Capítulo Sete

Me olho no espelho que tem acima da pia, meus olhos lacrimejam um pouco, mas me seguro para não chorar.

Ligo o chuveiro para tomar um banho, sinto a água escorrer pelo meu corpo e com ela deixo tudo ir, quando termino me seco com uma das toalhas que tem no banheiro.

Visto um dos roupões e saio do banheiro, no quarto encontro uma mesa farta.

— Pedi algo para comer, você deve estar com fome.

— Pediu comida pra quantas pessoas?

— Não sabia do que você gostava, então pedi de tudo um pouco.

— Eu gosto de tudo, de onde venho não se rejeita comida.

— E de onde você vem? –ele pergunta e aponta para que eu sente na cama.

Ele pega um prato coloca sobre uma bandeja e me serve de tudo um pouco e no final o prato fica cheio demais, óbvio que não comerei tudo.

— Obrigada. –digo.

— Não vai responder minha pergunta? De onde você vem?

— É uma longa história.

— Temos muito tempo. –ele se serve e senta no chão, ficando de frente para mim.

— Não é uma história muito feliz.

— Se não quiser falar, tudo bem.

— Não, tudo bem, eu falo.

Conto a ele tudo que me aconteceu até ali, e ele me escuta em silêncio, me olhando no fundo dos olhos.

— Quantos anos você tem? –ele pergunta pegando a bandeja de mim.

— Vinte e quatro.

— Tão jovem e já passou tanta coisa. –dou de ombros. — E seu pai?

— Não lembro dele, e quer saber? Nem sinto falta.

— Gostaria de encontrá-lo?

— Alguns momentos já quis sim, hoje em dia não mais.

— E sua tia? Teve notícias dela?

— Sim, recentemente fiz contato com meus primos, ela estar bem, separou do marido, pede muito que eu vá vê-la, mas ainda não me sinto pronta.

— Entendo, mas é a única família que você tem, meu pai sempre me ensinou a prezar pela família.

— Família não tem nada a ver com laço sanguíneo, família é você quem escolhe e quem te escolhe também.

— Olhando por esse lado sim, mas minha família é muito unida.

— Então... Assim é fácil.

— E seu irmão?

— Não sei, nunca vi, ele deve ter uns nove anos agora.

— Gostaria de conhecê-lo?

— Sim.

— Mudando de assunto e sem querer invadir sua privacidade, e com todo respeito, você namora?

— Não. –ele dá um meio sorriso.

Foco Malu, nada de se iludir! Meu subconsciente grita comigo.

— E mais uma pergunta... Quanto você ganha?

— Mil reais por mês.

— Você consegue viver com seu salário?

— Sim, dá pra pagar as contas, o aluguel.

— E a alimentação?

— Almoço no restaurante, e a dona faz umas marmitas quando sobra alguma coisa, levo pra casa e divido com minha cachorrinha... –falo e lembro que ela estar sozinha, faço cara de espanto.

— Que foi?

— Minha cachorra! Precisa comer.

Levanto da cama muito rápido procurando pelo meu celular. Rapidamente o encontro em cima do criado mudo, quando ligo a tela tem muitas chamadas perdidas de Carol.

*mensagem on*

Eu: Amiga houve um imprevisto, o carro quebrou, não vou voltar hoje.

Carol: Como assim? Te liguei um milhão de vezes, já estava a ponto de chamar a polícia.

Eu: Estou bem, só vai lá em casa e alimenta a Meg, você sabe onde está a chave.

Carol: Ok, se cuida, beijo. Qualquer coisa liga.

Eu: Ok, beijo.

*Mensagem off*

— Tudo bem? –ele pergunta.

— Sim, só pedindo pra Carol alimentar minha filha.

— Na fazenda dos meus pais tem uns quinze cães.

— Eles são ótimos, ela é minha melhor companhia.

— São sim.

Um silêncio constrangedor invade o quarto, eu baixo minha cabeça e encaro minhas unhas, que estão muito mal feitas por sinal.

— Me empresta seu celular? –entrego o aparelho para ele.

— Pronto! Tem meu número aí, qualquer coisa pode me ligar. –apenas sorrio.

Meu subconsciente grita mais alto ainda, "pés no chão Malu, nada de se iludir".

— Não vai me dá o seu? –dou de ombros e estendo a mão para ele me dá seu celular.

— Pronto. –ele sorri levantando o celular.

— Vou tomar um banho. –ele diz tirando a camisa.

