Muitos dias depois do cliente folgado ter passado pelo restaurante, eu continuo ainda pensando nele, no seu corpo, seu olhar.
O homem é folgado, mas é uma tentação. Nunca me senti atraída dessa forma por homem nenhum, mas esse folgado não sai dos meus pensamentos.
É até vergonhoso falar isso, mas aos vinte e quatro anos nunca estive com um homem, em outras palavras, sou virgem, já tive uma paquera ou outra, até tive um namorado, mas não passou dos beijos. Com tudo que passei e a vida difícil que levo não me permitem pensar nesse tipo de coisa.
Carol sempre me diz que preciso sair, ver gente nova, conhecer pessoas, mas como fazer isso se não me sobra um centavo?
Antes dela namorar e ir morar com ele nós saíamos as vezes, mas sozinha não tenho ânimo e nem grana.
Os dias em minha vida são sempre iguais, nunca acontece nada de novo, acordar, trabalhar, ir para casa, estudar, (estou tentando passar no vestibular), dormir e assim sucessivamente.
Tenho a impressão de só deitar e já ter que levantar novamente. Mais um dia levanto cedo, pego minha bike e vou pedalando até o trabalho, minha bike é minha paixão, pode até parecer pouco, mas é uma grande conquista para mim, ela é lilás, minha cor favorita, tem uma cestinha na frente e uma garupa, amo muito pedalar.
Chegando lá vou direto para cozinha adiantar os cafés e algumas coisas para dar encaminhamento ao almoço.
Dona Lúcia tem muita confiança em nós duas, deixou tudo em nossas mãos e foi viajar para outra cidade, para casa da filha que acabou de ter bebê.
Enquanto organizo as coisas na cozinha, Carol cuida das mesas, ela não é muito boa em cozinhar, então essa parte fica para mim.
Tudo que sei na cozinha aprendi com minha avó, ela fazia questão de me ensinar tudo, talvez por saber que um dia não a teria mais comigo.
Sou e serei eternamente grata a ela por tudo, por todo o amor, carinho e ensinamentos.
— Malu?! –Carol entra na cozinha correndo.
— O que foi criatura? Você me assustou.
— Ele está aí!
— Quem?
— O bonitão do outro dia.
— E? –falo, mas meu coração acelera.
— E... que ele perguntou por você!
— Quê? O que essa homem quer comigo?
— Não sei, vai lá, eu cuido de tudo aqui, vai corre.
Minhas pernas já não são mais minhas, parecem pesar toneladas, o coração parece que vai saltar do peito, minhas mãos estão congelando.
— Olá, bom dia. –digo tentando não gaguejar.
— Oi. –ele diz e sorri.
— Como posso ajudá-lo?
— Gostaria que você me guiasse até esse endereço. –ele diz colocando o papel sobre a mesa.
— Adoraria ajudar, mas tem meu trabalho, não tenho como ir.
— Quanto custa seu dia de trabalho? Posso pagar, até o dobro se quiser.
— Não, sinto muito, é que eu trabalho aqui, meu dia não está à venda.
— Ela vai sim. –Carol nos interrompe.
Olho para Carol com cara de poucos amigos, se pudesse a mataria só com os olhos.
— Não! Você está sozinha, não tem como.
— Eu me viro bem sozinha, e também o Danilo vem depois do almoço ficar aqui comigo. –Danilo é o marido dela.
— Ótimo, vamos então! –ele parece de divertir com a situação.
— Não vou a lugar algum com o senhor! Até agora não sei o seu nome, o senhor é um completo estranho. Pode ser que seja um serial killer, ou sei lá.
— Sou Miguel Santamarina. –ele diz estendendo a mão. — E você é?
— Maria Luiza, Malu. –digo apertando sua mão.
— Eu preciso de alguém que conheça a área, preciso ver uns terrenos.
— Existe uma coisa chamada GPS, conhece? –digo e ele sorri.
— Sim, conheço.
— Então...
— Mas essas coisas nunca dão a localização exata.
— Óbvio que dão! –digo revirando os olhos.
— Vai logo Malu, o que custa? –Carol diz.
— Pra você se sentir mais segura vou deixar minha carteira com sua amiga. –Carol se adianta e pega logo a carteira.
— Tudo bem. –olho para Carol com meu pior olhar, essa aí vai me pagar.
— Você primeiro. –ele diz para que eu vá na frente.
Ele corre para me alcançar e abre a porta do carro para mim.
O carro é muito mais bonito por dentro do que é por fora, tem cheiro de novo, eu super contente com minha bicicleta, imagine se tivesse um carrão desses.
— Aqui está o endereço. –ele me entrega o papel.
Vou o caminho todo em silêncio, exceto quando preciso indicar o caminho.
— Você tem olhos muitos bonitos. –ele diz quebrando o silêncio.
Realmente meus olhos chamam muita atenção, são cor de âmbar, que realça muito com o tom da minha pele. Minha mãe também tinha os olhos da mesma cor.
— Obrigada. –digo.
— Você não é de falar muito não é?
— Não costumo falar com estranhos, ainda mais estando dentro do carro de um. –ele sorri.
— Não sou estranho, essa é a segunda vez que nos vemos e outra, você sabe meu nome.
— Um nome não quer dizer nada.
