Passaram-se cinco anos desde o acontecido na casa de minha tia, nesse tempo tive poucas notícias sobre deles, do fundo do coração espero que ela esteja bem, pois apesar de tudo não desejo seu mal e nem que seja infeliz.
Mas a julgar o caráter do marido dela não dá para esperar muita coisa.
O que me faz mais falta são as crianças penso muito nelas, as amo muito, e não gostaria que nada acontecesse a elas, espero que aquele doente não seja capaz de fazer nada contra as filhas, eles têm três filhos juntos, duas meninas e um menino.
Vez ou outra me pego pensando tudo que me aconteceu e todos os dias de terror que passei naquela casa.
Justamente hoje essas memórias nada agradáveis invadem minha mente, talvez por hoje ser aniversário de morte de minha avó.
Confesso que amo muito mais a minha avó do que minha mãe, sei que ela sempre me deu tudo que eu precisava enquanto estava viva, mas minha avó nunca deixou de me dá carinho, me apoiar e estar comigo em todos os momentos.
Sua partida me deixou devastada, se ela estivesse aqui não teria passado por nada do que passei, além de tudo eu tinha muito amor e carinho, ela era minha melhor amiga, minha companheira para todas as horas.
Os dias na casa de minha tia foram muito difíceis, mas ser expulsa sem ter para onde ir foi a gota d'água para mim.
Sem emprego, sem dinheiro, sem família, me vi sozinha na rua, apenas com umas poucas roupas.
Lembro de ter sentado no banco da praça e ter chorado muito abraçada a minha mochila. Até que uma moça sentou ao meu lado e falou comigo.
Carol
— O que você tem? Dia difícil?
— Vida difícil, se fosse só o dia.
— Me chamo Carolina, e de vida difícil eu entendo, moro aqui mesmo na rua. –a olhei e vi uma pessoa sofrida, mas também vi um brilho no olhar e uma força que jamais havia visto em ninguém.
— Como assim?
— Moro aqui mesmo, a noite coloco o papelão alí embaixo. –disse apontando para a entrada de uma loja. — Não sou só eu, tem também meus amigos, aqui na rua somos como irmãos, se um tem pode ter certeza que todos têm também, dividimos tudo.
— Vocês têm lugar para mais uma?
— Claro, sempre tem lugar, posso dividir meu papelão e meu cobertor com você.
— Muito obrigada.
— Você já comeu?
— Pior que não.
— Vem você chegou a tempo pra sopa, tem um pessoal da igreja que trás sopa toda noite. –disse me segurando pela mão.
Essa menina me ensinou a mais valiosa lição, não precisa de muito para ajudar alguém, ela sem nem me conhecer e com tão pouco se dispôs a me ajudar, assim sem segundas intenções e sem esperar nada em troca.
Nunca encontrei alguém com tamanha bondade em minha vida, claro que com excessão de minha avó.
Se todas as pessoas fossem como elas pode ter certeza que o mundo seria um lugar melhor para se viver.
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Atualizado até capítulo 111
Comments
Maristela Cuoghi
triste situação
2025-03-28
1
Eunice Benfica
😔
2025-01-29
2
bela
🥹🥹🥹
2024-08-29
3