Que homem bonito, ele tem um corpo maravilhoso, braços fortes, barriga tanquinho, os lábios são lindos, grossos e bem vermelhos, ele é uma perdição.

— Gosta do que vê? –ele pergunta ao perceber meu olhar. — Pode ver o resto se quiser. –ele diz colocando a mão no botão da calça, eu simplesmente viro o rosto.

Ele entra no banheiro sorrindo, é um cretino mesmo. Enquanto ele toma banho pego meu celular para dá uma olhada nas redes sociais e vejo que tem uma mensagem de Douglas.

Douglas é meu ex, ele sempre foi muito apaixonado por mim, sempre quis fazer sexo comigo e eu nunca quis, ele simplesmente desistiu de tentar e terminou comigo.

Douglas não é feio, mas nunca senti desejo por ele, não sou do tipo que sonha com o homem ideal para primeira vez, mas acredito que tem que ser com alguém que você se sinta a vontade e eu não me sentia com ele.

*Mensagem on*

Douglas: Vamos nos ver? Sinto sua falta sumida.

Antes que eu possa responder Miguel sai do banheiro, ele usa uma camiseta branca que marca perfeitamente seus músculos e uma calça de moletom preta.

— Vamos dormir? –ele convida, encaro a cama em formato de coração e o olho.

— Eu mereço!

— Não é todo dia que terá a oportunidade de dormir em uma cama em formato de coração, se eu fosse você não perderia a chance. –eu sorrio balançando a cabeça negativamente. — Prometo não tentar nada, a menos que você queira. –ele sorri e me olha.

Olho para baixo e percebo que o roupão é um pouco curto, fica na metade das minhas coxas.

— Muito engraçado você.

Ele apaga a luz do quarto e deita, logo em seguida deito também, e para minha má sorte só tem um cobertor.

— Você poderia pedir para trazerem outro cobertor?

— Não vou tocar em você, relaxa.

Estamos a poucos centímetros de distância, sinto meu coração bater cada vez mais forte, sinto o cheiro de seu perfume, nossa como ele é cheiroso.

Minha vontade é partir para cima dele, mas na verdade nem sei como se faz isso direito, e nem é por causa da virgindade, como já disse, não sou do tipo sonhadora, que deseja encontrar a pessoa certa, só sou virgem por falta de vontade de transar mesmo.

Nenhum homem nunca me despertou esse tipo de desejo, digo, até ele cruzar meu caminho.

Sinto minha intimidade ficar úmida, ela grita de desejo por esse homem, meu subconsciente nessa hora grita de desespero, mas meu desejo por esse homem é maior que tudo.

Viro de costas na esperança de não sentir seu cheiro e nem ficar olhando para ele, mas é em vão, sinto minha intimidade cada vez mais úmida de desejo.

De repente sinto sua movimentação se aproximando de mim, sua mão percorre desde o meu pé e para na minha coxa, ele cheira e beija meu pescoço, minha respiração fica ofegante, sinto o volume do seu pênis contra minha bunda, ele está rígido.

— Desculpa quebrar minha promessa, mas é impossível não tocar em você. –ele diz me virando. — Você é muito bonita. –ele diz olhando em meus olhos e colocando uma mexa do meu cabelo atrás da minha orelha.

Ele me beija, um beijo urgente e cheio de desejo, o beijo é gostoso e nada delicado, o cara beija bem ele sabe usar a língua como ninguém.

Enquanto me beija sua mão passeia para baixo do roupão, eu não estou usando calcinha o que facilita para ele, ele massageia meu clitóris e eu gemo de prazer na sua boca. Nesse momento ele encerra o beijo e me encara.

— Como você é gostosa. –ele diz e me beija novamente.

Sem desgrudar nossos lábios ele abre o roupão e encara meu corpo, não sinto vergonha nem nada, sinto um desejo incontrolável por ele.

Ele abocanha um dos meus seios enquanto massageia meu clitóris, eu gemo de prazer, nunca havia sentido isso na vida.

Ele solta meu seio e desce até minha intimidade, começa lamber meu clitóris, cada vez mais rápido e sinto que vou gozar, ele também sente e aumenta a velocidade, até que me derramo em sua boca e ele sorri satisfeito.

Ele tira a camisa e observo seu corpo, logo em seguida desce a calça, ele também não está usando roupa íntima, observo seu membro e é muito grande, fico pensando se isso tudo vai caber em mim. Por um momento ele para e me encara ao me ver imóvel.

— Você quer? –ele pergunta e eu balanço a cabeça que sim.

