Acordo antes do despertador, acho que é a ansiedade, não dormi muito. Fui deitar muito tarde e fiquei rolando de um lado para o outro na cama, é muito difícil ser uma pessoa ansiosa.
Tomo um banho rápido, escovo os dentes, visto um jeans e uma regata e saio à procurar de Cecília para pegar meu uniforme.
Não a encontro em lugar nenhum da ala em que moramos, então vou até a cozinha e vejo Glória conversando com uma mulher que não sei quem é, não a tinha visto ontem, suponho que seja Cecília.
— Bom dia. –digo.
— Bom dia. –as duas respondem juntas.
— A senhora que é a Cecília? –pergunto.
— Sim, você precisa dos uniformes não é? Mariano já havia me pedido, deixei no armário do banheiro.
— Muito obrigada, prazer em conhecer a senhora.
— Prazer. –ela é uma mulher muito séria.
Corro para o banheiro e logo pego o uniforme, a blusa é rosa cheia gatinhos e a calça é azul escuro.
Há dois uniformes, esse que vou usar e outro, roxo com estampa de pandinhas e a calça também azul como a outra.
Me visto, faço um rabo de cavalo para tentar conter meus cachos rebeldes e logo vou para cozinha principal tomar café.
Quando chego estão todos sentados tomando café, todos que conheci ontem, Cecília que conheci hoje e outra moça que suponho ser Júlia já que não a vi ontem.
— Bom dia. –digo e todos respondem.
Mariano evita fazer contato visual comigo, talvez seja pela noite anterior que ele me viu em trajes de dormir. Chega a ser engraçado um homem de sua idade agir assim, mas acredito ser porque ele é meu chefe.
— Sente-se. –Glória diz apontando para a cadeira.
— Obrigada. –digo.
— Oi, sou Júlia. –ela diz estendendo a mão.
— Olá, sou Malu. –aperto sua mão.
— Café? –Glória pergunta para mim.
— Sim, obrigada.
Bebo o café e como três bolachas, estou sem fome, não costumo me alimentar tão cedo assim, quando trabalhava no restaurante acordava nessa mesma hora, mas só ia tomar café lá pras 9:00 horas da manhã, lembrar do restaurante me fez lembrar que não liguei para Carol, mais tarde quando tiver um tempo ligo pra ela.
— Você comeu muito pouco. –diz Mariano e todos olham para ele, inclusive eu.
— Não costumo tomar café essa hora.
— Você só vai se alimentar novamente ao meio dia.
— Tudo bem, eu já sou acostumada a passar muito tempo sem me alimentar. –mal sabe ele que quando morava na rua muitas vezes só me alimentava a noite.
Todos continuam olhando para ele com cara de surpresos, não sei o que estão achando estranho, mas aparentemente ele não deve costumar falar muito, ou sua preocupação com minha alimentação os deixou intrigados.
— Não deveria ficar tantas horas sem se alimentar. –ele diz e dou de ombros sorrindo para ele, que me retribui com um meio sorriso.
— Até mais tarde pessoal, me desejem sorte. –digo me levantando.
— Vamos vou lhe levar até lá. –diz Mariano, ele coloca a mão em minhas costas me direcionando para onde devo ir.
Sinto os olhares de todos sobre nós, por sorte não falam nada, talvez falem quando não estivermos mais aqui.
— Bom dia. –Mariano diz ao homem e a mulher que estão descendo as escadas. — Esses são os patrões. –Mariano cochicha para mim.
— Bom dia Mariano. –a mulher diz, o homem vai direto para sala de jantar e se senta. — Essa é a Maria Luiza?
— Sim. –ele diz.
— Olá querida, seja bem vinda. –diz me abraçando. — Alice deve está lá em cima no quarto com Débora, ela costuma acordar às 8:00, mas já tá na hora de trocar, então pode ir lá, caso tenha alguma dúvida pergunte a Débora, mas também tem todos os horários anotados, e como deve esquentar o leite dela, eu amamento ainda, mas ela já está com cinco meses e resolvi voltar a trabalhar. Pode ir lá, bom trabalho.
— Sim senhora, e obrigada, muito obrigada por tudo.
