Capítulo Dezoito

Ao chegarmos em nosso destino José e eu nos despedimos com um abraço e uma promessa de que nos veríamos logo.

Passa um pouco das 20:00 horas quando chego. O motorista de Manuela, a filha de dona Lúcia vem me buscar na rodoviária, ela entrou em contato comigo e disse que ele viria.

Manuela vive em boas condições, tem vários empregados e até motorista. O marido é empresário e ela odontologista.

Espero que ela seja simples como sua mãe, mas dadas as condições talvez não seja tão simples como dona Lúcia, até porque ela vive muito melhor do que sua mãe.

Avisto um homem de meia idade segurando uma plaquinha com meu nome, vou até ele, pois sei que é o motorista que está me esperando.

— Oi, boa noite. –digo estendendo a mão.

— Boa noite, sou Raul, muito prazer. –ele diz apertando minha mão.

— Sou Maria Luiza, mas pode me chamar de Malu. –ele sorri.

A rodoviária não fica muito longe da casa, e que casa, de longe se vê o tamanho, é uma casa muito luxuosa, tipo aquelas de novela. Fica dentro de um condomínio fechado que tem outras casas semelhantes.

Aparentemente aqui só moram pessoas de boas condições, não sei se me sentirei bem morando aqui, já que sou acostumada a levar uma vida simples, sei que sou funcionária, mas a vida de funcionária que deve se levar aqui é bem diferente da que estou acostumada.

— Grande aqui não é? –falo.

— Sim, você vai gostar daqui, os patrões são gente muito boa, e nossos colegas de trabalho também são pessoa ótimas. –respiro aliviada por ouvir isso.

— Que bom.

— Entre pela entrada de serviço, fica alí. –ele aponta a porta e eu vou.

Olho maravilhada para o jardim, é a coisa mais linda do mundo.

Me aproximo da porta que está aberta e entro, na cozinha onde duas mulheres conversam animadamente sobre um show não sei de quem.

— Boa noite. –digo.

— Boa noite. –as duas dizem juntas.

— Sou a nova babá, com quem eu devo falar?

— Com Mariano, ele é o administrador da casa.

— Onde o encontro?

— Sente-se um pouco, ele vem daqui a pouco, ele estava esperando sua chegada, quer uma água?

— Não, obrigada. –sorrio.

— Sou Glória a chef, e você deve ser Maria Luiza!

— Sim, prazer.

— Essa é Amanda, ela cuida da limpeza juntamente com Júlia que já foi se deitar.

— Oi. –digo.

— Que cabelo lindo você tem. –diz Amanda.

— Obrigada. –digo.

Depois das apresentações e elogios, as duas voltam a falar do tal show que elas pretendem ir. Amanda talvez tenha mais ou menos minha idade e Glória aparenta está na casa dos trinta e cinco.

A casa é muito mais bonita por dentro do que por fora e olhe que só vi a cozinha, é tudo muito elegante.

— Oi meninas. –diz Raul entrando.

— Oi. –elas respondem juntas.

— Amor você vai ter que nos levar ao show. –diz Glória para Raul, devem ser namorados, ou então casados.

— Sério que você quer que eu vá? Você sabe que eu não gosto de festas, posso só te deixar lá?

— Vai deixar sua mulher sozinha? –casados com certeza.

— Sim, não vejo problema, eu confio em você, se você quer ir tudo bem, eu deixo vocês e depois busco.

— Tudo bem então. –ela sorri.

— Já podemos ir? –Raul pergunta.

— Vamos só esperar o Mariano vir, para Malu não ficar sozinha. –ela me olha e sorri, sorrio de volta.

— Vocês não moram aqui? –pergunto.

— Não, moramos aqui perto, desde que casamos nos mudamos, Amanda e Júlia moram aqui, e sua colega de quarto também, você sabe que tem uma não é? –Glória diz.

— Sim, sei.

— Ela deve está agora fazendo a bebê dormir.

— Boa noite. –diz um homem entrando na cozinha.

É um homem de uns trinta e poucos anos mais ou menos, alto, forte, mas não tanto, pele clara, muito bonito por sinal. Estou começando a gostar de homens depois dos trinta, eles são mais interessantes.

— Sou Mariano, e você Maria Luiza certo?

— Sim, senhor.

— Vamos até minha sala para você assinar seu contrato e lhe passar suas funções.

— Sim.

— Você já jantou? –ele pergunta.

— Não senhor.

— Glória por favor antes de você ir poderia deixar algo para ela?

— Sim senhor, vou montar um prato e você esquenta no microondas ok Maria. –ninguém nunca me chama de Maria, gostei.

— Tudo bem, obrigada. –ela sorri.

— Vamos. –Mariano diz.

Entrando por uma porta que fica na cozinha temos acesso a outro cômodo, muito bonito e bem organizado.

— Aqui é a ala dos funcionários.

É uma espaço muito grande, muito maior do que minha antiga casa e a de Carol juntas.

— Aqui é a sala. –tem uma tv muito maior  que a minha e um sofá bem grande. — Aqui estão os banheiros, temos dois que são compartilhados entre vocês quatro, Amanda, Débora, Júlia e você.

Não abro as portas para ver como são por dentro porque Mariano anda apressadamente para o próximo cômodo.

— Aqui é a cozinha, para vocês não terem que ficar indo até a dos patrões caso precisem de algo à noite. –a cozinha é bem equipada, tem fogão, geladeira e até microondas. — Vocês podem comprar o que gostam de comer e preparar aqui, fique a vontade.

