sua ambiguidade.
— Você compreende mais do que demonstra, Luana. A determinação que você carrega é impressionante.
Olho para o meu arco em minha mão e dou uma rápida olhada em Zareth, que está logo atrás de mim, pronto para qualquer imprevisto.
Em um movimento rápido, faço um pequeno corte em meu braço com a própria ponta de uma das flechas. Então, jogo meu arco no chão, passo a flecha no sangue do meu braço e a seguro com firmeza.
Com determinação, começo a me aproximar daquele ser. Zareth percebe rapidamente o que estou fazendo e exclama:
— Luana! Não!
Mas eu não o escuto, prossigo até chegar bem próxima daquele ser. Sua altura me deixa ainda mais baixa do que sou, mas não recuo, não desisto. Seguro a flecha firmemente em minhas mãos, enquanto ergo minha cabeça e encontro seu olhar fixo no meu, assim como o meu está fixo no dele.
Então, em um susurro carregado de coragem, digo:
— Talvez eu seja destinada a te salvar, a te trazer redenção. Permite-me te guiar para fora dessa escuridão. Deixa-me te curar.
Minhas palavras são um apelo sincero, uma oferta de ajuda que vem do âmago do meu ser. O ar ao nosso redor parece eletrificado, carregado com a tensão do momento. O tempo parece suspenso enquanto aguardo sua reação, minha determinação inabalável.
Seus olhos se fixam nos meus, uma mistura de emoções passando por eles. Há surpresa, desconfiança e, talvez, um toque de curiosidade. Sinto a energia no ar, um campo invisível que parece nos envolver enquanto nos encaramos.
Ele não diz nada por um instante, apenas mantém o olhar intenso sobre mim. Cada segundo parece uma eternidade, e então, finalmente, sua expressão começa a suavizar, como se um véu estivesse sendo levantado de sua face.
Sinto a mudança na atmosfera, como se uma brisa suave passasse por nós, carregando um sentimento de aceitação e vulnerabilidade. Seus ombros relaxam levemente e seus olhos, que antes eram uma fonte de intensidade, agora exibem uma certa melancolia.
Ele fala com uma voz suave, carregada de uma mistura complexa de sentimentos:
— Você... você tem coragem, Luana. Uma coragem que eu não encontro há muito tempo.
As palavras saem dele como se estivessem sendo arrancadas de um lugar profundo e oculto. É como se algo em mim tivesse tocado algo nele, algo que estava há muito tempo enterrado sob camadas de escuridão.
Eu mantenho meu olhar firme, sentindo uma conexão que vai além das palavras. Há uma compreensão mútua, uma troca de energias que transcende as barreiras do tempo e do espaço.
Ele estende a mão, tocando a ponta da flecha que estou segurando. Seu toque é suave, mas posso sentir uma corrente elétrica percorrendo minha pele, uma conexão entre nós.
— Talvez... talvez você esteja certa. Talvez haja uma maneira de sair dessa escuridão que eu mesmo me coloquei. Talvez... eu possa ser curado.
Suas palavras são carregadas de uma mistura de esperança e desespero. Sinto sua dor, sua luta interna, sua busca por redenção.
Zareth está ao meu lado, atento a cada movimento. Sua presença me dá forças, lembrando-me que não estou sozinha nessa jornada.
Com um aceno suave, peço a Zareth para se aproximar. Ele se move com cuidado, ciente da delicadeza do momento.
— Zareth, juntos podemos ajudá-lo a encontrar o caminho de volta à luz. Juntos, podemos enfrentar as sombras que o aprisionaram.
Zareth olha para mim e depois para aquele ser, avaliando a situação com olhos experientes. Ele concorda silenciosamente, pronto para oferecer sua ajuda.
Enquanto mantenho a flecha tingida de sangue em minha mão, olho novamente nos olhos daquele ser. Há um acordo não dito entre nós, uma promessa de que faremos o possível para ajudá-lo a se libertar da escuridão que o envolve.
O mundo parece suspenso em um momento de expectativa. Estamos prestes a embarcar em uma jornada que pode mudar o curso de tudo que conhecemos. Mas, seja qual for o resultado, estou determinada a enfrentar esse desafio e trazer a cura que ele tanto busca.
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Atualizado até capítulo 51
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