— Imagina, minha mãe falou muito bem de você, fico feliz que seja uma pessoa da confiança dela, pode subir, Mariano você poderia lhe mostrar onde fica o quarto já que sua mãe não está aqui?
— Sim senhora, com licença. –ela sorri e vai para sala de jantar também. — Vamos. –ele diz segurando minha mão para me ajudar a subir as escadas.
Vou observando tudo e essa casa é bem maior do que pensava, perdi as contas de quantos quartos têm.
— É aqui Mariano. –diz Mariana abrindo a porta bem devagar e Débora olha para ele espantada. — Essa é Malu, a nova babá. –ela dá um meio sorriso e me olha com cara de poucos amigos.
Essa é a primeira que não me trata bem, mas deve ser porque ela não deve ter dormido bem, já que tem que cuidar da bebê.
— Os horários dela estão naquela agenda que fica em cima da cômoda, cuide dela direito, já que você nunca deve ter sido babá, preste bastante atenção.
— Posso até não ter sido babá, mas sei muito bem cuidar de criança, senão, não teria aceitado o emprego, agora se me dá licença, é meu horário.
Quem ela pensa que é para falar comigo assim? Ela nem pense que vou baixar minha cabeça para ela, nunca quis ser melhor do que ninguém, mas também não sou pior. E nesse caso estamos de igual para igual, ela é babá e eu também.
— Obrigada. –digo e aceno para Mariano, que sorri para mim, e Débora nos fuzila com os olhos.
Agora entendi tudo, ela deve está com ciúme dele, não sei se eles têm algo, mas se tiverem não é problema meu, não pedi a ajuda dele em nenhum momento, muito pelo contrário, ele que se ofereceu e pelo o que entendi sua mãe é que deveria me ajudar e não ele.
Entro finalmente no quarto os deixado lá fora, se há algo para resolver eles que se resolvam.
Alice dorme tranquilamente em seu berço e eu aproveito para olhar na agenda os horários. Por sorte está tudo muito bem explicado, os horários dos banhos, do leite e como deve ser esquentado, já que é leite materno e fica na geladeira.
Enquanto Alice dorme aproveito para ligar para Carol ela deve está pirando por eu não ter ligado.
*ligação on*
Carol: Quanta consideração pela sua amiga grávida não é?
Eu: Desculpa, cheguei bem tarde e fui organizar minhas coisas.
Carol: Chegou bem?
Eu: Sim, muito bem.
Carol: Como são as pessoas aí? Te trataram bem?
Eu: São muito boas, me trataram super bem.
Carol: Que bom, estou com saudade, esse restaurante não é o mesmo sem você, dona Lúcia está entrevistando umas meninas, uma vai ficar com sua vaga.
Eu: Também estou com saudade, espero que sua nova colega de trabalho seja legal.
Carol: Espero que sim.
Eu: Como está Meg?
Carol: Um porco triste, acho que está sentindo sua falta, acho que vou procurar uma companheira pra ela.
Eu: Aí que tristeza, espero poder trazê-la logo, se conseguir uma companheira pra ela, não se preocupe com a alimentação eu mando dinheiro pra você comprar.
Carol: Tudo bem.
Alice resmunga no berço e vejo que ela já está acordada.
Eu: Preciso ir, a bebê acordou, qualquer coisa me liga.
Carol: Tudo bem, bom trabalho.
Eu: Obrigada, beijo. –digo e desligo.
— Oi princesa, sou sua nova titia, vamos levantar e tomar seu leitinho? –ela sorri para mim.
É uma bebê muito linda, de olhos bem expressivos, muito simpática e sorridente.
Troco sua fralda e visto uma roupa confortável e bem fresquinha, aqui é muito quente.
Pego o carrinho e Alice e vou até a cozinha para poder esquentar o leite dela. Quando entro Débora está sentada à mesa tomando café, Mariano está perto dela e eles conversam sobre algo que não consigo ouvir.
Vou até a geladeira e pego o leite, boto em cima da bancada e encho uma panela com água para esquentar para o banho Maria, O leite tem que ser esquentado assim.