Ele continua andando muito rápido e corro um pouco para acompanhar seu ritmo.

— Aqui um espaço para lavarem suas roupas. –há uma máquina lava e seca em um espaço anexado à cozinha. — E finalmente aqui seu quarto, que você irá dividir com Débora. –no quarto há duas camas e dois guarda-roupas.

— Agora vamos até minha sala para você assinar seu contrato. –entramos por outra porta e estamos em seu escritório.

Ele senta em uma cadeira atrás da mesa e aponta uma à sua frente para que eu sente. Ele pega alguns papéis de dentro da gaveta e os coloca em cima da mesa.

— Assine os três por favor. –ele diz me dando uma caneta e eu assino. — Pronto, pode me dá sua carteira de trabalho? Os patrões vão assiná-la e depois te devolvo.

— Tudo bem. –digo e lhe entrego o documento.

— Seu horário vai ser de 6:00 horas da manhã às 18:00 da tarde, você almoça ao meio dia, caso a bebê esteja acordada pode almoçar onde ela estiver, mas não a deixe sozinha um minuto.

— Okay.

— Seu salário mensal é 3.500 reais, caso eles precisem de você no fim de semana pagam por fora, é 300 reais o dia de folga trabalhado. –nunca imaginei que ganharia tanto.

— Preciso obrigatoriamente aceitar trabalhar nas folgas?

— Não, mas seria bom que aceitasse, além do dinheiro extra, é bom para eles também, pois não precisam pagar alguém de fora, já que eles se acostumam com os funcionários.

— Tudo bem.

— Alguma dúvida?

— Não.

— Cecília a governanta vai lhe dá uniformes amanhã, não lhe dou agora porque ela já foi se deitar, mas amanhã antes de se apresentar para trabalhar a procure e pegue seus uniformes.

— Tudo bem.

— As refeições são feitas na cozinha principal, almoço ao meio dia, jantar às 19 horas.

— Okay.

— Agora vá jantar, Glória deve ter deixado seu prato na cozinha daqui, olhe na geladeira, e como falei, à noite não use a cozinha principal.

— Tudo bem, obrigada. –estendo minha mãe e ele aperta.

— Por nada, bom apetite, durma bem e não se atrase amanhã, boa sorte no seu primeiro dia.

— Obrigada. –digo e saio de sua sala.

Vou até o quarto e vejo qual dos guarda-roupas está ocupado. Não é muito grande, mas eu também não tenho muitas roupas mesmo.

O quarto é muito bonito, não tem muitos móveis, mas é mais que suficiente.

Minha colega de quarto tem algumas fotos grudadas na parede, ao que parece ser sua família, há muitas fotos de uma menina que talvez tenha uns quatro anos, deve ser filha dela.

Passa um pouco das 23:00 horas quando termino de arrumar minhas roupas e finalmente vou tomar um banho.

Separo a roupa que vou usar, para levar para o banheiro, não vou sair só de toalha pela casa, se bem que nessa parte só ficamos nós mulheres, mas mesmo assim vou levar meu pijaminha.

O banheiro é pequeno comparado ao restante da casa, mas muito bonito também, tudo nessa casa é lindo.

Tomo um banho rápido e não molho os cabelos para não dormir com eles molhados, por sorte tem algumas toalhas no armário do banheiro, já que não trouxe nenhuma na mala.

Termino o banho e vou para a cozinha jantar, e para minha surpresa Mariano está sentado à mesa bebendo um chá. Ele olha para mim instantâneamente quando entro, seus olhos vão direto para minhas pernas, já que meu pijama é composto por uma blusinha de alças finas e um shortinho um pouco curto, ele até tenta disfarçar, mas não consegue, fico um pouco constrangida, só que não posso simplesmente virar as costas ir sair e também estou com muita fome.

— Não sabia que tinha alguém acordado ainda. –digo tentando parecer natural.

— Sou só eu, Amanda e minha mãe, que no caso é Cecília a governanta, elas já foram se deitar. –ele não tinha mencionado antes que ela é sua mãe.

— O senhor também mora aqui?

— Sim, meu quarto e de minha mãe ficam do lado oposto ao de vocês.

— Entendi.

— Você está jantando tão tarde porquê?

— Estava organizando minhas coisas no quarto.

— Ok, mas já está tarde, lembre-se de não se atrasar amanhã.

— Pode deixar. –ele se levanta, lava a xícara e sai.

Vou até a geladeira, pego meu prato, esquento no microondas e como rapidamente, a comida é muito saborosa, meu estômago agradece.

Termino de jantar lavo meu prato, seco e guardo e vou para o quarto, pego minha escova de dentes e vou ao banheiro, faço minha higiene e vou deitar para dormir.

Estou um pouco ansiosa com o que me espera amanhã, mas tenho certeza que tudo dará certo, sinto que agora minha vida vai mudar.

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Comments

Rosimeire Saraiva

Rosimeire Saraiva

Acho que ela foi morar no mesmo condomínio que os pais dele mora

2025-01-28

1

Quase cinquentona🥴🥺😔😩

Quase cinquentona🥴🥺😔😩

Doze horas por dia, e todo dia? Que absurdo!!!! Alguém avisa pro patrão,que a escravidão já acabou .🥴😡🤮

2025-02-04

2

Anonymous

Anonymous

Trabalho escravo

2024-08-11

2

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