— Aí onde você se engana, um nome é muito poderoso, com apenas um nome pode-se descobrir muito sobre alguém.
—É aqui. –falo.
— Vai descer?
— Não, prefiro ficar aqui esperando.
Ele desce do carro e já tem um homem o esperando. Pouco tempo depois ele volta e vem até o carro.
— Melhor você descer, vai demorar um pouco, preciso ver a área. –ele estende a mão para me ajudar a descer, mas apenas saio do carro sem dizer uma só palavra, que cara folgado, o trago até aqui e ainda preciso esperar por ele. Eu mereço viu!
O lugar é muito grande, é uma chácara, com umas quatro casas dentro, uma piscina gigante com área de lazer, mas o que mais me chama atenção é o jardim enorme.
Sempre fui apaixonada por flores, cultivava algumas com minha vozinha, e ver todas essas me fez lembrar dela.
A grama é verde e muito bem cuidada, tem flores de todos os tipos, umas que nunca vi na vida, sento na grama e fico simplesmente admirando a beleza delas, algumas borboletas voam livres por sobre as flores.
Fecho meus olhos, isso aguça minha audição, amo ouvir o som da natureza e sentir a brisa soprando meu rosto.
Não sei quanto tempo fico assim, só sei que quando abro os olhos, os meus encontraram os dele por uma fração de segundos.
Ele me observa com um olhar indecifrável, seu olhar não é vazio, parece que olha dentro da minha alma.
— Já podemos ir? –pergunto quebrando o silêncio.
— Sim. –ele estende a mão para me ajudar a levantar e eu aceito.
Novamente ele abre a porta do carro para que eu entre.
Não faço idéia de que horas são, mas provavelmente já passa das 15 horas e eu nem almocei ainda, Carol me mete em cada coisa.
— Você gostou daqui?
— Sim, é muito bonito.
— Que bom. –vejo um sorriso no canto de sua boca.
Tem uma certa distância de onde nós estávamos para o restaurante, é mais de uma hora de viagem.
— Droga! –diz ele e vai para o acostamento e de repente começa a subir fumaça do motor.
— O que aconteceu?
— Pior que não sei.
— Ligue pra alguém então.
— Esse é o problema, não sou daqui, até alguém conseguir chegar para nos buscar vai demorar muito.
— O que vamos fazer então?
— Ligar para um guincho levar o carro para uma oficina e concertar o carro.
— Mas como você vai pagar se deixou sua carteira com a Carol?
— Posso tranferir o dinheiro usando o celular. –ele sorri. — Pesquise algum guincho aqui da região e que chegue rápido.
Faço o que ele pede e logo encontro um, que infelizmente demora mais de uma hora para chegar.
— Você está com fome? –ele pergunta.
— Sim, muita fome, tomei café muito cedo hoje.
— Eu também, prometo que assim que resolvermos esse problema do carro vou encontar um lugar pra nós almoçarmos.
— Sem problemas.
— Você fala muito pouco. –apenas dou de ombros.
O homem do guincho nos deixa na oficina mais próxima e Miguel vai falar com o mecânico, coisas que nem faço idéia do que seja, como já falei não entendo nada sobre carros, essa conversa demora mais ou menos uma hora, meu estômago ronca de fome e isso me lembra o tempo em que morei na rua, odeia sentir fome.
— Infelizmente o carro não vai ficar pronto logo, ele disse que talvez demore um pouco para conseguir a peça que quebrou, provavelmente amanhã.
— Vou chamar um Uber.
— Não vou deixar você voltar sozinha com um Uber, já está ficando tarde, é perigoso. –o olho com cara de poucos amigos.
— Você não achou perigoso quando era pra eu vir com você não é?
— Não, porque eu me conheço.
— Eu mereço! Vou chamar meu Uber e ir pra casa.
— Não! Você veio comigo e volta comigo, faço questão.
— Você tá ficando louco?
— Só estou garantindo a sua segurança. Venha, o mecânico disse que tem uma pousada aqui perto onde nós podemos passar a noite.
— Eu não vou passar a noite com você coisa nenhuma!
— Em quartos separados, claro. –ele diz e me puxa pela mão.
Andamos mais alguns metros e chegamos a tal pousada, é bem simples mais muito bonita.
— Boa noite. –ele diz. — Gostaria de dois quartos.
— Infelizmente estamos lotados, vai acontecer uma corrida de bicicleta amanhã e vieram muitas pessoas de outra cidade, mas se o senhor desejar temos a suíte lua de mel disponível.
— Pode ser essa mesmo. –ele me olha e sorri.
A recepcionista entrega a chave para ele, e o devora com os olhos, Miguel parece não perceber e se percebe não se importa.
— Obrigada. –ele diz e nós seguimos rumo a suíte lua de mel, eu mereço!
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Atualizado até capítulo 111
Comments
Maria Do Socorro Bezerra
Muito bem, seja grata com o pouco para merecer o muito.
2025-02-02
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Maria Do Socorro Bezerra
Acho que alguém está com ciúmes 😅😅
2025-02-02
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ANA LUCIA ASSIS
esses autores (a) poderiam mudar o contexto. Misericórdia!!!! tudo do mesmo jeito, grávida amanhã e o cara sumiuuuuuu
2025-01-26
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