Os dois me observam em silêncio, sinto minhas orelhas ficarem quentes só dos olhares que eles jogam em cima de mim.
Alice é uma bebê muito calminha, fica no carrinho brincando enquanto esquento seu leite.
— Tudo bem no primeiro dia? –Glória entra na cozinha e pergunta.
— Tudo bem, vou esquentar o leite dela agora.
— Ela é muito calminha não é?
— Sim, e linda também, a cara da mãe.
— É sim, se precisar de alguma coisa pode falar comigo.
— Tudo bem, obrigada.
Termino de esquentar o leite e quando vejo que está na temperatura ideal, vou até o carrinho e levo Alice para um espaço que há aqui no andar de baixo para ela passar o dia. Tem muitos brinquedos, tapetes no chão e um mini berço para ela descansar durante o dia.
Sento no chão e dou a mamadeira para ela que me olha e sorri. Assim que termina já quer ir para o tapete brincar com seus brinquedos. Deixo a mamadeira em cima da mesa e sento Alice de costas para mim para não ter risco de cair, ela brinca animadamente.
— Quer que eu leve a mamadeira para cozinha? –Mariano me faz distrair da minha "conversa" com Alice.
— Não precisa, precisa lavar e higienizar.
— Glória pode fazer isso.
— Não, não, é o meu trabalho, daqui a pouco vou fazer isso.
— Tudo bem, como está indo seu primeiro dia?
— Tudo bem.
— Que bom, qualquer coisa pode falar comigo.
— Pode deixar, obrigada. –ele sorri e sai.
Mariano está se mostrando muito atencioso comigo, isso é bom, seria melhor ainda, se não tivesse uma mulher ciumenta com raiva de mim por isso.
Algo me vem a mente, desde que cheguei aqui não lembrei de Miguel nenhuma vez. Não deixei de gostar dele, talvez nunca deixe.
Eu sempre soube que não tinha a menor possibilidade de ficar com ele, não me iludi porque no fundo sempre soube que ele não era para mim.
Mesmo tendo consciência disso tudo, nada impede de doer, sinto falta dele e de tudo que ele me fez sentir. Foram dias muito bons, mas que me trouxeram muita dor.
Afasto esses pensamentos, pois já está na hora do banho de Alice. Subo com ela até o quarto, preparo tudo e dou banho nela, troco sua roupa, e arrumo o cabelinho dela, passo perfume. Nino ela até que ela dorme.
Desço para lavar e esterelizar as mamadeiras dela. Por sorte Débora e nem Mariano estão aqui. Somente Glória cuidando do almoço.
Lavo tudo e coloco no potinho que vai ao microondas para esterelizar. Enquanto espero pego uma água e sento para esperar.
— Que cheiro bom. –digo.
— Obrigada.
— Eu amo cozinhar, trabalhava em um restaurante na minha cidade.
— Sério? Que legal.
— Sim.
O microondas dá sinal que terminou, tiro as mamadeiras e guardo, me despeço de Glória, e subo de volta para o quarto, onde Alice ainda dorme tranquilamente.
Sento na poltrona e vou dá uma olhada em minhas redes sociais. Por instinto vou direto procurar a rede social de Miguel, ele publicou uma foto no aeroporto, na legenda diz que está de volta ao Brasil.
Meu coração salta no peito, a vontade de mandar uma mensagem é grande, estou prestes a fazer isso, mas um comentário da mesma mulher me para. O comentário diz que ela sentirá saudade dele, e que logo chegará ao Brasil.
Ele realmente deve está com ela, isso era tudo que eu precisava para seguir em frente, agora é pra valer, ele será apenas uma página em minha vida.
Miguel sem nem saber me deu um impulso para seguir em frente.
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Atualizado até capítulo 111
Comments
Samara Nogueira de Freitas
pois é. um homem de quase 35 anos, mas com maturidade de um adolescente de 17. pq era p ele ser o primeiro a bloquear a ex. mas... muito permissivo
2025-04-01
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Flor De Liz Soares Souza
mulher tu acredita que até eu esqueci desse traste
2025-02-09
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Nalva Nascimento
oxe mulher tabacuda porrisso sofre
2024-08-21
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