Me virei praticamente sozinha a vida inteira, meu pai deixou minha mãe quando eu tinha poucos meses de vida, e ela precisava trabalhar para poder me sustentar foi então que me deixou com minha vó e viajou para capital.
Lá arrumou emprego como empregada doméstica na casa de umas pessoas muito boas que a acolheram muito bem, só que ela não tinha muitas folgas, era apenas no final de semana e ficava muito caro viajar para nossa cidade.
A via somente em suas férias e nas festas do final de ano, era a maior felicidade do mundo tê-la perto de mim. Não que não gostasse de ficar com minha vó, pois ela era muito bondosa comigo.
Os anos foram se passando e minha mãe vinha cada vez menos me ver. Recebia apenas ligações no celular que a mesma havia me dado para nos comunicarmos.
Em uma de suas ligações me falou que estava namorando um homem muito bom e que estavam planejando morar juntos, confesso que falei para ela que estava feliz, mas no fundo só eu sabia a tristeza que me consumia por dentro, se ela já não tinha tempo para mim antes imagina só agora.
Quando fiz quinze anos ela não veio me ver, mas me mandou muitos presentes, inclusive um computador e muitas roupas. No mesmo dia me ligou para me dar parabéns e saber se havia gostado dos presentes e também para me dizer que estava grávida e muito feliz.
Me senti mais rejeitada ainda, pois ela agora teria a família que sempre sonhou.
Minha vó sempre me consolava dizendo que minha mãe me amava e que não ficava muito comigo pois precisava trabalhar para pagar meus estudos e tudo que eu precisasse, mas não é só disso que se vive, eu precisava mesmo era dela, de um carinho, de um abraço.
Passado alguns meses meu irmão nasceu, cheio de saúde só que ela não estava muito bem, aconteceram muitas complicações no parto o que acabou levando ela entrar em coma, e infelizmente um mês depois veio a falecer e eu só pude ver minha mãe novamente morta dentro de um caixão.
Não pude conhecer meu irmão já que ele ficou com o pai e só mandaram o corpo da minha mãe para nós.
Minha vó como sempre foi minha fortaleza, nem parecia que acabara de perder uma filha, me deu forças e me consolou como pôde, sempre ressaltando que estava ao meu lado e que não me deixaria sozinha jamais.
Só que o pra sempre, sempre acaba e os dias dela também chegaram ao fim, dois anos depois da morte da minha mãe ela também se foi e eu fiquei completamente sozinha com apenas dezessete anos.
Fui morar na casa de uma tia, irmã da minha mãe, já que nunca conheci meu pai e nenhum de meus parentes por parte dele.
Só que na casa dela as coisas não eram muito fáceis para mim, virei praticamente empregada, fazia de tudo, lavava, passava, limpava, cozinhava e ainda cuidava dos filhos dela, sem contar as diversas humilhações pelas quais eu passava só para poder ter onde dormir e o que comer.
Mal consegui terminar o ensino médio pois ela não queria me liberar nem pra estudar, mas por tanto implorar ela deixou que eu fosse à escola.
Terminei o ensino médio e quis buscar um rumo para minha vida, mas minha tia não deixou, disse que eu não teria capacidade de me virar sozinha e me manteve assim por mais dois anos.
Aos dezenove anos nunca havia ido à uma festa, nem sequer um namorado eu tinha, mas sem falsa modéstia era muito bonita e sentia muitos olhares sobre mim, inclusive do marido dela.
Certa vez cheguei em casa após deixar meus primos na escola e o encontrei sozinho em casa.
Ele veio com um papinho mole de que eu era muito bonita, que era um desperdício eu estar sozinha e que se eu quisesse ele me mostrava o que era bom, mas por sorte minha tia chegou na hora e ficou me olhando torto como se eu tivesse culpa de algo.
Isso se repetiu por muitos e muitos dias, até que certa vez ele tentou me agarrar e me levar até o quarto, fiquei com muito medo pois jamais havia feito aquilo ou sequer estado com um homem, e se fosse para estar com alguém não seria com ele.
Me recusei e ele bateu no meu rosto com muita força que cheguei a sentir gosto de sangue na boca, me chamou dos piores palavrões possíveis e me prometeu que isso não iria ficar assim e que eu saberia o que era bom.
Minha tia me viu machucada mas não perguntou como havia acontecido, e assim se seguiu os dias, até que em um certo deles ele tentou me violentar, mas por sorte ela chegou bem na hora e o impediu.
Fiquei muito agradecida e acreditei que ela ficaria ao meu lado, mas ao contrário do que pensei, disse para eu ir embora, colocou toda culpa em mim dizendo que eu com certeza havia dado em cima do marido dela, me chamou dos piores palavrões possíveis e disse que nunca mais queria olhar na minha cara.
E assim aprendi como me virar sozinha, mas isso é uma história para outro capítulo.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 111
Comments
Rosimeire Saraiva
É sempre assim na maioria dos casos
2025-01-27
2
Maria Do Socorro Bezerra
O mais triste é que existem muitas mulheres assim, que fingem acreditar no monstro que tem dentro de casa e sempre culpar a vítima.
2025-02-02
2
Rosângela Beserra
dificilmente elas nos defende, sempre a culpada somos nós e não os imbecis dos maridos 😡
2024-09-25
3