Ele vai até na bolsa e pega uma camisinha e coloca com a maior facilidade no membro.

— Eu nunca fiz sexo. –ele me olha incrédulo.

— Como assim?

— Nunca fiz.

— Tudo bem se você não quiser, podemos tentar dormir. –ele parece não acreditar.

— Eu quero. –digo decidida.

— Tem certeza? Isso é importante para as mulheres.

— Tenho, vai logo antes que eu desista.

— Isso pode doer um pouco. –apenas assinto com a cabeça.

Ele coloca o membro na entrada da minha intimidade e força um pouco e para, sinto um pouco de dor e uma leve ardência.

— Se quiser parar você fala tá bom? –apenas assinto.

Ele força um pouco mais, ficamos assim alguns minutos, até que finalmente consegue entrar em minha intimidade, ele fica parado um tempo para eu recuperar o fôlego e depois continua.

Seus movimentos vão ficando cada vez mais rápidos, não sinto muita dor, só um leve desconforto, mas sinto muito prazer, ele é muito bom no que faz.

Sinto outro orgasmo se formar, ele também percebe e intensifica os movimentos, meu corpo estremece em um orgasmo intenso e ele também deixa vir e gozamos juntos.

Ele fica ainda alguns segundos dentro de mim, até que saí, não sangrou nem nada, para uma primeira vez foi muito gostoso e prazeroso.

Miguel vai até ao banheiro e se livra da camisinha e volta.

— Vamos tomar um banho? –ele estende a mão para mim.

— Pode ir, eu vou depois. –nunca tomei banho com alguém antes, sinto-me insegura.

— O que foi?

— Nada.

— Vem, deixa eu cuidar de você. –ele diz estendendo a mão para mim.

Meu subconsciente estar com muita raiva de mim nesse momento, decepcionado por eu ter cedido aos encantos desse cretino.

Por fim aceito seu pedido e vou para o banheiro com ele, chegando lá ele me encosta contra a parede me pressionando com seu corpo de forma que eu não consiga sair.

— Você está arrependida? –ele diz olhando em meus olhos.

— Não costumo me arrepender do que faço.

— O que foi então? Você precisa me falar para eu saber, fiz algo que não gostou?

— Não, relaxa, seu desempenho foi bom.

— Não estou falando disso, eu sei que sou bom no que faço. –ele diz e sorri.

— Como você é convencido!

— Então?...

— Está tudo bem okay! Vamos tomar banho, está ficando tarde e preciso acordar cedo amanhã para trabalhar.

Ele coloca sua mão em minha cintura me puxando contra seu corpo e me beija, me perco em seu beijo, poderia passar dias trancada com esse homem que não me cansaria.

Sinto sua excitação apenas ao começar a me beijar, também estou muito excitada novamente.

Ele interrompe nosso beijo e liga o chuveiro e me puxa pra entrar junto. Ele se posiciona atrás de mim e enquanto a água escorre em nossos corpos ele beija meu pescoço e acaricia meu corpo.

Sei que obviamente ele não sente nada por mim, mas é muito atencioso, carinhoso e estar fazendo eu me sentir importante, como nunca me senti antes.

Ele lava cada centímetro do meu corpo e por incrível que pareça não sinto vergonha, sinto-me totalmente entregue e a vontade.

Após alguns minutos e muito beijos terminamos nosso banho e voltamos para o quarto.

— Veste. –ele me entrega uma camisa sua e eu a visto.

Ele se veste na minha frente mesmo, usa a mesma roupa de antes, apenas o observo e percebo que ele gosta dos meus olhares.

— Se você continuar me olhando assim não vou te deixar dormir.

— O quê?

— Esse seu olhar aí, me devorando.

— Eu não.

Finalmente deitamos, ele se posiciona atrás de mim e minutos depois já adormeço, não sei se de cansaço ou por estar muito relaxada.

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Comments

Maria Do Socorro Bezerra

Maria Do Socorro Bezerra

Infelizmente existem famílias que são piores que inimigos.

2025-02-02

2

Maria Do Socorro Bezerra

Maria Do Socorro Bezerra

Sei que para Malu não foi só uma tr@ns@, mas ela estava consciente e quis. Particularmente eu não sou uma mulher atirada, mas confesso que admiro as decididas e empoderadas. Vi muita leveza em sua primeira vez.

2025-02-02

3

Shirley Regina Servim Paraizo

Shirley Regina Servim Paraizo

Ainda bem que elq falou, em alguns livros que leio as muitas mulheres não falam e sofrem na primeira vez

2024-07-21

9

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